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Anasyrma

Anasyrma composto por ἀνά ana "para cima, contra, para trás" e σύρμα syrma "um movimento de arrastar"; plural: anasyrmata, também chamado de anasyrmos, é o gesto de levantar o quíton, peplo ou saia e mostrar a genitália ou as nádegas desnudas. É um gesto hoje relacionado com o exibicionismo. Na Grécia Antiga o seu intuito principal não era causar excitação sexual, mas sim chocar o espectador. Em algumas danças religiosas e ritos de iniciação também aparecia o anasyrma, relacionado com Afrodite, Deméter, Ártemis e Hermafrodito.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Antiguidade grega

Brincadeiras rituais e exposição íntima eram comuns nos cultos de Deméter e Dionísio, e figuram na celebração dos mistérios eleusinos associados a estas divindades. O mitógrafo Apolodoro diz que as brincadeiras de Iambe foram o motivo da prática dos gestos rituais na Tesmoforia, festa celebrada em homenagem a Deméter e Perséfone. Em outras versões do mito de Deméter, a deusa é recebida por uma mulher chamada Baubo, uma velha que a faz rir ao se expor, realizando um anasyrma. Um conjunto de estatuetas de Priene, uma cidade grega na costa oeste da Ásia Menor, são geralmente identificadas como estatuetas "Baubo", representando o corpo feminino como o rosto unido à parte inferior do abdômen. Estatuetas hermafroditas de terracota na chamada pose anasyromenos, com seios e uma longa vestimenta levantada para revelar um falo, foram encontradas da Sicília a Lesbos, datando do final do período clássico e início do período helenístico. A pose de anasyromenos, entretanto, não foi inventada no século IV a.C, remetendo na realidade ao segundo milênio a.C; figuras deste tipo baseavam-se em uma tradição iconográfica oriental muito anterior, empregada para divindades femininas. A literatura antiga sugere que as figuras representam a divindade andrógina cipriota Afrodito (possivelmente uma forma de Astarte), cujo culto foi introduzido na Grécia continental entre os séculos V e IV a.C. Acreditava-se que o falo revelado tinha poderes mágicos apotropaicos, afastando o mau-olhado ou invidia e conferindo boa sorte.

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Antiguidade egípcia

No Antigo Egito, mais que um rito apotropaico, o anasyrma consistia em um rito de fertilidade, em que fiéis ou as próprias divindades expunham sua genitália para abençoar com fertilidade ou receber a mesma bênção. Valentina Beretta descreve diversas situações do tipo, como a primeira menção egípcia conhecida do termo, em que Hator ergue sua túnica diante de Rá para fazê-lo rir após ele ter sido ofendido pelo deus Baba. A descrição no templo de Esna de um ritual sagrado ligado à mesma deusa em que vigésimo nono dia de Athyr, duas mulheres expunham suas vulvas e seios diante de uma representação da deusa para abençoar o faraó e a terra. Heródoto narra em Histórias (livro 2, 59-61) o festival de Bastete (identificada pelo autor como Ártemis) em Bubástis. Ele relata que, durante a viagem de barco pelo rio Nilo para chegar ao festival, algumas mulheres levantavam suas vestes para mostrar seus genitais diante de vilas e campos para abençoá-los com fertilidade.

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Efeito apotropaico da nudez

Muitas referências históricas sugerem efeitos dramáticos ou sobrenaturais – positivos ou negativos - do anasyrma. Plínio, o Velho, escreveu que uma mulher menstruada que descobre o corpo pode espantar tempestades de granizo, redemoinhos e relâmpagos. Se ela se despe e anda por um campo de trigo, lagartas, minhocas e besouros caem de suas cabeças. Mesmo quando não está menstruada, ela pode acalmar uma tempestade no mar tirando a roupa. Segundo o folclore, as mulheres levantavam as saias para afugentar os inimigos na Irlanda e na China. Segundo o folclore balcânico, quando chovia muito, as mulheres corriam para os campos e levantavam as saias para assustar os deuses e acabar com a chuva. Maimônides também menciona este ritual para afastar a chuva enquanto expressa sua desaprovação. Tirar as roupas era percebido como a criação de um estado "bruto" mais próximo da natureza do que da sociedade, facilitando a interação com entidades sobrenaturais. Em Nouveaux Contes (1674), de Jean de La Fontaine, um demônio sente repulsa ao ver uma mulher levantando a saia. Esculturas associadas, chamadas sheela na gigs, eram comuns em igrejas medievais no norte da Europa e nas Ilhas Britânicas.

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