Jair Bolsonaro
Jair Messias Bolsonaro GOMM é um militar reformado e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). Foi o 38.º presidente do Brasil, de 1.º de janeiro de 2019 a 1.º de janeiro de 2023, tendo sido eleito pelo Partido Social Liberal (PSL) nas eleições de 2018. Anteriormente, foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 1991 e 2018, eleito por diversos partidos. Nasceu em Glicério, mas passou a adolescência em Eldorado, no interior de São Paulo. Começou sua carreira militar no município fluminense de Resende após formar-se na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1977. Serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo do Exército Brasileiro.
Segundo relatos familiares, Jair Bolsonaro nasceu em Glicério, um pequeno município no noroeste do estado de São Paulo, e foi registrado dez meses depois, no dia 1.º de fevereiro de 1956, na cidade de Campinas, onde morava grande parte de sua família, composta por imigrantes italianos e alemães. Em seu registro de nascimento, todavia, a sua naturalidade consta como sendo Campinas. O nome Jair foi escolhido após sugestão de um vizinho, em homenagem a Jair Rosa Pinto, meia-esquerda da Seleção Brasileira de Futebol que fazia aniversário naquele dia e jogava no Palmeiras, time pelo qual Percy Geraldo Bolsonaro, o pai, torcia. Inicialmente, chamar-se-ia apenas Messias Bolsonaro porque sua mãe, Olinda Bonturi (28 de março de 1927 – 21 de janeiro de 2022), após uma gravidez complicada, atribuía a Deus o milagre do nascimento do filho. Em sua infância, morou em diversas cidades do estado de São Paulo. Nos primeiros anos de vida, sua família mudou-se para Ribeira. Após alguns anos, em 1964, a família mudou-se para Jundiaí nos bairros de Vianelo e Vila Progresso. Em 1965, mudaram-se para Sete Barras. Finalmente, em 1966, mudaram-se para Eldorado, no Vale do Ribeira, onde Jair cresceu com seus cinco irmãos. Completou o ensino médio no Científico Estadual de Eldorado Paulista.
Bolsonaro diz que se interessou pelo Exército aos quinze anos, quando ele e amigos supostamente teriam fornecido dicas para os militares sobre possíveis esconderijos de Carlos Lamarca,[nota 4] que havia montado um campo em Vale do Ribeira para treinar guerrilheiros contra a ditadura militar. Aos dezessete anos, Bolsonaro entrou para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Porém, após refletir, chegou à conclusão de que deveria ter prestado concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Então, no final de 1973, após alguns meses na EsPCEx, prestou o concurso e foi aprovado. Formou-se em 1977. No final de seu último ano de academia, integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, onde se especializou em paraquedismo. Após concluir o curso, foi servir como Aspirante a Oficial no 21.º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro. Depois, serviu no 9.º GAC em Nioaque, Mato Grosso do Sul, de 1979 a 1981. Nesse último ano, nasce seu primeiro filho, Flávio. No ano seguinte, 1982, cursou a Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx) e nasce seu segundo filho, Carlos.
Prisão em 1986
Em 1986, quando já servia como capitão, no 8.º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, Bolsonaro foi preso por quinze dias após escrever, na seção "Ponto de Vista" da revista Veja de 3 de setembro de 1986, um artigo intitulado "O salário está baixo". Para Bolsonaro, o desligamento de dezenas de cadetes da AMAN se devia aos baixos salários pagos à categoria de uma forma geral, e não a desvios de conduta, como queria deixar transparecer a cúpula do Exército. A atitude de seus superiores levou à reação de oficiais da ativa e da reserva, inclusive do General Newton Cruz, ex-chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI) no governo João Figueiredo. Bolsonaro recebeu cerca de 150 telegramas de solidariedade das mais variadas regiões do país, além do apoio de oficiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) e de esposas de oficiais, que realizaram manifestação em frente ao complexo militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar (STM) dois anos depois.
Operação Beco Sem Saída
Em 27 de outubro de 1987, Jair Bolsonaro informou a repórter Cássia Maria, da revista Veja, sobre a operação "Beco Sem Saída". Na época, Bolsonaro apoiava a melhoria do soldo e era contra a prisão do capitão Saldon Pereira Filho. A operação teria como objetivo explodir bombas de baixa potência em banheiros da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, e em alguns outros quartéis militares com o objetivo de protestar contra o baixo salário que os militares recebiam na época. Bolsonaro teria desenhado o croqui de onde a bomba seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água ao município do Rio de Janeiro. A revista entregou o material ao então Ministro do Exército e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta que os capitães haviam mentido. Por unanimidade, o Conselho de Justificação Militar (CJM) considerou, em 19 de abril de 1988, que Bolsonaro era culpado e que fosse "declarada sua incompatibilidade para o oficialato e consequente perda do posto e patente, nos termos do artigo 16, inciso I da lei n.º 5.836/72". Em sua defesa, Bolsonaro alegou na época que a revista Veja tinha publicado acusações fraudulentas para vender mais com artigos sensacionalistas.
Vereador do Rio de Janeiro (1989–1990)
Em 1988, entrou na vida pública elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Segundo biografia feita por seu filho Flávio, Bolsonaro "foi candidato a vereador porque calhou de ser a única opção que possuía no momento para evitar que fosse vítima de perseguição por parte de alguns superiores. Seu ingresso na política aconteceu por acaso, pois sua vontade era dar continuidade na carreira militar". Assumiu seu mandato em 1989, ficando apenas dois anos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Durante seu mandato, apresentou sete projetos de lei, um dos quais autorizava o transporte gratuito de militares em ônibus urbanos. Seu mandato de vereador foi usado principalmente para dar visibilidade às causas militares.
Deputado federal (1991–2019)
Nas eleições de 1990, elegeu-se deputado federal, também pelo PDC. Viriam em seguida outros seis mandatos sucessivos. Além do PDC, foi filiado a outros oito partidos ao longo de sua carreira política: PPR (1993–95), PPB (1995–2003), PTB (2003–2005), PFL (2005), PP (2005–2016), PSC (2016–2017) e o PSL (2018–2019), Lideranças do PSC, entre elas o presidente da sigla Pastor Everaldo anunciaram Bolsonaro como pré-candidato à presidência em março de 2016, quando foi feita um ato político para marcar a entrada dele no partido. Em 2017, declarou que já havia pensado em se filiar ao Prona, também chegando a conversar sobre sua filiação ao PEN, atual Patriota, mas nada se concretizou.
Jair Bolsonaro candidatou-se à presidência da República Federativa do Brasil pelo Partido Social Liberal nas eleições presidenciais de 2018 com General Mourão (do PRTB) como vice, na coligação "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". Sua candidatura, que tinha duas contestações, foi deferida por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato à presidência a alcançar o valor de um milhão de reais em doações para campanha eleitoral por meio do financiamento coletivo. O valor foi alcançado após 59 dias do início da campanha de arrecadação, em 5 de julho, arrecadando-se em média dezessete mil reais por dia. Em 23 de agosto, iniciou sua campanha, gozando de forte proteção policial e usando colete à prova de balas. O então presidente do PSL, Gustavo Bebianno declarou que Bolsonaro estava em nível máximo de risco.
Atentado
No dia 6 de setembro de 2018, Bolsonaro foi vítima de um ataque a faca durante uma campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. Foi atingido no abdômen e necessitou passar por um procedimento de laparotomia exploratória na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. Adélio Bispo de Oliveira, identificado como o autor do crime e posteriormente preso, declarou, no boletim de ocorrência, que o fez "a mando de Deus". Adélio foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014; o partido emitiu uma nota classificando o atentado como "um grave atentado à normalidade democrática e ao processo eleitoral". Após o atentado, ele fez duas cirurgias e recebeu alta no final de setembro.
Manifestações
Em 29 de setembro de 2018, usando a hashtag #EleNão, um movimento iniciado nas redes sociais por mulheres contrárias às propostas do candidato reuniu expressivas manifestações de rua durante a campanha presidencial de 2018. As manifestações contaram com cerca de quinhentas mil pessoas, segundo os organizadores do evento, e aconteceram em mais de 160 cidades de todos os estados do país e também em cidades como Nova Iorque, Barcelona, Berlim, Lisboa e Paris. No dia 30 de setembro, foram organizados atos de apoio ao candidato. Em Brasília, a campanha organizou uma carreata que contou com 25 mil carros, de acordo com a Polícia Militar. Em São Paulo, um ato ocupou quatro quarteirões da avenida Paulista, não tendo sido divulgados os números oficiais de manifestantes. De acordo com os organizadores do evento, o número teria chegado a 1,8 milhão, estimativa esta considerada não realista, já que em uma manifestação anterior pelo impeachment de Dilma Rousseff, que ocupou toda a avenida, o instituto Datafolha estimou uma aglomeração de quinhentas mil pessoas. Em 21 de outubro os movimentos Brasil Livre e Vem Pra Rua também organizaram atos contra o Partido do Trabalhadores (PT) em todo o Brasil.
Desempenho eleitoral
Obteve 49 276 990 votos no primeiro turno da eleição, que ocorreu dia 7 de outubro, o que corresponde a 46,03% dos votos válidos, sendo o mais votado do turno. Como nenhum candidato atingiu 50% dos votos válidos, o Tribunal Superior Eleitoral convocou o segundo turno da eleição, disputado entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad do Partido dos Trabalhadores (PT). Jair Bolsonaro venceu em dezesseis estados e no Distrito Federal, ultrapassando 50% dos votos em treze estados. No dia 28 de outubro sucedeu-se o segundo turno da eleição, e Jair Bolsonaro confirmou o resultado do primeiro turno, obtendo 57 797 847 de votos (55,13% dos votos válidos), elegendo-se assim com êxito o 38.º presidente da República no Brasil. Bolsonaro repetiu a vitória em quinze estados onde ganhara no primeiro turno e também no Distrito Federal, mas não conseguiu manter a vitória no Tocantins.
Em 11 de outubro, dias antes de sua vitória nas urnas, Bolsonaro anunciou o congressista Onyx Lorenzoni (DEM) como o futuro chefe da Casa Civil em seu gabinete. Em 31 de outubro, já na condição de presidente-eleito, Bolsonaro anunciou o astronauta Marcos Pontes como o futuro Ministro de Ciência e Tecnologia. Além de Pontes, Bolsonaro já havia feito outras duas nomeações ministeriais: Paulo Guedes como Ministro da Economia e Augusto Heleno, general da reserva, como Ministro da Defesa. Este último, porém, foi posteriormente nomeado para o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, no dia 7 de novembro. No primeiro dia de novembro, Bolsonaro confirmou que o juiz Sergio Moro havia aceitado seu convite para servir como Ministro da Justiça e da Segurança Pública. A decisão gerou reação adversa da imprensa internacional porque Moro havia condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o principal adversário de Bolsonaro na eleição, por lavagem de dinheiro e corrupção.
Economia
Bolsonaro defendeu posições econômicas desenvolvimentistas, votando com o Partido dos Trabalhadores em diversos temas econômicos. Em 2000, por exemplo, ao explicar ao apresentador Jô Soares por que defendeu o "fuzilamento" do então presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que "barbaridade é privatizar a Vale e as telecomunicações, entregar as nossas reservas petrolíferas ao capital externo". Desde que passou a se apresentar como candidato à presidência, no entanto, tem apoiado medidas econômicas liberais. No entanto, votou a favor da abertura da exploração do pré-sal, afirmou que o "livre-mercado é a mãe da liberdade", que "deve ser privatizado o máximo que puder" e que se opôs somente como a Vale foi privatizada.
Relações internacionais
Durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro disse que faria mudanças consideráveis nas relações internacionais do Brasil, dizendo que o país deveria parar de "louvar ditadores" e "atacar democracias". Bolsonaro fez sua primeira viagem internacional como presidente para Israel, ao mesmo tempo em que afirmou que o Estado da Palestina "não é um país, então não deveria haver embaixada [brasileira]" e que "não negocia com terroristas". Bolsonaro é um grande apoiador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. e foi considerado o candidato mais pró-americano no Brasil desde a década de 1980. Durante uma manifestação de campanha em outubro de 2017 em Miami, na Flórida, ele saudou a bandeira dos Estados Unidos, enquanto gritava "USA! USA!" para uma grande multidão.
Meio ambiente
Inicialmente, Bolsonaro cogitou a possibilidade de extinguir o Ministério do Meio Ambiente, ideia que ganhou força em novembro durante o governo de transição, mas recuou na decisão. No entanto, o departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente foi incorporado pela Secretaria de Ecoturismo, enquanto que o Serviço Florestal Brasileiro foi transferido do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura. Em 2021, o presidente saiu em defesa do ministro Ricardo Salles, que estava sob suspeita de cometer crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando. A política ambiental do governo Bolsonaro foi intensamente criticada por cientistas e especialistas na área, que a descreveram como desastrosa, embora tenha recebido apoio de diversos setores econômica e politicamente influentes, como o agronegócio e a mineração. as estruturas de normatização e fiscalização, incluindo o Ministério do Meio Ambiente, a Funai e o Ibama perderam poderes e foram enfraquecidos e desacreditados pelo próprio governo; o financiamento para o setor foi reduzido; e a maior parte dos recursos disponíveis nos fundos ambientais deixou de ser aplicada. Bolsonaro dissolveu a Secretaria de Mudanças Climáticas; cortou 93% da verba para pesquisa em mudanças climáticas.
Educação
O governo Bolsonaro preparou um projeto de lei para regulamentar o ensino domiciliar no Brasil, com os requisitos mínimos que pais ou responsáveis legais devem cumprir, tais como o cadastro em uma plataforma a ser desenvolvida pelo Ministério da Educação e a possibilidade de avaliação. Em 2018, no entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu não reconhecer o ensino domiciliar, por não haver no país previsão constitucional sobre o tema. Durante a discussão no STF, manifestaram-se contrárias ao homeschooling a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República. Em 3 de abril de 2019, o então Ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez, afirmou que os livros didáticos de História passariam por uma revisão para que as crianças "possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história" e citou como exemplo o golpe de 1964, que classificou como 'constitucional', e a ditadura militar, que disse ter sido 'um regime democrático de força'. A fala do ministro irritou a cúpula militar por criar um "desgaste desnecessário". Em 8 de abril de 2019, Vélez foi demitido do MEC.
Cultura
O governo Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura juntamente com os Ministérios do Esporte e do Desenvolvimento Social, sendo os três fundidos na estrutura do Ministério da Cidadania. Após o anúncio, secretários da Cultura de dezoito estados lançaram um manifesto pedindo a manutenção do órgão. Em 1.º de janeiro de 2019, a partir da reforma administrativa do governo recém-empossado, o MinC foi oficialmente extinto pela medida provisória n.º 870, publicada em edição especial do Diário Oficial da União. Dentro do Ministério da Cidadania, foi criada a Secretaria de Cultura, que depois foi transferida para o Ministério do Turismo. No dia 19 de julho de 2019, Bolsonaro afirmou que, se o governo não puder impor algum "filtro" nas produções audiovisuais brasileiras, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), ele "extinguiria" a agência, o que só pode acontecer com aprovação do Congresso. Bolsonaro afirmou ainda que pretendia transferir a sede da agência do Rio de Janeiro para Brasília e criticou o uso do dinheiro público para fazer "filmes pornográficos", como "o da Bruna Surfistinha", além de ter defendido que o cinema nacional passe a falar dos "heróis brasileiros". As declarações de Bolsonaro sobre a Ancine causaram repercussão negativa no setor. Duas das maiores revistas sobre cinema e entretenimento nos Estados Unidos, a The Hollywood Reporter e a Variety, dedicaram reportagens à ameaça de Bolsonaro de extinguir a agência e ao seu comentário sobre a necessidade de criação de "filtros" na seleção de filmes que o órgão apoia. No dia 2 de agosto, no entanto, Bolsonaro declarou que poderia recuar na decisão de extinguir a Ancine, porque o "audiovisual emprega muita gente".
Pandemia de COVID-19
Desde o início da pandemia de COVID-19 no Brasil, Bolsonaro emitiu várias declarações controversas que vão desde o negacionismo e a omissão do número de mortes alegando que não estão nas proporções cientificamente reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, até mesmo alegações consideradas pseudocientíficas sobre as medidas de proteção, como o uso de máscara de proteção, o distanciamento social e a bioimunização com uso de vacinas, questionando a sua eficácia e a sua origem chinesa. Bolsonaro também demitiu dois ministros da saúde em menos de um ano por discordar de medidas de distanciamento social e porque eles não defenderam tratamentos sem eficácia comprovada.
A campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022 foi oficializada em 24 de julho de 2022 no Rio de Janeiro. O vice na chapa foi Walter Braga Netto como candidato da federação. No dia 2 de outubro, votação do primeiro turno, seu oponente Lula foi o primeiro colocado, com 48,43% do eleitorado. Bolsonaro se classificou para o segundo turno recebendo 43,20% dos votos. No dia 30 de outubro, votação do segundo turno, Bolsonaro foi derrotado por Lula, obtendo 49,10% enquanto o rival obteve 50,90%. Bolsonaro se tornou o primeiro presidente a não conseguir se reeleger desde a instituição da reeleição em 1997 e Lula foi o primeiro presidente a ser eleito pelo voto direto três vezes.
Em 2 de dezembro de 2022, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, concedeu aposentadoria a Jair Bolsonaro pelo tempo de serviço no cargo de deputado federal. O benefício, no valor bruto de 30 mil reais, soma-se ao saldo de 11 945 reais e 49 centavos que Bolsonaro já recebia como capitão reformado, totalizando cerca de 42 mil reais brutos. Em 30 de dezembro de 2022, dois dias antes da posse de seu sucessor Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República, Bolsonaro viajou para Orlando, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa Michelle e de assessores, não participando da cerimônia de posse. Foi a segunda vez, desde a redemocratização, que um presidente em fim de mandato recusou-se a passar a faixa presidencial ao sucessor, o que ocorrera da última vez em 1985, quando João Figueiredo não participou da posse de José Sarney. Até março de 2023, Bolsonaro estava dando palestras em eventos conservadores nos Estados Unidos, chegando a discursar na CPAC 2023. Bolsonaro pediu visto de turista (que tem validade de seis meses) no final de janeiro, 46 deputados dos EUA, todos democratas, pediram em carta a Joe Biden a expulsão de Bolsonaro do país após os atos golpistas de 8 de janeiro, evento em que Bolsonaro é investigado no STF como suspeito de tê-lo provocado. Bolsonaro retornou ao Brasil no dia 30 de março de 2023.
Processo judicial por tentativa de golpe de Estado
No dia 21 de novembro de 2024, a PF indiciou Jair Bolsonaro e ex-integrantes de seu governo por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. O indiciamento ocorreu no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe de estado para manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota para Lula nas eleições de 2022. Em 18 de fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou oficialmente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas, incluindo diversos ex-integrantes de seu governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, referentes à trama golpista para mantê-lo no poder e impedir a posse de Lula, após este vencer a eleição presidencial.
Casamentos
Jair Bolsonaro foi casado três vezes. A primeira esposa foi Rogéria Nantes Nunes Braga, a quem ajudou a eleger-se vereadora da capital fluminense, em 1992 e 1996, e com quem teve três filhos: Flávio (senador fluminense), Carlos (assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro, o mais jovem do país) e Eduardo. Divorciou-se e, de seu segundo casamento, com Ana Cristina Valle, teve Jair Renan. Em 2007, conheceu sua atual esposa, Michelle, quando ela era secretária parlamentar na Câmara dos Deputados. Nove dias após ser contratada, os dois firmaram pacto antenupcial e, dois meses depois, casaram-se no papel. Em 2013, o casal fez uma cerimônia religiosa realizada pelo pastor Silas Malafaia. Com Michelle, o deputado teve a sua primeira filha, Laura, nascida em 18 de outubro de 2010. A família morou no Palácio da Alvorada.
Religião
Bolsonaro afirma ser católico, mas alega ter frequentado a Igreja Batista por dez anos. Em 2016, foi batizado no rio Jordão por um pastor evangélico da Assembleia de Deus. A sua atual esposa, Michelle, e seus filhos são evangélicos. Em fevereiro de 2020, ao participar em Brasília do evento neopentecostal "The Send", foi declarado pelo pastor Todd White que Bolsonaro havia "confessado Jesus Cristo", ou seja, anunciado a sua conversão.
Genealogia
Bolsonaro é descendente de imigrantes italianos e alemães, com provável origem portuguesa mais remota também. Pelo lado materno, Bolsonaro tem ascendência integralmente italiana, e seus avós eram ambos nascidos na cidade de Luca, na Toscana. Pelo lado paterno, é bisneto de italianos do Vêneto e da Calábria, tendo também um bisavô originário de Hamburgo, na Alemanha. A grafia original do sobrenome era Bolzonaro. Segundo declaração do próprio Jair Bolsonaro, seu bisavô era alemão e foi soldado da Wehrmacht de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial: "Ele não tinha opção: ou era soldado, ou era paredão", declarou ele. Todavia, segundo a genealogia apresentada, Carl "Carlos" Hintze, bisavô de Bolsonaro, nasceu na Alemanha por volta de 1876 e chegou ao Brasil ainda criança em 1883, cinco décadas antes do início da Segunda Guerra na Europa, portanto tinha 54 anos quando Hitler chegou ao poder e 69 anos no fim da Segunda Guerra Mundial, sem que haja nenhuma evidência de que tenha deixado o Brasil nesse período. Seu bisavô alemão morreu em Campinas em 16 de março de 1969.
Saúde
Em julho de 2020, Bolsonaro contraiu COVID-19 — ele estava então envolvido numa série de polêmicas em torno da doença, como dizer que era "uma gripezinha", que por "seu histórico de atleta [do exército]" ele não ficaria gravemente doente e por aparecer em público sem máscara. Três semanas depois do primeiro exame, os testes continuavam dando "positivo", e no final do mês, a doença havia evoluído para uma pneumonia, que ele publicamente chamou de "mofo no pulmão". No início de setembro de 2020, a imprensa reportou que ele passaria por um procedimento para remover cálculos renais. Em 14 de julho de 2021, Bolsonaro foi internado com obstrução intestinal no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, tendo sido transferido, no mesmo dia, para São Paulo, onde foi tratado no hospital Vila Nova Star. Ele recebeu alta no dia 18 de julho de 2021, tendo a imprensa reportado que foi descartada a cirurgia em razão da evolução do quadro.
Ligação com milícias
A ligação de Bolsonaro com a rede de paramilitares e milicianos vem de longa data, mas se estreitou em 2002. Bolsonaro e o seu filho Flávio visitaram duas vezes o líder do grupo de matadores de aluguel, Escritório do Crime, e miliciano em Rio das Pedras, Adriano Nóbrega entre os anos 2004 e 2005. Em 2010, a família Brazão passou a ter maior protagonismo eleitoral em Rio das Pedras e em 2018 passou a controlar quase 300 currais eleitorais associados ao tráfico ou com as milícias na comunidade. Desde então, os Brazãos apoiavam a candidatura de Bolsonaro e seus filhos para qualquer cargo.
Entre as principais controvérsias envolvendo Jair Bolsonaro, podem se citar suas posições populistas, por suas críticas à esquerda, por classificar a tortura como prática legítima, por posições contrárias aos direitos LGBT e por várias outras declarações controversas, as quais lhe renderam cerca de 30 pedidos de cassação e três condenações judiciais. Várias organizações internacionais acreditam que as suas tendências autoritárias criam o risco de que a sociedade civil, a imprensa, os afro-brasileiros, os indígenas, e os críticos do governo enfrentarem danos irreparáveis. Bolsonaro também tem uma relação hostil com a imprensa e foi acusado de proliferar notícias falsas. Apesar de seus posicionamentos serem amplamente classificados na extrema-direita do espectro político, Bolsonaro rejeita tal categorização. Inicialmente, Bolsonaro não via a si mesmo como representante do espectro ideológico de direita, chegando a ocupar a tribuna da Câmara dos Deputados, em 12 de março de 1999, para tecer elogios à deputada federal Luiza Erundina, filiada ao PSB e sempre reconhecida como um quadro de esquerda. No período após as eleições de 2002, declarou em discursos na Câmara dos Deputados que votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, tendo apoiado no primeiro turno o candidato Ciro Gomes (então filiado ao PPS).


