O Hobbit (série de filmes)
O Hobbit é uma série de três filmes de fantasia épica e de aventura dirigido, coescrito e produzido por Peter Jackson e baseado no livro The Hobbit de J. R. R. Tolkien publicado em 1937. Os filmes são, por subtítulo: Uma Jornada Inesperada (2012), A Desolação de Smaug (2013) e A Batalha dos Cinco Exércitos (2014). O Senhor dos Anéis é originalmente uma sequência do livro, assim, a série age como uma prequela para a trilogia dos filmes, também dirigidos por Jackson.
Primeiros estágios de desenvolvimento
Peter Jackson e Fran Walsh expressaram interesse em filmar The Hobbit já em 1995, o qual seria a primeira parte de uma trilogia (os outros dois filmes sendo baseados em O Senhor dos Anéis). O projeto foi frustrado quando o produtor de Jackson, Harvey Weinstein, descobriu que Saul Zaentz tinha os direitos de produção de The Hobbit, mas os direitos de distribuição ainda pertenciam à United Artists (que mantinham esses direitos, acreditando que os cineastas preferiria adaptar The Hobbit, em vez de O Senhor dos Anéis). O estúdio ainda disputava mercado, de forma que as tentativas de Weinstein de comprar os direitos não foram infrutíferas. Então Weinstein pediu que Jackson continuasse com a adaptação de O Senhor dos Anéis sem The Hobbit. Em última análise, O Senhor dos Anéis foi produzido pela New Line Cinema, então os direitos para filmar The Hobbit foram definidos para expirar em 2010. Em setembro de 2006, a Metro-Goldwyn-Mayer, expressou interesse em se unir à New Line e Peter Jackson para filmar The Hobbit.
Desenvolvimento com Del Toro
Apesar dos processos judiciais, o desenvolvimento prosseguiu e no inicio de 2008, The Hollywood Reporter anunciou que o diretor Guillermo Del Toro estaria entrando em negociações para dirigir o filme, porém, somente em abril de 2008, foi informado que Guillermo tinha sido confirmado oficialmente. Guillermo del Toro afirmou que ele era um fã da trilogia de Jackson e tinha discutido dirigir uma adaptação cinematográfica baseada no jogo Halo, em 2005. Embora este projeto tenha sido interrompido, eles se mantiveram em contato. Em uma entrevista de 2006, Del Toro é citado afirmando "Eu não gosto de caras pequenos e dragões, pés peludos, hobbits, [...] Eu odeio todo isso". Após ele ter assinado como diretor em abril de 2008, Del Toro postou em TheOneRing.net que ele se encantou com The Hobbit quando era criança e que Smaug era um de seus personagens favoritos. Ele também afirmou que os outros livros de Tolkien "continham uma geografia e genealogia complexas demais para meu cérebro infantil". Ao assumir o papel de diretor, Del Toro estava agora "lendo como um louco para se adaptar a uma terra completamente nova, um continente — uma cosmologia criada por um brilhante filólogo transformado em Xamanismo". O diretor também escreveu que sua apreciação por Tolkien foi ampliada pelo seu conhecimento do gênero fantástico e as pesquisas de folclore que ele realizou durante a realização de seus próprios filmes de fantasia.
Interpretação de Del Toro
O primeiro filme será fechado em si mesmo e baseado em O Hobbit enquanto que o segundo filme será uma transição e uma fusão com o mundo de Peter. Eu planejo alterar e expandir os visuais de Peter, e eu sei que o mundo pode ser mostrado de uma forma diferente. Diferente é melhor para o primeiro. Para o segundo eu tenho a responsabilidade de encontrar uma progressão lenta até imitar o estilo de Peter – Del Toro sobre a consonância tonal com a trilogia de Jackson. Del Toro e Jackson possuem um relacionamento profissional positivo, onde se comprometerão com os desentendimentos de forma a beneficiar o filme. Jackson se ofereceu para atuar como diretor de uma segunda unidade. Del Toro irá filmar The Hobbit com a mesma proporção 2.35:1 da trilogia, ao invés do seu padrão 1.85:1.
Saída de Del Toro
Em 2010, Del Toro deixou o projeto por causa de atrasos. Em 28 de maio, estava em uma conferência de imprensa, e explicou que em virtude de certos problemas financeiros da MGM, o projeto de The Hobbit não tinha oficialmente recebido um sinal verde no momento. "Nós já desenhamos todas as criaturas. Já desenhamos os sets e os figurinos. Nós já fizemos algumas animações e planejamos sequências de batalhas. Nós estamos muito, muito preparados para quando tudo estiver engatilhado, mas não sabemos nada até que a MGM resolva tudo". Os problemas financeiros da MGM e constantes atrasos da produção fizeram com que o diretor fosse obrigado a deixá-la, pois Del Toro já tem diversos compromissos marcados com outros estúdios. “Devido aos atrasos que impedem que as filmagens sejam marcadas tive que tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida. Depois de dois anos vivendo, respirando e desenhando o mundo criado por Tolkien, eu lamento, mas preciso deixar a direção dessas incríveis adaptações", declarou Del Toro em comunicado oficial. Ron Perlman, que tinha ganhado um pequeno papel no filme, elaborado por Del Toro deixou o projeto juntamente com o diretor.
A fotografia principal começou em 21 de março de 2011, em Wellington, Nova Zelândia. As filmagens ocorreram em Wellington Stone Street Studios, cidade de Matamata e em outros locais não revelados em torno de Nova Zelândia. Na criação dos 13 anões da história, foram colocados próteses de silicone para avolumar as testas e narizes. Os cabelos e as barbas dos personagens foram feitos de pelos de bois iaques, do Himalaia. Segundo o maquiador Peter King, o visual ficava excelente em 3-D. “Não existe nenhum ator do filme que não use aplique”, diz o maquiador, que criou seis perucas e oito barbas para cada anão – e isso após 30 sessões de teste. O segundo bloco de filmagens na Nova Zelândia começou no final de agosto e foi concluído em dezembro de 2011. A fotografia principal terminou em 6 de julho de 2012, depois de 266 dias de filmagens, 104 dias a menos do que previsto na época do desenvolvimento liderado por del Toro.
Tecnologia
Os filmes foram filmados em 3D usando câmeras Red Epic. Um equipamento especial fabricado pela 3ality Technica foi utilizado nas filmagens dos três filmes; duas câmeras e um espelho são usados para atingir um efeito intra ocular similar de um ser humano (a distância entre os olhos). Isto é como a profundidade necessária para um filme ser visualizado 3-D. A trilogia The Hobbit, provavelmente, serão os filmes de maior orçamento até agora a serem filmados com as câmeras Red Epic. Num vídeo revelando os bastidores, publicado no blog de produção do filme, relata que foram usados 48 Epic câmeras, durante as filmagens dos filmes. Em abril de 2011, Jackson revelou através de sua página na rede social Facebook que ele está filmando The Hobbit em 48 fps (quadros por segundo) em vez do normal que é 24 fps. Além disso, os filmes estão sendo filmados em uma resolução de 5 K. Isso é substancialmente maior do que a resolução convencional de HD 1080. Os filmes estão sendo filmados digitalmente em cartões de memória de 128 GB que se adaptam a câmera RED Epic.
Animais na produção
Funcionários de uma fazenda na Nova Zelândia, que serviu de locação para os filmes, acusaram a produtora do filme pela morte de até 27 animais usados nas gravações, devido a más condições de vida. Os delatores informaram à imprensa norte-americana que cavalos, ovelhas, cabras e galinhas morreram durante as filmagens entre 2010 e 2011. O primeiro animal a morrer teria sido um pônei chamado Rainbow, que quebrou a coluna após saltar de um barranco, de acordo com o peão Chris Langridge em entrevista à agência de notícias Associated Press. Ele afirma que foi contratado para treinar cerca de 50 cavalos em novembro de 2010, mas imediatamente ficou preocupado com as condições do local.
Música
A música da série de filmes The Hobbit está sendo composta, orquestrada, realizada e produzida por Howard Shore, que também participou do desenvolvimento da trilha da trilogia O Senhor dos Anéis. A música será mais uma vez realizada pela Orquestra Filarmônica de Londres como foi para O Senhor dos Anéis. As sessões de gravação para os filmes começaram em 20 de agosto de 2012 no Abbey Road Studios. A trilha sonora para Unexpected Journey foi lançada em 11 de dezembro de 2012, pela gravadora WaterTower Music.
Nos cinemas
The Hobbit: An Unexpected Journey foi programado para ter sua estréia mundial em 28 de novembro de 2012 em Wellington, Nova Zelândia, com outro grande lançamento na Nova Zelândia em 12 de dezembro. Ingressos para sessões do filme da meia-noite na Nova Zelândia foram vendidos dentro de minutos, e uma grande quantidade de pessoas ficaram sem assistir ao filme. O filme foi lançado em 13 de dezembro de 2012 no Reino Unido e 14 de dezembro de 2012, para alguns outros países. Com um um tempo de execução de 169 minutos (2 horas e 49 minutos), que foi um dos assuntos dos críticos especializados.[carece de fontes?] Cerca de 100 000 pessoas eram esperadas para estar no tapete vermelho em Wellington Courtenay Place para a estréia. Todo o evento foi transmitido ao vivo na TV3 e também transmitido pela Internet.
Home-video
The Hobbit: An Unexpected Journey foi lançado em Blu-ray e DVD nos Estados Unidos em 19 de março de 2013, com um lançamento agendado para o Reino Unido, um mês depois, em abril. Uma versão estendida contendo 20 a 25 minutos de cenas adicionais é esperada para estar disponível no terceiro trimestre de 2013. The Hobbit: The Desolation of Smaug foi lançado em Blu-ray e DVD nos Estados Unidos em 08 de abril de 2014, no Reino Unido o lançamento ocorreu um dia antes. Uma versão estendida foi lançada digitalmente em 21 de outubro de 2014 e em vídeo, 04 de novembro de 2014, contendo 20 minutos adicionais e uma música original.
Prêmios e indicações
An Unexpected Journey foi indicado a três Oscars de Melhores Efeitos Visuais, Melhor Desenho de Produção e Melhor Maquiagem e Penteados. The Desolation of Smaug foi indicado a Melhores Efeitos Visuais, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. No Óscar 2015, The Battle of the Five Armies foi indicado apenas a uma categoria, Melhor Edição de Som.
Reação à alta taxa de quadros
Em uma seção da convenção CinemaCon, que foi realizada em Las Vegas em abril de 2012, dividiu opiniões a respeito da alta taxa de quadros - algo revolucionário na história do cinema, com 48 quadros por segundo, o dobro do formato padrão de 24 fps (frames por segundo). Peter Jackson mostrou um vídeo de dez minutos do filme, mostrando o novo formato, e recebeu "uma reação abaixo do esperado na melhor das hipóteses". Enquanto Variety afirmou que o filme "parecia tudo mais nítido e distintamente diferente do que tudo mostrado antes, dando ao movimento 3-D uma sensação mais suave e nítida", também informou que perdeu o brilho cinematográfico da industria padrão de 24 fps. Já o jornal Los Angeles Times, informou que uma tomada aérea das montanhas apareceu com mais detalhes e clareza que “a maioria dos documentários sobre a natureza”. Mas a extrema nitidez causou uma reação inesperada. "Parecia um filme feito para a TV", reclamou um proprietário de cinema presente.


