Apologética
Apologética é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Esta palavra deriva-se do deus grego Apolo.
Conforme Sproul, Gerstner, Lindsley (1984:13), a apologética é a defesa fundamentada da religião cristã. Como defesa fundamentada da fé, a apologética está para a teologia como a filosofia está para as ciências humanas. É definida pelo dicionário Houaiss como sendo: "(1) Rubrica: teologia; defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão (1.1) Rubrica: catolicismo, teologia; parte da teologia que se dedica à defesa do catolicismo contra seus opositores (ver também Apologética Católica)" "(2) Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1); defesa persistente de alguma doutrina, teoria ou ideia." Ramm (1953:2) identifica na apologética o papel fundamental de mediar e conciliar tensões intelectuais: …a apologética medeia tensões intelectuais. [Essa] mediação intelectual alivia as pressões mentais, resolvendo discrepâncias aparentes, harmonizando todos os elementos da vida mental. (…) Com o surgimento da mentalidade moderna e o conhecimento moderno, veio uma ampla gama de tensões para o apologeta Cristão mediar.
Há uma variedade de estilos e escolas de Apologética cristã. Os principais tipos de apologética Cristã incluem: apologética evidencialista, apologética pressuposicional, apologética filosófica, apologética profética, apologética doutrinal, apologética bíblica, apologética moral e apologética científica.
Apologética evidencialista
Alega que as evidências materiais favorecem a validade do cristianismo. O evidencialista começa num ponto comum com os não cristãos, presumindo que os sentidos e a inteligência são ferramentas úteis para descobrir a verdade. Ele menciona registros históricos em favor da Bíblia, procurando demonstrar que: Então, quando a razão mostra-se limitada para encontrar respostas a questões que transcendem o campo da investigação, tais como o sentido da existência, o evidencialista recomenda a aceitação do cristianismo, pelas abundantes evidências acumuladas em favor dessa religião. Todas as palavras contidas na Bíblia são fiéis de Gênesis a Apocalipse.
Apologética pressuposicional
Segundo esta escola, o cristianismo forma um sistema completo de pensamento, com autoridade própria, não podendo ser autenticado por evidências externas, por ser necessariamente verdadeiro. Os pressuposicionalistas alegam que a conquista do conhecimento exige um método confiável de análise, que permita deduzir informações necessariamente extraídas de premissas anteriores, o que só seria possível através do raciocínio sobre as declarações divinamente reveladas na Bíblia, e nunca das sensações ou da razão pura. Desprovidos de um ponto inicial para racionar sobre as coisas, ninguém poderia obter informação segura, pela falta de uma base de inteligibilidade. E não adiantaria possuir um ponto inicial, se ele não possuísse autossustentação. Sem um princípio dogmático que permitisse interpretar a realidade a partir de um ponto absoluto, seria possível apenas presumir a validade das coisas, conforme pressupostos injustificados. Para ter certeza da veracidade de uma declaração, seria preciso negar qualquer possibilidade de sua falsidade, julgando-a por um sistema infalível de prova.
Apologética filosófica
Esta escola procura demonstrar que o cristianismo é a religião mais conforme o raciocínio correto. Ela especula sobre o sentido da vida, a origem das coisas e a natureza humana, para apontar a doutrina bíblica como um sistema coerente. Um exemplo dessa abordagem: o apologista procura provar a existência de Deus. O argumento filosófico mais forte, para isso, é o argumento kalam, desenvolvido por teólogos muçulmanos, mas aproveitado por pensadores cristãos; ele pode ser demonstrado assim: Tudo o que começa a existir deve ter uma causa. O Universo começou a existir. Logo, o Universo tem uma causa. Para provar que o Universo começou a existir, o apologista argumenta que um conjunto infinito de dias seria impossível, na prática. Uma linha infinita seria impossível na forma progressiva, com um ponto inicial, e cada dia se somando aos anteriores, pois isso resultaria num conjunto crescente, mas sempre finito. E uma linha sem início também não poderia existir, pois, assim, o número de dias transcorridos até agora seria infinito, e o hoje nunca teria chegado. Se o Universo não possuísse início, haveria uma quantidade indefinida (ilimitada) de dias que já teriam se passado, antes do tempo presente, o que é inconcebível.
Apologética científica
Pode-se dizer que a apologética científica seria uma versão secularizada das provas filosóficas medievais da existência de Deus. Seria a exposição dos fundamentos da fé e da Teologia, feita de modo científico.


