Apologia da história
Apologia da História ou O Ofício de Historiador, é publicação póstuma do historiador Marc Bloch, co-fundador da revista Annales em 1929. Esta obra incompleta, redigida durante sua participação na Resistência Francesa na rede Franc-Tireur em Lyon, foi interrompida pelo fuzilamento do autor em 1944 nesta mesma cidade, pela Gestapo.
Marc Bloch nasceu em Lyon (França) no ano de 1886 e morreu em 1944 fuzilado pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, tendo participado ativamente da Primeira Guerra Mundial entre 1914 e 1918. Juntamente com Lucien Febvre fundou a Revista dos Annales iniciando os estudos acerca da História das Mentalidades, problematizando os seus acontecimentos, não se detendo apenas aos fatos. Além do livro em questão, escreveu outras obras célebres como Os Reis Taumaturgos e A sociedade Feudal. Seu último livro Apologia da História ou O Ofício do Historiador escrito em cativeiro e inacabado tornou-se uma leitura obrigatória aos historiadores por condensar as primeiras ideias da Escola dos Annales. O livro é disposto em cinco capítulos, sendo o último inacabado. Em suma o livro busca desconstruir a escola historiográfica anterior — os Metódicos, que chamam de positivistas — criando um novo método para os historiadores. Buscando assim a interdisciplinaridade, e um diálogo com as Ciências Sociais, não se atendo apenas aos fatos, mas sim a problematização, aliando a outras áreas do conhecimento para se chegar a um saber racional e científico — nota-se aqui que Bloch, assim como historiadores anteriores (metódicos) não renunciou a História quanto ciência.
O livro é utilizado até os dias de hoje como leitura obrigatória no ensino de história, principalmente quando se trata de teoria, por informar como se estabeleceu as primeiras ideias da Escola dos Annales. Assim nota-se a influência historiográfica atualmente — afinal ainda escrevemos como Annales — e os que colaboraram para a historiografia, sendo fundamental para o entendimento da História. Seguindo esse pensamento não se pode desvincular que uma Escola influenciou a outra. No decorrer da leitura, Bloch reafirma que não consegue negar seus “pais” (metódicos), o livro em várias partes transparece como um manual para o historiador, assim como Langlois e Seignobos escreveram o seu. Bloch tenta escrever como um historiador filho do seu tempo, século XX, deve proceder com as ideias repassadas, não mais buscando a verdade absoluta, uma vez que até mesmo as disciplinas ditas exatas, como a física, são revolucionadas com as teorias de Einstein sobre a relatividade. E principalmente a angústia que traz dentro de si do forte nacionalismo construído pelos metódicos, do conceito de nação que repassaram, que construiu as ideias de que uma nação é superior a outra, como o de Hitler que queria formar a sociedade ariana superior a outras sociedades.


