António José de Almeida
António José de Almeida GCTE • GCC • GCA • GCSE foi um político republicano português, sexto presidente da República Portuguesa, cargo que exerceu de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923. Foi o único presidente da Primeira República Portuguesa a cumprir integralmente e sem interrupções o seu mandato de 4 anos, tendo com ele Portugal retornado a uma presidência civil. A data do seu nascimento é feriado municipal em Penacova.
Vida pessoal e formação
António José de Almeida nasceu em Vale da Vinha, uma aldeia da freguesia de São Pedro de Alva do concelho de Penacova, distrito de Coimbra, filho de José António de Almeida e de sua mulher Maria Rita das Neves, natural de Paradela da Comarca de Arganil. Foi batizado na Igreja Paroquial de São Pedro de Farinha Podre, hoje São Pedro de Alva, a 3 de Setembro de 1866. Oriundo de uma família modesta, o seu pai afirmou-se como pequeno industrial e comerciante local, chegando, no final do século XIX, a ocupar a presidência da Câmara Municipal de Penacova. Em 1880 matricula-se no Liceu Central de Coimbra, terminando o Curso Geral dos Liceus em 1885. Nesse mesmo ano inscreve-se nos preparatórios de Medicina.
Carreira profissional e política
Um dos mais populares dirigentes do Partido Republicano, desde muito novo manifestou ideias republicanas. Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1904. Regressou a Lisboa nesse ano, e depois foi para França onde estagiou em várias clínicas, regressando no ano seguinte. Montou consultório, primeiro na Rua do Ouro, depois no Largo de Camões, entrando então na política republicana. Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em Agosto. Durante o debate sobre a questão dos "adiantamentos à Casa Real" (20 de Novembro de 1906) após Afonso Costa e Alexandre Braga serem expulsos da Câmara dos Deputados devido aos seus "excessos verbais" contra o rei, António José de Almeida equilibra-se em cima da sua cadeira e improvisa um discurso convidando os soldados a aliar-se à revolução republicana.
Presidente da República
António José de Almeida candidatou-se à Presidência da República nas eleições de 1919, após o término do mandato de João do Canto e Castro, que havia sido eleito em Dezembro de 1918 para ocupar o cargo no que restava do mandato interrompido de Bernardino Machado (o 2.º quatriénio após as primeiras eleições presidenciais, ou seja, 1915-1919). Nos termos da Constituição Política da República Portuguesa de 1911 que então vigorava, o Presidente da República era eleito através de sufrágio indirecto, requerendo pelo menos dois terços dos votos das duas Câmaras do Congresso da República (Deputados e Senado) reunidas em sessão conjunta. As eleições tiveram lugar a 6 de Agosto de 1919, e decidiram-se ao fim do terceiro escrutínio, tendo António José de Almeida obtido 73,7% dos votos, contra os 18,6% do segundo candidato mais votado, Manuel Teixeira Gomes. O Presidente da República eleito toma posse em 5 de Outubro de 1919, em sessão solene preparada para a ocasião.
Após a presidência
Após o seu mandato presidencial, António José de Almeida não se afasta da vida política, chegando ainda a ser eleito deputado por Lisboa nas legislativas de 1925. Contudo, pouco tempo depois, sucumbe de reumatismo. A doença obriga-o a viver os seus últimos anos de vida numa cadeira de rodas, o que acaba por condicionar o seu afastamento da política, refugiado, agora, no convívio familiar. Ainda assim, é-lhe reconhecido o mérito enquanto homem de Estado, inclusivamente pelos dirigentes da Ditadura Militar quando esta é instaurada em 1926, criando estes o hábito de o visitar no dia 5 de Outubro. No início de 1929 foi eleito 12.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido mas não chegou a tomar posse devido ao agravamento do seu estado de saúde.
Uma estátua sua foi erguida pelos seus admiradores e amigos em Lisboa, de autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquiteto Pardal Monteiro, e reuniram os seus principais artigos e discursos em três volumes, intitulados Quarenta anos de vida literária e política, obra publicada em 1934. A Câmara Municipal de Lagos decidiu, numa sessão realizada no dia 12 de Dezembro de 1929, colocar o nome de António José de Almeida num arruamento da freguesia de São Sebastião. Uma estátua sua foi também erguida no Largo Eng. Maurício Vieira de Brito, em São Pedro de Alva (freguesia natal) onde consta uma lápide com uma pequena biografia. Na sua aldeia de nascimento, Vale da Vinha, o largo e a rua em frente à sua casa tem o nome de Dr. António José de Almeida. Também em Campo Maior existe um Largo com o seu nome. Um busto seu foi levantado no Largo Dr. Alberto Leitão, em Penacova (concelho natal) de frente para a Câmara Municipal em 1976.


