Aranha
As aranhas são artrópodes de respiração aérea que possuem oito membros, quelíceras com presas geralmente capazes de injetar veneno, e fieiras que expelem seda. Constituem a maior ordem dos aracnídeos e ocupam o sétimo lugar em diversidade total de espécies entre todas as ordens de organismos. As aranhas são encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida, e estabeleceram-se em praticamente todos os habitats terrestres. Em maio de 2026, 53 882 espécies de aranhas em 139 famílias foram registradas por taxonomistas. Contudo, há divergências entre os cientistas sobre como as famílias devem ser classificadas, tendo sido propostas mais de 20 classificações diferentes desde 1900.
A palavra aranha originou-se no latim aranĕa,ae em sentido próprio, mas também com o sentido de "teia de aranha" (Plínio, o Velho) e "fio muito fino". Foi registrada no século XIII como aranna e no século XV como arãha como aranha.
O abdome não possui apêndices além daqueles modificados para formar de um a quatro (geralmente três) pares de fieiras curtas e móveis, que emitem seda. Cada fieira possui muitos espigões, cada um conectado a uma glândula sericígena. Existem pelo menos seis tipos de glândulas de seda, cada qual produzindo um tipo diferente de seda. Os escitodídeos também produzem seda em glândulas de veneno modificadas e há casos registrados de terafosídeos que emitem seda por glândulas localizadas em seus pés. A seda é composta principalmente por uma proteína muito semelhante à utilizada na seda dos insetos. Inicialmente líquida, endurece não pela exposição ao ar, mas como resultado do estiramento, que altera a estrutura interna da proteína. Sua resistência à tração é semelhante à do náilon e de materiais biológicos como quitina, colágeno e celulose (alguns estudos sugerem que seja cinco vezes mais forteque fios de aço do mesmo diâmetro), mas ela é muito mais elástica. Em outras palavras, pode se esticar muito mais antes de se romper ou perder a forma (estipula-se que ao menos quatro vezes o seu comprimento). Algumas aranhas possuem um cribelo, uma fieira modificada com até 40 mil espigões, cada um produzindo uma única fibra extremamente fina. As fibras são puxadas pelo calamistro, um conjunto de cerdas em forma de pente localizado na extremidade articulada do cribelo, e combinadas em um fio lanoso composto, muito eficaz em prender as cerdas dos insetos. As primeiras aranhas possuíam cribelo, que produzia a primeira seda capaz de capturar insetos, antes que as aranhas desenvolvessem seda revestida com gotículas pegajosas. Contudo, a maioria dos grupos modernos de aranhas perdeu o cribelo. Mesmo espécies que não constroem teias para capturar presas utilizam seda de diversas maneiras: como invólucro para esperma e ovos fecundados; como uma "linha de segurança"; na construção de ninhos; e como "paraquedas" para os jovens de algumas espécies.
Plano corporal
As aranhas são quelicerados e, portanto, artrópodes. Como artrópodes, possuem: corpos segmentados com membros articulados, todos recobertos por uma cutícula composta de quitina e proteínas e cabeças compostas por vários segmentos que se fundem durante o desenvolvimento do embrião. Por serem quelicerados, seus corpos consistem em dois tagmas, conjuntos de segmentos que desempenham funções semelhantes: o primeiro, chamado cefalotórax ou prossoma, é uma fusão completa dos segmentos que em um inseto formariam dois tagmas separados, a cabeça e o tórax. O tagma posterior é chamado abdome ou opistossoma. Nas aranhas, o cefalotórax e o abdome estão conectados por uma pequena seção cilíndrica, o pedicelo. O padrão de fusão dos segmentos que forma a cabeça dos quelicerados é único entre os artrópodes, e o que normalmente seria o primeiro segmento cefálico desaparece em um estágio inicial do desenvolvimento, de modo que os quelicerados não possuem as antenas típicas da maioria dos artrópodes. Na verdade, os únicos apêndices dos quelicerados situados à frente da boca são um par de quelíceras, e eles carecem de qualquer estrutura que funcione diretamente como "mandíbulas". Os primeiros apêndices atrás da boca são chamados pedipalpos e desempenham funções diferentes nos distintos grupos de quelicerados.
Sistema nervoso central
O sistema nervoso central básico dos artrópodes consiste em um par de cordões nervosos que percorrem a região abaixo do intestino, com gânglio nervosos pareados atuando como centros locais de controle em todos os segmentos; o cérebro é formado pela fusão dos gânglios dos segmentos cefálicos situados à frente e atrás da boca, de modo que o esôfago fica circundado por esse conglomerado de gânglios. Exceto nas primitivas mesotelas, das quais os lifistiídeos são a única família sobrevivente, as aranhas possuem um sistema nervoso muito mais centralizado, típico dos aracnídeos: todos os gânglios dos segmentos localizados atrás do esôfago são fusionados, de modo que o cefalotórax é amplamente preenchido por tecido nervoso e não há gânglios no abdome; nas mesotelas, os gânglios do abdome e da porção posterior do cefalotórax permanecem não fusionados. Apesar do sistema nervoso central relativamente pequeno, algumas aranhas (como Portia) exibem comportamento complexo, incluindo a capacidade de utilizar tentativa e erro.
Órgãos sensoriais
As aranhas geralmente possuem quatro pares de olhos na região anterior superior do cefalotórax, dispostos em padrões que variam de uma família para outra. Existem linhagens com número reduzido de olhos, sendo mais comuns aquelas com seis olhos (por exemplo, Periegops suterii), nas quais falta um par de olhos na linha mediana anterior. Outras espécies possuem quatro olhos (Tetrablemma), e membros da família dos caponiídeos podem ter apenas dois. Alguns grupos, como as espécies cavernícolas, não possuem olhos (como Adelocosa anops) ou apresentam olhos vestigiais incapazes de formar imagens (como Holothele maddeni). Na maioria das linhagens, os olhos apresentam-se dispostos em duas fileiras curvas (ou às vezes três), em que são denominados de anteriores (laterais e medianos), e posteriores (laterais e medianos). Há casos em que os olhos ocorrem agrupados numa elevação denominada cômoro ocular. O par principal, localizado na parte frontal, é do tipo denominado ocelo em taça pigmentar ("olhos simples"), que, na maioria dos artrópodes, é capaz apenas de detectar a direção da luz por meio da sombra projetada pelas paredes da taça. Entretanto, nas aranhas esses olhos são capazes de formar imagens. Os demais pares, chamados de olhos secundários, acredita-se que derivem dos olhos compostos dos quelicerados ancestrais, mas já não possuem as facetas separadas típicas desses olhos. Diferentemente dos olhos principais, em muitas aranhas os olhos secundários detectam luz refletida por um tapetum lucidum refletivo, e as aranhas-lobo podem ser vistas à luz de lanternas devido ao reflexo produzido pelos tapeta. Por outro lado, os olhos secundários das aranhas-saltadoras não possuem tapeta. Outra diferença entre os olhos principais e os secundários é que estes possuem rabdômeros orientados para longe da luz incidente, como ocorre nos vertebrados, enquanto nos primeiros a disposição é inversa. Os olhos principais também são os únicos que possuem músculos oculares, permitindo mover a retina. Sem músculos, os olhos secundários são imóveis. A acuidade visual de algumas aranhas-saltadoras supera em até dez vezes a das libélulas (anisópteros/zigópteros), que possuem de longe a melhor visão entre os insetos. Essa acuidade é alcançada graças a uma série telefoto de lentes, uma retina em quatro camadas e à capacidade de mover os olhos e integrar imagens obtidas em diferentes etapas da varredura visual. A desvantagem é que os processos de varredura e integração são relativamente lentos.
Circulação e respiração
Como outros artrópodes, as aranhas são celomadas, embora o celoma seja reduzido a pequenas áreas em torno dos sistemas reprodutor e excretor. Seu lugar é amplamente ocupado por um hemocele, uma cavidade que percorre quase todo o comprimento do corpo e através da qual o sangue circula. O coração é um tubo situado na parte superior do corpo, com alguns óstios que atuam como válvulas unidirecionais, permitindo que o sangue entre no coração a partir do hemocele, mas impedindo que saia antes de alcançar a extremidade anterior. Contudo, nas aranhas ele ocupa apenas a parte superior do abdome, e o sangue é liberado no hemocele por uma artéria que se abre na extremidade posterior do abdome e por artérias ramificadas que atravessam o pedicelo e desembocam em várias partes do cefalotórax. Assim, as aranhas possuem sistema circulatório aberto. O sangue de muitas aranhas que possuem pulmões foliáceos contém o pigmento respiratório hemocianina, tornando o transporte de oxigênio mais eficiente.
Alimentação, digestão e excreção
As famílias dos uloborídeos e holarqueídeos, bem como alguns lifistiídeos, perderam suas glândulas de veneno e matam suas presas com seda. Como a maioria dos aracnídeos, incluindo os escorpiãos, as aranhas possuem um intestino estreito que consegue lidar apenas com alimento líquido e dois conjuntos de filtros para impedir a passagem de partículas sólidas. Elas utilizam um de dois sistemas distintos de digestão externa. Algumas bombeiam enzimas digestivas do intestino médio para dentro da presa e depois sugam os tecidos liquefeitos para o intestino, deixando para trás apenas a carcaça vazia da presa. Outras trituram a presa até formar uma polpa usando as quelíceras e as bases dos pedipalpos, enquanto a inundam com enzimas; nessas espécies, as quelíceras e as bases dos pedipalpos formam uma cavidade pré-oral que mantém o alimento em processamento. O estômago no cefalotórax atua como uma bomba que envia o alimento para regiões mais profundas do sistema digestório. O intestino médio possui muitos cecos digestivos, compartimentos sem outra saída, que extraem nutrientes do alimento; a maioria localiza-se no abdome, dominado pelo sistema digestório, mas alguns estão presentes no cefalotórax.
Locomoção
Do cefalotórax partem as pernas, que são constituídas por sete segmentos. Cada uma das oito pernas de uma aranha consiste em sete partes distintas. A parte mais próxima do corpo, que liga a perna ao cefalotórax, é a coxa; o segmento seguinte é o curto trocânter, que funciona como articulação para o longo segmento seguinte, o fêmur; em seguida vem o joelho da aranha, a patela, que atua como articulação para a tíbia; o metatarso vem depois, conectando a tíbia ao tarso (que pode ser entendido como uma espécie de pé); o tarso termina em uma garra composta de duas ou três pontas, dependendo da família à qual a aranha pertence. Nas aranhas construtoras de teia, a unha mediana apresenta função para segurar os fios de seda, sendo também a única unha a tocar diretamente na teia. Geralmente, as pernas frontais (ou seja, os pares 1 e 2) são mais longas, com o primeiro par sendo usado para explorar o ambiente, em que a presença de pelos recobrindo densamente os segmentos distais permitem uma capacidade sensorial nestas pernas. Embora todos os artrópodes utilizem músculos ligados ao interior do exoesqueleto para flexionar os membros, as aranhas e alguns outros grupos ainda utilizam pressão hidráulica para estendê-los, um sistema herdado de seus ancestrais pré-artrópodes. Os únicos músculos extensores nas pernas das aranhas localizam-se nas três articulações do quadril (entre a coxa e o trocânter). Como resultado, uma aranha com o cefalotórax perfurado não consegue estender as pernas, e as pernas de aranhas mortas se curvam para dentro. As aranhas podem gerar pressões até oito vezes superiores ao nível de repouso para estender as pernas, e as aranhas-saltadoras podem saltar até 50 vezes o comprimento do próprio corpo aumentando subitamente a pressão sanguínea no terceiro ou quarto par de pernas. Embora aranhas maiores usem a hidráulica para endireitar as pernas, ao contrário das pequenas aranhas-saltadoras elas dependem dos músculos flexores para gerar a força propulsora de seus saltos. A maioria das aranhas que caça ativamente, em vez de depender de teias, possui densos tufos de cerdas finas entre as garras pares nas extremidades das pernas. Esses tufos, conhecidos como escópula, consistem em cerdas cujas extremidades se dividem em até mil ramificações, permitindo que aranhas com escópulas caminhem sobre vidro vertical e de cabeça para baixo em tetos. Parece que as escópulas aderem graças ao contato com camadas extremamente finas de água sobre as superfícies. As aranhas, como a maioria dos outros aracnídeos, mantêm pelo menos quatro pernas em contato com a superfície enquanto caminham ou correm.
Predação
As aranhas são animais capazes de suportar longos períodos de jejum, embora também possam consumir grandes quantidades de alimento quando as presas se tornam abundantes. Em contrapartida, quando as condições são favoráveis, uma aranha pode consumir diariamente o equivalente a 10–20% de seu próprio peso corporal. Para alternar entre esses períodos de escassez e abundância, conseguem expandir consideravelmente o volume do trato digestório e das reservas armazenadas no abdome, ao mesmo tempo em que reduzem o metabolismo e a taxa de crescimento. Suspeita-se que as linhagens mais primitivas de aranhas tenham evoluído em condições climáticas e ambientais marcadas por forte privação alimentar. Ainda hoje, a maioria das espécies vive sob considerável estresse alimentar na natureza, e acredita-se que diferentes linhagens tenham desenvolvido adaptações morfológicas e comportamentais capazes de otimizar a captura de presas com menor gasto energético. De modo geral, as aranhas alimentam-se principalmente de artrópodes, como insetos, milípedes, bichos-de-conta e outros aracnídeos, embora espécies de maior porte possam ocasionalmente predar pequenos vertebrados, incluindo lagartos, morcegos, pequenas cobras, rãs, sapos e camundongos.
Alimentação não predatória
Embora as aranhas sejam geralmente consideradas predadoras, a aranha-saltadora Bagheera kiplingi obtém mais de 90% de seu alimento dos corpos beltianos, um material vegetal sólido produzido por acácias como parte de uma relação mutualística com uma espécie de formiga. Os juvenis de algumas aranhas das famílias dos anifenídeos, corinídeos, clubionídeos, tomisídeos (aranhas-caranguejo) e salticídeos alimentam-se de néctar vegetal. Estudos laboratoriais mostram que elas o fazem deliberadamente e por períodos prolongados, limpando-se periodicamente enquanto se alimentam. Essas aranhas também preferem soluções açucaradas à água pura, o que indica que estão em busca de nutrientes. Como muitas aranhas são noturnas, a extensão do consumo de néctar por aranhas pode ter sido subestimada. O néctar contém aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais além de açúcares, e estudos mostraram que outras espécies de aranhas vivem mais tempo quando o néctar está disponível. Alimentar-se de néctar evita os riscos de luta com presas e os custos de produção de veneno e enzimas digestivas.
Captura de presas
O método mais conhecido de captura de presas é por meio de teias pegajosas. Diferentes posicionamentos das teias permitem que diferentes espécies de aranhas capturem diferentes insetos na mesma área; por exemplo, teias horizontais planas capturam insetos que voam para cima a partir da vegetação abaixo, enquanto teias verticais planas capturam insetos em voo horizontal. Aranhas construtoras de teias têm visão pobre, mas são extremamente sensíveis a vibrações. Argyroneta aquatica constrói teias subaquáticas em forma de "sino de mergulho", que ela enche de ar e utiliza para digerir presas e realizar a muda. O acasalamento e a criação dos filhotes ocorrem dentro do sino da fêmea. Elas vivem quase inteiramente dentro desses sinos, saindo rapidamente para capturar animais-presa que tocam o sino ou os fios que o ancoram. Algumas aranhas utilizam as superfícies de lagos e lagoas como "teias", detectando insetos presos pelas vibrações que produzem ao se debaterem. Aranhas lançadoras de rede tecem apenas pequenas teias, mas depois as manipulam para capturar presas. As do gênero Hyptiotes e da família dos teridiosomatídeos esticam suas teias e então as liberam quando presas as atingem, mas não movem ativamente suas teias. As da família dos deinopídeos tecem teias ainda menores, seguram-nas esticadas entre os dois primeiros pares de pernas e avançam, empurrando as teias por até o dobro do comprimento do próprio corpo para capturar presas; esse movimento pode aumentar a área da teia em até dez vezes. Experimentos mostraram que Deinopis spinosus possui duas técnicas distintas para capturar presas: ataques para trás para capturar insetos voadores, cujas vibrações detecta; e ataques para frente para capturar presas caminhantes no solo, que ela vê. Essas duas técnicas também foram observadas em outros deinopídeos. Insetos caminhantes constituem a maior parte das presas da maioria dos deinopídeos, mas uma população de Deinopis subrufa parece viver principalmente de moscas tipulídeas, capturadas com o ataque para trás.
Predadores e parasitas
As aranhas possuem numerosos predadores e podem ser consumidas em todos os estágios de desenvolvimento. Entre seus principais inimigos naturais estão outros aracnídeos — especialmente outras aranhas —, além de diversos insetos, aves, répteis, anfíbios e alguns mamíferos, como morcegos, raposas, ouriços, mustelídeos e soricídeos, estes últimos capazes de limitar significativamente determinadas populações de aranhas. Entre os répteis, destaca-se Zootoca vivipara, para o qual as aranhas representam parcela importante da dieta. Alguns ácaros também foram registrados destruindo ovos de aranhas em determinadas condições. Os insetos ocupam posição de destaque entre os consumidores especializados de aranhas, atuando como predadores de ovos, ectoparasitas ou endoparasitas. Entre eles, destacam-se diversas espécies de vespas caçadoras de aranhas, especialmente os pompilídeos e esfecídeos, que paralisam suas presas e as transportam para o ninho, onde servirão de alimento para as larvas. Representantes dos icneumonídeos também podem parasitar aranhas adultas ou atacar seus ovos. Além disso, há neurópteros e algumas famílias de dípteros associados aos casulos, enquanto outras espécies de dípteros desenvolvem-se como endoparasitas das próprias aranhas. Entre os insetos que utilizam casulos de aranhas para depositar seus ovos, um dos exemplos mais frequentes é Tromatobia ornata, regularmente associado aos casulos de Argiope bruennichi.
Defesa
Há fortes evidências de que a coloração das aranhas constitui camuflagem, ajudando-as a escapar de seus principais predadores, aves e vespas parasitoides, ambos dotados de boa visão de cores. Muitas espécies de aranhas são coloridas de modo a se confundirem com seus ambientes mais comuns, e algumas apresentam coloração disruptiva, listras e manchas que fragmentam seus contornos. Em algumas espécies, como a aranha havaiana de "cara feliz", Theridion grallator, diversos esquemas de coloração estão presentes em uma proporção aparentemente constante, o que pode dificultar o reconhecimento da espécie pelos predadores. A maioria das aranhas não é suficientemente perigosa nem desagradável ao paladar para que a coloração de advertência ofereça grande vantagem. Entretanto, algumas espécies com veneno potente, mandíbulas grandes ou cerdas irritantes possuem manchas de cores de advertência, e algumas exibem ativamente essas cores quando ameaçadas. Muitos membros da família dos terafosídeos, que inclui tarântulas e aranhas-babuíno, possuem pelos urticantes em seus abdomes e usam as pernas para lançá-los contra agressores. Essas cerdas são finas setas (cerdas) com bases frágeis e uma fileira de farpas na ponta. As farpas causam intensa irritação, mas não há evidências de que transportem qualquer tipo de veneno. Algumas defendem-se de vespas incluindo redes de fios extremamente robustos em suas teias, dando tempo para a aranha fugir enquanto as vespas lutam contra os obstáculos. Carparachne aureoflava, do deserto da Namíbia, escapa de vespas parasitoides jogando-se de lado e descendo dunas de areia em rolamentos laterais.
Socialização
Embora a maioria das aranhas seja solitária, algumas espécies que constroem teias vivem em grandes colônias e exibem diferentes graus de comportamento social, ainda que menos complexos do que os observados nos insetos sociais. Agnarsson e colaboradores estimaram que as aranhas, em conjunto, desenvolveram a socialidade de forma independente entre 18 e 19 vezes. Cerca de trinta espécies possuem socialidade permanente e bem desenvolvida, formando colônias que podem reunir desde dezenas até milhares de indivíduos, frequentemente organizadas para a manutenção da teia coletiva e o cuidado dos filhotes. Anelosimus eximius (teridiídeos), por exemplo, pode formar colônias com até 50 mil indivíduos e construir ninhos com volume aproximado de mil metros cúbicos. O gênero Anelosimus apresenta forte tendência à socialidade: todas as espécies americanas conhecidas são sociais, enquanto as espécies de Madagascar são pelo menos parcialmente sociais. Espécies de outros gêneros da mesma família também desenvolveram independentemente comportamento social por meio de evolução convergente. Assim, embora Theridion nigroannulatum pertença a um gênero sem outras espécies sociais conhecidas, essa espécie constrói colônias com milhares de indivíduos que cooperam na captura de presas e compartilham alimento. Outras aranhas comunais incluem várias espécies de Philoponella (uloborídeos), Agelena consociata (agelenídeos) e Mallos gregalis (dictinídeos). Aranhas sociais predadoras também precisam defender suas capturas contra cleptoparasitas (“ladrões”), sendo que colônias maiores tendem a obter maior sucesso nessa defesa. Algumas espécies apresentam níveis intermediários de socialidade que variam conforme as condições ambientais. A herbívora Bagheera kiplingi, por exemplo, forma pequenas colônias que auxiliam na proteção de ovos e filhotes contra predadores. De maneira ainda mais incomum, indivíduos do gênero Latrodectus — conhecido pela agressividade e pelas tendências canibais — podem, em cativeiro, construir teias coletivas, compartilhar alimento e cooperar na captura de presas. Em experimentos, espécies como Steatoda grossa, Latrodectus hesperus e Eratigena agrestis evitaram colônias de formigas Myrmica rubra, provavelmente devido ao efeito repelente dos feromônios liberados por essas formigas predadoras.
Muitos experimentos foram realizados para investigar os efeitos da gravidade zero sobre a construção de teias de aranha. Relatórios publicados no final de 2020 indicaram que, embora o desenho das teias seja negativamente afetado em condições de microgravidade, a presença de uma fonte de luz pode orientar as aranhas, permitindo que construam teias com formato próximo do normal. Apesar da grande diversidade de estruturas produzidas pelas aranhas, não existe uma relação consistente entre sua classificação taxonômica e os tipos de teia construídos: espécies de um mesmo gênero podem produzir teias muito semelhantes ou bastante diferentes, e tampouco há forte correspondência entre a classificação das aranhas e a composição química de suas sedas. A evolução convergente na construção de teias é amplamente observada no grupo. As teias orbiculares e os comportamentos de fiação responsáveis por sua construção estão entre os aspectos mais estudados da biologia das aranhas. A sequência básica radial seguida pela espiral, típica dessas teias, bem como o senso de orientação necessário para construí-las, provavelmente foram herdados do ancestral comum da maioria dos grupos de aranhas. Antigamente, acreditava-se que a teia orbicular pegajosa representava uma inovação evolutiva responsável pela diversificação das orbiculárias. Atualmente, porém, considera-se mais provável que as aranhas de teias não orbiculares constituam um subgrupo derivado das orbiculárias. Essas aranhas possuem mais de 40% mais espécies e são cerca de quatro vezes mais abundantes do que as aranhas de teias orbiculares. Esse maior sucesso pode estar relacionado ao fato de que as teias planas tornam suas construtoras mais vulneráveis a predadores especializados.
Orbicular
Cerca de metade das presas potenciais que atingem teias orbiculares escapam. Uma teia precisa desempenhar três funções: interceptar a presa (interseção), absorver seu momento sem se romper (parada) e prender a presa por emaranhamento ou aderência (retenção). Nenhum desenho único é ideal para todas as presas. Por exemplo: um espaçamento maior entre as linhas aumentará a área da teia e, consequentemente, sua capacidade de interceptar presas, mas reduzirá seu poder de parada e retenção; espaçamento menor, gotas pegajosas maiores e fios mais espessos melhorariam a retenção, mas tornariam mais fácil para presas potenciais verem e evitarem a teia, ao menos durante o dia. Contudo, não há diferenças consistentes entre teias orbiculares construídas para uso diurno e aquelas usadas à noite. Na verdade, não existe uma relação simples entre as características do desenho da teia orbicular e as presas que ela captura, já que cada espécie construtora de teias orbiculares captura uma ampla variedade de presas.
Teia irregular
Membros da família dos teridiídeos tecem teias irregulares, emaranhadas e tridimensionais, popularmente conhecidas como teias irregulares. Parece haver uma tendência evolutiva em direção à redução da quantidade de seda pegajosa utilizada, levando à sua ausência total em algumas espécies. A construção de teias irregulares é menos estereotipada do que a das teias orbiculares e pode levar vários dias. Os linifiídeos geralmente fazem lençóis horizontais, porém irregulares, com emaranhados de fios de parada acima deles. Insetos que atingem os fios de parada caem sobre o lençol ou são sacudidos para ele pela aranha, e ficam presos pelos fios pegajosos do lençol até que a aranha possa atacá-los por baixo.
Registro fóssil
Embora o registro fóssil das aranhas seja considerado pobre, quase mil espécies foram descritas a partir de fósseis. Como os corpos das aranhas são bastante moles, carecendo de um exoesqueleto substancial, a grande maioria das aranhas fósseis foi encontrada preservada em âmbar. O âmbar mais antigo conhecido contendo artrópodes fósseis data de 130 milhões de anos atrás, no início do período Cretáceo. Além de preservar a anatomia das aranhas com grande detalhe, pedaços de âmbar mostram aranhas acasalando, matando presas, produzindo seda e possivelmente cuidando de seus filhotes. Em alguns casos, o âmbar preservou os sacos de ovos e as teias das aranhas, ocasionalmente com presas aderidas; a teia fóssil mais antiga encontrada até agora tem 100 milhões de anos. Fósseis mais antigos de aranhas provêm de alguns lagerstätten, locais onde as condições eram excepcionalmente adequadas para preservar tecidos relativamente moles.
Relações externas
As aranhas são monofiléticas (isto é, um clado, consistindo de um último ancestral comum e todos os seus descendentes). Houve debate sobre quais são seus parentes evolutivos mais próximos e sobre como todos eles evoluíram a partir dos quelicerados ancestrais, que eram animais marinhos. Este cladograma de 2019 ilustra as relações filogenéticas das aranhas. Os aracnídeos carecem de algumas características de outros quelicerados, incluindo bocas voltadas para trás e gnatobases (“bases mandibulares”) nas bases de suas pernas; ambas as características fazem parte do sistema alimentar ancestral dos artrópodes. Em vez disso, possuem bocas voltadas para a frente e para baixo, e todos apresentam algum meio de respirar ar. As aranhas (Araneae) distinguem-se de outros grupos de aracnídeos por diversas características, incluindo as feiras e, nos machos, os pedipalpos especialmente adaptados para a transferência de esperma.
Relações internas
O cladograma mostra a relação entre as subordens e famílias de aranhas:
As aranhas são divididas em duas subordens, mesotelas e opistotelas, das quais a última contém duas infraordens, migalomorfas e araneomorfas. Cerca de 53 882 espécies viventes de aranhas foram identificadas, agrupadas em 139 famílias e 4 511 gêneros por aracnólogos em maio de 2026. Os estudos completos de genômica e biologia molecular ainda são relativamente raros nas aranhas, embora numerosos trabalhos tenham investigado seus genes e proteínas, contribuindo para o esclarecimento de diversos aspectos de sua biologia. Essas pesquisas revelam trajetórias evolutivas complexas, responsáveis pelo desenvolvimento de uma grande variedade de comportamentos, tipos de seda e venenos. Em 2017, três genomas completos de aranhas foram sequenciados: o de Nephila, o de uma aranha social africana da família dos eresídeos e o de uma aranha-doméstica-comum.
Mesotelas
Os únicos membros vivos da primitiva mesotelas são os da família dos lifistiídeos, encontrada apenas no Sudeste Asiático, China e Japão. A maioria dos lifistiídeos constrói tocas revestidas de seda com finos alçapões, embora algumas espécies do gênero Liphistius construam tubos de seda camuflados com um segundo alçapão como saída de emergência. Os membros do gênero Liphistius estendem "fios de tropeço" de seda para fora de seus túneis para ajudá-los a detectar a aproximação de presas, enquanto os do gênero Heptathela não o fazem e, em vez disso, dependem de seus sensores internos de vibração. As aranhas do gênero Heptathela não possuem glândulas de veneno, embora tenham aberturas de glândulas de veneno na ponta das presas. As famílias extintas dos artrolicosídeos, encontrados em rochas do Carbonífero e do Permiano, e dos artromigalídeos, até agora encontrada apenas em rochas do Carbonífero, foram classificadas como membros das mesotelas.
Migalomorfas
Os migalomorfas, que surgiram pela primeira vez no período Triássico, são geralmente robustos e "peludos", com grandes e fortes quelíceras e presas (tecnicamente, as aranhas não possuem verdadeiros pelos, mas sim setas). Exemplos bem conhecidos incluem as tarântulas, as aranhas-de-alçapão ctenizídeas e as aranhas-teia-de-funil atracídeas. A maioria passa a maior parte do tempo em tocas, e algumas estendem fios de tropeço de seda para fora delas, mas algumas poucas constroem teias para capturar presas. Contudo, os migalomorfos não podem produzir a seda piriforme que os araneomorfas usam como adesivo instantâneo para colar seda em superfícies ou em outros fios de seda, e isso torna a construção de teias mais difícil para os migalomorfos. Como os migalomorfos raramente praticam "balonismo", usando correntes de ar para transporte, suas populações frequentemente formam agrupamentos. Além de artrópodes, sabe-se que alguns migalomorfos se alimentam de sapos, pequenos mamíferos, lagartos, cobras, caracóis e pequenas aves.
Araneomorfas
Além de representarem mais de 90% das espécies de aranhas, os araneomorfas, também conhecidos como as "aranhas verdadeiras", incluem as aranhas-tecedeiras (araneídeos), as aranhas-corredoras como as aranhas-lobo, e as aranhas-saltadoras, bem como a única espécie herbívora conhecida, a aranha-saltadora Bagheera kiplingi. Eles distinguem-se por possuírem presas que se opõem entre si e se cruzam em um movimento de pinça, em contraste com os migalomorfas, cujas presas têm alinhamento quase paralelo.
Em termos ecológicos, as densidades de aranhas variam em média entre 20 e 120 indivíduos por metro quadrado, dependendo do tipo de agroecossistema; em pradarias particularmente férteis, essas densidades podem ultrapassar 800 indivíduos por metro quadrado. A riqueza de espécies de aranhas, assim como o conhecimento taxonômico sobre o grupo, não está distribuída de forma uniforme pelo planeta. Como ocorre com a maioria dos grupos animais, essa diversidade concentra-se principalmente em regiões tropicais e temperadas austrais, onde as aranhas ainda permanecem relativamente pouco estudadas. As aranhas constituem um grupo extremamente diverso e amplamente distribuído, ocorrendo em praticamente todos os ambientes terrestres, com exceção das regiões polares. Sua distribuição está relacionada sobretudo às condições climáticas e ao tipo de vegetação de cada habitat, fatores que também influenciam a estrutura e a diversidade das comunidades em diferentes micro-habitats. Além disso, a composição dessas comunidades pode ser afetada pela disponibilidade de presas e pela abundância de competidores, predadores e parasitas.
Cobertura midiática e equívocos
Informações sobre aranhas na mídia frequentemente enfatizam o quão perigosas e desagradáveis elas são. Entre artigos de jornais online sobre encontros e picadas de aranhas em humanos publicados de 2010 a 2020, um estudo constatou que 47% dos artigos continham erros e 43% eram sensacionalistas.
Picadas
Embora as aranhas sejam amplamente temidas, apenas um número reduzido de espécies representa perigo significativo para os seres humanos. As aranhas picam pessoas principalmente em situações de autodefesa, e a maioria das picadas produz efeitos menos graves do que os de ferroadas de mosquitos ou abelhas. Mesmo espécies consideradas de importância médica, como as aranhas-marrons do gênero Loxosceles e as viúvas-negras do gênero Latrodectus, tendem a fugir sempre que possível, atacando apenas quando encurraladas — embora acidentes desse tipo possam ocorrer facilmente. As aranhas-teia-de-funil-australianas (atracídeos) apresentam comportamento defensivo característico, exibindo as quelíceras quando ameaçadas. Seu veneno, apesar de raramente ser inoculado em grande quantidade, foi associado a 13 mortes humanas registradas ao longo de cerca de cinquenta anos. Com base em critérios clínicos e na toxicidade do veneno, essas aranhas já foram consideradas as mais perigosas do mundo, embora a mesma afirmação também tenha sido atribuída às armadeiras do gênero Phoneutria. Ao longo do século XX, cerca de 100 mortes por picadas de aranha foram consideradas confiavelmente documentadas, número muito inferior ao registrado para acidentes com águas-vivas, responsáveis por aproximadamente 1 500 mortes no mesmo período. Muitos casos atribuídos a picadas de aranha provavelmente correspondem a diagnósticos incorretos, o que dificulta a avaliação precisa da eficácia dos tratamentos disponíveis. Uma revisão publicada em 2016 reforçou essa conclusão ao demonstrar que 78% de 134 estudos médicos sobre supostas picadas não preenchiam os critérios necessários para confirmar o acidente. Nos dois gêneros mais frequentemente associados a casos clínicos, Loxosceles e Latrodectus, mais de 90% dos registros careciam de verificação adequada. Mesmo nos casos confirmados, frequentemente faltavam informações detalhadas sobre o tratamento empregado e seus resultados. As toxinas presentes no veneno de Atrax robustus e de diversas espécies dos gêneros Loxosceles, Phoneutria e Latrodectus podem provocar paralisia do sistema respiratório ou necrose dos tecidos. O tratamento das mordidas de Atrax robustus é realizado com um soro antiveneno específico. Nos casos de envenenamento neurotóxico, o tratamento frequentemente envolve a administração de gluconato de cálcio, enquanto os quadros necróticos podem exigir antibióticos, oxigenoterapia hiperbárica, excisões cirúrgicas e enxertos de pele. Apesar da periculosidade de algumas espécies, os venenos de aranha costumam ser rapidamente eliminados pelo organismo, representando maior risco sobretudo para crianças, idosos e indivíduos debilitados.
Aracnofobia
Aracnofobia é uma fobia específica — o medo anormal de aranhas ou de qualquer coisa que lembre aranhas, como teias ou formas semelhantes a aranhas. É uma das fobias específicas mais comuns, e algumas estatísticas mostram que 50% das mulheres e 10% dos homens apresentam sintomas. Pode ser uma forma exagerada de uma resposta instintiva que ajudou os primeiros humanos a sobreviver, ou um fenômeno cultural mais comum em sociedades predominantemente europeias.
Usos
O veneno das aranhas pode ser uma alternativa comercial de pesticida menos poluente pois são mortais aos insetos, e a grande maioria é inofensiva aos vertebrados. Uma população indígena do sudeste do México utiliza uma bebida feita com a tarântula Brachypelma vagans para o tratamento de uma doença chamada "vento da tarântula" (tarantula wind). Os sintomas incluem dor no peito, asma e tosse. Possíveis utilizações médicas para o veneno das aranhas estão sendo pesquisadas para o tratamento de arritmia, Alzheimer, derrames e disfunção erétil. Como a seda de aranha é leve e muito resistente, estão sendo feitas tentativas de produzi-la no leite de cabras e nas folhas de plantas por meio de engenharia genética. Além disso, as aranhas, assim como outros invertebrados, são utilizadas como alimento. Tarântulas cozidas são consideradas iguaria no Camboja, bem como entre os piaroas do sul da Venezuela — desde que as cerdas altamente irritantes, principal sistema defensivo das aranhas, sejam removidas primeiro. Os caiapós do Pará, no Brasil, apreciavam aranhas-caranguejeiras; os quiaperes, um ramo dos parecis do Pará, caçavam-nas colocando nos buracos do solo brotos novos de bananeira e as comiam assadas.
As aranhas têm sido o foco de histórias e mitologias de várias culturas há séculos. Utu, a antiga deusa suméria da tecelagem na religião suméria, era concebida como uma aranha tecendo sua teia. Segundo seu principal mito, ela resistiu aos avanços sexuais de seu pai Enqui refugiando-se em sua teia, mas permitiu sua entrada após ele prometer produtos frescos como presente de casamento, permitindo assim que ele a embriagasse com cerveja e a estuprasse. A esposa de Enqui, Ninursague, ouviu os gritos de Utu e a resgatou, removendo o sêmen de Enqui de sua vagina e plantando-o no solo para produzir oito plantas até então inexistentes. Em uma história narrada pelo poeta romano Ovídio em suas Metamorfoses, Aracne era uma jovem lídia que desafiou a deusa Atena para uma competição de tecelagem. Aracne venceu, mas Atena destruiu sua tapeçaria por ciúme, levando Aracne a se enforcar. Em um ato de misericórdia, Atena trouxe Aracne de volta à vida como a primeira aranha. Em uma versão menos conhecida da história, Atena transformou tanto Aracne quanto seu irmão Falange em aranhas por cometerem incesto. Histórias sobre a aranha trapaceira Anansi são proeminentes nos contos populares da África Ocidental e do Caribe. Em algumas culturas, as aranhas simbolizam paciência devido à sua técnica de caça de construir teias e esperar pelas presas, bem como travessura e malícia devido às suas mordidas venenosas. A tarantela italiana é uma dança destinada a livrar uma jovem mulher dos efeitos lascivos da mordida de uma aranha. A tecedura de teias também levou à associação da aranha com mitos de criação, já que elas parecem possuir a capacidade de produzir seus próprios mundos. Filtros dos sonhos são representações de teias de aranha. O povo Moche do antigo Peru cultuava a natureza. Eles davam ênfase aos animais e frequentemente retratavam aranhas em sua arte.


