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Análise financeira

A análise financeira refere-se à avaliação ou estudo da viabilidade, estabilidade e capacidade de lucro de um negócio ou projeto. Engloba um conjunto de instrumentos e métodos que permitem realizar diagnósticos sobre a situação financeira de uma empresa, assim como prognósticos sobre o seu desempenho futuro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Evolução da análise financeira

Nos anos 80, dá-se uma revolução financeira, marcada pelo aumento dos riscos financeiros a que as empresas estavam expostas, pela crescente importância das emissões de títulos no financiamento das empresas e pela consequente relevância quer da gestão de tesouraria, quer das variáveis financeiras. A implicação desta revolução foi o aumento do número de entidades que emitem pareceres sobre a situação financeira das empresas, não estando já este papel reservado apenas aos bancos, aparecendo aí os auditores e suas empresas de auditoria. Esta evolução foi acompanhada de alterações na gestão das empresas, no sentido de questionar os tradicionais instrumentos de análise financeira (como os rácios ou o fundo de maneio), não para os inviabilizar mas antes para os enriquecer. A medida que a Análise Financeira evolui, torna-se assim cada vez mais claro que não se trata de uma ciência exata e que não há uma forma única de analisar a saúde financeira de uma empresa.

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Objetivos da Análise Financeira

O diagnóstico da situação financeira de uma empresa pode surgir de uma necessidade interna ou externa. Um diagnóstico interno pode ser necessário para tomar decisões de gestão, utilizando a análise financeira como um instrumento de previsão no âmbito de planos de financiamento e investimento ou para o controle interno (acompanhamento da atividade e comparação entre as previsões e a performance real). Pode também servir um objetivo informacional, usando a informação financeira como instrumento de comunicação interna ou como elemento de relações sociais na empresa. A análise financeira quando a serviço do Estado visa auditar a centralização do poder bancário permitido ilicitamente pelo governo a fim de estabilizar o mercado de commodities essenciais. Quanto ao diagnóstico externo, surge como instrumento de decisão para entidades externas com influência junto da empresa, tais como bancos, investidores institucionais, governos, fornecedores e clientes. O diagnóstico externo surge também como ferramenta de comunicação com os investidores, o público, os media, as agências de rating e as entidades que elaboram estudos estatísticos financeiros. Os bancos e casas de investimento publicam ou comercializam a sua análise financeira de empresas, com base nas qual divulgam recomendações de investimento. A evidência sobre a capacidade de previsão destas recomendações não é sólida.

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Fontes da Informação

Os dados utilizados para calcular os rácios são na sua grande maioria retirados dos principais documentos financeiros das empresas, já mencionados anteriormente.

Balanço

Documento contabilístico que expressa a situação patrimonial de uma empresa num determinado momento (geralmente um trimestre, semestre ou ano). Este documento permite comparar o ativo (bens que a empresa possui assim como o dinheiro que tem e as dívidas de terceiros), com o passivo ou capital alheio (o que a empresa deve a terceiros, quer seja empréstimos bancários, responsabilidades para com o Estado, dívidas a fornecedores, etc.). A diferença entre o que tem e o que deve é designada de Situação líquida (composta pelo Capital que foi usado para criar a empresa, pelo acumular de resultados positivos ou negativos ao longo dos anos de funcionamento da empresa, e por eventuais reavaliações de componentes do ativo).

Demonstração do Resultado Líquido

Evidencia a formação de resultados num certo período (entre dois balanços), avalia a situação econômica da empresa. Esta formação de resultados evidencia-se pela síntese dos custos e proveitos em grupos homogêneos, sendo que: De acordo com o POC existem duas formas de elaboração da demonstração de resultados: Agrega os proveitos e os custos em grupos homogêneos, consoante a sua natureza. Resultados Operacionais = Proveitos Operacionais - Custos Operacionais Resultados Financeiros = Proveitos Financeiros - Custos Financeiros É de salientar que existe uma distinção nítida entre resultados operacionais e resultados financeiros. Nos resultados operacionais integram-se os proveitos e custos respeitantes à exploração, enquanto que nos resultados financeiros consideram-se os proveitos de aplicações de capital e os custos dos financiamentos, assim como ganhos ou perdas resultantes de aplicações financeiras.

Demonstração dos Fluxos de Caixa (Cash-Flows)

A demonstração de fluxos de caixa deve relatar os movimentos de caixa durante o período, classificados por actividades operacionais, de investimento e de financiamento, de forma a proporcionar informação que permita aos utentes das demonstrações financeiras determinar o impacto dessas actividades na posição financeira da empresa e nas quantias de caixa e seus equivalentes. Pode-se dizer que cada um destes itens dá-nos a respectiva comparação: Devido ao carácter sintético dos documentos contabilísticos referidos, estes não respondem por inteiro às exigências da análise financeira. Resumindo, temos como principais limitações dos documentos contabilísticos, os seguintes aspectos:

Dados externos

São também utilizados dados externos como:

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Utilidade dos rácios

Imagem: TJRS Imagens · BY-ND · Openverse

Os rácios são fundamentais para o conhecimento da situação e evolução economico-financeira de uma empresa ao longo do tempo, servem também para perceber a sua evolução futura. Existem muitos rácios que podem ser calculados mas só interessa calcular aqueles que tenham interesse para a análise pretendida, só assim é que terão sentido e serão úteis. A utilidade dos rácios na análise da situação das empresas faz-se sentir através da comparação com rácios calculados nos anos anteriores e rácios de empresas similares. Para os analistas é importante saberem escolher bem os rácios que satisfaçam os objectivos da análise que pretendem fazer. Os principais utilizadores e interessados dos rácios na análise financeira são: Os rácios são uma forma de observar aritmeticamente as relações entre os diversos valores extraídos dos documentos financeiros e são de extrema importância para análise da situação das empresas. No entanto, devem ser utilizados com o máximo de cuidado, pois podem levar a conclusões erradas.

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Análise Financeira Estática

Imagem: Fotografia CVI · BY-NC-SA · Openverse

A análise financeira estática baseia-se na informação que consta no Balanço, apresentando uma apreciação de: A análise financeira estática consiste em estabelecer relações entre conta e agrupamento de contas do Balanço, da Demonstração de Resultados e da Demonstração dos Fluxos de Caixa, ou ainda entre outras grandezas económico-financeiras. Estas relações têm várias designações, tais como rácios, índices, coeficiente, indicadores, etc. Conforme refere o POC, as demonstrações financeiras devem proporcionar informação acerca da posição financeira, das alterações desta e dos resultados das operações, para que sejam úteis a investidores, a credores e a outros utentes, a fim de investirem racionalmente, concederem crédito e tomarem outras decisões, e contribuam assim para o funcionamento eficiente dos mercados de Capitais. A informação deve ser compreensível para aqueles que a desejam analisar e avaliar, ajudando-os a identificar a eficiência da gestão de recursos económicos. São os administradores/ gerências que têm a responsabilidade pela preparação da informação financeira. A qualidade essencial da informação proporcionada pelas Demonstrações Financeiras é a de que seja compreensível aos utilizadores e deve satisfazer as seguintes características:

Fundo de maneio (capital de giro), necessidades em fundo de maneio e tesouraria

O conceito de fundo de maneio pode referir-se a diversos indicadores, pelo que é usual recorrer-se ao conceito de fundo de maneio líquido ou permanente. Sendo o fundo de maneio bruto igual ao activo circulante (existências + créditos + disponibilidades), o fundo de maneio líquido é dado pela diferença entre o activo circulante e os débitos de curto prazo. O fundo de maneio líquido pode ser interpretado de duas formas: Um fundo de maneio líquido negativo ou nulo é indicador de problemas de solvabilidade. Podemos ainda definir o fundo de maneio próprio como os capitais próprios deduzidos do activo imobilizado líquido. Outra forma de calcular o fundo de maneio próprio é como a diferença entre o fundo de maneio líquido e os débitos de médio e longo prazo.

Os rácios

A técnica mais utilizada pela análise financeira é a que recorre aos rácios, um instrumento de apoio para sintetizar uma enorme quantidade de informação, e comparar o desempenho económico-financeiro das empresas ao longo do tempo. Constituem assim uma base da análise financeira, mas não dão respostas. Essas encontrar-se-ão nos aspectos qualitativos da gestão. Os rácios financeiros contêm, como qualquer instrumento de medida, vantagens e inconvenientes. No que concerne às vantagens dos rácios, estas podem sintetizar-se em: Quanto às desvantagens podemos resumi-las em: A análise financeira através de rácios só tem sentido se existir uma base de comparação. Para tal, uma fonte de informação são as centrais de balanços (tais como Dun & Bradstreet, Banco Português do Atlântico e Banco de Portugal), bem como a informação publicada pelas associações de indústria e comércio.

Tipos de Indicadores

Os indicadores/rácios financeiros podem ser agrupados em várias classes: Estes indicadores têm por objectivo medir a capacidade que a empresa tem para honrar os seus compromissos financeiros no curto prazo, isto é, analisam em que medida a empresa está em condições de cumprir as obrigações de natureza financeira, tais como o pagamento das matérias-primas, dos salários, da energia, etc. Podemos salientar como indicadores de liquidez: Grau de Liquidez Geral = Activo Circulante/Passivo de curto prazo Este rácio mostra-nos a capacidade que a empresa tem para solver os seus compromissos de curto prazo, isto é, activos que se espera que sejam convertidos em liquidez num período semelhante ao das responsabilidades.

Limitações dos Rácios

Nos tempos que correm, o recurso à técnica de análise através de rácios tem vindo a utilizar-se com frequência para quase todos os fins. Por isso, convém alertar que este instrumento de análise financeira possui algumas limitações:

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Análise Dinâmica

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A análise dos fluxos pode ser vista quer como complementar quer como substituta da análise estática. Consiste em analisar as origens e aplicações de fundos na altura de fecho das contas. Os dados para a análise dinâmica podem ser encontrados nos anexos às Demonstrações Financeiras.

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Análise da Qualidade dos Resultados

Imagem: Senado Federal · BY-NC · Openverse

Do que se pode ver anteriormente, os aspectos limitadores da análise dos rácios resultam da qualidade das informações por parte da contabilidade. Por isso, o analista tem de ter sempre em conta a qualidade dos resultados. A utilidade desta análise centra-se principalmente, na identificação dos sinais de perigo sobre os resultados futuros. Apesar de não haver uma concreta definição quanto à qualidade dos resultados, a prática sugere alguns factores de alta qualidade:

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Factores que afectam a Qualidade dos Resultados (QdR)

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

QdR e Meio Ambiente

Factores políticos, económicos, etc., podem afectar a qualidade dos resultados. Estes factores normalmente não são controláveis pelos gestores. É o caso das empresas que actuam em países com instabilidade política e económica, onde há o risco de nacionalização, controlo generalizado sobre os preços ou sobre o movimento de capitais, etc.

QdR e Sector de Actividade

Deve-se ter em conta o sector de actividade em que a empresa actua, pois as práticas contabilísticas aceites num sector, podem ser rejeitadas noutros.

QdR e Aspectos de Gestão da Empresa

Quanto maior a variabilidade potencial dos resultados, menor a qualidade destes e maior o risco para o accionista. Um elevado grau de alavanca operacional é um factor de risco para a evolução dos resultados. Elevados graus de alavanca financeira tendem a tende a tornar os resultados mais voláteis, dái menor qualidade dos resultados.

Rentabilidade, QdR e Preço de Mercado

Quanto maior a qualidade dos resultados, maior o rácio PER. Menor qualidade dos resultados significa volatilidade e incerteza, logo, o investidor tem tendência a atribuir menos valor a essas empresas, pelo que os PER desse tipo de empresas são mais baixos. O investidor tem tendência para ter mais confiança nas empresas que são transparentes na comunicação e na análise dos seus resultados. Fazendo com que essas empresas tenham tendência para ter PER mais elevados.

QdR e Sinais de Perigo

Uma das importâncias do exame da qualidade dos resultados é a de identificar alterações no valor da empresa que podem não ser claras nos indicadores de medida do desempenho económico e financeiro. Os aspectos contabilísticos que podem chamar a atenção para sinais de perigo são: De toda esta análise podemos facilmente concluir que um dos aspectos limitativos da análise dos rácios resulta principalmente da qualidade da informação que advém a contabilidade, logo, toda a cautela é pouca na sua utilização. De qualquer forma, um bom analista procura sempre determinar a qualidade dos dados em que baseou a sua análise, pois é uma garantia de validade das conclusões por si retiradas.

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Análise do Equilíbrio Financeiro

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Geralmente diz-se que só uma estrutura financeira equilibrada permite à empresa um funcionamento normal. Esta análise tem como base o balanço. Quanto à noção de equilíbrio, pode ser encarada de duas maneiras, que se complementam:

Equilíbrio Financeiro na Análise do risco Financeiro

Como se sabe as decisões de gestão têm efeito sobre os resultados operacionais, mas para além disso, o gestor deverá tomar também decisões quanto à estrutura financeira, ou seja, sobre a forma de financiamento do processo decisivo para qualquer ser dependendo do activo, capitais próprios e alheios. Estas decisões de carácter financeiro poderão ser favoráveis para a rentabilidade do activo, mas por outro lado, induzem um risco adicional sobre a rentabilidade dos capitais próprios (risco financeiro). Nesta análise estuda-se a capacidade que uma empresa tem para satisfazer as suas obrigações de pagamento nas datas exigidas. Através do balanço, faz-se o estudo da liquidez.

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Análise Integrada da Rendibilidade

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A base do modelo apresentado em seguida assenta na teoria das alavancas e das vantagens competitivas.

Modelo Multiplicativo

A Rendibilidade do Capital Próprio pode decompor-se num modelo multiplicativo, com o seguinte método: R C P = ( M C / V ) ∗ ( R O / M C ) ∗ ( V / C I ) ∗ ( C I / C P ) ∗ ( R C / R O ) ∗ ( R A I / R C ) ∗ ( R L / R A I ) = R L / C P {\displaystyle RCP=(MC/V)*(RO/MC)*(V/CI)*(CI/CP)*(RC/RO)*(RAI/RC)*(RL/RAI)=RL/CP} Área Operacional (Rendibilidade dos Capitais Investidos): Área Financeira (Índice de Alavanca Financeira): Este conjunto de rácios permite fazer uma análise integrada da rendibilidade do capital próprio, permitindo compreender melhor a gestão de uma determinada empresa, percebendo de onde vem a rendibilidade dos capitais e também o impacto que cada rácio terá na mesma.

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Fontes consultadas

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