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Guerra Russo-Georgiana

A Guerra Russo-Georgiana foi um conflito armado ocorrido em agosto de 2008 entre a Geórgia de um lado, e a Rússia e os separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia, do outro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/09/2026
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Antecedentes

Imagem: ul_fabius · BY-NC-SA · Openverse

A República Socialista da Geórgia declarou sua independência da União Soviética em 1991 quando esta estava se dissolvendo. Em meio a este pano de fundo, uma guerra estourou entre a Geórgia e zonas controladas por separatistas no antigo Oblast Autônomo da Ossétia do Sul. Esse oblast não era de facto reconhecido pela comunidade internacional como independente, mas eram apoiados pela Rússia. Após este conflito, uma força de paz conjunta feito pela Geórgia, Rússia e Ossétia foi mantida no território. Uma situação similar aconteceu na Abecásia, onde os separatistas abecásios travaram uma guerra entre 1992 e 1993. Após a eleição de Vladimir Putin na Rússia em 2000 e uma mudança de poder na Geórgia por um líder pró-Ocidente em 2003, a relação entre russos e georgianos começou a se deteriorar, levando a uma crise diplomática em abril de 2008, com a Rússia anunciando que removia todas as sanções econômicas impostas à Abecásia em 1996 e estabeleceu relações diretas com as autoridades separatistas na Abecásia e na Ossétia do Sul.

Reações internacionais

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocado urgentemente pela Rússia, não conseguiu chegar a nenhuma declaração. Os Estados Unidos e a União Europeia, entre outros, pediam uma solução pacífica. A Rússia justificou o envio de blindados sob a alegação de que pretendia defender as populações e cidadãos russos da Ossétia do Sul, havendo registros de, pelo menos, 10 mortos e 30 feridos do lado russo. A Rússia acusou mesmo as forças de paz das tropas georgianas de atacarem companheiros russos. No dia 9 de agosto de 2008, o Conselho de Segurança da ONU não chegou a acordo para tomar uma decisão. Os Estados Unidos afirmaram em 10 de agosto que se a Rússia prosseguir a ofensiva na Geórgia, as relações entre os dois países poderão ser afetadas. Os Estados Unidos afirmaram ainda que iriam propor uma resolução ao Conselho de Segurança para condenar a ofensiva russa, segundo Richard Grenell, porta-voz da delegação dos EUA na ONU.

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A guerra

Luta em Tskhinvali

No dia 7 de agosto de 2008, militares georgianos lançaram um pesado bombardeio terrestre contra a Ossétia. No dia seguinte, a Geórgia lançou uma grande ofensiva militar. Entre 10 000 e 11 000 soldados georgianos se concentraram para a investida. Os ataques georgianos focaram a região ao redor de Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul. A ofensiva em si contra a cidade não foi tão bem sucedida, com tropas da Geórgia sendo repelidas perto do vilarejo de Kvaysa. Homens da 3ª Brigada de infantaria então investiram contra a área de Eredvi e tomaram várias posições chave. Conforme os georgianos iam avançando, a resistência de milícias ossetas aumentava. Tanques, blindados (como o Otokar Cobra) e aviões (como o Sukhoi Su-25) georgianos bombardeavam posições inimigas além de Tskhinvali, investindo contra essa estratégica região. Encabeçados pelas forças especiais, o exército da Geórgia invadiu a cidade e encontraram feroz resistência. O intenso combate e o bombardeio deixou a área em ruínas. Uma base de civis russos na região foi atacada também e pelo menos 10 deles foram mortos. Em resposta, o governo de Moscou enviou várias tropas para a fronteira. Autoridades russas afirmaram inicialmente que pelo menos 2 000 pessoas foram mortas em Tskhinvali durante a luta, porém o número seria mais tarde revisado para baixo, com apenas 162 mortes confirmadas.

Ocupação de Gori

A cidade de Gori fica próxima a fronteira da Ossétia e a 25 km de Tskhinvali. O exército georgiano utilizava a região como base para sua incursão no território osseta e por isso foi bombardeado incessantemente pela força aérea russa. As bases militares em Gori foram atingidas pela primeira vez a 9 de agosto. O governo georgiano afirmou que pelo menos 60 civis morreram nos ataques. Nos dias seguintes, milhares de civis começaram a deixar a região. A 12 de agosto, foi confirmado que colunas de soldados russos iniciaram uma marcha contra Gori. Autoridades da Geórgia ordenaram que suas tropas recuassem para defender a capital do país, Tbilisi. Aviões russos bombardearam o distrito central de Gori, matando um jornalista holandês e ferindo vários outros repórteres estrangeiros. Até mesmo um hospital militar georgiano (que tinha uma bandeira da Cruz Vermelha) foi bombardeado.

Expansão dos combates

A luta acabou não se restringindo a Ossétia do Sul, se expandindo para a região da Abecásia. Combates navais na área foram reportados entre embarcações da Geórgia e da Frota do Mar Negro russa teriam terminado com um navio georgiano afundado. A 11 de agosto, tropas de paraquedistas russas lançaram-se no território abecásio, alcançando Senaki e cercaram a cidade de Poti. Os combates na região então se intensificaram, com as forças georgianas na área sendo bombardeadas pelo ar. A 9 de agosto, milicianos abecásios e soldados russos iniciaram então uma ofensiva contra o vale de Kodori, que era controlado pela Geórgia desde o começo da década de 1990. Três dias depois, os soldados georgianos começaram a deixar a região. As baixas durante esta batalha foram pequenas para ambos os lados.

Ocupação de Poti

Enquanto o avanço russo na Ossétia do Sul e na Abecásia ia relativamente bem, Moscou resolveu intensificar suas incursões na costa da Geórgia. Navios de guerra russos avançaram para confrontar a marinha georgiana no mar negro, convergindo sobre a estratégica cidade de Poti, em 10 de agosto de 2008. No dia seguinte, autoridades confirmaram que tropas terrestres russas haviam entrado no município. A 13 de agosto, militares russos já ocupavam a cidade e teriam afundado manualmente seis embarcações da Geórgia. No dia 19, foi reportado que os russos haviam capturado 21 soldados georgianos e cinco veículos Humvee, e então os levou até Senaki, numa base militar capturada. Naquele momento, estava claro que a guerra não caminhava bem para a Geórgia e sua economia já começava a sentir os reflexos do conflito.

Bombardeio de Tbilisi

Desde o início da guerra, a cidade de Tbilisi (capital da Geórgia) e seus arredores foram bombardeados pela força aérea da Rússia. Em 8 de agosto, o ministério do interior georgiano reportou que caças russos haviam bombardeado a base aérea de de Vaziani, próximo da capital. Outra base militar georgiana foi bombardeada em Marneuli, matando três civis. O centro de Tbilisi também foi atingido, assim como o aeroporto internacional de cidade. A importante fábrica de construção de equipamentos militares de JSC Tbilaviamsheni foi bombardeada duas vezes e uma estação de radar perto da cidade também foi atingida no dia seguinte.

Negociações e retirada russa

Em 8 de agosto, no começo do conflito, a União Europeia e os Estados Unidos expressaram apoio para que uma delegação conjunta negociasse um cessar-fogo. Três dias depois, uma tentativa de firmar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU falhou. A Rússia negava qualquer possibilidade de paz até que a Geórgia retirasse suas tropas da Ossétia do Sul e renunciasse o uso da força para manter a região sob seu controle. Em 12 de agosto, o governo russo aprovou um plano de paz de seis pontos firmado com autoridades europeias. A Geórgia endossou o acordo e o cessar-fogo, encerrando (ao menos no papel) a guerra. Em 17 de agosto, após ter conquistado seus objetivos, o presidente Medvedev anunciou a retirada das forças russas para o dia seguinte. Começou então as trocas de prisioneiros. Ao anoitecer do dia 22 de agosto, boa parte das tropas russas já havia recuado; contudo, postos de controle continuavam em Gori e na região próxima a Abecásia e a Ossétia. Outros dois postos continuavam operando em Poti. Militares da Rússia se retiraram de Igoeti em 23 de agosto e então a polícia georgiana adentrou em Gori. Em 13 de setembro, soldados russos aceleraram a sua retirada do oeste da Geórgia. Seus postos de controle em Poti, Senaki e Khobi também foram abandonados. A 9 de outubro, foi a vez dos militares se retiraram das zonas de ocupação na Abecásia e na Ossétia do Sul, com seu controle passando para observadores da ONU. Em dezembro, a retirada em Perevi continuou. Um contingente de 500 soldados russos reocupariam a região logo depois, ameaçando escalar a violência na área novamente. Contudo, a 18 de outubro de 2010, as forças russas evacuaram boa parte da Ossétia do Sul, e os militares georgianos reassumiram suas oposições.

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Análises

Políticas

Esta guerra acabou por deteriorar as relações da Rússia com o Ocidente, de uma forma não vista desde o fim da guerra fria quase duas décadas antes. Eventos posteriores, em relação a Síria e a Ucrânia escalariam as dificuldades e a tensão diplomática.

Militares

Análises feitas por especialistas russos afirmam que, desde antes da crise começar, a Geórgia já planejava uma incursão militar na Ossétia, mobilizando tropas, tanques e reservistas. O plano, segundo especialistas americanos, não foi tão bem executado. Havia pouca comunicação entre as unidades militares georgianas e o governo subestimou a resistência das milícias locais. Porém, o fato mais importante era que a Geórgia não esperava uma reação militar russa em larga escala e por isso não se prepararam. Especialistas, tanto russos quanto ocidentais, ao mesmo tempo que reconheceram o mal preparo das forças georgianas, elogiaram sua capacidade de defesa anti-aérea. Seus sistemas de interceptação (como os lançadores de mísseis 9K37 Buk e Tor) conseguiram derrubar várias aeronaves russas, como os jatos Tu-22 e Su-25. Analistas militares também apontaram que os soldados da Geórgia tinham "vontade", mas faltava-lhes equipamentos decentes. Seus oficiais eram bem capacitados, mas com pouca ou nenhuma experiência (os melhores soldados georgianos estavam em serviço no Afeganistão). A resposta do governo do presidente Saakashvili também foi considerada fraca.

Perdas

Segundo uma análise da Reuters, as forças georgianas perderam uma enorme quantidade de equipamentos durante o conflito. Aviões, navios, tanques e sistemas de defesa antiaéreo foram destruídos pela aviação russa. De acordo com oficiais russos, 65 blindados da Geórgia foram capturados e pelo menos três Su-25s e dois L-29s foram abatidos. Helicópteros Mi-24 e Mi-14 georgianos foram destruídos no solo por soldados russos. Foi estimado que o total de perdas militares da Geórgia ficou em US$ 250 milhões de dólares em equipamentos. O ministério da defesa georgiano estimou que 170 militares de seu país morreram no conflito. A Geórgia, além de perdas territoriais, também sofreu danos a sua infraestrutura interna.

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Fontes consultadas

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