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Amor romântico

Amor romântico é, nos sentidos mais amplos, uma forma relacional de amor que, podendo envolver sexualidade física ou não, atrela-se mais a uma idealização e atração intensa à pessoa do outro, abrangendo aspectos como confiança profunda, paixão, pensamento obsessivo, sentimento de união e desejo de manter-se um relacionamento duradouro. Em sentidos mais estritos, costuma levantar problemas de definição e polissemia, por exemplo entre historiadores que utilizam o termo para se referir a expressões associadas a desenvolvimentos culturais específicos, como o amor cortês, ou mais em particular às concepções modernas do amor derivadas do contexto do romantismo, cujos expoentes declaravam mais conscientemente e enfaticamente as suas características distintas, como a idealização da mulher, a realização subjetiva com um outro e a valorização do amor como fim em si, frente a todos os outros aspectos da vida.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Delimitação conceitual

O termo “amor romântico” é utilizado no mundo inteiro, porém de forma elástica e polissêmica, referindo-se a diversos tipos de relacionamentos, estados emocionais e crenças. Suas origens são também variadamente apontadas: como tendo surgido em contextos específicos, ou presente em todos locais e tempos históricos. O que se pode definir é que a combinação lexical “amor romântico” é uma invenção recente, independente de sua conotação. Diversas experiências subjetivas se agrupam em torno do termo “amor romântico”, a maior parte delas se constituindo de sentimentos que fundamentam a etapa inicial de um apaixonamento. Apesar das diferenças individuais, pode ser caracterizado por um conjunto relativamente fixo de estados biopsicológicos e modos emocionais. Na maior parte da literatura contemporânea sobre amor romântico, um dos critérios necessários é a consideração de que a pessoa amada é insubstituível e idealizada positivamente como alguém único, junto a outras características como: paixão, pensamento intrusivo, dependência afetiva, intimidade, empatia e sensação de relacionamento perene. Ele envolve características biológicas, psicológicas e socioculturais, e é o fator mais saliente promotor de vínculo em relações reprodutivas diádicas.

Primeiras ocorrências

Friedrich Bouterwek foi talvez o primeiro especialista literário a descrever e reconhecer a existência da escola romântica moderna. Anteriormente nos primeiros anos do século XIX, ele já utilizava o termo “romântico” para se referir à literatura medieval e da Renascença. Assim também, empregou o termo “amor romântico” (romantischen Liebe) para se referir ao amor cortês da Idade Média quando afirmou que “a nova poesia é uma filha do amor romântico", em sua resenha aos Schriften de Novalis. Nela, também afirmou: “a convicção da simples verdade de que a alma é mais valiosa que o corpo... que o reino espiritual está sujeito a outras leis além do reino da natureza, e que este último... deve obedecer ao primeiro... [produziu uma] nova paixão humana, amor sentimental.”

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Historiografia e antropologia

Há também estudos etnográficos recentes que apontam para outras formas de relação, além da monogamia e heteronormatividade, que modificam as expressões de amor romântico, de maneira que se verificam em outras culturas idealizações diferentes do amor. Em um estudo etnográfico de uma comunidade mórmon poligâmica, o amor romântico diádico como preferência aparece como um desafio ao ideal de amor plural da comunidade; e em outros estudos sobre comunidades poligâmicas, relatos apontam que o ciúme não é inevitável, e também que em relacionamentos não exclusivos há uma hierarquia emocional, em que um amante é visto como primário em relação a outro. Na década de 1990, o conceito de poliamor começou a ser difundido. A partir de 1997 no Brasil, surgiram publicações na mídia sobre uma "crise do amor romântico", alegadamente atrelada ao fim de um patriarcado. Desde o final daquela década, o sentimento do amor romântico foi criticado principalmente por Regina Navarro Lins como atrelado à repressão sexual e monogamia, enquanto ela defendia "outras formas de amar", como a de relacionamentos poliamorosos.

Debate da universalidade

Desde o século XIX na historiografia, foi dominante a consideração de que o amor romântico é uma invenção ocidental do século XII, originada do amor cortês. Essa visão parte do pressuposto do construcionismo social para a natureza humana, mas vem sendo contestada nas últimas décadas com o surgimento da psicologia evolucionária, de maneira que muitos atributos do amor sexual antes vistos como culturalmente específicos são hoje considerados por psicólogos, sociólogos e antropólogos como atributos universais da espécie. Assim, muitos antropólogos veem o amor romântico como sendo endêmico entre os seres humanos, tendo surgido com a formação de vínculo de longo prazo entre pares. O que ocorrem são adaptações socioculturais de elementos biológicos do vínculo, que explicam a variedade de expressão do amor romântico nos contextos ambientais.

Dados etnográficos

Posições iniciais da antropologia também influenciaram os debates a favor e contra a universalidade do amor romântico, sendo nisso notória a obra de Bronislaw Malinowski A Vida Sexual dos Selvagens (1929). Apesar de o autor afirmar que os costumes e códigos sexuais entre os trobriandeses eram simples, em um determinado ponto do livro ele indica: "Embora o código social não favoreça o romance, elementos românticos e ligações pessoais imaginativas não estão totalmente ausentes no namoro e casamento em Trobriand”. Schiefenhövel afirma que houve um lapso nos estudos de etnógrafos da época como Malinowski, devido ao ímpeto que eles tiveram de buscar uma sociedade com estruturas de sexualidade alternativas à europeia, a ponto de não investigarem profundamente o tema do “romance” em outras culturas. Outros etnólogos posteriores descreveram códigos de cortejo e amor não direcionados à relação sexual entre ilhéus da Papua-Nova Guiné, e há críticas e relatos muito diferentes aos de Malinowski sobre os trobiandeses, entre os quais se registra a composição de cartas de amor, músicas e textos em que se cantam a saudade, alegria e tristeza do amor romântico. Também a afirmação de outro antropólogo, Donald Marshall, de que “os sentimentos de amor romântico eram totalmente desconhecidos dos mangaianos”, e que para eles o mais importante era a relação sexual, foi refutada pelo trabalho de campo de Helen Harris, que confirmou o papel importante do romance na vida amorosa dos nativos.

Variedade cultural

O amor romântico ser considerado um universal cultural não indica que ele necessariamente é um universal absoluto, que deva existir em todo indivíduo e grupo social. Essa afirmação também é muito ampla e deve ser analisada em como esse amor se apresenta: se como fenômeno literário, fato antropológico, moral sociológica prevalente, ou como emoção. Pode-se afirmar que há diversas evidências da presença do amor romântico em todas essas dimensões, entre muitas culturas, ao longo da história. Porém, o amor romântico se tornou um fenômeno de massa apenas nos últimos séculos, em sociedades ocidentais modernas e algumas outras. Nem todos indivíduos de uma cultura passam pela experiência do amor romântico: Jankowiak e Harris chegam a afirmar que isso é incomum até mesmo entre as chamadas culturas românticas do ocidente, que celebram o apaixonamento. Por outro lado, seus achados demonstram que, em cada cultura, há pelo menos alguns que conseguem essa experiência, mesmo em face das mais repressivas sanções.

Condições sociais

Em 2016, de Munck junto com Andrey Korotayev e Jennifer McGreevey propuseram um modelo biossocial híbrido para unir a explicação de Lindholm, sobre a elaboração societária do amor romântico, e as razões evolutivas de sua função em ampliar o sucesso reprodutivo. Os resultados apontam que, quando há maior presença de família extensa no casamento, o amor como um critério de casamento diminui; e quando o status das mulheres é mais emancipado, o amor tende a aparecer como critério. Isso vai de apoio à hipótese evolucionária de que o amor romântico possui papel em criar vínculos de par apenas em contextos sociais onde outros vínculos para cuidados estão menos disponíveis. Anteriormente, de Munck e Korotayev também apontaram evidência de que em sociedades altamente patriarcais e com desigualdade de gênero, o amor romântico não tendia a prosperar e ser valorizado; e também que o amor romântico tendia a ser suprimido em culturas que promovem relações sexuais extramaritais ou antes do casamento.

Evidências literárias

Jonathan Gottschall, em 2008, analisando a evidência literária, concluiu que o amor romântico é um “universal cultural estatístico”, com base em 75 contos de folclore de uma ampla gama cultural. No último milênio, verifica-se que houve aumento de elementos do amor romântico na literatura da Europa e Ásia. A historiadora Julie Meisami afirma: “Existem vários paralelos importantes e mutuamente esclarecedores entre o aparecimento do romance, quase no mesmo período, na literatura cortês do Oriente e do Ocidente.” Octavio Paz e Mike Featherstone também apontam que, que apesar de diferenças, o amor romântico surgiu além do mais em contextos não ocidentais, como o mundo islâmico, Índia e Leste Asiático.

Desenvolvimento econômico

O historiador Georges Duby propusera a hipótese de que o desenvolvimento econômico era um fator fundamental para explicar a ascensão do amor na Europa Ocidental. Uma pesquisa de 2022 indica que a literatura de amor romântico do período medieval surgiu em um período de aumento de população, urbanização e de PIB per capita. Isso também se confirma em outros períodos e locais: a ficção era mais romântica durante o período helenístico e romano inicial (300 a.C.–200) do que no período grego arcaico e no Império Romano tardio; durante as dinastias Song, Yuan e Ming do que na dinastia Tang; durante o período Edo, em relação ao Kamakura e Muromachi. Há aumentos notáveis nos períodos medieval central e moderno inicial da França e Inglaterra, em contraste com áreas da Europa menos desenvolvidas, como a Irlanda, País de Gales, Noruega, Rússia e Império Bizantino. Também houve notório aumento de literatura romântica durante o Califado Abássida árabe e o período Heian japonês. Tal como os historiadores culturais apontavam, há uma convergência, no mesmo período cronológico, de aumento da presença do amor romântico na França, Inglaterra, Japão, Índia e China.

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Sociologia

É uma visão predominante entre representantes das artes e humanidades, e opinião de autoridade entre importantes acadêmicos da sociologia, de que o amor romântico seria exclusivo da sociedade moderna e ocidental. Na sociologia cultural e disciplinas afins, a visão clássica é a de especificidade, ao invés de uma universalidade, desse tipo de amor. Seus expoentes afirmam que há um "código do amor romântico" que é produto do início da modernidade ocidental, base e primórdio da parceria sexual, atrelada à burguesia e à separação das esferas privada e pública. Dentre os mais influentes proponentes dessa posição sociológica cultural estão Niklas Luhmann; Anthony Giddens; e a obra de sociologia das relações diádicas por Karl Lenz, bem como a da sociologia das relações íntimas editada por Kornelia Hahn e Günter Burkart. Essa visão também ocorre na posição histórico-construtivista, defendida no compêndio Sexualidades Ocidentais, editado por Philippe Ariès e André Béjin, e por Michel Foucault, com seu livro História da Sexualidade. Porém, no volume 2 de História da Sexualidade, Foucault concede, segundo ele, como uma das raras ocorrências antigas que apontariam ao amor romântico, a fala de Diotima em O Banquete de Platão.

Individualismo e família burguesa

Ann Swidler, que segue inspiração do modelo foucaultiano de genealogia, afirma que as narrativas de amor cortês medieval, que não focavam no casamento, foram reformuladas para a família burguesa na "cultura do capitalismo inglês inicial”: “[ele] assumiu a forma quintessencial do romance inglês do século XVIII (...) Ambos leitores e escritores estavam mergulhados no individualismo da nação mais capitalista e protestante do mundo. O amor se tornou o mito focal do individualismo." Em A Transformação da Intimidade, Anthony Giddens relaciona o amor romântico com os contextos de poder e criação de discursos no casamento, família e sexualidade. Ele distingue o amor passional (amour passion), que considera mais universal e atrelado à sexualidade, em relação ao amor romântico, que seria mais culturalmente específico. Este, em sua definição, estabelece uma narrativa ao indivíduo, na qual o amor sublime predomina sobre os componentes sexuais, concilia a liberdade e autorrealização do sujeito, e lhe traz uma fórmula de se buscar alguém que torne sua vida completa.

Relação entre os amantes

William Reddy, tal como Giddens, afirma que o dualismo entre desejo e amor é único à concepção ocidental do amor romântico: o amor e o desejo sexual são sentidos ao mesmo tempo, mas há uma continência do desejo visando ao bem-estar do outro e, nessa tensão produtiva, ambos aspectos podem ser satisfeitos. Isso pode ser visto desde o personagem Pausânias em O Banquete de Platão, que descreveu a existência de dois tipos de amores: um “baixo” e outro “nobre”; e foi atualizado também por Freud, ao apontar a existência de conflitos na clínica psicoterapêutica entre o desejo sexual e o amor, enquanto o amor romântico é visto como um ideal que une a ambos.

Efeitos da modernidade

Há consenso na sociologia de que as experiências de amor e relacionamentos românticos estão mudando devido aos processos da modernidade, tais como: a separação de sexo e reprodução; a popularização de ideologias psicoterapêuticas; o consumismo; a urbanização; a industrialização. Exemplos de efeitos apontados são de que os relacionamentos românticos estão se tornando cada vez mais voluntários e exigindo constantes negociações; há maior comodificação do amor, em que a expressão romântica se torna mais dependente do consumo de experiências de entretenimento; ocorre a expansão de repertórios culturais sobre essas experiências amorosas; e os amantes possuem menos guias institucionais para a busca romântica.

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Literatura e folclore

Todas as dinastias chinesas a partir do século V apresentam ficções caracterizadas por alto nível de amor romântico, apesar das diferenças entre uma e outra. Um exemplo de história de amor é O Pavão Voa para o Sudeste (século V), em que um casal é separado por imposição da família, apesar de ambos se amarem. A esposa se mantém sem se casar novamente e termina por se suicidar. O conto Han Peng no Em Busca do Sobrenatural conta sobre um casal devoto e votos de eterno amor: a esposa é obrigada a se casar com um príncipe, e tenta se reunir com seu marido. Ao falharem, ambos cometem suicídio e, no final, são enterrados sob duas árvores, que crescem com os galhos entrelaçados. Na dinastia Tang, aparecem diversas histórias de amor, que continuam florescendo nas dinastias sucedentes. Entre as dinastias Tang e Song, o aumento no nível de amor romântico pode ser evidenciado na poesia particular de mulheres, biografias de cortesãs e textos funerários que celebravam a fidelidade e compromisso amoroso de mulheres.

Panorama geral

O amor romântico é um topos literário recorrente em diversas culturas e períodos. Na Grécia Antiga, por exemplo, há os casos de Helena e Páris; Héracles e Ônfale; Dido e Eneias; Medeia e Jasão. Os teóricos que afirmam que o código romântico é uma exclusividade do Ocidente e da modernidade não costumam fazer referência ao corpus textual de outras culturas em que se encontram características do amor romântico, e ignoram, por exemplo, o Cântico dos Cânticos hebraico do Velho Testamento. A fábula suméria do amor que Inana tinha por Dumuzi é de cerca de 2000 a.C. Em motivos folclóricos, aparecem nas variadas culturas contos que refletem temas de desejo romântico, como por exemplo o da donzela-cisne, o qual se especula ter se difundido pela Eurásia e América por volta de 5000 a.C. Barbara Fass Leavy aponta: “Os contos da donzela-cisne sugerem que o amor romântico constitui não apenas uma tradição literária, mas também um sonho universal resultante da capacidade imaginativa humana de imaginar uma vida melhor”; e Sudhir Kakar e John M. Ross afirmam que as culturas "usam seus mitos de amor da mesma maneira que os indivíduos usam sua fantasia sexual central: para expressar seus desejos mais profundos que estão totalmente em desacordo com as ideologias aceitas do relacionamento homem-mulher"

Critérios de identificação

Nicolas Baumard realizou em 2021 uma análise global e histórica das narrativas de amor romântico. Baseando-se na definição científica moderna de amor romântico, são consideradas por ele como narrativas mais “românticas” aquelas que apresentam elementos sobre atração mútua, apego emocional, compromisso de longo termo e priorização do amor (incluindo ações como suicídio por amor, e representações de saudade intensa e “coração partido”). Ele considerou que um “complexo romântico” corresponde ao que David Konstan chamou de “simetria sexual” em histórias antigas clássicas: quando há simetria entre dois personagens e ênfase em seus sentimentos, como o de apego emocional e amor à primeira vista; ênfase maior no compromisso relacional do amor do que nos aspectos sexuais; e ambos personagens ativamente buscam o amor, expressando até mesmo ações intensas.

Romances de amor

Comumente se chama de “romance de amor” o gênero de histórias de amor escritas em prosa que surgiram durante o período romano tardio. Exemplos mais conhecidos são Dáfnis e Cloé, As Etiópicas, As Aventuras de Leucipe e Clitofonte e o Conto Efésio de Ântia e Habrocomes. Eles foram altamente influentes durante séculos e descrevem amantes que enfrentam obstáculos em sua união, podendo até considerar o suicídio, mas há um final feliz. A última obra foi uma das fontes do Romeu e Julieta de Shakespeare. Posteriormente a cultura francesa foi a mais prolífica em disseminar o gênero pela Europa, por exemplo com L'Astrée de Honoré d'Urfé. Também se pode mencionar a difusão italiana por Ariosto.

África e Antiga Mesopotâmia

Na África antiga, provavelmente os egípcios foram os criadores dos mais antigos poemas de amor, que aparecem desde o Império Novo (1580–1085 a.C.). Seu conteúdo não era sobre relações sexuais, mas sobre o amor em si através da voz de um dos amantes ou de um terceiro. Em uma coletânea, é descrita a felicidade e o desespero de alguém em estado de amor apaixonado, o que é evidência de um precursor do amor romântico. “Eu queria ser teu espelho para que sempre olhasses para mim. Eu queria ser tua roupa para que sempre me usasses. Eu queria ser a água que lava teu corpo. Eu gostaria de ser o unguento, ó mulher, para que eu pudesse te ungir. E a faixa em volta dos teus seios, e as contas em volta do teu pescoço. Eu queria ser tua sandália para que me calçasses! Ouvir tua voz é vinho de romã para mim: Ganho vida dela ouvindo. Pudera eu te ver com cada olhar, Seria melhor para mim Do que comer ou beber.” ―Um dos poemas egípcios mais populares do século VI a.C.

Grécia

Na Grécia, do período grego clássico ao período romano tardio, havia alto desenvolvimento econômico e, em correlação, presença de histórias com nível alto de amor romântico. Houve uma queda do nível econômico e das histórias altamente românticas durante o período medieval inicial, até que esses índices foram retomados a partir do período medieval central, continuando até a modernidade. Alguns elementos românticos aparecem nas narrativas arcaicas gregas, como a separação de Heitor e Andrômaca e a reunião de Odisseu e Penélope, porém o amor tem importância marginal em seus mitos e folclore. Na história original da Guerra de Troia, os elementos românticos são raros; mesmo nos trechos da Ilíada em que há paixão erótica, há uma dissimetria em que predomina a voz masculina e a história de amor não é principal. Porém depois, diversas histórias nela se inspiraram dando uma importância maior ao amor romântico, como a Helena de Eurípides, Aquileida de Estácio, Eneida de Virgílio e Heroides de Ovídio; continuando a ser reescrita na Idade Média e Idade Moderna, em versões mais altamente romantizadas.

Índia

Durante o período védico-arcaico, o desenvolvimento econômico e o número de histórias com alta quantidade de elementos românticos eram ambos baixos. A partir do período clássico (século V a.C.), ambos os índices se tornaram elevados, em uma tendência que ocorreu até a modernidade. Com a transição urbana indiana, segundo Francesca Orsini, “o amor tornou-se o principal exemplo e o foco de uma sofisticação emocional e estética muito maior”. Exemplos incluem o amor simétrico de Nala e Damayanti no Maabárata; o poema Kuṟiñcippāṭṭu (c. século I a.C); os dramas de Calidasa; o romance Kadambari de Banabhatta (século VII), centrado no apego e união romântica entre um casal heroico.

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Psicologia

A maioria dos psicólogos evolucionistas defendem que o amor romântico é uma resposta às famílias nucleares dos caçadores-coletores primitivos, com a função de manter os homens vinculados em cuidado à parceira e sua prole. Para a maior parte dos coletores nômades, a condição geral era de igualdade de gênero, organizados principalmente em familiares nucleares. Pesquisas atuais parecem dar suporte à hipótese de que condições de igualdade de gênero e intimidade produzem valores e normas culturais que apoiam o amor romântico. Diversas taxonomias foram propostas nas pesquisas científicas para especificar variedades do amor, e elas geralmente incluem um tipo descrito como amor “romântico”, “apaixonado” ou “erótico”. O interesse em sua pesquisa e teoria se dá pela busca e importância que recebe pelas pessoas, principalmente em um contexto em que é exaltado na cultura ocidental: tornou-se fundamental em contratos de relacionamentos amorosos, a ponto de a ausência do amor romântico ser um fator de dissolução do casamento.

Relação com a sexualidade

No discurso da maioria das pesquisas da psicologia social até 1998, a sexualidade era uma das dimensões que distinguia o amor romântico de outros tipos de amor, mas há diversos debates sobre qual a relação entre ambos, o que varia de acordo com a perspectiva teórica, não havendo consenso. Os psicólogos Arthur Aron e Elaine Aron distinguem as várias teorias em cinco categorias: há teorias de sexualidade que ignoram o amor ou o consideram resultado da sexualidade, como as abordagens de Freud e da sociobiologia; há teorias em que a sexualidade predomina e o amor é um componente menor dela, como visto em Bowlby; há teorias que consideram ambos como separados (Reiss); teorias em que é dada prioridade ao amor e a sexualidade é uma parte menor dele (Sternberg; Lee; e Rubin); e teorias que ignoram sexualidade ou consideram-na um resultado do amor (Kenneth Dion e Karen Dion; Maslow; e teoria das relações objetais).

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Biologia e fisiologia

Na literatura médica, as manifestações psíquicas de pessoas sob a influência do amor romântico foram classificadas como se assemelhando a sintomas de algumas condições psiquiátricas, tal como a adicção. Os efeitos se apresentam quando se pensa sobre uma outra pessoa amada romanticamente ou quando se evocam suas características associadas; quando se está junto em presença dela; quando há entendimento e resposta a símbolos e sinalizações eróticas, bem como na possibilidade e gratificação de um contato físico e sexual. Reações comuns são de exuberância e sentimentos alegres; aumento de batimento cardíaco e de sudorese; “borboletas no estômago”; alterações em expressões faciais e postura corporal; sinais de excitação sexual; e frequentemente um senso elevado de bem-estar e estado de mente mais ativo, por exemplo ao despertar a composição de poemas e músicas. O outro amado romanticamente é visto como muito especial, frequentemente recebe tratamento carinhoso e confiança incondicional. É comum ocorrer humor depressivo e desespero em situações de distanciamento, separação ou conflitos entre o par romântico. Palavras e gestos simbólicos possuem papel relevante em um relacionamento romântico, promovendo intensos estados de excitação. Também é importante a discrição e sigilo, o que, para além de contextos culturais de indecência ou proibição, pode reforçar emoções de amor e ser um traço evolutivo com vantagens em meio a competidores: em chimpanzés, casais com atração mútua se segregam como consortes e realizam coito em segredo, o que são também características típicas na espécie humana.

Modelos evolutivos

O amor romântico é visto por pesquisadores evolucionistas como um conjunto de adaptações que serviu para ampliar funções, como a formação de vínculo de par e foco em um parceiro preferido, sinalização de compromisso, fidelidade, investimento parental e fornecimento de recursos emocionais e psicológicos. Bode e Kushnick realizaram uma revisão abrangente do amor romântico de uma perspectiva biológica em 2021. Eles consideraram a psicologia do amor romântico, seus mecanismos, desenvolvimento ao longo da vida, funções e história evolutiva. Com base no conteúdo dessa revisão, eles propuseram uma definição biológica do amor romântico: "O amor romântico é um estado motivacional tipicamente associado ao desejo de acasalamento de longo prazo com um determinado indivíduo. Ocorre ao longo da vida e está associada a atividades cognitivas, emocionais, comportamentais, sociais, genéticas, neurais e endócrinas distintas em ambos os sexos. Ao longo de grande parte do curso da vida, ele desempenha funções de escolha do parceiro, cortejo, sexo e formação de pares. É um conjunto de adaptações e subprodutos que surgiram em algum momento durante a história evolutiva recente dos humanos."

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Cultura popular

O amor romântico é atualmente recorrente na música pop, em livros de romance, redes de namoro online e também como objeto comercial, como no Dia dos Namorados e em serviços de casamento. É um dos mais importantes temas no cinema contemporâneo, sendo central por exemplo em Titanic, Forrest Gump, O Segredo de Brokeback Mountain e filmes do Shrek.

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