António de Sommer Champalimaud
António de Sommer Champalimaud GCM • GCMAI foi um empresário português.
Foi o primeiro filho de Carlos Champalimaud (Peso da Régua, Godim, 13 de novembro de 1877 – Cascais, 5 de maio de 1937), Oficial Médico Militar, grande proprietário, agricultor e viticultor na região do Douro, duma família de Fidalgos da Casa Real de origem francesa; e de sua mulher (Lisboa, 1 de junho de 1917) Ana Maria de Araújo de Sommer (Anjos, Lisboa, 23 de abril de 1885 – Santa Maria dos Olivais, Lisboa, 1 de abril de 1977), neta do barão Heinrich von Sommer e irmã de Henrique de Sommer, uma família alemã radicada em Lisboa, cuja principal atividade era o comércio de ferro. Estudou com os padres jesuítas no Colégio Nun'Álvares, em La Guardia, na Galiza, e no Colégio Académico, em Lisboa. Aos 18 anos foi admitido no curso de Ciências Físico-Químicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Enquanto jovem tinha interesses diversificados. Gostava de ler, interessando-se por narrativas de história e da mitologia sobre a Grécia Antiga e o Império Romano, além do gosto que tinha pelas obras de William Shakespeare. Por outro lado, gostava de desportos e de atividades ao ar livre. Desde montar a cavalo, que era a sua atividade preferida durante os verões passados no Douro, a que sobreveio, na adolescência, o prazer de conduzir motos e pilotar aviões. Ainda não tinha 18 anos quando tirou o brevê em Alverca.
Aos 24 anos, tomou posse como administrador da Empresa de Cimentos de Leiria, companhia fundada pelo seu tio materno Henrique de Sommer e por Gastão de Benjamim Pinto. O tio Henrique viria a falecer em 1944, deixando-lhe grande parte dos seus bens, pese embora a disputa judicial entre herdeiros; conhecido como o caso da Herança Sommer, que se arrastou nos tribunais durante mais de duas décadas. O jovem empresário dinamizou a exportação de vinho do Douro e lançou os primeiros projetos de urbanização na Quinta da Marinha, em Cascais, segundo os planos encomendados na década de 1920 pelo seu pai. Os materiais de construção, o imobiliário e a exportação de vinhos eram os seus três negócios-chave. Ainda no ramo da produção cimenteira, socorreu-se de empréstimos da Casa Bancária José Henriques Totta, gerida pelo seu sogro, D. Manuel de Melo, e com a proteção do regime de Salazar, para adquirir a Cimentos Tejo e a Companhia de Carvões e Cimentos do Cabo Mondego. A Cimentos Tejo, que era propriedade da Empresa de Cimentos de Leiria desde 1934, viria a estrear o maior forno de cimento do mundo, em 1960. Em Angola, fundou a Companhia de Cimentos de Angola e mandou construir a Fábrica de Nova Maceira, no Dondo, em 1951, Fábrica do Lobito, em 1952, e a Fábrica de Nacala, em 1963. De seguida, em Moçambique, comprou a Fábrica de Cimentos Portland, na Matola.
Faleceu aos 86 anos, na sua residência em Lisboa, vítima de um cancro. No seu testamento, legou 500 milhões de euros para a criação de uma fundação em Portugal, destinada à investigação na área da investigação biomédica e outras ciências. A Fundação D. Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud — designação escolhida por Champalimaud, em homenagem aos pais — foi formalmente criada e é hoje presidida por Leonor Beleza, de acordo com suas instruções. Por essa iniciativa, a 6 de setembro de 2016, foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.


