Operação Gideão
Operação Gideão, foi como ficou conhecida a fracassada tentativa de invasão por um grupo paramilitar da Venezuela em 3 de maio de 2020, com o fim de derrubar o governo de Nicolás Maduro.
Com a existência de refugiados venezuelanos na fronteira da Colômbia, a partir da autoproclamação de Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela e reconhecimento como tal por vários outros países como Estados Unidos e Brasil, o mercenário americano Jordan Goudreau tentou levar sua empresa de segurança - Sivercorp USA - a liderar uma incursão militar contra o governo Maduro. Após fundar sua empresa em 2018, Goudreau (premiado como veterano no Afeganistão e Iraque pelas forças armadas estadunidenses com a "Estrela de Prata"), em 2019 foi contratado para realizar em fevereiro de 2019 a segurança num show de Richard Branson realizado na fronteira colombiana com o objetivo de pressionar o governo venezuelano a permitir a entrada no país de ajuda humanitária, diante da crise econômica pela qual o país atravessava. Com a permanência do governo após essa primeira pressão, a oposição tentou em abril do mesmo ano iniciar uma rebelião popular, igualmente sem sucesso. Então líderes como o ex-deputado exilado Hernan Aleman (morto em agosto de 2020 pela Covid-19) cogitaram no financiamento de grupos paramilitares visando uma incursão contra os líderes do governo Maduro.
Com base inicial de treinamento na cidade colombiana de Maicao, três campos de treinamento foram instalados na fronteira e em janeiro de 2020 Goudreau recrutou mais dois mercenários estadunidenses - Luke Denman (veterano do Iraque) e Airan Berry; entretanto, com a falta de financiamento, já em março de 2020 vinte dos venezuelanos abandonaram os exercícios militares. No dia 23 daquele mesmo mês o governo colombiano apreendeu um caminhão com equipamentos destinados aos grupos e no dia 26 o Departamento de Justiça estadunidense anunciou uma recompensa pela captura do general dissidente Cliver Alcala, por narcoterrorismo; Alcala se entregou após ter declarado que as armas apreendidas pertenciam ao povo venezuelano "no âmbito do acordo feito pelo presidente Juan Guaidó, JJ Rendon e assessores dos Estados Unidos". A 28 de março um barco chamado "Silverpoint", e supostamente ligado à Silvercorp, ficou à deriva na costa de Curaçao e os dois estadunidenses foram socorridos por um navio-tanque; após levados de volta aos EUA, o caso foi encaminhado ao FBI, que não informa se Goudreau estava nele, bem como se a embarcação continha armamentos a serem levados à Venezuela. No mesmo dia Diosdado Cabello, segundo de Maduro, anunciou na televisão a realização de treinamentos em campos na Colômbia, citando os nomes dos venezuelanos e dos estadunidenses envolvidos, demonstrando assim estar o governo bolivariano a par de todos os acontecimentos.
Num plano simplório que envolvia o desembarque na Venezuela e, depois de alguns dias no país, os envolvidos iriam até Caracas onde planejariam a captura do presidente Maduro e outros líderes governistas, para tanto atacando alvos como o Palácio de Miraflores, cadeias e a sede do serviço secreto. Apesar de todos os fracassos iniciais e do conhecimento dos planos pelo governo de Maduro, os voluntários e mercenários se deslocaram em 1º de maio de 2020 em dois barcos para a costa Venezuelana; no primeiro estavam onze homens com oito fuzis e, no segundo, quarenta e sete pessoas portando somente dois fuzis; as forças governistas aguardavam a chegada das embarcações que ocorreu no dia 3; no primeiro barco, oito dos ocupantes foram mortos enquanto que o segundo, onde estavam os dois mercenários estadunidenses (Denman e Berry), todos foram detidos. Com a publicidade da fracassada tentativa de desembarque comentaristas chamaram a "Operação Gideão" (que fazia menção ao líder bíblico que derrotara um exército muito maior) foi chamada por comentaristas de "Baía dos Porquinhos", numa referência ainda mais depreciativa à Invasão da Baía dos Porcos - a fracassada tentativa de paramilitares em derrubar o regime cubano na década de 1960.


