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António Variações

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, conhecido por António Variações ComIH, foi um cantor e compositor português do início dos anos 1980. A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores à sua precoce morte, aos 39 anos, deixando assim um legado para os tempos vindouros.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Biografia

António Ribeiro nasceu no lugar de Pilar, freguesia de Fiscal, no concelho de Amares. Filho dos camponeses Jaime Ribeiro e sua mulher Deolinda de Jesus Rodrigues, Tonito, como a mãe lhe chamava, tinha onze irmãos e irmãs, embora dois deles tenham falecido muito cedo. A sua infância foi dividida entre os estudos e o trabalho no campo, para ajudar os pais. Jaime tocava cavaquinho e acordeão e foi a primeira inspiração de Variações, que desde cedo revelou a sua paixão pela música nas romarias e no folclore locais. Aos onze anos, teve o seu primeiro emprego, em Caldelas, e em Janeiro de 1956 partiu para Lisboa. Aí, trabalhou como marçano, enquanto à noite tirava o curso comercial na Voz do Operário. Trabalhará depois como caixeiro e empregado de escritório. Seguiu-se o serviço militar em Angola, numa zona pacífica, do qual regressou em Janeiro de 1970. Com a ajuda do amigo e colega Fernando Ataíde, foi admitido no Ayer, o primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal. Viajou até Londres, onde viviam um irmão e uma irmã, e trabalhou num “colégio de computadores”. Em 1972 regressou a Lisboa, tendo passado ainda por um salão no Centro Comercial Imaviz, onde exerceu a profissão de barbeiro. Em 1974, pouco antes do 25 de Abril, foi até Amesterdão, tendo ali ficado um ano, a trabalhar como cabeleireiro, e a desenvolver a sua técnica de corte, onde descobriu um novo mundo, querendo trazer para Portugal uma nova maneira de viver. Em 1976 juntou-se à equipa do primeiro salão unissexo que abriu em Portugal, dirigido por Isabel Queiroz do Vale. Em meados de 1979, abriu a sua própria barbearia, É Pró Menino e Prá Menina, na Rua de São José.

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Homenagens

Imagem: Joseolgon · CC0 · Openverse

Ao longo dos anos têm sido várias as homenagens a título póstumo a António Variações. Além do busto colocado em Fiscal, a sua terra natal, há diversas referências na toponímia - no concelho de Amares, aparece em Fiscal, onde o nome do filho da terra designa a principal artéria da freguesia, a Avenida António Variações, e apadrinha ainda uma rua da freguesia de Ferreiros; em Lisboa, encontra-se perpetuado desde 1998 numa rua localizada na actual freguesia do Parque das Nações. A nível musical, têm-se multiplicado as homenagens, em disco e em palco. Uma das primeiras ocorreu a 10 de julho de 2004, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, por onde desfilaram versões a cargo de músicos como Adolfo Luxúria Canibal, Armando Teixeira, Filipa Pais, Funkoffandfly, Lena D’Água, Maria João, Mário Laginha, Pop Dell’Arte, Rádio Macau, Tucanas, Vítor Rua e Vozes da Rádio, além de Jaime Ribeiro, sobrinho de Variações.

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Reconhecimento e impacto sociocultural

Imagem: rtppt · BY-NC-SA · Openverse

A 7 e 8 de dezembro de 2017 a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra organizou, ao longo de dois dias, a conferência “Variações sobre António – Um colóquio em torno de António Variações”. O encontro versou exclusivamente a obra e a figura do cantor e juntou cerca de meia centena de especialistas que asseguraram um programa composto por mais de 30 comunicações, complementadas por debates, espetáculos e performances. A 5 e 6 de dezembro de 2024 a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa organizou o colóquio “’De olhar para trás, pensamento em frente’ – Variações em Torno de António”, onde foram abordados temas como “Vida rural em Portugal até aos anos 70. Migrações internas: do campo para a cidade, de Portugal para o estrangeiro”; “Questões de género e sexualidade: perseguições, encarceramento, e as possíveis e raras afirmações de homossexualidade”; “Impactos da Guerra Colonial nas sociedades portuguesa e africanas”; “Experiências de infância e adolescência nas décadas de 1940 a 1970”; “A emergência da contracultura nas décadas de 1970 e 1980: música, moda, e espaços de sociabilidade alternativa. A homossexualidade sem máscaras. A consagração do direito ao divórcio. Os Direitos das Mulheres. A liberalização dos costumes”; “A Liberdade de Imprensa e seus reflexos nos costumes e mentalidades”; “Anos 80. A SIDA/VHI, o ‘Castigo de Deus’?”; ou “A vida e o legado de António Variações: a sua sonoridade, a profundidade dos seus poemas/letras de canções, e o entorno cultural e social dos ‘Queridos Anos 80’”. A vida de Variações serviu de ponto de partida às temáticas escolhidas, a partir do reconhecimento de que “o cantor cruzou, viveu e passou por estas etapas – do trabalho infantil em contexto rural, à migração para a grande cidade; da Guerra Colonial às viagens para fora do país; da afirmação de um percurso musical suportado pela criação de uma imagem inimitável, do sucesso estrondoso até à morte temprana sob o signo de uma doença ‘maldita’”.

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Reconhecimento e impacto musical

Imagem: 111graus · BY · Openverse

O álbum Anjo da Guarda integra a seleção do livro “Os melhores Discos da Música Popular Portuguesa, 1960-1997”, publicado em 1998 pelo jornal Público. Em 2005, na lista “25 anos 25 discos” elaborada pelo Jornal de Letras, por ocasião do seu 25.º aniversário, o álbum Anjo da Guarda integra o grupo de seis obras que ocupam a 10.ª posição da tabela, enquanto Dar e Receber se encontra no 19.º lugar, com outros três trabalhos. Apenas dois autores têm dois álbuns na lista (os outros são os GNR). Em novembro de 2009, a edição especial comemorativa dos 25 anos da revista BLITZ também coloca os dois álbuns na lista dos discos mais importantes da década de 80 – Anjo da Guarda e Dar e Receber ocupam, respetivamente, as 6.ª e 13.ª posições. Na votação, participada por mais de 60 profissionais da música, é ainda feita uma escolha das melhores canções desse período, em que aparecem Canção do Engate (3.º lugar), É P’ra Amanhã (8.º lugar) e Estou Além (10.º lugar).

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