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Anauê

Anauê é uma saudação brasileira de origem indígena, com uso documentado em 1911 entre os nhambiquaras no Mato Grosso. Foi extensivamente usada a partir de 1923 e até 1936 pelo movimento escotista do Brasil como saudação escotista, devido ao cariz indigenista desse movimento. No início da década de 1930 começou a ser usada em exibições públicas pelos integralistas brasileiros, de modo semelhante às saudações dos fascistas europeus e à saudação nazista, por sua vez evoluídas da saudação romana. A apropriação da saudação pelos integralistas brasileiros veio a causar o seu abandono em 1936 pelo movimento escotista, de carácter apartidário, para que não fosse confundido com o integralismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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História

O termo foi documentado em dezembro de 1911 pelo Marechal Rondon na foz do Juina, no Mato Grosso, como saudação específica dos nhambiquaras, usada para se anunciarem a quem chega. Em 1928, artigo publicado na Revista Marítima Brasileira refere o grito de vitória "aroeira" como parte da linguagem do mar, o qual alegadamente teria derivado do guarani "anauê".

Escotismo

Em outubro de 1923, o líder escotista Jaboty-êtê (Velho Lobo), descrito como "grande cultor do indigenismo nacional", em artigo publicado no jornal infantil O Tico-Tico, relata o uso da saudação escotista de quem chega "Aná-u-ê! Aná-u-ê!" durante uma atividade escoteira, respondida pela saudação de quem está: "Anê-rê! Anê-rê!", ambas alegadamente extraidas da língua tupi. O mesmo dirigente publica uma missiva semelhante em novembro seguinte na Gazeta de Notícias, na qual dirige às crianças a saudação escotista "Ana-uê, colomys!", que segundo ele significaria "Salvê meninos!" em tupi, sendo respondido pelas crianças com "Anê-rê! Anê-rê!", significando "Boa vinda!, Boa vinda".

Integralismo brasileiro

Foi incorporada como saudação oficial entre os integrantes do Movimento Integralista. Mais precisamente na "Era Vargas", no governo que ficou conhecido como "governo provisório" (1930 a 1934), seguindo o modelo integralista lusitano, foi criada a Ação Integralista Brasileira (AIB), cujos membros vestiam uniformes com camisas verdes e desfilavam pelas ruas como tropa militar, gritando a saudação alegadamente de origem indígena "Anauê!". Durante esse período aconteceu a Batalha da Praça da Sé, onde um número de manifestantes antifascistas iniciaram com provocações como "morra o integralismo" e "fora, galinhas verdes". Segundo os integralistas, a saudação "Anauê!" de braço levantado manifestava a intenção de se identificar com seus iguais, supostamente repetindo um ritual indígena que traduziria "anauê" por "sou teu amigo", reforçando a solidariedade entre as pessoas.

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Etimologia

Imagem: Diego Fersan. · BY-ND · Openverse

O uso da expressão "Anauê!" como saudação a quem chega foi documentada em 1911 pelo Marechal Rondon como específica dos nambiquaras do Mato Grosso, falantes da língua nambiquara, geralmente enquadrada fora dos troncos linguísticos tradicionais. Não obstante, têm surgido tentativas de enquadrar a expressão noutras famílias linguísticas. Segundo Gustavo Barroso, um dos líderes da Ação Integralista Brasileira, a saudação seria uma junção de diferentes cumprimentos existentes na língua tupi. Para Luís da Câmara Cascudo, a palavra ter-se-ia originado da língua dos parecis, indígenas nuaruaques. Sendo um grito, significaria "unido-aos-outros-iguais, de solidariedade, de reunião, de agrupamento, de toque-de-reunir. O emprego como aclamação seria uma aclimatação da voz militar nos cerimoniais civis".

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Na cultura popular

Imagem: Integralista88 · BY-SA · Openverse

Em 2019, Ernesto Araújo, o então recém-empossado ministro das Relações Exteriores do Brasil, terminou seu discurso com a expressão "Anauê Jaci", suposta tradução tupi de "Ave Maria". O acontecimento levantou hipóteses de associação entre o bolsonarismo e o integralismo. Desconhecem-se, entretanto, registros históricos de tal tradução, cujo conteúdo, além de gramaticalmente impreciso, difere da versão da ave-maria existente no Catecismo na língua brasílica.

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Fontes consultadas

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