Siboglinidae
Siboglinidae é uma família de anelídeos tubulares e vermiformes que habitam os fundos marinhos, dependendo de bactérias simbiontes quimioautotróficas para sua nutrição. Pertencem à subordem Sabellida da classe Polychaeta (poliquetas) e são notáveis por não possuírem intestino na fase adulta.
Pontos-chave
- São anelídeos tubulares marinhos que dependem de bactérias simbiontes para nutrição.
- Não possuem boca, intestino ou ânus na fase adulta, uma característica única entre os poliquetas.
- Distribuem-se em fundos marinhos profundos, incluindo fontes hidrotermais e sedimentos sulfúricos.
- A família inclui os clados Frenulata, Vestimentifera, Sclerolinum e Osedax, este último se alimentando de ossos.
- Sua morfologia é adaptada à simbiose, com um trofossoma que abriga as bactérias fixadoras de carbono.
Imagem: National Oceanic and Atmospheric Administration · CC0 · Openverse
Os Siboglinidae são vermes marinhos sésseis que vivem em tubos quitinosos que eles mesmos secretam. Sua nutrição é totalmente dependente de bactérias endossimbiontes. Uma característica distintiva é a ausência de intestino em sua fase adulta, sendo o holótipo *Riftia pachyptila* Jones, 1981, um exemplo notável. Eles são encontrados em fundos marinhos tropicais e subtropicais, geralmente a mais de 200 metros de profundidade, o que, somado à sua fragilidade, dificulta seu estudo. A família é dividida em clados com hábitats específicos: Frenulata são vermes longos e esguios de sedimentos barrentos; Vestimentifera são maiores, encontrados em fontes hidrotermais e emanações frias; Sclerolinum (Monolifera) são vermes esguios de madeira em decomposição, sedimentos sulfúricos ou vulcões de lama; e Osedax, vermes recém-descobertos que se alimentam de ossos de grandes vertebrados.
Com exceção dos Osedax, a anatomia dos Siboglinidae é bastante consistente. Eles possuem um tubo quitinoso protetor e de suporte, secretado por eles mesmos. O corpo é dividido em quatro regiões: anterior, diafragma, tronco (onde estão gônadas e trofossoma) e opistossoma (mais posterior). Uma característica marcante é a ausência de intestino, boca e ânus na fase adulta, indicando um modo de alimentação não convencional. Apresentam apêndices anteriores como tentáculos ou filamentos branquiais, que podem atuar como brânquias ou órgãos sensoriais, sendo inervados pelo cérebro. No tronco, o trofossoma é um tecido especializado que hospeda as bactérias simbiontes. Estas bactérias fixam carbono usando oxigênio e compostos de enxofre como energia. O nitrogênio necessário para a simbiose é obtido do nitrato absorvido pelo hospedeiro, que é reduzido a amônia pelas bactérias, gerando aminoácidos transferidos ao hospedeiro. O trofossoma também pode acumular metais, adquirindo coloração castanha ou verde escura em animais mais velhos.
Imagem: Fisheries and Oceans Canada · BY-NC · Openverse
Cerca de 180 espécies de Siboglinidae foram descritas, distribuídas em quatro linhagens principais: Vestimentifera, Frenulata, Sclerolinum (Monolifera) e Osedax. Os Frenulata são os mais diversos, com 141 espécies nominais, seguidos por Vestimentifera (18), Sclerolinum (6) e Osedax (5). No entanto, esses números são provavelmente subestimados devido às dificuldades técnicas de coleta. Os Frenulata, por estarem na base do cladograma, são considerados os simbiontes mais comuns das profundezas oceânicas. Apesar de sua riqueza e ampla distribuição em sedimentos marinhos globais, são o grupo menos estudado, frequentemente ignorados em amostras bentônicas e mal preservados para taxonomia. Em altas latitudes do Atlântico, como no Mar Nórdico, Frenulata e Monolifera dominam a megafauna quimiossimbionte, sendo os únicos representantes em latitudes ainda maiores. No Ártico, os Frenulata atuam como engenheiros de ecossistemas, alterando propriedades químicas e geológicas dos sedimentos, promovendo a transferência de energia trófica e criando nichos. Sua presença é abundante no Pacífico e crescente no Atlântico.
Imagem: National Oceanic and Atmospheric Administration · CC0 · Openverse
A família Siboglinidae é reconhecida como um grupo monofilético, composto pelos clados Frenulata, Vestimentifera, Monolifera e Osedax. Está inserida no filo Annelida, especificamente no clado Sedentaria dos poliquetas, embora sua posição exata ainda seja debatida, com muitos estudos apontando para sua inclusão na subordem Sabellida. A discussão sobre a posição filogenética dos Siboglinidae é considerada uma das mais fascinantes na história da sistemática. Inicialmente, a ausência de boca e intestino funcional nos adultos gerava incerteza sobre a posição de seu cordão nervoso (dorsal como deuterostômios ou ventral como protostômios). Contudo, o conhecimento de seu desenvolvimento larval, que inclui boca e intestino, confirmou que o cordão nervoso é ventral. A hipótese de pertencimento aos anelídeos, hoje aceita, foi gradualmente estabelecida após a descoberta de seu opistossoma multisegmentado com septos e cerdas serialmente arranjadas. Análises cladísticas, tanto moleculares (usando fatores como fator de elongação 1α, citocromo c oxidase, hemoglobina, rRNA 8S e 28S, genes mitocondriais e dados filogenômicos) quanto morfológicas, confirmam que os Siboglinidae são anelídeos.


