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Apocalipse zumbi

Apocalipse zumbi(pt-BR) ou apocalipse zombie(pt-PT?) é um cenário apocalíptico hipotético popular na ficção científica e no terror. No geral, é definido como uma infestação de zumbis em escala catastrófica, levando todas as sociedades ao colapso, e que rapidamente transformaria esta criatura no ser dominante sobre a Terra. Tais criaturas, hostis à vida humana, atacariam a civilização em proporções esmagadoras, impossíveis de serem controladas por forças militares, mesmo com os recursos atuais à disposição.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Gênero

Surgimento

O trabalho que serviu de inspiração para o gênero foi o livro I Am Legend ("Eu sou a Lenda"), de 1954. A história, escrita por Richard Matheson, mostrava um sobrevivente solitário chamado Robert Neville travando uma guerra contra a população humana transformada em vampiros. O livro foi mais tarde adaptado para um filme, The Omega Man, de 1971, com Charlton Heston no papel principal. George A. Romero pegou emprestada esta ideia de cenário apocalíptico e utilizou-a no pioneiro A Noite dos Mortos-Vivos de 1968, mas no lugar de vampiros, a ameaça era retratada na forma de zumbis canibais. Quando o filme de Romero foi ao ar nos cinemas, no dia 1 de outubro de 1968 no Fulton Theater em Pittsburgh, causou grande furor. Tendo sido lançado um mês antes da criação do Motion Picture Association of America (MPAA), órgão que seria responsável pela inserção de censuras de faixa etária nos filmes, muitas crianças e pré-adolescentes encontravam-se nas sessões. O crítico especializado Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, declarou na época que a característica de Night of Living Dead de que, ao final de uma terrível e violento pesadelo não havia sobreviventes, de que não existia ali um final feliz, fez o filme tornar-se um chocante e brutal marco. Os espetadores muito jovens foram os que mais sentiram, segundo ele, já que nesta história tudo o que vinha após a terrível e violenta noite retratada no filme era a morte de todos os nela envolvidos.

Temática

A ideia principal por trás do "apocalipse zumbi" é a de que os preceitos da civilização são relativamente frágeis frente a uma ameaça de fato sem precedentes como esta. Com isto em consideração, muitos indivíduos seriam incapazes de tomar uma atitude em prol de um bem maior, já que o custo pessoal para tanto torna-se então caro demais. A narrativa para o apocalipse zumbi carrega fortes relações com o turbulento cenário social que os Estados Unidos viviam na década de 1960, época do lançamento da obra que originou este gênero, o filme A Noite dos Mortos-Vivos. Muitos acreditam ainda que a figura dos zumbis permitem às pessoas lidarem com sua ansiedade pelo fim do mundo. O professor religioso e escritor renomado Kim Paffenroth cita ainda de que "mais que qualquer outra criatura, zumbis são reais e literalmente apocalípticos … eles representam o fim do mundo como o conhecemos".

Elementos da história

Existem alguns pontos em comum ao se criar um "apocalipse zumbi": As histórias normalmente seguem um único grupo de sobreviventes, surpreendidos no início da catástrofe. A narrativa parte então, de maneira geral, para a recuperação do choque causado pelo ataque inicial, indo então para tentativas de buscar ajuda junto das autoridades, fato que resulta na falha das mesmas e na perda da esperança nesta saída. Acompanha-se então o colapso catastrófico de todas as grandes organizações de que se tem notícia. Quando todas as esperanças efetivamente se desvanecem, os sobreviventes reconhecem que estão por conta própria e começam a agir como tal. Tais histórias frequentemente mostram a reação dos personagens em relação a tal tragédia global, e suas personalidades sendo brutalmente alteradas pelo estresse, o que os faz agir muito mais sob motivações mais primárias, tais como medo e auto-preservação, do que fariam em suas vidas normais (como uma esposa que elimina seu marido "zumbificado" para salvar-se, por exemplo).

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Narrativa

A origem da infecção

A origem é sempre variável nas histórias, e muitas já foram criadas. Elas vão das mais óbvias como um vírus natural (a Hidrofobia em Left 4 Dead e nos filmes Zombieland e Extermínio), o que faz mais sentido biológico, já que agentes infecciosos atacam muitos dos seres vivos e animais, além de serem bastante comuns nos dias atuais, ou um vírus artificial criado em laboratório (série Resident Evil e no filme Planeta Terror). A origem vai até as mais improváveis, como um agente extra-terrestre (como especulado pela imprensa no filme A Noite dos Mortos-Vivos) ou até mesmo uma punição divina ou mágica (como é sugerido em Madrugada dos Mortos, e em Game of Thrones). Por fim, existem ainda os que preferem deixar a causa em aberto, não mencionando palavra sobre a mesma (como na série animada japonesa Highschool of the Dead ou na série The Walking Dead).

Início do apocalipse

Origem determinada (ou não), a infestação começa geralmente com um acidente (jogos da série Resident Evil) ou advinda de algo sem controle (minissérie Dead Set), embora ainda haja casos onde a praga é iniciada propositalmente (no videoclipe da música "All Nightmare Long" da banda Metallica, a União Soviética cria um apocalipse nos Estados Unidos como parte de um plano de invasão ao país, e no filme Planeta Terror, um militar atira nos tubos de contenção do gás virótico). A infeção espalha-se pela população através do contato agressivo com um zumbi (o que ocorre em praticamente todos os casos), exposição à causa da transformação (citando novamente Planeta Terror como exemplo), ou mesmo após qualquer morte, seja ela natural ou acidental (Romero e seus filmes como mais notório exemplo).

Reação da civilização

Quando uma pessoa comum se depara pela primeira vez com um zumbi, nunca o considera sê-lo de fato, acabando por pensar que é uma pessoa com problemas mentais ou ferida (os irmãos apresentados no início do filme A Noite dos Mortos-Vivos tomaram o zumbi por um maníaco). Ao tentar ajudar ou repelir este estranho indivíduo, muitos acabam por se entregarem sem nada saber ao zumbi, que ataca e infecta outra incauta vítima. De forma geral, ninguém espera que algo deste tipo aconteça um dia, portanto são pegos de surpresa pela catástrofe. Os que presenciam a morte de amigos e familiares nas garras destas criaturas respondem com negação e descrença, sendo que muitos entram em estado de choque, catatonia ou ainda desesperam-se e cometem suicídio. Outros, incapazes de sair do lado do corpo do ente querido, acabam por se tornar a primeira vítima do mesmo, tão logo ele se reanime. Poucos são os que vivenciam o início do terror e aprendem a lidar com a situação rapidamente. Alguns nestas raras condições tentam evitar zonas de risco e organizam-se, buscando alcançar alguma zona de extração onde militares ou qualquer outra organização esteja evacuando sobreviventes (como o grupo do jogo Left 4 Dead), ou criam um refúgio seguro contra a infestação para que, ao menos, possam sobreviver enquanto esperam por resgate (como em Despertar dos Mortos,onde quatro sobreviventes refugiam-se em um shopping center).

Sobrevivência pós-apocalipse

Mesmo que a atitude que muitos tomariam seria a de encontrar um lugar seguro (livre da presença de zumbis) e lá viverem suas vidas em paz (como o objetivo dos sobreviventes do filme O Dia dos Mortos), alguns sobreviventes tentariam enfrentar a situação e adentrar áreas que estivessem sob o domínio dos mortos-vivos. Estas pessoas procurariam exterminar os zumbis se tiverem esta oportunidade, e assim talvez reconquistarem lugares controlados pelos mortos-vivos e devolver-lhes a presença humana (como o objetivo do jogo Dead Frontier). As obras nos mostram que é possível destruir os zumbis definitivamente danificando-lhes o cérebro ou a estrutura neural, o que pode ser conseguido atirando-lhes na cabeça (como na grande maioria das obras) ou lhes quebrando o pescoço (mais especificamente nos filmes de Resident Evil e na obra literária Orgulho e Preconceito e Zumbis - em certas obras, como nos filmes de George Romero, nem mesmo a decapitação é capaz de exterminar definitivamente um zumbi, uma vez que a cabeça decepada ainda tentará morder).

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Impacto cultural

Pesquisas acadêmicas

— Philip Munz, Ioan Hudea, Joe Imad e Robert J. Smith, "When Zombies Attack!" (2009) De acordo com uma análise epidemiológica realizada em 2009 pela Universidade Carleton e pela Universidade de Ottawa, uma infestação de zumbis - mesmo os lentos de Romero - "provavelmente levaria ao colapso da civilização, a não ser que o problema fosse sanado rapidamente". Baseados em seu modelo matemático, os autores da pesquisa concluíram que medidas agressivas seriam muito mais recomendáveis que estratégias de quarentena, devido aos vários riscos que podem comprometê-la. Também concluíram que a descoberta de uma cura faria pouco para aumentar o número de humanos ainda vivos, uma vez que isto apenas retardaria o índice da infecção, não a debelando nunca.

Governo

Em 18 de maio de 2011, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (em inglês, Centers for Disease Control and Prevention, ou simplesmente CDC) publicou no blog de seu diretor, o contra-almirante Ali S. Khan, dentro do próprio site do CDC, O artigo, nomeado "Preparedness 101: Zombie Apocalypse",[nota 1] que instruía ao público sobre o que fazer para preparar-se para uma invasão de zumbis, uma estratégia com o foco de fazer com que a população desse mais importância para precauções e medidas emergenciais contra desastres naturais de ordem mais comum - tais como terremotos, tornados e enchentes - através do uso deste gênero popular como atrativo.

Sobrevivencialismo

Com a expansão da quantidade de obras tratando do conceito de um "apocalipse zumbi", houve um aumento na quantidade de pessoas que preparam-se para sua hipotética ocorrência. Dentre os esforços decorrentes dessa preparação está a criação de armas, a distribuição de cartazes que informam pessoas sobre quais atitudes tomar no sentido de sobreviver a uma infestação e até mesmo reuniões de organizações não-governamentais dedicadas à administração de desastres. De forma geral, o assunto "sobrevivencialismo" associado a uma tragédia (em muitos casos) de longo prazo (chegando a anos de duração, isto se chega-se a um fim) como o apocalipse zumbi passa por muitas mudanças quando comparado ao mesmo ponto, mas sobre terremotos, tsunamis, furacões ou similares. De forma geral, estas mudanças mais atenuadas seriam:

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Representações do conceito

Cinema

A série de filmes Living Dead de George A. Romero, além de ter inaugurado o gênero na história, é vista como a mais tradicional referência em terror com zumbis. Característica comum nos filmes do diretor, não há uma explicação muito clara de como o apocalipse zumbi inicia-se - se teria sido causado por um vírus mortal ou algo mais inexplicável, como uma "punição divina" por exemplo. Durante a década de 2000, Dawn of the Dead (1978), refeito em (2004), jovens presos num shopping center tentando sobreviver, Extermínio (2002), e sua sequência Extermínio 2 (2007), bem como a série de filmes Resident Evil, reinventariam o gênero: Enquanto nos dois primeiros um vírus da raiva criado em laboratório acaba por espalhar-se pela Inglaterra, para em seguida devastar o continente europeu, a infeção em Resident Evil inicia-se em um laboratório, no qual foi criado o vírus causador da praga zumbi. Ela procede no decorrer dos filmes para espalhar-se por toda uma cidade, culminando numa pandemia global e, assim, criando um apocalipse zumbi que extermina a humanidade em quase sua totalidade. A série é composta por quatro títulos, mais um totalmente feito por computação gráfica (este difere dos demais, utilizando personagens famosos dos jogos ao invés dos criados para o cinema).

Quadrinhos e literatura

Deadworld, série de histórias em quadrinhos de Stuart Kerr e Ralph Griffith, iniciada em 1987, é um dos mais antigos exemplos do gênero, mas é The Walking Dead, de Robert Kirkman, que pode ser considerado o mais notório exemplo de revista em quadrinhos americana a tratar do tema. Iniciada em 2003, narra a história de um grupo de sobreviventes de um mundo destruído por zumbis, com seus conflitos internos. O drama, por vezes, afasta-se do tema "zumbis" para assuntos de ordem mais pessoal, enfatizando a personalidade de pessoas normais que alteram-se com a tragédia. The Walking Dead é comummente citada como a precursora da popularização do gênero nos quadrinhos. Com seu sucesso, outras séries acabariam sendo produzidas. Dentre as inúmeras produções subsequentes, destaca-se a franquia Zumbis Marvel, que já originou quatro sequências. Nestas histórias envolvendo os super-heróis e super-vilões do Universo Marvel, um vírus alienígena devasta a civilização, infetando até mesmo os com super-poderes. Não existem mais heróis ou vilões, apenas os sobreviventes, que lutam para manterem-se livres da infeção, e os "super-zumbis", que devoram e matam tudo o que encontram.

Televisão

Embora The Walking Dead, série baseada na revista em quadrinhos homônima, tenha sido anunciada como a primeira série a adaptar um apocalipse zumbi para o meio televisivo, não é o único exemplar do gênero. A minissérie inglesa Dead Set, produzida em 2008, mostrava participantes de uma edição britânica do reality show Big Brother, que, confinados na casa do programa, acabam tornando-se os únicos sobreviventes de um apocalipse zumbi.

Videogames

A franquia de jogos Resident Evil, da empresa Capcom, foi uma das que mais popularizaram o gênero "apocalipse zumbi" nos jogos eletrônicos. Nela, a Umbrella Corporation, uma gigantesca corporação multi-nacional de produtos farmacêuticos, realiza secretamente experimentos de armas biológicas para fins militares. Nestas experiências, acabam por desenvolver o T-Virus, que quando contamina (acidental ou propositalmente) uma área, a transforma numa desolada terra de zumbis canibais. Sempre no papel de algum sobrevivente ou investigador, o jogador deverá descobrir mais sobre os planos da corporação - isto enquanto luta para escapar com vida. Outros exemplos do gênero incluem DayZ, Left 4 Dead (2008), e sua sequência Left 4 Dead 2 (2009), ambos lançados pela Valve Corporation - jogos do gênero tiro em primeira pessoa onde um grupo de sobreviventes armados deve encontrar uma forma de serem resgatados de uma cidade infestada de infetados por uma patogenia sintetizada na forma de uma raiva colérica - e Dead Rising (2006), tal qual sua continuação Dead Rising 2 (2010), produzidos pela Capcom. No primeiro, o personagem principal está preso em um shopping center e cercado por zumbis. O jogo estimula a criatividade do jogador, que tem à disposição qualquer objeto que encontrar no shopping para usar como arma individualmente, ou ainda para combiná-los e assim criar novas armas. O segundo segue a mesma premissa, mas desta vez sem as limitações de um único shopping, tendo agora uma cidade inteira para ser explorada. Outro ótimo exemplo é The Last Of Us desenvolvido pela Naughty Dog e lançado exclusivamente para PlayStation 3 no dia 14 de junho de 2013. O jogador controla Joel, percorrendo os Estados Unidos num ambiente pós-apocalíptico em 2033, que tem como missão escoltar a jovem Ellie até um grupo de resistentes amigáveis, os Vagalumes.

Música

Na música, o apocalipse zumbi já recebeu abordagens tanto sérias quanto cômicas. A exemplo disso, uma paródia zumbi dos The Beatles batizada de Zombeatles, iniciou-se em 2006 com a música Hard Day's Night of the Living Dead (trocadilho com o filme de George Romero), tendo como cenário um mundo onde os zumbis devoraram todos os humanos existentes. Já a banda de metalcore cristã The Devil Wears Prada, em seu trabalho lançado em agosto de 2010 e intitulado Zombie EP, traz faixas onde, mesmo que com vocais agressivos e rápido instrumental, cita que devemos manter viva a esperança de sobrevivência no caos da catástrofe. O grupo escolheu o tema para este EP devido a grande fascinação do vocalista Mike Hranica no tema "apocalipse zumbi".

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Fontes consultadas

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