Aramasde
Aramasde era o deus principal e criador na versão armênia do zoroastrismo. A divindade e seu nome foram derivados de Aúra-Masda após a conquista meda da Armênia no século VI a.C.. Era considerado um deus generoso da fertilidade, chuva e abundância, bem como o pai dos outros deuses. Como Aúra-Masda, raramente aparece com uma esposa, embora às vezes fosse descrito como marido de Anaíte ou Espandaramete.
A fusão das duas palavras de Aúra-Masda aparece pela primeira vez na seção persa antiga da inscrição de Beistum, esculpida pelo xainxá aquemênida Dario I (r. 522–486 a.C.), que se refere à divindade como Auramasda (Auramazdāha). Documentos avésticos continuaram a escrever o nome com duas palavras, uma forma que pode ter sido aceita na Armênia. Aramasda / Aramasde é a forma parta de Aúra-Masda, que também foi registrada no século I a.C. em grego como Aramasdes (Ἀραμάσδης, Aramásdēs).
O momento que o culto de Aramasde iniciou é incerto, mas especula-se que possa ter surgido após a conquista meda do planalto Armênio no século VI a.C., dada sua relação com Aúra-Masda. Aramasde, Mir, Anaíte, Vaagênio e Tir eram as divindades dominantes do panteão armênio. Mais tarde, foram feitas tentativas de reformar o panteão, incluindo possivelmente reduzi-lo para compreender três divindades principais: Aramasde, Anaíte e Vaagênio. Armen Petrosyan argumentou que, uma vez que a grafia parta (Aramasde) prevaleceu como o nome pelo qual o deus ficou conhecido nas fontes armênias tardias, é possível que o panteão armênio tenha sido organizado entre os séculos II-I a.C., pelos artaxíadas, com base no culto arsácida da época. O principal santuário de Aramasde estava localizado em Ani de Daranália (atual Quemaque), na Alta Armênia. Admitindo que Ani seja o local da antiga cidade de Cumaca (Kummaha), cujo nome tem paralelos com outros centros hurro-urartitas e hititas com conhecidos cultos ao deus do trovão Tessube, é possível que Ani abrigasse o culto de alguma variante local de Tessube, que mais tarde foi associado a Aramasde. Outros santuários estavam localizados em Bagauna, que ficava perto da sede do poder na planície de Ararate, em Alzeque, no sopé do monte Aragats, e Anzevácia, na Vaspuracânia, onde era cultuado ao lado de Astlique.
Aramasde mescla muitas características distintas que provavelmente foram herdadas de vários outros deuses que serviram como protótipos para sua constituição como deus próprio, como, por exemplo, Tessube. Na tradição grega da obra de Agatângelo, Aramasde foi identificado com Zeus através da interpretatio Graeca e foi qualificado como "trovejante", segundo a tradição preservada por Moisés de Corene (II.86). Apesar disso, na tradição da mesma obra, alegou-se que o deus cultuado em Ani era Cronos, pai de Zeus, que de acordo com os mitos gregos foi aprisionado no Tártaro como consequência da titanomaquia. Essa associação incomum pode ter sido a tentativa do tradutor de enfatizar um dos aspectos de Zeus como um potencial rei do submundo, haja vista os deuses supremos serem capazes de governar as três partes do mundo (céu, terra e submundo) em paralelo. De acordo com Moisés de Corene, Santa Nina, em sua busca para converter o Reino da Ibéria, destruiu a estátua de Aramasde em Misqueta. Essa menção pode revelar uma provável correlação desse deus com Armazi, se considerado que ambos possuem um aspecto de deus do trovão. Houve alguma discordância entre os estudiosos quanto à relação entre Aramasde, Amanor e Vanatur, mas a evidência indica mais fortemente que Vanatur ("Senhor do Vã") era um título à divindade principal e que Amanor era um substantivo comum referindo-se ao Ano-Novo e um título à divindade cuja celebração era realizada no Ano-Novo (Vanatur).


