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Renascimento

Renascimento, Renascença ou Renascentismo é um período da história da Europa marcado pelo resgate do pensamento clássico greco-romano e pela sua aplicação inovadora em diversas áreas da atividade humana. Embora não haja consenso sobre a extensão desse período, considera-se, em geral, o intervalo entre meados do século XIV e o final do século XVI. O termo Rinascita foi registrado pela primeira vez pelo historiador Giorgio Vasari no século XVI, que se empenhou em estabelecer a cidade de Florença como a protagonista das inovações mais importantes da época — uma visão que a historiografia contemporânea relativiza, embora seus escritos tenham exercido influência decisiva na crítica de arte por séculos. A terminologia faz referência à intensa revalorização das referências da Antiguidade Clássica, que nortearam o progressivo abrandamento do dogmatismo religioso e do misticismo medieval, promovendo a exaltação da racionalidade, do empirismo e da natureza. Esse processo esteve associado a profundas mudanças sociais e transformações em disciplinas como as artes plásticas, a arquitetura, a política, a literatura, as ciências e as grandes explorações marítimas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Ideias principais

O humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento, fundamentado em conceitos que tinham uma origem remota na Antiguidade Clássica. Segundo Lorenzo Casini, "uma das bases do movimento renascentista foi a ideia de que o exemplo da Antiguidade Clássica constituía um inestimável modelo de excelência no qual os tempos modernos, tão decadentes e indignos, podiam se mirar para reparar os estragos produzidos desde a queda do Império Romano". Entendia-se, também, que Deus havia dado apenas uma Verdade ao mundo, aquela que produzira o cristianismo e que só ele preservara integralmente, mas fragmentos dela haviam sido concedidos a outras culturas, destacando-se entre todas a greco-romana, e por isso o que restara da Antiguidade em bibliografia e outras relíquias era tido em alta consideração. Vários elementos concorreram para o nascimento na Itália do humanismo em sua forma mais típica. A memória das glórias do Império Romano preservada nas ruínas e monumentos, e a sobrevivência do latim como língua viva são aspectos relevantes. Obras de gramáticos, comentaristas, médicos e outros eruditos mantinham em circulação referências do classicismo, e o preparo de advogados, secretários, notários e outros oficiais exigia em geral o estudo da retórica e legislação latina. A herança clássica nunca desaparecera inteiramente para os italianos, e a Toscana estava fortemente associada a ela. Mas enquanto havia sobrevivido ali esse cultivo dos clássicos, ele era pobre quando comparado ao interesse gerado pelos autores antigos na França e outros países nórdicos pelo menos desde o século IX. Quando a moda classicista começa a declinar na França, no fim do século XIII, é que ela começa a se aquecer no centro da Itália, e ao que parece isso se deveu em parte à influência francesa. Petrarca (1304–1374) é tradicionalmente chamado de fundador do humanismo, mas considerando a existência de vários precursores dignos de nota, como Giovanni del Virgilio em Bolonha, ou Albertino Mussato em Pádua, antes do que um fundador, ele foi o primeiro grande expoente do movimento.

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Fases do Renascimento e seu contexto

Costuma-se dividir o Renascimento em três grandes fases, Trecento, Quattrocento e Cinquecento, correspondentes aos séculos XIV, XV e XVI, com um breve interlúdio entre as duas últimas chamado de Alta Renascença.

Trecento

O Trecento (século XIV) representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da região da Toscana, e embora em vários centros tenha se verificado nesta época um processo incipiente de humanização do pensamento e de afastamento do gótico, como Pisa, Siena, Pádua, Veneza, Verona e Milão, na maioria desses locais os regimes de governo eram conservadores demais para permitir mudanças culturais significativas. Coube a Florença assumir a vanguarda intelectual, conduzindo a transformação do modelo medieval para o moderno. Porém, essa centralização em Florença só se tornaria realmente nítida no fim do Trecento.

Quattrocento

Depois de Florença ter experimentado momentos de grande brilho, o final do Trecento havia encontrado a cidade acuada pelos avanços do Ducado de Milão, havia perdido vários territórios e todos os antigos aliados, e teve o acesso ao mar cortado. O Quattrocento (século XV) abriu com as tropas milanesas às portas de Florença, depois de terem devastado a zona rural nos anos precedentes. Mas subitamente em 1402 um novo episódio de peste matou seu general, Giangaleazzo Visconti, e impediu que a cidade sucumbisse ao destino de grande parte do norte e noroeste da Itália, desencadeando uma ressurgência do espírito cívico. A partir de então os intelectuais e historiadores locais, inspirados também no pensamento político de Platão, Plutarco e Aristóteles, passaram a organizar e proclamar o discurso de que Florença havia mostrado uma "heroica resistência" e se tornado o símbolo maior da liberdade republicana, além de ser a mestra de toda a cultura italiana, chamando-a de A Nova Atenas.

Alta Renascença

A Alta Renascença cronologicamente engloba os anos finais do Quattrocento e as primeiras décadas do Cinquecento, sendo delimitada aproximadamente pelas obras de maturidade de Leonardo da Vinci (a partir de c. 1480) e o Saque de Roma em 1527. Nesse período Roma assumiu a vanguarda artística e intelectual, deixando Florença em segundo plano. Isso se deve principalmente ao mecenato papal e a um programa de reformas e embelezamentos urbanos, que procurou revitalizar a antiga capital imperial à inspiração, exatamente, da glória dos césares, da qual os papas se julgaram os legítimos herdeiros. Ao mesmo tempo, como sede do papado e plataforma de suas pretensões imperialistas, reafirmava-se sua condição de "Cabeça do Mundo".

O Cinquecento e o Maneirismo italiano

O Cinquecento (século XVI) é a derradeira fase da Renascença, quando o movimento se transforma e se expande para outras partes da Europa. Na sequência do saque de Roma de 1527 e da contestação da autoridade papal pela Reforma Protestante, o equilíbrio político do continente se alterou e sua estrutura sociocultural foi abalada. A Itália sofreu as piores consequências: além de ser invadida e saqueada, deixava de ser o centro comercial da Europa à medida que novas rotas de comércio eram abertas pelas grandes navegações. Todo o panorama mudava de figura, declinando a influência católica, e surgindo sentimentos de pessimismo, insegurança e alheação, que caracterizam a atmosfera do Maneirismo.

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Críticas

O Renascimento foi historicamente muito enaltecido como a abertura de uma nova era, uma era iluminada pela Razão em que os homens, criados à imagem da Divindade, cumpririam a profecia de reinar sobre o mundo com sabedoria, e cujas obras maravilhosas os colocariam na companhia dos heróis, dos patriarcas, dos santos e dos anjos. Hoje entende-se que a realidade social não refletiu os altos ideais expressos na arte, e que esse ufanismo exaltado em torno do movimento foi em boa parte obra dos próprios renascentistas, cuja produção intelectual, que os auto-apresentava como os fundadores de uma nova Idade Dourada, e que colocava Florença no centro de tudo, determinou boa parte dos rumos da crítica posterior. Mesmo movimentos subsequentes anticlássicos, como o Barroco, reconheciam nos clássicos e em seus herdeiros renascentistas valores valiosos. Em meados do século XIX o período havia se tornado um dos principais campos de investigação erudita, e a publicação em 1860 do clássico A História do Renascimento na Itália, de Jacob Burckhardt, foi o coroamento de cinco séculos de tradição historiográfica que colocava o Renascimento como o marco inicial da modernidade, comparando-o à remoção de um véu dos olhos da humanidade, permitindo-lhe ver claramente. Mas a obra de Burckhardt surgiu quando já era sentida uma tendência revisionista dessa tradição, e a repercussão que ela causou só acentuou a polêmica. Desde lá uma massa de novos estudos revolucionou a maneira como a arte antiga era estudada e compreendida.

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Legado

Embora a crítica recente tenha imposto um forte abalo ao tradicional prestígio do Renascimento, passando a valorizar igualmente todos os períodos e a apreciá-los pelas suas especificidades, isso ao mesmo tempo possibilitou um extraordinário enriquecimento e alargamento na compreensão que hoje se tem dele, mas aquele prestígio nunca foi seriamente ameaçado, principalmente porque o Renascimento, de forma incontestável, foi um dos alicerces e parte essencial da civilização moderna do ocidente, sendo uma referência ainda viva nos dias de hoje. Algumas de suas obras mais importantes se tornaram ícones também da cultura popular, como o David e A Criação de Michelangelo e a Mona Lisa de Da Vinci. A quantidade de estudos sobre o tema, que vem aumentando a cada dia, e a continuidade de uma cerrada polêmica sobre inúmeros aspectos, evidenciam que o Renascimento é rico o bastante para continuar atraindo a atenção da crítica e do público.

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Arte

Artes visuais

Nas artes o Renascimento se caracterizou, em linhas muito gerais, pela inspiração nos antigos gregos e romanos, e pela concepção de arte como uma imitação da natureza, tendo o homem nesse panorama um lugar privilegiado. Mas mais do que uma imitação, a natureza devia, a fim de ser bem representada, passar por uma tradução que a organizava sob uma óptica racional e matemática, como um espelho de uma ordem divina que à arte cabia desvendar e expressar, num período marcado por muita curiosidade intelectual, um espírito analítico e organizador e uma matematização e cientificização de todos os fenômenos naturais. É uma época de aspirações grandiosas, o artista se aproximava do cientista e do filósofo, e os humanistas ambicionavam um saber enciclopédico; aparecem importantes tratados normatizadores e ensaios diversificados sobre arte e arquitetura, lançando-se os fundamentos para uma nova historiografia e uma nova abordagem do processo de criação. Todas as artes se beneficiam dos avanços científicos, introduzindo-se aperfeiçoamentos nas técnicas e nos materiais em vários domínios. Destaca-se, por exemplo, a recuperação da técnica da fundição em cera perdida, possibilitando criar monumentos em escala inédita em relação aos bronzes medievais, e a popularização de mecanismos ópticos e mecânicos como auxiliares da pintura e escultura. Por outro lado, a ciência se beneficia da arte, elevando o nível de precisão e realismo das ilustrações em tratados científicos e na iconografia de personagens históricos, e aproveitando ideias sobre geometria e espaço lançadas por artistas e o impulso de exploração e observação do mundo natural.

O sistema de produção

O artista no Renascimento era um profissional. Até o século XVI são extremamente raros os exemplos documentados de obras criadas fora do sistema de encomenda, e a maciça maioria dos profissionais estava ligada a uma guilda. Os pintores florentinos pertenciam a uma das Artes Maiores, curiosamente, a dos Médicos e Boticários. Os escultores em bronze também eram classe distinguida, pertencendo à Arte da Seda. Já os outros faziam parte das Artes Menores, como os artistas da pedra e da madeira. Todos eles eram considerados profissionais das Artes Mecânicas, que na escala de prestígio da época ficavam abaixo das Artes Liberais, as únicas em que a nobreza podia se dedicar profissionalmente sem desonra. As guildas organizavam o sistema de produção e comércio, e participavam na distribuição de encomendas entre as diversas oficinas privadas mantidas por mestres, onde se empregavam muitos ajudantes e onde discípulos eram admitidos e preparados no ofício. A família do postulante pagava a maior parte da sua formação, mas eles recebiam alguma ajuda do mestre à medida que se tornassem capazes de desempenhar bem suas funções e colaborar efetivamente nos negócios comerciais da oficina. Mulheres não eram admitidas. O aprendizado era exaustivo, rigorosamente disciplinado e durava muitos anos, os alunos além de estudar técnicas dos ofícios eram serviçais para tarefas de limpeza e organização do estúdio e outras ao critério do mestre, colaboravam na formação de estudantes mais novos, e antes de completar o curso e ser admitido na guilda nenhum aluno podia receber encomendas em seu nome. Havia artistas que não mantinham oficina permanente e permaneciam itinerando por várias cidades em trabalhos temporários, entrando em grupos já organizados ou recrutando ajudantes na própria cidade onde a obra seria realizada, mas eram uma minoria. A manutenção de uma base fixa, por outro lado, não impedia as oficinas de receberem encomendas de outros locais, especialmente se seus mestres fossem renomados.

Música

Em linhas gerais, a música do Renascimento não oferece um panorama de quebras abruptas de continuidade, e todo o longo período pode ser considerado o terreno da lenta transformação do universo modal para o tonal, e da polifonia horizontal para a harmonia vertical. O Renascimento foi também um período de grande renovação no tratamento da voz e na orquestração, no instrumental e na consolidação dos gêneros e formas puramente instrumentais com as suítes de danças para bailes, havendo grande demanda por animação musical em todo festejo ou cerimônia, público ou privado. Na técnica compositiva a polifonia melismática dos órganons, derivada diretamente do canto gregoriano, é abandonada em favor de uma escrita mais enxuta, com vozes tratadas de maneira cada vez mais equilibrada. No início do período o movimento paralelo é usado com moderação, acidentes são raros mas as dissonâncias duras são comuns. Mais adiante a escrita a três vozes começa a apresentar tríades, dando uma impressão de tonalidade. Tenta-se pela primeira vez escrever música descritiva ou programática, os rígidos modos rítmicos cedem lugar à isorritmia e a formas mais livres e dinâmicas como a balada, a chanson e o madrigal. Na música sacra a forma da missa se torna a mais prestigiada. A notação evolui para adoção de notas de menor valor, e mais para o final do período passa a ser aceito o intervalo de terça como consonância, quando antes apenas a quinta, a oitava e o uníssono o eram.

Arquitetura

A permanência de muitos vestígios da Roma Antiga em solo italiano jamais deixou de influir na plástica edificatória local, seja na utilização de elementos estruturais ou materiais usados pelos romanos, seja mantendo viva a memória das formas clássicas. Mesmo assim, no Trecento o gótico continua a linha dominante e o classicismo só viria a emergir com força no século seguinte, em meio a um novo interesse pelas grandes realizações do passado. Esse interesse foi estimulado pela redescoberta de bibliografia clássica dada como perdida, como o De Architectura de Vitrúvio, encontrado na biblioteca da Abadia do Monte Cassino em 1414 ou 1415. Nele o autor exaltava o círculo como forma perfeita, e elaborava sobre proporções ideais da edificação e da figura humana, e sobre simetria e relações da arquitetura com o homem. Suas ideias seriam então desenvolvidas por outros arquitetos, como o primeiro grande expoente do classicismo arquitetônico, Filippo Brunelleschi, que tirou sua inspiração também das ruínas que estudara em Roma. Foi o primeiro a usar modernamente as ordens arquitetônicas de maneira coerente, instaurando um novo sistema de proporções baseado na escala humana. Também se deve a Filippo Brunelleschi o uso precursor, no Quatrocentos (c. 1420), da perspetiva linear (perspectiva artificialis) como um método de projeção geométrica para a representação ilusionística do espaço tridimensional num plano bidimensional. Esta técnica, que permitia criar uma relação direta entre o «mundo real» e o «mundo figurado», definiu todo o estilo da arte futura e inaugurou uma fertilíssima associação entre a arte e a ciência (especialmente a ótica, a geometria e a matemática). Leon Battista Alberti é outro arquiteto de grande importância, considerado um perfeito exemplo do "homem universal" renascentista; foi o autor do célebre tratado De Pictura (1435), onde anunciou os princípios teóricos da perspetiva que influenciariam mestres como Masaccio, além do tratado arquitetónico De re aedificatoria, que se tornaria canónico. A discussão e o aprofundamento científico da técnica continuaram nos anos vindouros com o trabalho De prospectiva pingendi (1472) de Piero della Francesca, com os estudos de Luca Pacioli no seu De Divina Proportione, com os desenhos de igrejas centradas de Leonardo da Vinci, e com Francesco di Giorgio no Trattato di architettura, ingegneria e arte militare, consolidando uma rutura definitiva com o sistema medieval de representação.

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Italianização da Europa

Com o crescente movimento de artistas, humanistas e professores entre as cidades ao norte dos Alpes e a península Itálica, e com a grande circulação de textos impressos e obras de arte através de reproduções em gravura, o classicismo italiano iniciou em meados do século XV uma etapa de difusão por todo o continente. Francisco I da França e Carlos V, Sacro Imperador Romano, logo reconheceram o potencial do prestígio da arte italiana para promover suas imagens régias, e foram agentes decisivos para a sua divulgação intensiva além dos Alpes. Mas isso aconteceu no início do século XVI, quando o ciclo renascentista já tinha pelo menos duzentos anos de amadurecimento na Itália e já estava em sua fase maneirista. Destarte, cabe advertir que não houve nada como um Quattrocento ou uma Alta Renascença no restante da Europa. No Cinquecento, período em que a italianização europeia atinge um pico, as tradições regionais, mesmo que em alguma medida conhecedoras do classicismo, ainda estavam pesadamente imersas em estilos já obsoletos na Itália, como o românico e o gótico. O resultado foi muito heterogêneo e ricamente híbrido, produziu a abertura de múltiplos caminhos, e sua análise tem sido recheada de polêmica, onde o único grande consenso que se formou enfatiza a diversidade do movimento, sua ampla irradiação e a dificuldade de uma descrição generalista coerente para suas manifestações, na perspectiva da existência de escolas regionais e nacionais com forte individualidade, cada qual com uma história e valores específicos.

França

A influência renascentista via Flandres e a Borgonha já existia desde o século XV, como se nota na produção de Jean Fouquet, mas a Guerra dos Cem Anos e as epidemias de peste atrasaram seu florescimento, que ocorre somente a partir da invasão francesa da Itália por Carlos VIII em 1494. O período se estende até cerca de 1610, mas seu final é tumultuado com as guerras de religião entre católicos e huguenotes, que devastaram e enfraqueceram o país. Durante sua vigência a França inicia o desenvolvimento do absolutismo e se expande pelo mar explorando a América. O centro focal se estabelece em Fontainebleau, sede da corte, e ali se forma a Escola de Fontainebleau, integrada por franceses, flamengos e italianos como Rosso Fiorentino, Antoine Caron, Francesco Primaticcio, Niccolò dell'Abbate e Toussaint Dubreuil, sendo uma referência para outros como François Clouet, Jean Clouet, Jean Goujon, Germain Pilon e Pierre Lescot. Leonardo também esteve presente ali. Apesar disso, a pintura conheceu um desenvolvimento relativamente pobre e pouco inovador, mais concentrada no detalhe precioso e no virtuosismo, nenhum artista francês deste período adquiriu uma fama continental como conseguiram tantos italianos, e o classicismo só é perceptível através do filtro maneirista.

Países Baixos e Alemanha

Os flamengos estavam em contato com a Itália desde o século XV, mas somente no século XVI o contexto se transforma e se caracteriza como renascentista, tendo uma vida relativamente curta. Nesta fase a região enriquece, a Reforma Protestante se torna uma força decisiva, oposta à dominação católica de Carlos V, levando a conflitos sérios que dividiriam a área. As cidades comerciais de Bruxelas, Gante e Bruges estreitam os contatos com o norte da Itália e encomendam obras ou atraem artistas italianos, como os arquitetos Tommaso Vincidor e Alessandro Pasqualini, que passaram a maior parte de suas vida ali. O amor pela gravura trouxe para a região inúmeras reproduções de obras italianas, Dürer deixou uma marca indelével quando passou por lá, Erasmo mantinha aceso o Humanismo e Rafael mandava executar tapeçarias em Bruxelas. Vesálio faz avanços importantes na Anatomia, Mercator na Cartografia e a nova imprensa encontra em Antuérpia e Lovaina condições para a fundação de editoras de larga influência.

Portugal

A influência do Renascimento em Portugal estende-se de meados do século XV a finais do XVI. Embora o Renascimento italiano tenha tido um impacto modesto na arte, os portugueses foram influentes no alargamento da visão do mundo dos europeus, estimulando a curiosidade humanista. Como pioneiro da exploração europeia, Portugal floresceu no final do século XV com as navegações para o oriente, auferindo lucros imensos que fizeram crescer a burguesia comercial e enriquecer a nobreza, permitindo luxos e o cultivar do espírito. O contacto com o Renascimento chegou através da influência de ricos mercadores italianos e flamengos que investiam no comércio marítimo. O contato comercial com a França, Espanha e Inglaterra era assíduo, e o intercâmbio cultural se intensificou.

Espanha

Na Espanha, as circunstâncias foram em vários pontos semelhantes. A reconquista do território espanhol aos árabes e o fantástico afluxo de riquezas das colônias americanas, com o intenso intercâmbio comercial e cultural associado, sustentaram uma fase de expansão e enriquecimento sem precedentes da arte local. Artistas como Alonso Berruguete, Diego de Siloé, Tomás Luis de Vitoria, El Greco, Pedro Machuca, Juan Bautista de Toledo, Cristóbal de Morales, Garcilaso de la Vega, Juan de Herrera, Miguel de Cervantes e muitos mais deixaram obra notável em estilo clássico ou maneirista, mais dramático do que seus modelos italianos, já que o espírito da Contra-Reforma ali tinha um baluarte e, em escritores sacros como Teresa de Ávila, Inácio de Loyola e João da Cruz, grandes representantes. Particularmente na arquitetura a ornamentação luxuriante se torna típica do estilo que se conhece como plateresco, uma síntese única de influências góticas, mouriscas e renascentistas. A Universidade de Salamanca, cujo ensino tinha moldes humanistas, mais a fixação de italianos como Pellegrino Tibaldi, Leone Leoni e Pompeo Leoni injetaram uma força adicional no processo.

Inglaterra

Na Inglaterra, o Renascimento coincide com a chamada Era Elisabetana, de grande expansão marítima e de relativa estabilidade interna depois da devastação da longa Guerra das Rosas, quando se tornou possível pensar em cultura e arte. Como na maior parte dos outros países da Europa, a herança gótica ainda viva mesclou-se com referências da Renascença tardia, mas suas características distintivas são o predomínio da literatura e da música sobre as outras artes, e sua vigência até cerca de 1620. Poetas como John Donne e John Milton pesquisam novas formas de compreender a fé cristã, e dramaturgos como Shakespeare e Marlowe se movem com desenvoltura entre temas centrais da vida humana — a traição, a transcendência, a honra, o amor, a morte — em tragédias célebres como Romeu e Julieta, Macbeth, Otelo, o Mouro de Veneza (Shakespeare), e Doutor Fausto (Marlowe), bem como sobre seus aspectos mais prosaicos e ligeiros em fábulas encantadoras como Sonho de uma noite de verão (Shakespeare). Filósofos como Francis Bacon descortinam novos limites para o pensamento abstrato e refletem sobre uma sociedade ideal, e na música a escola madrigalesca italiana é assimilada por Thomas Morley, Thomas Weelkes, Orlando Gibbons e muitos outros, adquire um sabor inconfundivelmente local e cria uma tradição que permanece viva até hoje, ao lado de grandes polifonistas sacros como John Taverner, William Byrd e Thomas Tallis, este deixando o famoso moteto Spem in alium, para quarenta vozes divididas em oito coros, uma composição sem paralelos em sua época pela maestria no manejo de enormes massas vocais. Na arquitetura se destacaram Robert Smythson e os palladianistas Richard Boyle, Edward Lovett Pearce e Inigo Jones, cuja obra repercutiu até na América do Norte, fazendo discípulos em George Berkeley, James Hoban, Peter Harrison e Thomas Jefferson. Na pintura o Renascimento foi recebido principalmente através da Alemanha e dos Países Baixos, com a figura maior de Hans Holbein, florescendo depois com William Segar, William Scrots, Nicholas Hilliard e vários outros mestres da Escola Tudor.

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Fontes consultadas

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