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Aramaico

O aramaico é uma língua semítica pertencente à família linguística afro-asiática. O nome da língua é baseado na palavra Aram, designação de antiga região do centro da Síria. Dentro dessa família, o aramaico pertence ao subgrupo semítico, e mais especificamente, faz parte das línguas semíticas do noroeste, que também inclui as línguas canaanitas, assim como o hebraico e o fenício. A escrita aramaica foi amplamente adotada por outras línguas, sendo assim ancestral do alfabeto árabe e do hebraico moderno.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Distribuição geográfica

Durante o século XII a.C., os arameus, que foram os falantes originais do aramaico, começaram a estabelecer-se em grande número nas regiões onde atualmente situam-se a Síria, o Iraque e a Turquia oriental. Adquirindo importância, passou a ser falado por toda a costa mediterrânica do Levante. A partir do século VII, o aramaico, que era utilizado como língua franca no Oriente Médio, foi substituído pela língua árabe. Entretanto, o aramaico continua sendo usado, literária e liturgicamente, entre os judeus e alguns cristãos. Guerras e dissensões políticas nos dois últimos séculos ocasionaram a dispersão de inúmeros indivíduos que se utilizam do aramaico como língua materna pelo mundo.

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História

A história do aramaico pode ser dividida em três períodos:

Aramaico antigo

O aramaico nabateu foi a língua do Reino Nabateu de Petra (c. 200 a.C.–106 d.C.), que compreendia a área entre a margem leste do rio Jordão, a península do Sinai e o norte da Arábia. Talvez por causa da importância do comércio das caravanas, os nabateus começaram a preferir usar o aramaico ao árabe setentrional antigo. O dialeto é baseado no aquemênida, com um pouco de influência do árabe: o 'l' frequentemente se transforma em 'n' e há algumas poucas palavras tomadas do árabe. Existem algumas inscrições aramaicas nabateanas dos dias mais antigos desse reino, mas a maioria é dos primeiros quatro séculos d.C. A língua é grafada em escrita cursiva, que é a precursora do alfabeto árabe moderno. O número de palavras emprestadas do árabe aumentou através dos séculos, até que, no século IV, o nabateano fundiu-se definitivamente com o árabe.

Aramaico oriental antigo tardio

Os dialetos mencionados na última seção descenderam todos do aramaico imperial aquemênida. Contudo, os diversos dialetos regionais do aramaico antigo mais recente continuaram juntos com essas, frequentemente como simples línguas faladas. Evidências antigas dessas línguas faladas só são conhecidas por suas influências em palavras e nomes num dialeto mais padrão. Porém, esses dialetos regionais tornaram-se línguas escritas no século II a.C. Os mesmos refletem um tipo de aramaico que não descende do aramaico imperial e mostra uma divisão clara entre as regiões da Mesopotâmia, Babilônia e o leste, e Palestina e oeste. No leste, os dialetos do aramaico palmireno e arsácida uniram-se com línguas regionais para criar línguas com um pé no Imperial e um pé no aramaico. Muito mais tarde, o arsácida tornou-se a linguagem litúrgica da religião mandeísta, a língua mandeia.

Aramaico ocidental antigo tardio

Os dialetos regionais ocidentais do aramaico seguiram curso similar àqueles do leste. Eles são muito diferentes dos dialetos do leste e do aramaico imperial. As línguas semitas da Palestina rumaram ao aramaico durante o século IV a.C. A língua fenícia, contudo, seguiu até o século I a.C. A forma do aramaico antigo ocidental recente usado pela comunidade judaica é mais bem atestada e geralmente chamada de antigo palestino judaico. Sua forma mais antiga é o antigo jordaniano oriental, que provavelmente vem da região da cidade de Cesareia de Filipe. Essa é a língua do manuscrito mais antigo de Enoque, da Bíblia (c. 170 a.C.). A fase seguinte distinta da língua é chamada de judaico antigo (no século II d.C.). Literatura em judaico antigo pode ser encontrada em várias inscrições e cartas pessoais, citações preservadas no Talmude e nos Manuscritos do Mar Morto. A primeira edição da Guerra Judaica do historiador Josephus foi escrita em judaico antigo.

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Aramaico médio

O século III d.C. é tido como o limiar entre o aramaico antigo e o médio. Durante aquele século, a natureza das várias línguas aramaicas começaram a mudar. As descendentes do aramaico imperial deixaram de existir como línguas vivas e as línguas regionais do leste e oeste começaram a formar literaturas novas e vitais. Diferente de muitos dos dialetos do antigo aramaico, muito se sabe do vocabulário e gramática do aramaico médio.

Aramaico oriental médio

Somente dois dos idiomas do aramaico oriental antigo continuaram nesse período. No norte da região, o antigo siríaco evoluiu para o siríaco médio. No sul, o antigo judeu-babilônico se tornou o judeu-babilônico médio. O dialeto pós-aquemênida, arsácida, se tornou o fundo da nova língua mandeia. O siríaco médio é, até hoje, a linguagem clássica, literária e litúrgica dos cristãos siríacos. Sua época de ouro foi do século IV ao século VI d.C. Esse período começou com a tradução da Bíblia nessa língua: a Peshitta, e a prosa e poesia de Éfrem da Síria. O siríaco médio, diferentemente de seu ancestral, é uma língua completamente cristã, embora no tempo ela tenha se tornado a língua daqueles que se opuseram à liderança bizantina da Igreja no leste. A atividade missionária levou a espalhar o siríaco pela Pérsia, até a Índia e China.

Aramaico ocidental médio

Os dialetos do aramaico do Velho Ocidente continuaram com o dialeto judaico da Média Palestina (em hebraico, no alfabeto hebraico dito "de escrita quadrada"), o dialeto aramaico samaritano (no alfabeto fenício, antiga escrita hebraica) e o dialeto cristão-palestino (em siríaco cursivo, no alfabeto siríaco). Destes três, somente o dialeto judeu da Média Palestina continuou como uma língua escrita. Em 135, depois da revolta de Barcoquebas, vários líderes judeus, expulsos de Jerusalém, se mudaram para a Galileia. O dialeto galileano então saiu da obscuridade para se tornar o padrão entre judeus no ocidente. Este dialeto era falado não somente na Galileia, mas também nos arredores. Constituiu o pano de fundo linguístico para o Talmude de Jerusalém (completado no século V), do targumim palestino (versões em aramaico das escrituras judaicas) e dos midraxes (comentários e ensinamentos bíblicos). O padrão moderno para a pontuação de vogais na Bíblia hebraica, o sistema tiberiano do século VII, foi desenvolvido a partir do dialeto Galileano do aramaico judeu-palestino médio. A vocalização do hebraico clássico, portanto, ao representar o hebraico deste período, provavelmente reflete a pronúncia contemporânea deste dialeto aramaico.

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Aramaico moderno

Imagem: Hugo Eguez Galviz Filho · BY-SA · Openverse

Mais de quatrocentas mil pessoas falam algum dialeto do aramaico moderno (ou neoaramaico) hoje em dia como língua nativa. São judeus, cristãos, muçulmanos e mandeístas, vivendo em áreas remotas e preservando suas tradições com impressos e agora com mídia eletrônica. As línguas neoaramaicas estão agora mais distantes em termos de compreensão entre si do que já estiveram antes. Os últimos duzentos anos não foram bons para os falantes do aramaico; a instabilidade no Oriente Médio levou a uma diáspora mundial de falantes de aramaico. O ano de 1915 é especialmente relevante para os cristãos que falavam aramaico: chamado de Sayfo ou Shaypā (a espada em siríaco), todos os grupos cristãos do leste da Turquia (assírios, armênios e outros) foram submetidos ao genocídio que marcou o fim do Império Otomano. Para os judeus que falavam aramaico, 1950 é um ano da mudança: a fundação do Estado de Israel e o consequente exôdo dos judeus dos países árabes, como o Iraque, levou a maioria dos judeus que falavam aramaico a migrar para lá. Contudo, a mudança para Israel levou o neoaramaico judeu a ser substituído pelo hebraico moderno entre os filhos dos imigrantes. Na prática, a extinção de muitos dialetos judeus parece iminente.

Aramaico moderno oriental

O aramaico moderno oriental existe em uma ampla variedade de dialetos e línguas. Há uma diferença significante entre o aramaico falado por judeus, cristãos e mandeístas. As línguas cristãs são chamadas frequentemente de siríaco moderno (ou neo-siríaco, especialmente no que se refere à sua literatura), sendo fortemente influenciado pela língua literária e litúrgica do siríaco médio. Entretanto, elas têm suas raízes em diversos dialetos aramaicos locais, que não foram escritos, e não são exclusivamente as descendentes diretas da língua de Efrém da Síria. O siríaco ocidental moderno (também chamado de neoaramaico, estando entre o neoaramaico ocidental e o neosiríaco oriental) é representado geralmente pelo idioma turoyo, a língua de Tur Abdin. Um idioma aparentado, Mlahsô se extinguiu recentemente.

Aramaico moderno ocidental

Resta muito pouco do aramaico ocidental. Ele ainda é falado na vila cristã de Maalula, na Síria, e na vilas muçulmanas de Bakh'a e Jubadin, no lado sírio do Antilíbano, assim como por algumas pessoas que migraram destas vilas para Damasco e outras grandes cidades da Síria. Todos os falantes de aramaico ocidental moderno são fluentes em árabe, que já se tornou o principal idioma nestas vilas.

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