Anistia Internacional
A Anistia (português brasileiro) ou Amnistia (português europeu) Internacional é uma organização não governamental que defende os direitos humanos com mais de 7 milhões de membros e apoiantes em todo o mundo. O objetivo declarado da organização é "realizar pesquisas e gerar ações para prevenir e acabar com graves abusos contra os direitos humanos e exigir justiça para aqueles cujos direitos foram violados".
Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse
A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, na sequência de uma notícia publicada no ano anterior pelo jornal Daily Telegraph sobre a condenação de dois jovens estudantes portugueses a sete anos de prisão por gritarem "viva a liberdade" numa esplanada no centro de Lisboa durante o regime de Salazar. O causídico apelou aos países que libertassem pessoas detidas por motivos de consciência, incluindo convicções políticas e religiosas, preconceitos raciais ou linguísticos. O movimento foi formalmente lançado com a publicação, em 28 de Maio desse ano, no jornal The Observer, do artigo The Forgotten Prisioners, denunciando vários casos mundiais. Em 2025, a Amnistia Internacional foi declarada uma organização indesejável na Rússia.
Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse
A Amnistia Internacional averigua denúncias de prisões políticas, torturas ou execuções. Para isso, o Secretariado Internacional, através do seu Departamento de Investigação, recolhe toda a informação possível relacionada com os casos suspeitos, e, se necessário, envia missões de investigação ou para a observação de julgamentos. Mas o movimento obriga-se à imparcialidade das suas tomadas de decisão e, para isso, impõe às suas estruturas operacionais, suas células de base, que não recebam nem tratem casos relacionados com o próprio país. As únicas exceções são o trabalho de divulgação ativa dos direitos humanos, a luta contra a pena de morte ou a proteção dos refugiados objeto de perseguição política nos seus países de origem.[carece de fontes?]
Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse
O papel desempenhado por esta organização não-governamental em relação aos direitos humanos foi, e continua a ser, de tal ordem importante que, em 1974, Sean MacBride, presidente da organização, recebeu o Nobel da Paz. Três anos mais tarde a própria organização foi galardoada pelo mesmo prémio.
Imagem: Conselho Nacional do Ministério Público · BY-SA · Openverse
Relações com o governo britânico
No início da história da Amnistia Internacional, como agora é comprovado por vários documentos, ela foi secretamente apoiada pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido. Em 1963, o Ministério Britânico instruiu seus agentes no exterior a fornecer "apoio discreto" para as campanhas da Anistia. No mesmo ano, Benenson escreveu ao Ministro do Gabinete Colonial, Lorde Lansdowne, uma proposta para apoiar um “conselheiro de refugiados” na fronteira do que agora é o Botswana e a África do Sul. A Anistia pretendia ajudar as pessoas que fugiam da fronteira com a vizinha África do Sul, mas não aquelas que estavam ativamente engajadas na luta contra o Apartheid. Benenson escreveu:
Aprovação de falsidades no Iraque
Em 1990, quando o governo dos Estados Unidos estava decidindo se invadiria ou não o Iraque, uma mulher do Kuwait, conhecida no Congresso apenas pelo primeiro nome, Nayirah, disse ao congresso que quando o Iraque invadiu o Kuwait, ela ficou para trás depois que alguns de seus familiares foram embora o país. Ela disse que era voluntária em um hospital local quando soldados iraquianos roubaram as incubadoras com crianças e as deixaram congelarem até a morte. A Amnistia Internacional, que tinha investigadores dos direitos humanos no Kuwait, confirmou a história e ajudou a divulgá-la. A organização também inflou o número de crianças mortas no roubo para mais de 300, mais do que o número de incubadoras disponíveis nos hospitais municipais do país. Essa história muitas vezes foi citado por pessoas pró-guerra, incluindo os membros do Congresso que votaram pela aprovação da Guerra do Golfo, como uma das razões para lutar. Depois da guerra, descobriu-se que a mulher estava mentindo, a história foi inventada e seu sobrenome não foi informado porque seu pai era delegado do governo do Kuwait na mesma audiência do Congresso. A história toda ficou conhecida como 'a Testemunha de Nayirah'.


