Família Pompêo de Camargo
A Família Pompêo de Camargo é uma tradicional família do estado de São Paulo, com atuação destacada no período colonial, imperial e republicano do Brasil e forte presença na história social, política, econômica e cultural de Campinas e região. A família origina-se dos Camargo, família de nobre linhagem que remonta à Idade Média, e que inclui o patriarca Jusepe Ortiz de Camargo, natural de Castrojeriz, Espanha, que emigrou para o Brasil no fim do século XVI.
O ramo Pompêo de Camargo origina-se da família Camargo, de nobre linhagem que remonta pelo menos à Idade Média e deu origem ao bisneto do navegador espanhol, Alonso de Camargo, Jusepe Ortiz de Camargo, que imigrou da Espanha para o continente Americano nos anos de 1500, por incumbência da Rainha Isabel I, da Espanha, e deu origem a tradicional família que fez parte da formação do Brasil, particularmente da Vila de São Paulo, atual cidade de São Paulo e região. Ele e seus descendentes ocuparam importantes papéis na sociedade do Brasil Colônia, sendo muitos deles notáveis bandeirantes. O filho primogênito de Jusepe, o bandeirante Fernão de Camargo promoveu em uma de suas expedições a fundação do que viria a se tornar a atual cidade de Campinas, como uma parada em meio ao caminho às "Minas dos Goiases", atual Goiás, e nomeada à época de "Campinas do Mato Grosso". Já seu neto, e por sua vez, bisneto de Jusepe, o também bandeirante, Tomás Lopes de Camargo, foi o cofundador de Vila Rica, atual Ouro Preto, dando início ao atual estado de Minas Gerais.
Em 1792, o Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado mudou-se para a freguesia de Campinas com o pai e o irmão, o capitão-mor Floriano de Camargo Penteado, ocasião em que fundou a propriedade da Ponte Alta, enquanto o irmão fundou a Ponte Alta de Cima. Ambas tiveram engenhos erguidos em 1795. A instalação dessas propriedades coincidiu com os primeiros anos de consolidação econômica da região de Campinas, então marcada pela expansão da agricultura de abastecimento e pela crescente produção açucareira. Os engenhos da família figuraram entre os estabelecimentos que contribuíram para a transformação da antiga freguesia em um dos mais importantes centros agrícolas da Capitania de São Paulo (atual estado de São Paulo). A partir desse núcleo inicial, a família passou a integrar a elite fundiária campineira, acompanhando os sucessivos ciclos econômicos da região. Durante o século seguinte, o XIX, seus membros estiveram ligados à expansão da lavoura canavieira e posteriormente ao desenvolvimento da cafeicultura, atividade que projetou Campinas entre os principais polos econômicos do Império do Brasil.
Entre as propriedades associadas à família destacam-se a Fazenda Ponte Alta (atual Fazenda Tozan), a Fazenda Sertão, o Sítio Novo, a Fazenda São João, a Fazenda Jambeiro, a Fazenda Sete Quedas, a Fazenda Cachoeira (atual Fazenda São Martinho da Esperança) e o Solar do Visconde de Indaiatuba. Essas propriedades refletem a trajetória econômica da família desde os primórdios da ocupação agrícola de Campinas. As fazendas Ponte Alta e Ponte Alta de Cima, estabelecidas no final do século XVIII pelo Alferes Antônio Pompêo de Camargo Penteado e por seu irmão, o capitão-mor Floriano de Camargo Penteado, figuram entre os primeiros engenhos da região e estiveram ligadas à expansão da produção açucareira que impulsionou o crescimento econômico da então freguesia de Campinas. Ao longo do século XIX, a família ampliou seu patrimônio rural por meio de propriedades voltadas à produção de açúcar, café e, posteriormente, outras culturas agrícolas. Fazendas como a Sertão, a São João e a Jambeiro integraram o conjunto de propriedades que contribuíram para consolidar a presença dos Pompêo de Camargo entre os grandes proprietários rurais campineiros.
Ao longo de mais de dois séculos, membros da família estiveram ligados a atividades agrícolas, políticas, empresariais, educacionais, artísticas, literárias, esportivas e médicas, contribuindo para a formação da identidade histórica, econômica e cultural de Campinas e de outras regiões do estado de São Paulo. Entre os representantes mais destacados desse processo esteve Antônio Pompêo de Camargo (1828-1884) conhecido como Totó Pompêo, grande proprietário rural, pioneiro do café e um dos principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Além de sua atuação econômica, exerceu mandatos como vereador em Campinas, participou da fundação do Partido Republicano local, colaborou na criação do Colégio Culto à Ciência e do jornal A Província de São Paulo, atualmente denominado O Estado de S. Paulo. Também patrocinou obras públicas locais como a construção da nova matriz (Catedral Metropolitana de Campinas), da Santa Casa e da Maternidade de Campinas.
Alguns dos membros mais notáveis da família são:
A família Pompêo de Camargo possui profundas raízes na formação histórica, política e econômica do Brasil, descendendo diretamente de nobres espanhóis, fundadores do Brasil Colônia, juízes e destacados bandeirantes (com destaque para o ramo de Fernando de Camargo Ortiz, o Moço). Abaixo estão estruturadas as principais conexões familiares, divididas por ramos históricos, títulos nobiliárquicos do Império e alianças com outras dinastias tradicionais paulistas. Grandes Figuras Históricas e da Política Padre Diogo Antônio Feijó: Regente do Império do Brasil durante a menoridade de Dom Pedro II; é trineto de Fernando de Camargo Ortiz. Afonso d'Escragnolle Taunay: Renomado historiador e escritor, filho do Visconde de Taunay; casou-se com Sara de Souza Queiroz, filha de Vitalina Pompêo de Camargo de Sousa Queiroz e Antônio de Souza Queiroz. Heitor Teixeira Penteado: Advogado e político paulista (ex-presidente interino de São Paulo); seu filho, Heitor Teixeira Penteado Filho, casou-se com Isaura Pompêo de Camargo, filha de Fernão Pompêo de Camargo e Isaura de Queirós Teles.
A família Pompêo de Camargo marca a história social, econômica, política e cultural de Campinas, com propriedades rurais, residências urbanas e descendentes ligados a diferentes campos de atuação. O reconhecimento desse legado reflete-se ainda na denominação de ruas, praças, escolas, instituições esportivas e outros espaços públicos que homenageiam membros da família, preservando sua memória e legado na paisagem urbana e na história local.


