Pesquisa · Mapa mental

Araçatuba

Araçatuba é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do Brasil. Localiza-se a noroeste da capital do estado, distando desta cerca de 521 quilômetros. Ocupa uma área territorial de 1 167,126 km², sendo que 57,96 km² estão em perímetro urbano. Segundo o censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município era de 200 124 habitantes, sendo o 42º município paulista mais populoso. Também é a sede e mais populosa das 14 cidades que compõem a Região Imediata de Araçatuba que, por sua vez, é uma das três regiões imediatas que integram a Região Intermediária de Araçatuba.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/06/2026
01

Toponímia

A hipótese mais empregada é a forma como os índigenas poderiam ter utilizado para referir-se à região como abundante em araçás (psidium). Araçatuba provém do tupi arasá, araçás e tyba, que significa ajuntamento. Ambos os termos, colocados em relação genitiva, dão o sentido de ajuntamento de araçás. Uma outra hipótese indica que o termo poderia ser o nome da filha de um cacique dos caingangues. Todavia, estudiosos afirmam que não pode ser um nome próprio etimologicamente. Numa matéria do jornal A Comarca, de 2 de dezembro de 1964, existe uma contestação sobre o nome da cidade, pois na atualidade não existem tantos pés de araçás no município, árvore de fácil crescimento. De acordo com um livro de Odette Costa, História de Araçatuba, um antigo engenheiro civil afirmou que quando fazia medições de terra na região de Araçatuba, havia encontrado muitos araçás-silvestres e araçázinhos.

02

História

Origem

O surgimento do município de Araçatuba relaciona-se diretamente à construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), concebida como parte da política nacional de expansão para o interior do Brasil e de conexão com outras regiões sul-americanas. Os trabalhos de construção da ferrovia começaram em 15 de novembro de 1904, sob a direção dos engenheiros Sílvio Saint Martin e Heitor Legru, e a implantação do trecho que ligava Bauru a Itapura, nas barrancas do rio Paraná, seguiu de maneira gradual. No dia 2 de dezembro de 1908, os trilhos da Linha Tronco atingiram o quilômetro 280, nas proximidades do rio Tietê, área então pertencente ao extenso território de São José do Rio Preto. Nesse ponto foi instalado um acampamento ferroviário formado por habitações rudimentares em meio à mata virgem, além de um vagão adaptado para servir de apoio provisório aos moradores. O núcleo populacional que se desenvolveu ao redor da estação contou entre seus primeiros habitantes Miguel Caputi, Vicente Franco e Machado Melo. A localidade, entretanto, nunca possuiu um fundador oficialmente reconhecido.

Após a emancipação

A emancipação administrativa do município de Araçatuba foi instituída em 8 de dezembro de 1921 pela Lei Estadual nº 1.812, separando-se de Penápolis. O município teve como primeiro intendente eleito Joaquim Pompeu de Toledo, que foi empossado em 1º de janeiro de 1922, e pouco mais de um mês depois, em 19 de fevereiro, foram instalados o distrito-sede e a câmara municipal, ocasião em que assumiram os primeiros vereadores. "O Doutor Washington Luis P. de Sousa, Presidente do Estado de S. Paulo. Faço saber que o Congresso Legislativo decretou e eu promulgo a Lei seguinte: Artigo 1.º - Fica creado o municipio de Araçatuba, com sede na povoação de egual nome, na comarca de Pennapolis. Artigo 2.º - As suas divisas são as seguintes : começam no rio Tieté, na barra do ribeirão Baguassú, sobem por este até á sua confferenca no corrego Agua Branca, continuando por este até á barra do corrego Barro Preto, pelo qual sobem até á sua cabeceira principal ; desta vão, em linha recta, até á barra do corrego Tupy, no Baguassú, subindo o Baguassú até ao corrego Elyseu, seguindo por este até á sua cabeceira principal no divisor das aguas entre os rios Tieté e Feio, continuando por tal divisor até á cabeceira principal do ribeirão do Itapeva, pelo qual descem até ao rio Feio, continuando pelo Feio até á barra do ribeirão Itaúna, pelo qual sobem até á sua cabeceira principal, no divisor das aguas, entre os rios Feio e do Peixe, por esse divisor continuem até á Cabeceira principal da ribeirão das Marrecas, pelo qual descem até o ao rio Paraná, continuando pelo Paraná acima e Tieté, até ao ponto de partida. Artigo 3.º - As divisas do districto de paz de Araçatuba, constantes da lei n. 1.580, de 20 de Dezembro de 1917. ficam alteradas de! accordo com o artigo 2.º da presente lei. Artigo 4.º - Revogam-se as disposições em contrario."

Declínio do café e transição econômica

Com a Crise de 1929, aliada à falta de políticas agrárias, numerosos cafezais no município foram à falência, colocando os cafeicultores na contingência de procurar por culturas mais promissoras para o mercado internacional. Na década de 1930, o algodão mostrou-se uma alternativa econômica relevante no país, e o capital gerado pela cultura atraiu para Araçatuba diversas indústrias de beneficiamento, que se destacaram na produção de óleo, tecidos e alimentos. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por mão de obra nas lavouras e nos setores fabris do município, contando com a instalação de empreendimentos como a Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro e as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

Consolidação urbana

No final da década de 1930, a cidade passou por um processo de modernização urbana que incluiu a ampliação da infraestrutura pública e a reorganização do espaço urbano. Durante a administração do então prefeito Aureliano Valadão Furquim, foram iniciadas as obras de pavimentação das principais vias da cidade, substituindo os calçamentos de paralelepípedo. O feito tornou a cidade a primeira do interior paulista a receber asfaltamento urbano, o que lhe rendeu na época a denominação de "cidade do asfalto". Em seguida, ocorreu a ampliação dos serviços urbanos e a implantação de equipamentos públicos, incluindo a construção da Biblioteca Municipal (1939), do Estádio Municipal Adhemar de Barros (1940) e expansão das redes de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre as décadas de 1950 e 1960, ocorre a implantação de novos equipamentos institucionais e viários, como a Faculdade de Odontologia de Araçatuba (1954), o Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro (1963), a abertura da Avenida Brasília (1967), uma das principais vias arteriais da cidade, e a construção da primeira ponte sobre o rio Tietê no município, conectando a cidade com o então distrito de Major Prado.

Evolução do território municipal

Na divisão territorial de 31 de dezembro de 1936, Araçatuba incluía o distrito-sede e os distritos de Diabase, Guararapes e Valparaíso, estes dois últimos emancipados em 5 e 8 de janeiro de 1937, respectivamente. Pouco depois, em 04 de agosto de 1937, é criado o distrito de Rinópolis. Uma nova divisão territorial foi definida pelo Decreto Estadual n.º 9.775, de 30 de novembro de 1938, que transferiu o distrito de Major Prado, então pertencente a Monte Aprazível, para Araçatuba; rebatizou o distrito de Diabase como Alto Pimenta, definindo-o como território municipal de Valparaíso; e transferiu Rinópolis para o município de Tupã. Em 1964, o distrito de Major Prado passou a denominar-se Santo Antônio do Aracanguá, emancipando-se de Araçatuba em 30 de dezembro de 1991.

03

Geografia

A área do município é de 1 167,126 km² (2022), sendo que desse total 57,96 km² estão em área urbana (2019). De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Araçatuba. Situa-se a 21º13′32” de latitude sul e 50º28′58” de longitude oeste, e está distante 522 km a noroeste da capital estadual, São Paulo, e 873 km a sudoeste de Brasília, a capital federal. Ocupa uma área territorial de 1 167,126 km² (2024) dos quais 57,959 km² correspondem a áreas urbanas (2019), ocupando a 28ª colocação entre os municípios paulistas. Limita-se com Santo Antônio do Aracanguá ao norte, Birigui, Bilac e Buritama a leste, Gabriel Monteiro ao sul e Guararapes a oeste. A vegetação predominante no território de Araçatuba é a Mata Atlântica. De acordo com a prefeitura do município, a projeção de área verde por habitante é de 15,1 m² em 2022, enquanto a Organização das Nações Unidas recomenda uma cobertura arborizada de cerca de 30%. Para o mesmo período, segundo o IBGE, 96,1% dos habitantes residem em vias arborizadas, colocando o município na oitava posição entre as cidades brasileiras com maior índice de arborização urbana. Dados de 2017 apontavam um déficit de 27,5 mil árvores no município. A arborização urbana na cidade, é administrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Araçatuba, a entidade responsável pela manutenção de áreas verdes e pelos serviços de poda e remoção de árvores em logradouros públicos. O Plano Diretor de Arborização Urbana, instituído pela Lei nº 8.955/2025, estabelece as diretrizes para o planejamento, manejo e preservação da arborização urbana no município.

Relevo

O território municipal apresenta planaltos de topografia suave, com colinas amplas e topos tabulares formados por rochas sedimentares da Bacia do Paraná, integrando a unidade morfoescultural do Planalto Ocidental Paulista. No território, predominam as vertentes de declividade suave a plana. A altitude média da sede municipal é de 390 metros, variando de cerca de 380 metros nas áreas próximas aos rios Tietê e Baguaçu até aproximadamente 500 metros nos divisores de águas. Nas planícies aluviais ocorrem terraceamentos fluviais e áreas de várzea.

Hidrografia

O município está localizado junto à bacia hidrográfica do rio Paraná, tendo em seu território várias sub-bacias de pequenos e médios córregos com papéis em sua configuração. É drenado principalmente pelo Ribeirão Baguaçu, que é um afluente da margem esquerda do rio Tietê, e por diversos cursos d'água menores, como os córregos Alvorada, Machadinho, Três Sete, Tropeiros, Bela Vista, Machado de Melo, Água Funda, Espanhóis, Paquere e Jacó. O território municipal está situado no Aquífero Guarani, possuindo rios perenes, cuja vazão apresenta variação entre os períodos de verão e inverno. O córrego Machado de Melo tem como uma de suas nascentes a Mina da Boiadeira, utilizada como fonte de abastecimento para alguns munícipes.

Solo

Predominam no município solos de textura arenosa. O principal tipo é o latossolo vermelho-escuro em fase arenosa, originado do arenito da Formação Bauru e de coloração avermelhada, que ocupa cerca de 90% da área municipal. Em proporções menores ocorrem os solos podzolizados nas variações Lins e Marília, cada um representando aproximadamente 4% do território. Também se registram solos hidromórficos arenosos, que correspondem a cerca de 2% da área municipal.

Clima

O clima de Araçatuba é caracterizado como tropical semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com verões chuvosos e quentes e invernos secos e amenos, sendo a temperatura média compensada em torno dos 24 °C. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente 1 300 milímetros (mm), com a precipitação concentrada entre os meses de outubro e março. Durante o inverno, os sistemas de alta pressão ocasionam queda na umidade relativa do ar, atingindo níveis críticos, normalmente abaixo de 30%. A insolação atmosférica é elevada, superando as 2 500 horas anuais, enquanto os ventos predominantes sopram do quadrante leste. Segundo dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO), a menor temperatura registrada em Araçatuba foi de 1,8 °C nos dias 28 de junho de 2011 e 8 de julho de 2019. A maior atingiu 42 °C em 12 de novembro de 2003 e 28 de setembro de 2004. O maior acumulado de chuva em 24 horas chegou aos 198 mm em 6 de janeiro de 2007. Outros acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 187 mm em 8 de janeiro de 1999, 158 mm em 9 de janeiro de 1999, 121 mm em 3 de fevereiro de 2000, 120,3 mm em 2 de outubro de 2001, 112,3 mm em 10 de janeiro de 2004, 111 mm em 15 de janeiro de 2007, 103,8 mm em 21 de janeiro de 2008, 103,5 mm em 15 de março de 2011 e 102,4 mm em 24 de setembro de 2002.

Qualidade do ar

Em 2009, Araçatuba foi classificada como uma localidade que está em processo de saturação por ozônio (O3). A saturação por este tóxico pode provocar uma série de doenças, como ataques cardíacos, aumento da probabilidade de ocorrência de câncer e envelhecimento precoce. Também há risco de desequilíbrio ambiental. Em 2011, era considerada a terceira pior cidade do estado de São Paulo em relação à qualidade de ar, com uma média de 58 μg/m³ de material particulado. O ideal, de acordo com a OMS, seria de 20 μg/m³.

Descargas elétricas

Araçatuba, no biênio 2005–2006, situou-se como o 528º município no estado de São Paulo em número de descargas atmosféricas, com densidade de 2,2051 raios/km² ao ano. No biênio seguinte, ficou em 511° no estado com densidade de 1,6615 raios/km² ao ano. Em 2008, ocorreram duas mortes por raios na cidade. Houve elevação da densidade de descargas elétricas no município no biênio 2009-2010 ,com uma taxa de 7,1673 raios/km² ao ano, ocupando no ranking do estado a posição de número 560. Em 2013 caíram na cidade 3 155 raios. A média atualizada coloca Araçatuba como uma região de alta incidência de descargas atmosféricas com uma média de 6,9 raios por km² anuais.

04

Demografia

No censo demográfico de 2022, a população de Araçatuba foi estimada em 200 124 habitantes, apresentando um crescimento de 10,21% na comparação com o censo anterior, de 2010, que contabilizou 181 579 habitantes. No período de 2022, era o 42º município mais populoso do estado de São Paulo, o 73º da Região Sudeste e o 152º do Brasil, com uma densidade demográfica de 171,47 hab/km². No município, também foi estimado um total de 93.668 domicílios e uma média de 2,57 moradores vivendo em cada unidade. Em relação aos habitantes, 52,4% eram do sexo feminino e 47,6% do sexo masculino, enquanto a razão de sexo era de 90,84. Ao mesmo tempo, 196 751 (98,31%) habitantes viviam na zona urbana enquanto 3 373 (1,69%) viviam na zona rural.

Indicadores socioeconômicos

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Araçatuba é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor, no ano de 2010, era de 0,788, sendo o 40º maior do estado de São Paulo (em 645 municípios) e o 76° de todo Brasil (entre 5 507). Considerando-se apenas o índice de educação, o valor era de 0,744, o valor do índice de longevidade era de 0,841 e o de renda era de 0,782. A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Segundo o IBGE, no ano de 2003 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,47, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 16,28%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 11,66%, o superior era de 20,90% e a incidência da pobreza subjetiva era de 12,40%.

Composição étnica

Em 2022, segundo dados do IBGE, a população de Araçatuba no quesito cor ou raça, era composta por 117 740 brancos (58,83%), 64 598 pardos (32,38%), 13 235 pretos (6,61%), 4 406 amarelos (2,20%), 137 indígenas (0,07%). Em 2010, considerando-se a região de nascimento, 167 112 eram nascidos no Sudeste (92,03%), 271 na Região Norte (0,15%), 7 038 no Nordeste (3,88%), 3 111 no Centro-Oeste (1,71%) e 2 885 no Sul (1,59%). Da população total, 164 254 habitantes eram naturais do estado de São Paulo e, desse total, 120 033 eram nascidos em Araçatuba. Essas características étnicas se devem às influências dos migrantes e imigrantes que chegaram à cidade na época de seu desenvolvimento, especialmente no começo do século XX. Em Araçatuba, a imigração contribuiu para a agricultura, incluindo a melhoria da mão de obra no campo, sendo esse processo facilitado pela presença da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, responsável pelo transporte de pessoas e bens, bem como pelo escoamento da produção agrícola.

Religião

De acordo com o IBGE, em 2010, a população do município era composta por: 99 095 católicos (54,57%), 53 112 evangélicos (29,25%), 14 705 pessoas sem religião (8,09%), 6 110 espíritas (3,36%), 1 737 testemunhas de Jeová (0,96%), 330 umbandistas e candomblecistas (1,81%), 48 judeus (0,03%), 527 de religiões orientais (2,9%) e 1.127 (6,1%) divididos entre outras religiões. Em 2022, 47,34% dos habitantes acima dos dez anos se declararam católicos, 35,43% evangélicos, 3,41% espíritas e 0,87% umbandistas e candomblecistas; outros 7,29% não tinham religião, 5,44% seguiam outras denominações, 0,02% não souberam sua preferência religiosa, 0,17% não declararam e 0,03% seguiam tradições indígenas.

05

Política e administração

O poder executivo de Araçatuba é exercido pelo prefeito, e auxiliado pelo gabinete de secretários. A estrutura direta da prefeitura não utiliza o cargo de administradores regionais e distritais em seu gabinete fixo, e a gestão é executada pelas Secretarias Municipais. O poder legislativo é constituído pela Câmara Municipal de Araçatuba, composta por 15 vereadores eleitos pelo sistema proporcional para mandato com duração de quatro anos. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente as leis orçamentárias, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano Plurianual. Araçatuba se rege por sua lei orgânica, promulgada em 5 de abril de 1990, entrando em vigor na data de sua publicação. O município é sede de uma comarca que inclui em sua jurisdição o município de Santo Antônio do Aracanguá. De acordo com os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, o município possuía, em julho de 2024, um total de 145.682 eleitores.

Subdivisões

O território do município é constituído somente pelo distrito-sede, segundo a divisão territorial de 2009. A última mudança na divisão territorial ocorreu através da Lei Estadual nº 7644, de 30 de dezembro de 1991, que desmembrou de Araçatuba o então distrito de Santo Antônio de Aracanguá, elevado à categoria de município. A divisão territorial é organizada em macrozonas e zonas de planejamento pelo Plano Diretor Municipal, adotado em 2006 e atualizado pela Lei Complementar nº 300, de 2023. A sede municipal é composta por cinco regiões (Norte, Sul, Leste, Oeste e Central), sendo a região Norte a mais populosa, reunindo 44 977 habitantes do total de habitantes do município, com base no recenseamento do IBGE em 2020. A cidade possui cerca de 150 bairros em sua composição, dos quais 101 estão na zona urbana, sendo o maior e mais populoso bairro da cidade, o Conjunto Hilda Mandarino, localizado na região Leste. Os bairros Engenheiro Taveira, Água Limpa, Prata e Jacutinga, são classificados como bairros rurais.

06

Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) municipal, segundo os dados do IBGE relativos a 2023, foi de 11 457 739,50 mil reais a preços correntes, o 52º maior do estado de São Paulo e o 155º de todo o país. O PIB per capita no mesmo ano era de 57 253,2 reais. Em relação ao setor econômico, os serviços lideram o valor bruto municipal, seguido pela indústria, com a agropecuária em último lugar. O município responde por cerca de 30% da riqueza produzida em sua região administrativa; no primeiro trimestre de 2024, as exportações no município totalizaram US$ 22,9 milhões, com um aumento de 92,8% em relação ao mesmo período de 2023, enquanto as importações somaram US$ 16,0 milhões, resultando em um superávit comercial de US$ 6,9 milhões. No acumulado de 2024, o município registrou US$ 70,0 milhões em exportações, e foi o 40.º do estado em geração de empregos formais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Setor primário

A agricultura é o setor menos relevante da economia do município, representando 1,7% do PIB. Em 2021, o valor adicionado bruto da agropecuária foi de 136 998,28 mil reais. Segundo o IBGE, o município possuía nesse período um rebanho de 63 804 bovinos, 1 860 equinos, 2 520 suínos, 250 caprinos, 9 139 ovinos e 60 153 galináceos. A produção de leite atingiu 6 165 mil litros, obtidos de 3 320 vacas, e foram produzidas 755 mil dúzias de ovos de 56 000 galinhas. Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar (2.560.000 toneladas), a soja (18 144 toneladas) e o sorgo (13 500 toneladas). Na lavoura permanente, destacou-se a banana (93 hectares), seguida pelo café (57 hectares) e pelo coco-da-baía (53 hectares).

Setor secundário

A indústria constitui o segundo setor mais relevante da economia local. Em 2021, o valor adicionado bruto da indústria (setor secundário) atingiu 1 312 463,6 mil reais, correspondendo a 16,25% do PIB municipal. O perfil industrial é caracterizado por empresas de médio e grande porte, além de considerável contingente de microempresas e pequenas indústrias. Segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) do IBGE em 2023, foram contabilizados 774 estabelecimentos industriais em Araçatuba. A atividade industrial do município organiza-se em parques industriais e caracteriza-se pela diversidade de segmentos produtivos, entre os quais se incluem os produtos alimentícios, a fabricação de móveis planejados, a criação e o abate de avestruzes, a produção de medicamentos fitoterápicos, equipamentos hospitalares e fios cirúrgicos, bem como a produção de insumos químicos e de instrumentação industrial. Entre as unidades de destaque estão a Nestlé, em operação no município desde 1963, e a Colormaq, inaugurada em 1976. Na produção de etanol, o município respondeu por 48,2% das exportações em 2022, ocupando a 12.ª posição no ranking nacional do produto e a 10.ª no estado.

Setor terciário

O setor terciário é atualmente a principal fonte geradora do PIB de Araçatuba. Em 2021, o valor adicionado bruto dos serviços totalizou 5 822 670,18 mil reais, correspondendo a 72,1% da renda municipal, enquanto a administração pública respondeu por 803 250,2 mil reais, o equivalente a 9,95% do total. Segundo o IBGE, em 2023, o município registrava 17 958 unidades locais e 16 659 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes, que empregavam 79 624 pessoas, das quais 58 953 eram trabalhadores assalariados. Os salários e outras remunerações somaram 5 968,42 mil reais, e o salário médio mensal era equivalente a 2,4 salários mínimos. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), em 2024, havia 27 869 empregados dos quais 40,5% estavam concentrados no setor de serviços e 37,5% no comércio. Em 2019, os supermercados do município concentravam 31% do faturamento regional e 0,4% do estado. A cidade possui o Calçadão Sargento Júlio César Delfino, localizado na região central e inaugurado na década de 1980, além de dois centros comerciais: o Araçatuba Shopping Center e o Shopping Praça Nova, que foram inaugurados em 1995 e 2014, respectivamente.

07

Infraestrutura urbana

Saúde

A rede de saúde de Araçatuba reúne estabelecimentos públicos e privados e, segundo o Ministério da Saúde, apresentou 95,45% de cobertura da atenção primária em 2022. A atenção básica municipal é composta por cerca de 46 unidades de saúde, incluindo 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS), das quais três estão em áreas rurais. Existem 4 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que entre abril e agosto de 2025, registraram 9 379 atendimentos. A Santa Casa de Araçatuba é o principal e mais antigo hospital filantrópico da cidade. A instituição atende cerca de 40 municípios do noroeste paulista e oferece 27 especialidades, além de 8 leitos de obstetrícia clínica destinados ao SUS. O município também administra o Hospital Municipal (Hospital da Mulher), que oferece cerca de 6 leitos obstétricos para o SUS. Existe uma unidade do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que serve de referência para 28 municípios. Em 2024, a instituição contabilizou mensalmente cerca de 8 mil consultas médicas em cerca de 20 especialidades médicas, 1 966 consultas não médicas e 17 927 exames diagnósticos. No setor privado, o Hospital Unimed Araçatuba dispunha de 131 leitos para internações clínicas, cirúrgicas, obstétricas e pediátricas.

Educação

Araçatuba dispõe de rede de ensino distribuída pelas áreas urbana e periférica e abrange unidades das redes municipal, estadual e privada. De acordo com o censo demográfico de 2022, a rede educacional era composta por 74 escolas de educação infantil, 81 escolas de ensino fundamental e 37 escolas de ensino médio. No ensino infantil, foram registradas 9 495 matrículas, sendo 4 927 em creches e 4 568 na pré-escola, atendidas por 714 docentes. O ensino fundamental registrou 21 972 matrículas com 1 336 professores, enquanto o ensino médio contabilizava 7 585 matrículas e 601 docentes. O desempenho da rede pública segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), em 2023, foi de 6,9 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 5,6 nos anos finais. Em relação ao acesso à educação, 91,87% das crianças de 4 a 5 anos estavam matriculadas e frequentando a escola no município, enquanto a taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos de idade foi de 98,67%. A taxa de pessoas não alfabetizadas em Araçatuba foi de 2,6%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, em 2024, foram registrados 145.682 eleitores aptos a votar, dentre os quais 35,9% do eleitorado, ou 52.305 pessoas, possuem o ensino médio completo. Os eleitores com ensino superior completo representam 20,33% do total, somando 29.615 pessoas.

Ciência e tecnologia

Araçatuba desenvolve atividades vinculadas aos campos da ciência, tecnologia e inovação, com a participação do poder público, de instituições de ensino e de empresas de base tecnológica. A inclusão do município em iniciativas estaduais voltadas a esse setor teve início em 2010. O município também participa da Rede Paulista de Centros de Inovação Tecnológica por meio do Centro de Inovação Tecnológica de Araçatuba, cuja gestão é realizada pela Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp). A infraestrutura atua para o desenvolvimento de projetos de pesquisa aplicada e inovação tecnológica, possuindo laboratórios e espaços de trabalho e capacitação, com foco na articulação entre universidades, empresas e o setor público. Entre as atividades do Centro de Inovação Tecnológica de Araçatuba estão parcerias com empresas de base tecnológica instaladas no município, como a Solinftec, além da articulação com unidades locais do setor industrial como a da Nestlé. O município também sedia eventos regionais voltados à inovação e tecnologia, entre eles o Voti Tech – Summit de Tecnologia e Inovação da Alta Noroeste Paulista.

Transportes

O município é atendido pelo Aeroporto Estadual Dario Guarita (IATA: ARUICAO, ICAO: SBAU), administrado pela concessionária Aeroportos Paulistas (ASP). Construído na década de 1950, iniciou as operações como aeroporto estadual e regional em 1991. O aeroporto de Araçatuba possui uma pista de 2120 metros, é classificado como Classe II-B pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) da ANAC, e opera rotas aéreas para Campinas e Guarulhos. Em 2011, foi o quarto aeroporto com o maior fluxo de passageiros do interior do estado de São Paulo, tendo registrado 75,5 mil passageiros entre voos regulares e não regulares. Em 2022, teve 109 toneladas de carga transportada, e registrou, nos primeiros quatro meses de 2023, um aumento de 31% no movimento de passageiros. No mesmo período, a carga transportada foi de 34,7 toneladas, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2024, o terminal registrou um movimento de 97 373 passageiros, crescimento de 4,4% em relação a 2023; além de 1 470 voos comerciais.

Habitação, serviços e comunicação

De acordo com o censo de 2022 do IBGE, a cidade tinha 93 668 domicílios particulares permanentes, sendo 61 630 casas, 12 995 apartamentos, 3 097 casas de vilas ou em condomínios, 46 cortiços e 6 domicílios de estrutura degradada ou inacabada. No censo, 77 774 domicílios particulares permanentes encontravam-se ocupados, 11 780 não-ocupados vagos e 4 002 não-ocupados de uso ocasional. Grande parte do município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Dos domicílios, 97,31% eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água; 99,38% possuíam coleta de lixo e 97,40% possuíam conexão à rede de esgoto.

Criminalidade e segurança pública

Como na maioria dos municípios médios brasileiros, a criminalidade também é um problema em Araçatuba, tendo a cidade apresentado um índice de ocorrências elevado na comparação com a média estadual. Em 2008, a taxa de homicídios no município foi de 19,9 para cada 100 mil habitantes, ficando na 48ª posição a nível nacional e no 894ª lugar a nível estadual. O índice de suicídios naquele ano para cada 100 mil habitantes também foi de 2,8, sendo o 217° a nível estadual e o 1827° a nível nacional. Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de transito, o índice foi de 30,9 para cada 100 mil habitantes, ficando no 52° a nível estadual e no 489° lugar a nível nacional.

08

Cultura

A responsável pelo setor cultural de Araçatuba é a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), que tem como objetivo planejar e executar a política cultural do município por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural. No município também há outras instâncias com foco no desenvolvimento cultural araçatubense, cujas diretrizes e frentes de fomento contam com o respaldo do Sistema Municipal de Cultura. O Conselho Municipal de Políticas Culturais, apoia e fiscaliza as políticas públicas destinadas ao setor. Já o Fundo Municipal de Apoio à Cultura (FMC), instituído legalmente em 29 de novembro de 2011, é o instrumento financeiro encarregado de custear os editais e projetos artísticos locais. A estrutura administrativa do setor engloba ainda o Departamento de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPPHAC), órgão encarregado de promover as políticas de salvaguarda do patrimônio e da memória local.

Artes e espaços culturais

Nas artes cênicas, o Teatro Municipal Paulo Alcides Jorge, é administrado pela prefeitura da cidade, e um dos principais espaços utilizados para sediar os festivais e apresentações culturais da região de Araçatuba. Possui capacidade para cerca de 180 pessoas, e está localizado no Complexo Cultural Bandeiras, onde também se encontram a Biblioteca Pública Municipal Rubens do Amaral e o Saguão das Artes Mildred Lourdes Pacitti. Outro importante complexo artístico é a Casa de Cultura Adelino Brandão, que ocupa a estrutura do extinto Instituto Noroestino de Tecnologia, Educação e Cultura (Intec) e foi tombado pelo Condephaat em 1992. No complexo acontecem os ensaios da escola de dança municipal, as aulas de música do Projeto Guri, e as oficinas de artes plásticas do Museu Araçatubense de Artes Plásticas (MAAP). O local também abriga a sede administrativa da Secretaria Municipal de Cultura, e o tradicional Teatro Municipal Castro Alves, que conta com 215 poltronas, sendo utilizado para oficinas de teatro e para sediar os espetáculos sazonais na cidade. Criada em 2008, a Associação dos Artistas Teatrais da Região de Araçatuba (Associata) é a principal articuladora independente das artes cênicas na cidade, atuante direta na formação dos artistas locais, e também a principal realizadora do Festival de Teatro de Araçatuba (Festara).

Eventos

O calendário cultural de Araçatuba inclui festas populares, festivais artísticos e religiosas e eventos de negócios, especialmente os relacionados ao agronegócio. O Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado é o principal espaço da cidade voltado a eventos de grande porte. Dentre as atrações realizadas no local, destaca-se a Exposição Agropecuária de Araçatuba (Expô Araçatuba), que teve início em 1959, e é conhecida pela tradicional estrutura de atrações composta por rodeios, leilões de animais de elite, pavilhões com comércio e entretenimento, além de shows de música que mobilizam grande público. O recinto também recebe as provas equestres do Campeonato Nacional do cavalo Quarto de Milha, e do Congresso Nacional da raça, que são promovidos pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). Outros eventos sediados no local, incluem o Festival Bon Odori da Noroeste, realizado pela Associação Cultural Nipo-Brasileira; o Festival de Música Gospel (FÉstival); e a tradicional Queima do Alho, organizada pelo Centro de Tradições Culturais e tombada como patrimônio imaterial do município.

Turismo

Araçatuba possui o título de Município de Interesse Turístico (MIT), concedido pelo Governo do Estado de São Paulo em conformidade com os critérios estabelecidos pela Lei Estadual nº 1.261/2015, e oficializado em 2019. Com o título, Araçatuba recebe repasses anuais do programa estadual de incentivo ao turismo, destinados à ampliação da infraestrutura urbana e ao desenvolvimento do setor turístico. Além dos atrativos cênicos, a cidade possui diversa quantidade de atrativos naturais e locais para visitação. A Secretaria Municipal de Turismo é o órgão responsável por estruturar e coordenar as políticas de desenvolvimento turístico do município. Por meio da governança regional, a pasta articula os circuitos turísticos locais, entre os quais se destacam o Circuito Rotas do Sol e a Região Turística Tietê Vivo.

Esporte

Assim como na maior parte do país, o futebol é a modalidade esportiva mais popular em Araçatuba. O principal representante da cidade é a Associação Esportiva Araçatuba (AEA), fundada em 15 de dezembro de 1972. O clube possui como seu principal rival o Bandeirante Esporte Clube, de Birigui, tem como mascote o "canário", e conquistou a Série A2 do Campeonato Paulista de Futebol em 1994, resultado que lhe garantiu a participação na Série A1 do campeonato estadual entre 1995 e 2000. A cidade também deu origem ao Atlético Esportivo Araçatuba, fundado em 2002 e conhecido como "Tigrão", que alcançou a Série A3 do Campeonato Paulista em 2010. O clube, no entanto, transferiu sua agremiação e direitos para o município de Andradina, e em 2018, passou a competir oficialmente como Andradina Esporte Clube. Em um passado mais distante, o município também contou com outras equipes locais, como o São Paulo Futebol Clube de Araçatuba, o Ferroviário de Araçatuba, o Flamengo de Araçatuba, a Associação Atlética Assistência e o Esporte Clube Tião Maia. As primeiras práticas futebolísticas em Araçatuba datam de 1914, com a fundação do América Futebol Clube, que utilizava a Praça Rui Barbosa como campo de jogo.

Feriados e símbolos

Em Araçatuba há quatro feriados municipais: a Sexta-feira Santa, o Corpus Christi, o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, e o aniversário do município, comemorado em 2 de dezembro. O município possui como símbolos oficiais a bandeira, o brasão e o hino. A bandeira, desenhada por Juvenal Paziam, e apresenta nove listras horizontais azuis e brancas, representando o céu local, a paz política e a nona região administrativa do estado. O brasão é composto por um escudo português prateado, ladeado por ramas de algodão e café, sob uma coroa mural e a inscrição em latim "Compos Sui". O hino do município foi oficializado pela Lei nº 2.515 de 1982, com letra da professora Sarah Pereira Barbosa e composição musical do maestro José Raab.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando