Atabari
Abu Jafar Maomé ibne Jarir Atabari, mais conhecido somente como Atabari (at-Tabari), foi um estudioso proeminente e influente, erudito, historiador e tafsir (exegeta do Alcorão natural do do Tabaristão, atual Mazandarão no Irã.
Atabari nasceu em Amol, Tabaristão (cerca de vinte quilômetros ao sul do mar Cáspio), no inverno de 838-9. Ele memorizou o Alcorão aos sete anos, tornou-se líder religioso qualificado aos oito e começou a estudar as tradições proféticas aos nove. No ano AH 236 (850-1), Atabari saiu de casa para estudar, quando tinha então doze anos. Ele manteve laços estreitos com sua cidade natal. Voltou pelo menos duas vezes, a última vez em AH 290 (903), quando a sua franqueza causou algum mal-estar e levou a uma partida rápida. Ele foi para Rei, onde permaneceu por cerca de cinco anos. Um professor importante em Rei foi Abu Maomé ibne Abedalá Humaide Arrazi, que já havia ensinado em Bagdá, e tinha setenta anos então. Entre outras matérias, ibne Humaide ensinou a Atabari as obras históricas de ibne Isaque, especialmente a Sira, sobre a vida de Maomé. Atabari cita ibne Humaide frequentemente, mas pouco se sabe sobre seus outros professores em Rei. Atabari, em seguida, viajou para estudar em Bagdá com ibne Hambal, que, no entanto, falecera no final de 855 ou início de 856.
A primeira das suas duas grandes obras, foi História dos profetas e dos reis conhecida como os Anais (Tarikh al-Tabari). É uma história universal desde o tempo da Criação até o ano de 915, e é conhecida por seus detalhes e precisão sobre a história dos muçulmanos e do Médio Oriente. O trabalho de Atabari é uma das principais fontes primárias para os historiadores. È uma obra monumental, existindo uma tradução inglesa (por vários autores, entre eles Franz Rosenthal) em 39 enormes volumes (e mais um só para o índice) publicada pela State University of New York Press. Seu segundo trabalho de vulto foi o Comentário Sobre o Alcorão (Tafsir al-Tabari), em mais de uma dezena de extensos volumes, que foi marcado pela mesma abundância de detalhes que os Anais. Levou sete anos para terminá-loː do ano 283 até 290. Tahdhib al-Athar é a sua terceira grande obra, incompleta. Iniciada por Atabari, faleceu antes de a terminar. È um trabalho sobre os os hádices (tradições transmitidas pelos Companheiros de Maomé), explicando cada um deles e examinando a sua autenticidade.
Jariri
Atabari fundou uma fiqh (escola de pensamento e jurisprudência islâmica) que no entanto foi de curta duração (cerca de dois séculos). A escola Jariri estava frequentemente em conflito com a escola hambalita de Amade ibne Hambal. Foi notável por suas atitudes liberais em relação ao papel das mulheres; considerava, por exemplo, que as mulheres podiam ser juízes e poderiam conduzir os homens em oração.


