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Arcadismo

O arcadismo é uma escola literária que surgiu na Europa no século XVIII, mais precisamente entre 1756 e 1825, também denominada de setecentismo ou neoclassicismo. O nome arcadismo é uma referência à Arcádia, região campestre do Peloponeso, na Grécia antiga, tida como ideal de inspiração poética.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Contexto histórico-social

O século XVIII, também referido como Século das Luzes, representa uma fase de importantes transformações no campo da cultura europeia. Na Inglaterra e na França forma-se uma burguesia que passa a dominar economicamente o Estado, através de um intenso comércio ultramarino e da multiplicação de estabelecimentos bancários, assenhoreando-se mesmo de uma parte da atividade agrícola. Paralelamente, a antiga Nobreza arruína-se, e o clero, com as suas intermináveis polêmicas, traz o descrédito às questões teológicas. Em toda a Europa a influência do pensamento Iluminista burguês se alastra. Esse período de renovação cultural que se caracteriza, em linhas gerais, pela valorização da Ciência e do espírito racionalista. O método experimental desenvolve-se; a análise crítica dos valores sociais e religiosos aguça-se, provocando polêmicas; há uma grande confiança na capacidade do homem em promover o progresso social (crença em que o bem-estar coletivo só pode advir da razão), e a tendência de libertar o universo cultural da influência da religião acentua-se cada vez mais.

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Características do arcadismo

Imagem: Leo Laps · BY-NC · Openverse

O arcadismo constitui-se numa forma de literatura mais simples, opondo-se aos exageros e rebuscamentos do Barroco, expresso através de expressões em latim. São temas simples e comuns aos seres humanos, como o amor, a morte, o casamento, a solidão. As situações mais frequentes apresentam um pastor abandonado pela amada, triste e queixoso. É a aurea mediocritas (mediocridade áurea), que simboliza a valorização das coisas cotidianas, focalizadas pela razão. Os autores retornam aos modelos clássicos da Antiguidade greco-latina e aos renascentistas, razão pela qual o movimento é também conhecido como neoclássico. Os seus autores acreditavam que a Arte era uma cópia da natureza, refletida através da tradição clássica. Por isso a presença da mitologia pagã, além do recurso a frases latinas. Inspirados na frase do escritor latino Horácio fugere urbem (fugir da cidade), e imbuídos da teoria do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau, os autores árcades voltam-se para a natureza em busca de uma vida simples, bucólica, pastoril, do locus amoenus, do refúgio ameno em oposição aos centros urbanos dominados pelo Antigo Regime, pelo absolutismo monárquico.

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O arcadismo em Portugal

Imagem: carol miag · BY-NC-ND · Openverse

O clima de renovação atingiu fortemente também Portugal que, no começo do século XVIII, passava pelo período final de sua reestruturação econômica, política e cultural. Durante o reinado de João V de Portugal (1707-1750) percebe-se, no país, uma certa abertura intelectual e política, como por exemplo a licença concedida à Congregação do Oratório para ministrar ensino, até então privilégio da Companhia de Jesus. Em 1746, Luís António Verney, inspirado nas ideias dos racionalistas franceses, publica as cartas que compõem o Verdadeiro Método de Estudar, obra em que critica o ensino tradicional e propõe reformas que visam a colocar a cultura portuguesa a par com a do resto da Europa. Caberá, entretanto, ao marquês de Pombal, ministro de José I de Portugal (1750-1777), concretizar essas aspirações. Agindo com plena autonomia de poderes, o despotismo esclarecido de Pombal operou verdadeira transformação nos rumos da cultura portuguesa:

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O arcadismo no Brasil

Imagem: carol miag · BY-NC-ND · Openverse

O século XVIII é considerado o Século de Ouro no Brasil, graças á descoberta de ouro em Minas Gerais. A região Sudeste tornou-se o principal eixo econômico e político da Colônia e teve nas cidades de Vila Rica (Atual Ouro Preto) e Rio de Janeiro. Diferentemente da dinâmica existente na região Nordeste, cuja economia era agrária, formou-se na região de Minas Gerais, principalmente em Vila Rica, uma sociedade urbana caracterizada por grande número de profissionais, cujas atividades giravam em torno da extração de Ouro. Vila Rica tornou-se um dos maiores centros urbanos na América, com grande desenvolvimento artístico e cultural. A proliferação de intelectuais e artistas, que vinham das mais diferentes regiões, possibilitou maior circulação das ideias iluministas, vindas do continente europeu, que fizeram de Vila Rica palco de várias rebeliões políticas e inovações estéticas. Aqui o marco inaugural do arcadismo deu-se em 1768 com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. Embora não chegue a constituir um grupo nos moldes das arcádias europeias, constituem a primeira geração literária brasileira.

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Neoarcadismo

Imagem: carol miag · BY-NC-ND · Openverse

Assim como houve na Galiza por volta dos anos 1930 uma proposta para retomar os valores do trovadorismo medieval com a criação do Neotrobadorismo, ocorre no Brasil uma tentativa de valorização dos ideais árcades, pela criação da Nova Arcádia Ultramarina. A proposta do movimento é formar uma "sociedade de filósofos poetas, idealistas, imbuídos da esperança de contribuir para a construção de um mundo melhor pela cultura da arte e da filosofia, pelo enaltecimento da ética cristã e da estética árcade". A temática pastoril e a orientação para a virtude pode ser observada nas produções de seu mais prolífico contribuidor, Tereno Telúrio Tertuliano, como na Lira XLIX: Quem quer rentrar ao vale em margem reta,

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