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Antônio Pereira Rebouças

Antônio Pereira Rebouças foi um político e advogado brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Início de vida

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

Antônio Pereira Rebouças nasceu na Bahia (na época Capitania Geral da Bahia) ao fim do século XVIII, quando a capitania vivia um boom econômico devido à alta internacional do preço do açúcar e da revolta de escravos de 1791 na colônia francesa de São Domingos, atual Haiti, que ampliou seu mercado consumidor. Filho da escrava liberta natural de Salvador Rita Brasília dos Santos e do alfaiate do norte de Portugal Gaspar Pereira Rebouças, Antônio é natural da cidade de Maragogipe, à época com 5 mil habitantes, para onde seus pais tinham se mudado depois de deixar a capital à procura de oportunidades de ascensão social e econômica no pequeno e novo centro urbano. Rebouças, nascido em agosto de 1798, era o caçula de nove irmãos, quatro homens (dentre eles o médico, Dr. Manuel Maurício Rebouças) e cinco mulheres, todos concebidos depois de Rita e Gaspar terem se mudado de Salvador. Dois dias depois de seu nascimento, eclodiu na capital a famosa Revolta dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, da qual seu pai não tomou parte apesar de dividir da profissão dos participantes.

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Trajetória

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Envolvimento nas lutas pela Independência

Logo depois de formado, Rebouças se enturmou no grupo dos que pretendiam reagir contra as tentativas do governo de Lisboa de recolonizar o Brasil. Este movimento se intensificou quando os baianos tiveram de aceitar a nomeação de um governador de armas, delegado do poder executivo, cujas atribuições seriam independentes daquelas da Junta governativa baiana de 1821-1824. Desde então, Rebouças e amigos começaram a planejar demitir aquele governo e eleger outro, composto por brasileiros, favoráveis à formação de um Estado Constitucional. Por consequência da ofensiva do governador de armas Ignácio Luís Madeira de Melo em fevereiro de 1822, Rebouças seguiu o pânico que contagiava a elite local e se dirigiu para Cachoeira, no Recôncavo baiano. Lá, ele novamente reuniu-se àqueles que organizavam a resistência à recolonização. Foi membro da Junta Provisória do Governo, aclamada em junho de 1822, como secretário. Rebouças participou de todas as batalhas decisivas que se seguiram e, segundo seus próprios diários biográficos, se tornou um herói da independência. Impedido de tomar posse do governo das novas vilas que se formavam na Bahia, o advogado se frustrou com a derrota e, durante 1823, viajou para o Rio de Janeiro e permaneceu por algum tempo na capital do agora Império.

Atuação política

Em 1828, Rebouças foi eleito deputado para a legislatura de 1830 a 1833 pela província da Bahia; nesta mesma eleição, também foi nomeado conselheiro do governo, uma vez que a acumulação de cargos era permitida. Durante seu mandato, o deputado se opôs a práticas como a pena de morte e participou de debates sobre as reformas da Constituição Imperial. Ele mais tarde reuniu seus discursos na Câmara dos Deputados, que chegaram a ser publicados por veículos como o Jornal do Commércio, no livro Recordações da vida parlamentar. Apesar de suas posições liberais na câmara, Rebouças evitava fazer qualquer associação entre sua cor e suas posições políticas ou condições sociais. Ele temia ser visto como um radical por conta das séries de revoltas iniciadas por escravos que ocorriam na época, como a dos Malês (1835), na Bahia, e a de Carrancas (1833), em Minas Gerais.

Últimos anos e morte

A partir de 1865, ano em que sua esposa Carolina Pinto Rebouças faleceu, Rebouças foi impactado pela morte da cônjuge e retirou-se da vida pública. Em 1870, foi acometido por uma cegueira e recolheu-se da função de advogado, falecendo dez anos depois.

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Racismo

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De acordo com estimativas, a população baiana ao fim do século XVIII, quando Rebouças nasceu, girava em torno dos 100 mil habitantes. Destes, pelo menos dois terços seriam considerados negros ou mulatos. Entre 1775 e 1807, a proporção da população africana em relação ao total de habitantes teria aumentado de 64% para 72%, entre escravos e alforriados. Filho de uma escrava liberta, Rebouças entrava nessa porcentagem. A família de Rebouças tentou, por algumas gerações, apagar suas ligações com a escravidão. Não há provas concretas, mas é possível que sua mãe Rita dos Santos tenha casado com um homem branco (Gaspar) para ter oportunidades de ascensão econômica e social e impedir quaisquer tentativas de reescravização que porventura ainda pudessem existir. Nenhum dos documentos biográficos deixados pela família de Antônio fazem menção alguma à ascendência africana da mãe e avó e, com poucas exceções, nem mesmo a própria cor é citada em seus relatos pessoais.

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Leitura e escrita

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Desde o começo de sua trajetória sem recursos, Rebouças apostava na educação como meio para alcançar a estabilidade social, e foi um grande entusiasta da leitura e escrita durante sua vida. Em um discurso na Sociedade Amante de Instrução em 1847, disse: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

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