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Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier, foi um médium, filantropo e um dos mais importantes expoentes do espiritismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Biografia

Em 1943, foi publicado um dos livros mais populares da literatura espírita, o romance Nosso Lar, a mais vendida e divulgada obra do médium, que no ano de 2010 se tornou um filme e já havia vendido mais de dois milhões de exemplares. Em 1944, os repórteres David Nasser e Jean Manzon foram até a casa de Xavier em Pedro Leopoldo e produziram uma reportagem para a revista carioca O Cruzeiro, de grande circulação nacional, que espíritas julgam ter apresentado Xavier de uma forma negativa. Na ocasião, eles teriam se apresentado usando nomes falsos e dizendo serem jornalistas estrangeiros. Nasser relatou em uma entrevista à TV Cultura em 1980 que, depois que haviam voltado para o Rio de Janeiro, certo dia "de madrugada, o Manzon me telefonou e disse: 'Você já viu o livro que o Chico Xavier nos deu?'. Falei que não. 'Então veja', ele falou. Fui na minha biblioteca, peguei o livro e estava escrito exatamente isso: 'Ao meu irmão David Nasser, de Emmanuel.' Ao Manzon ele havia feito uma dedicatória semelhante. Por coisas assim é que eu tenho muito medo de me envolver em assuntos de espiritismo".

Infância

Nascido Francisco de Paula Cândido, em homenagem ao santo do dia de seu nascimento,[nota 1] teve oito irmãos. Era parte de uma família de modestas condições, filho de João Cândido Xavier, um vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus, uma lavadeira católica, ambos analfabetos. Segundo biógrafos, a mediunidade de Xavier teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade. Entrou para a escola primária com oito anos de idade, onde estudava pela manhã e depois trabalhava numa indústria de fiação e tecelagem. Em 1922, quando estava no quarto ano, recebeu menção honrosa por uma redação em um concurso estadual sobre o Centenário da Independência do Brasil,:62 que ele confidenciou ao professor ter sido ditada por um "homem do outro mundo".

Os abusos da madrinha

A mãe morreu quando Francisco tinha apenas cinco anos. Incapaz de criá-los, o pai distribuiu os nove filhos entre familiares. Nos dois anos seguintes, Francisco foi criado pela madrinha e antiga amiga de sua mãe, Rita de Cássia, que biógrafos descrevem como uma pessoa cruel, vestindo-o de menina e batendo-o diariamente, inicialmente por qualquer pretexto e, mais tarde, sob a alegação de que o "menino tinha o diabo no corpo". Descrita como "muito severa, muito desequilibrada emocionalmente, uma perturbada" por Eurípedes Tahan Vieira, médico de Chico e amigo da época de juventude, ela açoitava-o com uma vara de marmelo, e passou a cravar-lhe garfos de cozinha no ventre, não permitindo que ele os retirasse, o que lhe ocasionou terríveis sofrimentos. Os únicos momentos de paz que tinha consistiam nos diálogos com o espírito de sua mãe, com quem ele afirmava se comunicar desde os cinco anos de idade.

O novo casamento de seu pai

A vida de Chico mudou novamente depois que seu pai se casou novamente com Cidália Batista, cuja união ocasionou a reunião de todos os filhos novamente para viverem juntos. Juntos, Cidália e seu pai ainda tiveram mais 6 filhos, totalizando 15 filhos, somados aos do primeiro casamento. Descrita como uma mulher generosa e sempre dedicada à família, Cidália possuía um carinho por Chico, que a descrevia como uma segunda mãe, tendo o apoiado em todos os acontecimentos de sua vida, e quando estava começando a ter suas primeiras manifestações da mediunidade.

O contato e a adesão à Doutrina Espírita

Em 1927, então com dezessete anos de idade, Francisco viu-se diante da insanidade de uma irmã, que acreditou ser causada por um processo de obsessão espiritual. Nesta época, passou a escrever poesias, cuja autoria atribuía aos espíritos. A partir de 1931 passou a afirmar que os autores eram diversos poetas falecidos. Em 1928, começou a publicar nos periódicos O Jornal, do Rio de Janeiro, e Almanaque de Notícias, de Portugal.

As primeiras obras

Em 1931, em Pedro Leopoldo, perdeu a madrasta Cidália e deu continuidade à obra Parnaso de Além-Túmulo. Esse ano também marcou a maioridade do médium e foi quando ele afirmou ter tido o primeiro encontro com seu mentor espiritual Emmanuel, "...à sombra de uma árvore, na beira de uma represa...". Xavier dizia que o mentor o informa sobre a sua missão de psicografar uma série de trinta livros e explica-lhe que para isso são lhe exigidas três condições: "disciplina, disciplina e disciplina". Ao publicar suas primeiras obras, passou a assinar com o nome paterno de Francisco Cândido Xavier. Esta mudança foi oficializada em abril de 1966, quando chegou da sua segunda viagem aos Estados Unidos.

O caso Humberto de Campos

No decorrer da década de 1930, destacaram-se ainda a publicação dos romances atribuídos a Emmanuel e da obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, atribuída ao espírito de Humberto de Campos, onde a história do Brasil é interpretada por uma óptica espiritual e teológica. Essa última obra trouxe como consequência uma ação judicial movida pela viúva do escritor, que pleiteou por essa via direitos autorais pelas obras psicografadas, caso se confirmasse a autoria do famoso escritor maranhense. A defesa do médium foi suportada pela Federação Espírita Brasileira e resultou, posteriormente, no livro A Psicografia perante os Tribunais, do advogado Miguel Timponi. Em sua sentença, o juiz decidiu que os direitos autorais referiam-se à obra reconhecida em vida do autor, não havendo condição de o tribunal se pronunciar sobre a existência ou não da mediunidade. Ainda assim, para evitar possíveis futuras polêmicas, o nome do escritor falecido foi substituído pelo pseudônimo Irmão X.

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Morte

O médium morreu aos 92 anos de idade, em decorrência de parada cardiorrespiratória, no dia 30 de junho do ano de 2002. Conforme relatos de amigos e parentes próximos, Xavier dizia que iria desencarnar em um dia em que os brasileiros estivessem muito felizes e em que o país estivesse em festa, para assim o desencarne dele não causar tristeza: no dia de sua morte, o país comemorava a conquista da Copa do Mundo FIFA de 2002. O então presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, emitiu nota sobre a morte do médium: "Grande líder espiritual e figura querida e admirada pelo Brasil inteiro, Chico Xavier deixou sua marca no coração de todos os brasileiros, que ao longo de décadas aprenderam a respeitar seu permanente compromisso com o bem estar do próximo". O então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, decretou luto oficial de três dias no Estado e declarou: "Chico Xavier expressava em sua face uma imensa bondade, reflexo de sua alma iluminada, que transparecia, particularmente, em sua dedicação aos pobres, imagem que vou guardar para sempre, com muito carinho".

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Psicografias

Chico Xavier escreveu mais de 450 livros, utilizando um método conhecido como psicografia. Por considerar suas habilidades um dom para ajudar as pessoas, não aceitava dinheiro ou gratificações por seus escritos, tendo cedido os direitos autorais para instituições de caridade. Vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares em português, com traduções para o inglês, espanhol, japonês, esperanto, francês, alemão, italiano, russo, mandarim, romeno, sueco, grego, húngaro e outros, inclusive em braile. Escreveu também cerca de dez mil cartas "de mortos para suas famílias", nunca tendo cobrado por isso. As cartas eram tidas como psicografias autênticas pelos familiares e algumas chegaram a ser aceitas e valoradas como provas úteis em casos de julgamentos judiciais. Seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, com 256 poemas atribuídos a poetas mortos, dentre eles os portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro e os brasileiros Olavo Bilac, Castro Alves e Augusto dos Anjos, foi publicado pela primeira vez em 1932. O de maior tiragem foi Nosso Lar, publicado em 1944, atualmente com mais de dois milhões de cópias vendidas, atribuído ao espírito André Luiz, sendo o primeiro volume da "Coleção A Vida no Mundo Espiritual".

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Honrarias

Filme biográfico

Em 2 de abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou Chico Xavier – O Filme, baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior. Dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho, Chico Xavier é retratado pelos atores Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, respectivamente, em três fases de sua vida: de 1918 a 1922, 1931 a 1959 e 1969 a 1975. O filme alcançou a marca de mais de 3,5 milhões de espectadores nos cinemas.

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