Ana Maria Gonçalves
Ana Maria Gonçalves ORB é uma escritora brasileira e a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras.
Imagem: Universidade Lusíada de Lisboa · BY-NC-SA · Openverse
Ana Maria Gonçalves nasceu em Ibiá, Minas Gerais, em 1970. Começou a escrever contos e poemas desde a adolescência, sem chegar a publicar. A paixão pela leitura nasceu durante a infância, e desde criança lia jornais, revistas e livros. Trabalhou como publicitária em São Paulo, mas abandonou a profissão em 2002 para morar em Itaparica e escrever seu primeiro livro, Ao lado e à margem do que sentes por mim. O romance foi lançado de forma independente em 2002, e vendeu praticamente toda a edição de mil exemplares através da divulgação pela internet. A autora trabalhou durante 5 anos para escrever seu segundo romance, Um defeito de cor, dos quais utilizou dois anos para uma pesquisa rigorosa, um ano para escrita e mais dois anos para reescrita, sendo lançado em 2006, pela editora Record. A obra conquistou o Prêmio Casa de las Américas na categoria literatura brasileira, em 2007, sendo considerado por Millôr Fernandes o livro mais importante da literatura brasileira do século XXI. A obra, inspirada na vida de Luísa Mahin, celebrada heroína da Revolta dos Malês, conta a trajetória de uma menina nascida no Reino do Daomé e capturada como escrava aos 8 anos, até a sua volta à terra natal como mulher livre.
Imagem: Universidade Lusíada de Lisboa · BY-NC-SA · Openverse
Em 2023 o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela baseou seu o enredo do seu desfile de 2024 no livro Um defeito de cor, e a obra alcançou o topo dos mais vendidos da Amazon. Em 10 de julho de 2025, a escritora mineira Ana Maria Gonçalves foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na instituição, com 30 votos dos 31 acadêmicos. Autora do premiado romance histórico “Um Defeito de Cor” (2006), que narra a trajetória de Kehinde — mulher africana escravizada no Brasil e inspirada na figura de Luísa Mahin —, Ana também é reconhecida por sua atuação no teatro e por seu papel na valorização da literatura afro-brasileira. Sua eleição foi amplamente celebrada por personalidades da cultura e da política, sendo considerada um marco na busca por maior diversidade e representatividade dentro da ABL. A academia também destaca que a escritora tem sólida atuação no Brasil e no exterior ─ foi escritora residente em instituições como Tulane, Stanford e Middlebury, nos Estados Unidos. "Tem se destacado pela difusão de debates sobre literatura e questões raciais, além de atuar como professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais."


