Antônio Britto
Antônio Britto Filho GOMM, é um jornalista e político brasileiro. Foi ministro da Previdência Social durante o governo Itamar Franco. Foi governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo estado por dois mandatos.
Imagem: Duda Mendonça · CC0 · Openverse
Filho do jornalista Antônio Saturnino Correia de Britto, começou a trabalhar no pequeno jornal local do pai, antes de cursar a faculdade de jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Profissionalmente, começou a atuar em 1970, no Jornal da Semana, publicação dominical do grupo Editorial Sinos, como redator de futebol. Mais tarde, por indicação do jornalista Paulo Sant'Ana, passou a trabalhar como repórter no jornal Zero Hora, do grupo RBS, aos 19 anos de idade. Em 1972, transferiu-se para a rádio Guaíba (pertencente ao grupo Caldas Júnior), a convite de Pedro Carneiro Pereira, onde chegou a coordenador da área de esportes e foi chefe de jornalismo. Em 1978, deixou a Guaíba e voltou ao grupo RBS, passando a trabalhar na TV Gaúcha. Nesse mesmo ano tornou-se professor da Unisinos, função que exerceu até 1979. Da RBS, passou ainda em 1979 para a editoria de política da Rede Globo em Brasília, atuando também como comentarista e apresentador. No início de 1985, logo após a eleição de Tancredo Neves para a presidência da República, foi convidado para ser secretário de imprensa do novo governo. Nessa função, atuou como porta-voz das informações médicas sobre o estado de saúde do presidente, no período que antecedeu à sua morte, em 21 de abril de 1985.
Imagem: Senado Federal · BY-NC · Openverse
Conhecido através da mídia televisiva e autor de um livro sobre os últimos dias de Tancredo, Assim Morreu Tancredo, foi convidado por Ulysses Guimarães a filiar-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido ao qual lançou-se candidato a deputado federal nas eleições de 1986, sendo eleito com uma das maiores votações do estado (e reeleito em 1990). Na Câmara dos Deputados, participou da Assembleia Constituinte, chegando a ser líder do partido em plenário. Em entrevista ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho anos depois, quando perguntando seu impacto no texto da Constituição, que seu trabalho foi mais de "articulador": "Mas o artigo 223 foi fruto de um arranjo que tem o meu modesto dedinho." Em seu segundo mandato, seria ainda presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática no biênio 1990-91. Em 1988, foi indicado pelo PMDB como candidato à prefeitura de Porto Alegre, mas apesar do favoritismo inicial, perdeu força e acabou em quarto lugar no pleito, vencido por Olívio Dutra (PT).
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
A gestão a frente do governo do Rio Grande do Sul foi marcada por reformas administrativas e uma intensa polêmica com a oposição, liderada pelo PT. Essa polêmica não se limitava à questão salarial, mas incluía as medidas que Antônio Britto e sua equipe de governo adotaram para buscar o saneamento das finanças estaduais, que incluíam a privatização das grandes autarquias de serviços públicos do estado, a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e a Companhia Estadual de Energia Elétrica, ambas criadas na gestão de Leonel Brizola (1959 a 1962). Para os defensores do governo Britto, as privatizações ampliariam a abrangência dos serviços, barateando o seu custo de instalação. Para seus adversários, as taxas cobradas pelas empresas privatizadas se tornariam com o tempo mais caras para a população, beneficiando apenas alguns grupos empresariais específicos. Outro foco de polêmica foi a política de atração de grandes empresas automobilísticas para o estado através de concessão de benefícios fiscais, como a isenção do ICMS nos primeiros anos. Para seus opositores, a política de atração de investimentos, envolvendo o estado na "guerra tributária" com outras unidades da federação, representava uma perda para o fisco que era compensada pela geração de empregos.[carece de fontes?]
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
Politicamente, procurou governar com uma base partidária ampla, isolando apenas o PT. Isso permitiu a composição de uma ampla coligação de partidos para as eleições de 1998, quando concorreu à reeleição pelo PMDB. Mas em alguns casos, o favorecimento ao PPB (que indicou seu candidato a vice, José Otávio Germano) levou a rupturas dentro de seu próprio partido, que em alguns municípios anunciou o apoio ao PT. Chegou a vencer o primeiro turno das eleições por uma pequena margem de votos. Mas no segundo turno, novamente contra o seu adversário de 1994, Olívio Dutra (PT), acabou sendo derrotado por uma diferença de 87 366 votos. No pleito, foi decisivo o apoio do PDT (contrário às privatizações) ao candidato do PT.
Após a derrota em sua tentativa de reeleição, passou a trabalhar na iniciativa privada, como consultor junto ao grupo Telefonica de Espanha, o que levou a suspeitas de favorecimento na privatização da CRT, em 1997. Em 2001, ainda cotado como preferido para a sucessão de Olívio Dutra (que acabaria não concorrendo à reeleição), Antônio Britto entrou em choque com o senador Pedro Simon, principal liderança regional do PMDB, e acabou saindo do partido. Filiou-se então ao PPS (incipiente no estado), junto com sua base de apoio, e lançou-se à sucessão estadual de 2002, em aliança com o PFL (já que o PDT se recusara a apoiá-lo, dentro da regra da "verticalização" da coligações nos estados). No entanto, a forte rejeição ao seu nome fez suas intenções de voto "migrarem" em massa para o candidato do PMDB, Germano Rigotto. Ficou em terceiro lugar, com apenas 12% dos votos, enquanto Rigotto derrotou Tarso Genro (PT), no segundo turno, trazendo novamente o PMDB ao governo estadual.


