Porcelana
A porcelana é um material cerâmico, branco impermeável, translúcido e de aspecto brilhante, que se distingue de outros produtos cerâmicos, especialmente, da faiança e da louça, pela sua vitrificação, transparência, resistência, completa isenção de porosidade e sonoridade.
O substantivo «porcelana» entra no português por via do italiano «porcellana», substantivo antigamente usado em Itália, para designar os caranguejos-porcelana, uma espécie de moluscos do género Ciprea, da família dos Porcelanídeos, cujo nácar das suas conchas assumia uma coloração branca e aspecto liso e reluzente que lembrava a superfície luzidia da porcelana chinesa. Por seu turno, o étimo italiano «porcellana» provêm do étimo latino porcellus, que significa «leitão; bácoro», sendo que os sobreditos crustáceos tinham sido crismados com este nome por analogia entre coloração e maciez da abertura inferior do nácar das suas conchas e os órgãos genitais de uma porca quando jovem. Com efeito, a primeira alusão do género surge por referência ao "pequeno jarro verde-acinzentado" que Marco Polo trouxe da sua viagem pelo Oriente, especificamente da China.
A porcelana é uma variedade de cerâmica dura e resistente, branca, às vezes translúcida, que é preparada a partir de uma mistura triaxial de caulim, feldspato e quartzo. Todas as evidências apontam para o surgimento da porcelana na China da época "Tang" que teve na época "Song" a sua mais refinada produção com o afinamento da massa, elegância de formas e introdução de novos vernizes, culminando, na época "Ming" com expansão e desenvolvimento até o século XIX. De lá se difundindo, por volta do século XVI, a porcelana obteve grande desenvolvimento na Coreia e no Japão de onde foi abundantemente importada sendo reconhecida pelo nome do porto de Imari que escoava a produção da zona de Arita e Kutani. Foram os portugueses quem, pelas suas longas e temerárias navegações, introduziram nos mercados europeus a porcelana. Foi Frei Gaspar da Cruz que expôs os processos pelos quais se obtinha, na China, esse produto. Desde o século XVI, graças às importações pelas Companhias das Índias, a produção europeia se limitou a copiar toscamente a porcelana oriental, como a produção de Florença.
Modelação
É a criação de um modelo em gesso, que serve para a execução de moldes, que se destinam a fazer reproduções do modelo original.
Modelagem
É a criação de um molde de gesso para modelar uma peça.
Massa
Área estritamente técnica. Funciona sob supervisão direta de laboratório. É a massa utilizada em peças modeladas em torno. Depois de misturada, a massa é peneirada, em seguida é colocada em filtroprensas (equipamento de filtragem da água sob pressão), que tem por finalidade retirar o excesso de água deixando aproximadamente 25% de umidade. A massa prensada é retirada e acondicionada em depósitos de envelhecimento, para sua conservação até a etapa subsequente de vácuo, que transforma a massa em uma mistura homogênea e sem ar. Neste momento, atinge maior grau de plasticidade, podendo ser torneada. Também conhecida como barbotina, trata-se da mesma pasta cerâmica, porém diluída. Contém aproximadamente 30% de água e é usada no fabrico das peças para as quais se usa um molde. O molde é preenchido com a barbotina, e depois de um breve tempo de secagem parcial, é aberto para a retirada da peça no interior.
Fabrico
Responsável por 90% deste processo, sendo utilizado para produzir pratos, pires, chavenas, tigelas e saladeiras pequenas. Para as peças de maior dimensão, como: saladeiras grandes, prato de arroz e prato de bolo. Peças moldadas a líquido: ocas, ovais e retangulares. Este processo também é chamado de colagem. Consiste em encher formas de gesso com a massa líquida. Após decorrido o tempo necessário para formação das paredes na espessura desejada (absorção da água pelo gesso), o excesso de massa é despejado. Os cabos e alças passam pelo mesmo processo e são colados manualmente. As peças obtidas por colagem são: bules, leiteiras, cafeteiras, sopeiras, manteigueiras, açucareiros, travessas, etc. Após a secagem todas as peças são esponjadas para corrigir eventuais imperfeições.
Queima
Depois de secas as peças sofrem a primeira queima, denominada biscoito, a 900 °C, cujo objetivo é dar às peças resistências e porosidade para a perfeita absorção do verniz. Nesta etapa as peças adquirem um tom rosado. O verniz é composto pelos mesmos materiais da massa, em quantidades diferentes. Através de um processo manual de imersão, o verniz adere à superfície da peça, formando uma película de cobertura. Após a aplicação do verniz ocorre uma segunda queima, que é realizada a uma temperatura que varia entre 1 300 °C a 1 350 °C. Nesta fase a massa torna-se completamente compacta, totalmente sem porosidade, adquirindo cor branca e vitrificada (fusão do verniz sobre a massa). Esta segunda queima dura em média 31 horas, podendo chegar até 89 horas, dependendo da extensão do forno utilizado.
Decoração
A decoração da porcelana é feita de diversas formas: com o uso de pintura à mão livre, uso de estanhola (molde vazado), a aplicação de decalque, transfer e a de filetes (ou listel). Algumas peças recebem mais de um processo durante sua decoração. Como o processo de decoração feito com pintura manual demanda muitos artesãos qualificados, e maior tempo de execução, não é mais praticado em larga escala, exceto por algumas poucas fábricas, que tem na decoração manual o seu diferencial. A estanhola nada mais é que um molde vazado, que serve de máscara para a aplicação da tinta à mão, com uso de pincel ou aerógrafo. O decalque é um adesivo impresso em gráficas, em um papel adesivo especial, que é removidos do suporte quando mergulhado em água, e é então aplicado na peças de porcelana. Após ser colocado na posição correta, passa-se uma borracha para alisá-lo e fixá-lo. Na queima final da peça de porcelana, o papel adesivo é carbonizado, restando apenas a tinta impressa no decalque, que se funde ao verniz da porcelana.


