Aspendo
Aspendo é uma antiga cidade greco-romana situada na Anatólia, na atual província de Antália, Turquia. O sítio arqueológico encontra-se junto à aldeia de Belkis, cerca de 10 quilómetros a leste-nordeste do centro da cidade de Serik e 40 km a leste de Antália. Durante a época bizantina foi conhecida como Primopolis.
Aspendo foi uma cidade da Panfília, na Ásia Menor, situada numa colina isolada numa planície, na margem direita (ocidental) do rio Eurimedonte (em turco: Köprüçay), perto do da área onde ele sai dos montes Tauro, a aproximadamente 16 km do litoral do mar Mediterrâneo. Alguns historiadores associam o nome da cidade ao de Azatiuataia (Azatiwadaya). Conhece-se uma cidade com esse nome no que é hoje o sítio arqueológico de Caratepe,[b] fundada ou refundada por Azatiwada, soberano de Quwê [en], um estado sírio-hitita, na fronteira oriental deste, mas segundo uma tradição posteiror, Aspendo foi fundada mais cedo, — circa 1 000 a.C. — por gregos oriundos de Argos. A cidade fazia fronteira e era hostil a Sida (atual Side), situada na costa, cerca de 35 km a sudeste de Aspendo. O amplo espaço geográfico em que foram encontradas moedas cunhadas em Aspendo, por todo o mundo antigo, indicam que por volta do século V a.C. Aspendo se tinha tornado a cidade mais importante da Panfília. Naquele tempo o rio Eurimedonte era navegável até à cidade[c] e boa parte de suas riquezas eram provenientes da produção e comércio de sal (a cidade tinha grandes salinas), azeite e lã. Outros autores referem também a criação de cavalos, a produção de cereais, de fruta e de vinho como fontes de riqueza da cidade, enquanto Estrabão se refere apenas ao sal e ao vinho.
Numismática
Aspendo foi uma das primerias cidades a cunhar moeda, algo que começou a fazer aproximadamente em 500 a.C., primeiro estáteres e depois dracmas. Usualmente as moedas aspendianas tinham um fundibulário no anverso, representando a soldadesca pela qual Aspendo era famosa na Antiguidade e um tríscele (em grego: τρισκέλιον; romaniz.: triskélion) no reverso. A legenda que aparece em moedas mais antigas é ΕΣ ou ΕΣΤϜΕ, abreviatura do nome primitivo da cidade em panfílio — Εστϝεδυσ; Estfedys ou Estvedys. Em moedas posteriores aparece ΕΣΤϜΕΔΙΙΥΣ (cuja transliteração latina é Estfediius), o que leva os historiadores a crer que o nome da cidade em panfílio era Estwedus. A história numismática de Aspendo estende-se desde o período arcaico grego até ao final do Império Romano.
Diocese
A diocese cristã de Aspendo era sufragânea da metrópole de Sida, a capital da província romana da Pamphylia Prima, à qual Apendo pertencia. Conhece-se o nome de quatros dos seus bispos: Domnus esteve no Primeiro Concílio de Niceia, em 425; Tribonianus no Primeiro Concílio de Éfeso, em 431; Timotheus esteve no sínodo realizado por Flaviano, arcebispo de Constantinopla, em 448, onde foi condenado o Êutiques, e no Segundo Concílio de Éfeso, realizado no mesmo ano ou no seguinte; Leão (Leo) assistiu ao Segundo Concílio de Niceia em 787. Apesar da diocese já não existir há muito tempo, Aspendo é uma sé titular da Igreja Católica.
Praticamente todas as edificações das quais há ruínas mais facilmente identificáveis datam da época romana, especialmente dos séculos II e III d.C. A estrutura mais impressionante do sítio arqueológico de Aspendo é o teatro, pelo qual o local é mais conhecido e que é, provavelmente, o melhor preservado de toda a Antiguidade. Podem também apreciar-se as ruínas de vários edifícios na zona da ágora, o centro social, comercial e político da cidade, situada na acrópole, na parte plana do cimo da colina. Alguns deles têm as paredes em pé até uma altura considerável e é possível identificar todos os edifícios públicos em redor da ágora. As ruínas mais notórias na acrópole são os que rodeiam a ágora (ou fórum): no lado oriental há uma basílica do século III d.C., com 27 por 105 metros; no lado norte há um ninfeu, ambos com 16 metros de altura; e no lado ocidental há um mercado com 12 lojas, todas com o mesmo tamanho e alinhadas atrás de uma estoa. Do ninfeu conserva-se apenas a parede frontal, com 32,5 metros de comprimento e uma fachada de dois níveis, com cinco nichos em cada um deles. O nicho inferior central é maior do que os outros e pensa-se que poderá ter sido usado como porta. Pelas bases de mármore existentes na parte inferior, é claro que originalmente o edifício tinha uma fachada com colunas. A basílica tem 27 por 105 metros e é composta por uma grande salão central rodeado de divisões menores. O salão principal está separado pelas divisões laterais por colunas e o seu teto era mais alto. No interior da basílica há um tribunal. Na época bizantina foi muito modificada e perdeu muitas das suas características originais.
Teatro
Com um diâmetro de 96 metros, calculava-se que o edifício tinha lugares para 10 a e 15 mil pessoas. No entanto, no Festival de Cinema e Cultura da cidade verificou-se que a sua capacidade é superior a 20 000 espectadores. Foi construído em 155 d.C. pelo arquiteto grego Zenão, um nativo da cidade, durante o reinado do Imperador romano Marco Aurélio, e foi restaurado em várias ocasiões pelos seljúcidas de Rum, que o usaram como caravançarai até que no século XIII foi transformado num palácio pelos seljúcidas. Condizendo com as tradições helenísticas, uma pequena parte do teatro foi construída de modo a se apoiar contra o morro onde a cidadela (acrópole) se erguia, enquanto o resto foi construído sobre arcos abobadados. O palco alto parecia isolar a plateia do resto do mundo; a scaenae frons, ou cenário, permaneceu intacto. O teto inclinado de madeira que cobria o palco foi perdido com o tempo, assim como os 58 mastros cujos buracos de encaixe foram descobertos nos níveis superiores do teatro; sobre estes mastros era colocado um velarium, uma espécie de lona que podia ser puxada sobre a audiência, para lhe dar sombra e proteção.
Lenda
Há uma lenda, que dificilmente tem algum fundamento histórico, que conta que o teatro e o aqueduto foram construídos porque o rei de Aspendo anunciou que daria em casamento a sua bela filha a quem construísse uma obra grandiosa para benefício da cidade. Dois cidadãos responderam ao repto e um construiu o teatro e outro o aqueduto. Como ambas as obras foram terminadas ao mesmo tempo, o rei propôs cortar a filha ao meio e entregar uma metade a cada um dos concorrentes. O construtor do teatro declarou que declinava casar-se, pois preferia que a princesa não morresse. Como seria de esperar, devido ao altruísmo demonstrado, o rei deu-lhe a mão da filha.


