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Tubarão

Tubarão ou cação é um tipo de peixe de esqueleto cartilaginoso e um corpo hidrodinâmico pertencente à superordem Selachimorpha. Os primeiros tubarões conhecidos viveram há aproximadamente 400 milhões de anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia e significado

Até o século XVI tubarões eram conhecidos por marinheiros como "cães marinhos". A palavra portuguesa "tubarão" e o termo espanhol "tiburón" são bastante similares e em ambas as línguas a etimologia é incerta. Durante o século XVI, em decorrência das navegações dos espanhóis e portugueses por águas tropicais, muitos relatos sobre a diversidade e quantidade desses peixes popularizaram os dois termos na Península Ibérica e posteriormente, o termo tiburón também foi usado, sem tradução, em livros em francês, alemão e inglês. Não se sabe ao certo se foram os espanhóis que tomaram uma palavra caraíba e cunharam o termo tiburón ou se foram os portugueses que criaram tubarão a partir de uma palavra do aruaque. Outras fontes apontam a origem tupi-guarani através do termo uperú (ou iperú) com a aglutinação de t- inicial, originando o português "tubarão" e posteriormente o espanhol "tiburón". Embora inicialmente os termos ibéricos tenham sido usados em toda a Europa, as outras línguas europeias adotam atualmente nomes diferentes. A origem do nome inglês "shark" também é incerta. Uma teoria é que ela deriva da palavra xoc da língua Iucateque, cuja pronuncia 'shok' chega bem próximo da palavra "shark". Evidência para esta etimologia vem do Oxford English Dictionary, que registra que o nome shark foi usado pela primeira vez após o marinheiro Sir John Hawkins exibir um espécime em Londres, em 1569, tendo usado a palavra "sharke" para se referir aos grandes tubarões do Mar do Caribe.

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Anatomia

Dentes

Dentes de tubarão são incorporados nas gengivas e não diretamente no maxilar, e são constantemente substituídos ao longo da vida. Diversas linhas de dentes substitutos crescem em um sulco na parte interna da mandíbula e progressivamente avançam como em uma "escada rolante"; os tubarões perdem em média 6 000 dentes por ano e chegam a perder 30 000 durante toda sua vida. A taxa de substituição de dentes varia de uma vez a cada oito ou dez dias a vários meses. Na maioria das espécies os dentes são substituídos um por vez, exceto no peixe-charuto, Isistius, onde toda a linha de dentes é substituída simultaneamente. A forma do dente depende da dieta: os tubarões que se alimentam de moluscos e crustáceos têm densos dentes achatados para esmagarem; aqueles que se alimentam de peixes tem dentes afiados para prenderem; e aqueles que se alimentam de presas maiores, como mamíferos, têm os dentes inferiores pontiagudos para prender e os dentes superiores triangulares e com bordas serrilhadas para cortar. Os dentes dos que se alimentam de plâncton, como o tubarão-elefante, são menores e não funcionais.

Esqueleto

Os esqueletos de tubarões são muito diferentes dos esqueletos de peixes ósseos e vertebrados terrestres. Tubarões e outros peixes cartilagíneos (raias e quimeras) possuem esqueletos feitos de cartilagem e tecido conjuntivo. A cartilagem é flexível e durável e tem cerca de metade da densidade do osso. Isto reduz o peso do esqueleto, poupando energia. No entanto a cartilagem de tubarões mais velhos, às vezes, pode ser parcialmente calcificada, tornando-a mais pesada e mais semelhante a um osso. Os tubarões não têm caixa torácica e, portanto, em terra, o próprio peso de um tubarão pode esmagá-lo.

Mandíbula

Como seus parentes, as raias e as quimeras, a mandíbula do tubarão não é anexada ao crânio. A superfície da mandíbula, assim como as vértebras do tubarão e as guelras, necessitam de suporte extra devido à sua forte exposição ao stress físico e à necessidade do uso de força. Eles têm uma camada de minúsculas placas hexagonais chamadas de "tésseras", que são blocos cristalinos de sais de cálcio dispostos como um mosaico. Geralmente os tubarões têm apenas uma camada de tésseras, mas as mandíbulas de espécies de grande porte, como o tubarão-cabeça-chata, o tubarão-tigre e o tubarão-branco, têm de duas a três camadas ou mais, dependendo do tamanho do corpo. As mandíbulas de um grande tubarão branco podem ter até cinco camadas. No rostro (focinho), a cartilagem pode ser esponjosa e flexível para absorver a energia dos impactos.

Barbatanas

O esqueleto das barbatanas é alongado e apoiado com raios moles e não segmentados chamados de ceratotrichia, filamentos de proteína elástica que se assemelha ao da queratina dos cabelos e penas. A maioria dos tubarões tem oito barbatanas. Tubarões só podem desviar-se de objetos diretamente à sua frente ficando à deriva, porque suas barbatanas não permitem que nadem para trás.

Escamas placoides

Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões têm um espartilho dérmico complexo feito de fibras flexíveis de colágeno e disposto como uma rede helicoidal em torno de seu corpo. Isso funciona como um esqueleto externo, proporcionando fixação para os músculos de nado, e assim economizando energia. Suas escamas placoides dão-lhes vantagens hidrodinâmicas como reduzir a turbulência enquanto nadam. A pele dos tubarões pode ser tão áspera como uma lixa pela ação dessas escamas, a ponto de se ter observado que a utilização de suas escamas pode ferir suas presas. Algumas empresas industriais têm investigado pele de tubarão para a produção de novos materiais mais aerodinâmicos como por ex: tintas e materiais sintéticos, que simulam o referido exoesqueleto há escala microscópica diminuindo vórtices e o arrasto (drag), provocado pela passagem do ar ou líquido aumentando a aerodinâmica ou hidrodinâmica do material. (ver: Biomimética, para mais informação sobre outros materiais)

Cauda

As caudas dos tubarões variam consideravelmente de acordo com a espécie e são adaptadas ao seu estilo de vida. A cauda provém impulsão e também velocidade e aceleração, dependendo da sua forma. Os tubarões possuem uma nadadeira heterocercal na qual a porção dorsal é em geral visivelmente maior do que a porção ventral. Isto se deve à coluna vertebral do tubarão se estender até à parte dorsal, proporcionando uma maior área de superfície para a fixação dos músculos. Isto permite a locomoção mais eficiente entre estes peixes cartilaginosos negativamente impulsionados. Em contraste, a maioria dos peixes ósseos possui uma barbatana caudal homocercal.

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Fisiologia

Flutuabilidade

Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões não têm bexigas cheias de gás para a flutuabilidade (bexigas natatórias). Em vez disso, os tubarões dependem de um fígado grande, cheio de óleo, que contém esqualeno, e de a sua cartilagem possuir cerca de metade da densidade do osso. O fígado constitui até 30% da sua massa corporal. A eficácia do fígado é limitada, por isso os tubarões utilizam a sustentação dinâmica para manter a profundidade, e afundam quando param de nadar. Tubarões-tigre da areia armazenam ar em seus estômagos, utilizando-o como uma forma de bexiga natatória. A maioria dos tubarões precisa nadar constantemente para respirar e não pode dormir por muito tempo sem afundar. No entanto, algumas espécies de tubarão, como o tubarão-lixa, são capazes de bombear água através de suas guelras, o que lhes permite descansar no fundo do oceano.

Musculatura

A musculatura do tubarão se divide em 3 grupos:

Respiração

Como outros peixes, os tubarões extraem oxigênio da água do mar ao passá-la sobre suas guelras. Alguns tubarões têm uma fenda modificada chamado de espiráculo, localizada logo atrás dos olhos, que é usada na respiração. Devido ao seu tamanho e à natureza do seu metabolismo, os tubarões têm uma maior demanda de oxigênio do que a maioria dos peixes e eles não podem contar com as correntes de água do ambiente para fornecerem um suprimento adequado de água oxigenada. Se um tubarão parar de nadar, a circulação da água cai abaixo do nível necessário para a respiração e o animal pode morrer sufocado. O processo de garantir um fluxo adequado das guelras para mover-se para a frente é conhecido como "ventilação ram". Alguns tubarões, como o tubarão-de-pontas-negras-do-recife, Carcharhinus melanopterus, e o tubarão-lixa, Ginglymostoma cirratum, podem bombear água sobre suas guelras. Há também registros, como em certas cavernas ao longo da costa de Iucatã, de os tubarões repousarem sobre o chão da caverna e permitirem que o escoamento de água doce passe por cima deles. O escoamento é forte o suficiente para ainda permitir a respiração; acredita-se que a razão para este comportamento é que a água fresca ajuda a remover parasitas.

Termorregulação

A maioria dos tubarões é de "sangue frio", ou mais precisamente poiquilotérmicos, o que significa que a temperatura interna do seu corpo não difere da temperatura de seu ambiente. Membros da família Lamnidae, como o tubarão-mako e o tubarão branco, são homeotérmicos e mantêm uma temperatura corporal maior do que a da água circundante. Nestes tubarões, uma faixa de músculo vermelho aeróbico localizada perto do centro do corpo gera o calor, o que mantém o corpo através de um mecanismo de troca em contracorrente por um sistema de vasos sanguíneos chamados de rete mirabile ("rede maravilhosa"). O tubarão raposa, Alopias vulpinus, tem um mecanismo semelhante para manter uma temperatura corporal elevada, o que leva a pensar que ele evoluiu de forma independente.

Osmorregulação

Em contraste com peixes ósseos, com exceção do celacanto, o sangue e outros tecidos dos tubarões e Chondrichthyes em geral, é isotônico aos seus ambientes marinhos por causa da alta concentração de ureia e trimetilamina, permitindo-lhes estar em equilíbrio osmótico com a água do mar. Esta adaptação faz com que a maioria dos tubarões não sobrevivam em água doce, e por isso são confinados a ambientes marinhos. Existem algumas poucas exceções a esta regra, como o tubarão-cabeça-chata, que desenvolveu uma maneira de mudar a sua função renal para excretar grandes quantidades de ureia. Quando um tubarão morre, a ureia é dividida em amônia pelas bactérias - por isso, o corpo irá gradualmente começar a cheirar a amônia.

Digestão

A digestão pode levar um longo tempo. A comida se move desde a boca até o estômago em forma de J, onde é armazenada e a digestão inicial ocorre. Itens indesejados podem nunca passar pelo estômago e, ao invés de o tubarão vomitar, ele vira seu estômago do avesso e ejeta itens indesejados de sua boca. Uma das maiores diferenças entre a digestão dos tubarões e a dos mamíferos é que o intestino dos tubarões é extremamente curto. Este comprimento curto é conseguido através da válvula espiral com várias voltas dentro de uma única seção curta em vez de um intestino longo como um tubo. A válvula fornece uma superfície longa, exigindo que a comida circule no interior do intestino curto até que seja totalmente digerida, e os resíduos restantes passem para a cloaca.

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Órgãos dos sentidos

Olfato

O olfato do tubarão é extremamente apurado, permitindo-lhe identificar substâncias bastante diluídas na água, como concentrações de sangue abaixo de uma parte por milhão: o que equivale a perceberem uma gota de sangue a 300 metros de distância em pleno oceano. Por esta razão são por vezes designados como "narizes nadadores". Quando detectam o cheiro de sangue ou de corpos em decomposição, facilmente encontram o local de origem, utilizando principalmente o seu olfato (ou a visão para distâncias inferiores a 30 m).

Visão

Alguns cientistas creem que, como muitos outros peixes, os tubarões são míopes, estando a sua visão adaptada apenas para distâncias entre 2 e 3 metros, embora possa ser utilizada para distâncias de até 30 m com um menor grau de definição. Contrastando com essa informação, outros pesquisadores acreditam que a lente dos tubarões está fortemente suspensa por um ligamento dorsal, e fica normalmente fixada para a visão à distância; para a visão próxima ela é movida para frente pela tração de um pequeno músculo protrator, fixo à lente. Seus olhos, por ficarem nas laterais da cabeça, podem ampliar seu campo de visão para quase 360°. A abertura pupilar varia de circular a oval quando aberta. Na luz brilhante a pupila pode ser apenas um pequeno círculo ou fenda, vertical ou horizontal. O seu olho possui uma camada reflectiva, a qual permite um aproveitamento superior da luminosidade em locais com pouca luz, como as águas turvas ou profundas e à noite.

Audição

A sua grande sensibilidade às vibrações provoca comportamentos semelhantes. O seu ouvido interno, responsável pelo equilíbrio e detecção das vibrações de baixa frequência, situa-se postero-superiormente ao olho. O tubarão possui três canais semicirculares e detecta vibrações a longas distâncias, podendo se aperceber do som de um peixe a debater-se a uma distância de 250 a 1 500 m. Em conjunto com o olfato, esta sensibilidade às vibrações é o primeiro mecanismo utilizado na detecção de potencial alimentação. Uma vibração desconhecida tanto pode provocar curiosidade como medo ao tubarão.

Eletrorrecepção

As ampolas de Lorenzini são órgãos electroreceptores localizados na cabeça, especialmente ao redor do focinho. Os tubarões usam as Ampolas de Lorenzini para detectar os campos eletromagnéticos que todas as coisas vivas produzem. Isso ajuda os tubarões (particularmente o tubarão-martelo) a encontrarem presas. O tubarão tem maior sensibilidade elétrica do que qualquer outro animal. Os tubarões conseguem encontram presas escondidas na areia, detectando os campos eletricos que elas produzem. Correntes oceânicas que se deslocam no campo magnético da Terra também geram campos elétricos que os tubarões podem usar para orientação e possivelmente para navegação.

Linha lateral

As suas linhas laterais, que se estendem das guelras à cauda, são também capazes de captar vibrações de médias e baixas frequências, correntes, mudanças na temperatura e pressão da água, assim como localizar obstáculos e alimentos em águas turvas. Do mesmo modo, podem também detectar, pela turbulência causada, a aproximação de um inimigo de grande porte. O tubarão pode perceber frequências na faixa de 20 a 50 Hz.

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Reprodução

Diferentemente da maioria dos peixes ósseos, os tubarões são reprodutores da seleção K, o que significa que eles produzem um pequeno número de jovens bem desenvolvidos, ao invés de um grande número de jovens pouco desenvolvidos. A fecundidade em tubarões varia de 2 a mais de 100 jovens por ciclo reprodutivo. Tubarões se tornam maduros lentamente em relação a muitos outros peixes. Por exemplo, os tubarões-limão atingem a maturidade sexual por volta dos anos 13 ou 15 anos. Os tubarões praticam a fertilização interna. A parte posterior da nadadeira pélvica de um tubarão macho é modificada em um par de órgãos chamados clásperes, análogo a um pênis dos mamíferos; um deles é usado para levar o esperma até a fêmea. Acasalamento entre tubarões raramente tem sido observado. O menor Scyliorhinidae frequentemente acasala-se com o macho curvado em torno da fêmea. Em espécies menos flexíveis, os dois tubarões nadam paralelamente, enquanto o macho insere um clásper dentro do oviduto da fêmea. As fêmeas em muitas das espécies de maior porte têm marcas de mordidas que parecem ser o resultado de um agarrão dos machos para manter a posição durante o acasalamento. As marcas de mordidas também podem demonstrar um comportamento de namoro: o macho pode morder a fêmea para mostrar o seu interesse. Em algumas espécies, a pele das fêmeas evoluiu, se tornando mais espessa para suportar estas mordidas.

Modos de reprodução

Tubarões mostram três maneiras de ter seus filhotes, que variam dependendo da espécie, através da oviparidade, viviparidade e ovoviviparidade. A maioria dos tubarões é ovovivípara, o que significa que os ovos eclodem no oviduto dentro do corpo da mãe e que a gema do ovo e os fluidos secretados por glândulas nas paredes do oviduto alimentam os embriões. Os jovens continuam a ser alimentados pelos restos da gema e fluidos do oviduto. Como na viviparidade, os jovens nascem vivos e funcionando perfeitamente. Tubarões Lamniformes praticam a oofagia, onde os primeiros embriões a eclodir comem os ovos restantes. Os filhotes de Carcharias taurus praticam o canibalismo intrauterino, e levam isso a um passo adiante, consumindo outros embriões ainda em desenvolvimento. A estratégia de sobrevivência para as espécies ovovivíparas está em chocar os jovens até um tamanho relativamente grande antes do nascimento. A maioria dos tubarões ovovivíparos dá à luz em áreas protegidas, incluindo baías, estuários e recifes rasos. Eles escolhem tais áreas pela proteção contra predadores (principalmente outros tubarões) e a abundância de alimentos. O Squalidae tem o maior período de gestação conhecido entre os tubarões, de 18 a 24 meses. O tubarão-elefante e o tubarão-cobra parecem ter períodos de gestação maiores, mas ainda faltam dados que comprovem isso.

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Comportamento

A visão clássica descreve um caçador solitário, que percorre os oceanos em busca de comida. No entanto, isso se aplica a apenas algumas espécies. A maioria vive de modo muito mais sedentário, na zona bentônica. Mesmo os tubarões solitários se encontram para reprodução ou em áreas ricas para caça, o que pode levá-los a percorrer milhares de quilômetros em um ano. Os tubarões podem ser altamente sociais, mantendo-se em grandes grupos. Às vezes, mais de cem tubarões-martelo-recortados se reúnem em torno de montes submarinos e ilhas, por exemplo, no Golfo da Califórnia. Pode também haver hierarquia entre as diferentes espécies. Por exemplo, durante a refeição os tubarões sedosos demostram um certo medo de tubarões-brancos-oceânicos do mesmo tamanho. Quando são pressionados, alguns tubarões (em particular, este comportamento é observado nos Carcharhinidae) emitem um sinal de ameaça para avisar ao grupo da chegada do predador. Normalmente, estes sinais consistem em movimentos de nado exagerados que variam de intensidade dependendo do nível de perigo.

Medo de golfinhos

São contadas muitas histórias sobre golfinhos que protegeram humanos de ataques de tubarões. E por este motivo há muitas pessoas que dizem que os tubarões têm medo de golfinhos, e esse fenômeno foi investigado em um episódio de MythBusters do canal Discovery Channel, em que um tubarão-branco ataca um pedaço de carne crua de foca, mas enquanto há um golfinho (mecânico) nadando junto a ele, ele não ataca. No entanto não houve nenhum estudo científico conclusivo que explicasse esse comportamento.[carece de fontes?]

Velocidade

Em geral, os tubarões nadam a uma velocidade média de 8 km/h. Mas quando se alimenta ou ataca, o tubarão pode atingir velocidades de mais de 19 km/h. O tubarão-mako é o tubarão mais rápido e um dos peixes mais rápidos, podendo ultrapassar velocidades de até 50 km/h. O tubarão-branco também é capaz de explosões de velocidade. Essas exceções podem ser causadas devido à natureza de "sangue quente" (homeotérmica) da fisiologia destes tubarões.

Inteligência

Ao contrário do senso comum que diz que eles são "máquinas de comer" movidas pelo instinto, estudos recentes têm indicado que muitas espécies possuem poderosas habilidades de resolução de problemas, competência social e curiosidade. Além disso, a relação entre as massas corporais e cerebrais dos tubarões é semelhante à dos mamíferos e outras espécies de vertebrados mais avançados, embora, naturalmente, seja muito pequena comparada com a do homem. Em 1987, perto da Baia de Smitswinkle, na África do Sul, um grupo de sete tubarões brancos trabalharam juntos para mover a carcaça de uma baleia (mais precisamente, uma Caperea marginata) morta e parcialmente encalhada para águas mais profundas, para se alimentarem. Sabemos também que os tubarões são capazes de praticar atividades lúdicas, como é visto em cetáceos e primatas. Exemplares de Lamna nasus, em particular, foram observados repetidamente envoltos em algas marinhas enquanto perseguiam um ao outro.

Sono

Alguns tubarões conseguem permanecer no fundo do oceano enquanto estiverem bombeando água em suas guelras, mas seus olhos mantêm-se abertos. Quando um tubarão está descansando, ele não usa as suas narinas, mas sim seus espiráculos. Se um tubarão tentasse usar sua narinas enquanto descansa no fundo do oceano, ele iria "inspirar" a areia em vez de água. Muitos cientistas acreditam que esta é uma das razões pelas quais os tubarões têm espiráculos. A natação de um tubarão-espinhoso é coordenada pela medula espinhal, ao invés de seu cérebro: assim ele pode continuar a nadar durante o sono. Também é possível que os tubarões durmam de forma similar aos golfinhos, um hemisfério cerebral de cada vez, mantendo assim alguma consciência e atividade cerebral em todos os momentos.

Alimentação

Todos os tubarões são carnívoros. Algumas espécies, incluindo os tubarões-tigre, comem quase tudo. A grande maioria procura presas em particular, e raramente varia a sua dieta. Os tubarões-baleia, tubarões-elefante e o tubarão-boca-grande se alimentam por filtragem. Estes três evoluíram independentemente, alimentando-se de plâncton e usando estratégias diferentes. Os tubarões-baleia usam de sucção para recolher plânctons e pequenos peixes. Os tubarões-frade filtram o plâncton enquanto se deslocam na água. Os tubarões-boca-grande fazem uma sucção de alimentos mais eficiente, usando tecidos luminescentes no interior da boca para atraírem presas no fundo do oceano. Este tipo de alimentação exige rastros branquiais, longos filamentos delgados que formam uma peneira muito eficiente, análogo às barbas das grandes baleias. O tubarão captura o plâncton nesses filamentos e o engole de vez em quando em bocados grandes. Dentes nestas espécies são relativamente pequenos, porque eles não são necessários para a alimentação.

Habitat

Os tubarões são encontrados em todo o globo, de norte a sul, em todos os oceanos e grandes mares. Geralmente vivem em água salgada, mas exceções são conhecidas como o tubarão-cabeça-chata e as espécies consideradas de rios (as seis espécies do gênero Glyphis de Carcharhinidae), que podem viver tanto em água salgada como em água doce. Tubarões são comuns até profundidades de 2 000 metros (7 000 pés), e alguns vivem ainda em lugares mais fundos, mas quase não há tubarões abaixo de 3 000 metros (10 000 pés). Um relatório confirmou que o mais profundo que um tubarão vive é a 3 700 metros (12 100 pés): trata-se da espécie Centroscymnus coelolepis.

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Relação com os humanos

Ataques

Antes de tudo é preciso distinguir ataque provocado de ataque não provocado. É definido como ataque de tubarão não provocado um incidente em que o animal em seu habitat natural ataca um homem ainda vivo, sem ter sido previamente provocado. Todos os incidentes ocorridos em aquários públicos ou em centros de pesquisa, incidentes onde o tubarão ataca um homem morto (especialmente vítimas de afogamento), ataques a barcos, e também todos os ataques que ocorrem dentro ou fora da água e que de alguma forma são uma resposta à atitude humana, são classificados como ataques provocados. Em 2006, o International Shark Attack File (ISAF) realizou uma investigação em 96 alegações de ataques de tubarão, confirmando 62 delas como ataques não provocados e 16 como ataques provocados. A média anual de mortes em todo o mundo entre 2001 e 2006 a partir de ataques de tubarões não provocados foi de 4,3.

Em cativeiro

Até recentemente, apenas algumas poucas espécies de tubarões bentônicos, como Heterodontus francisci, Triakis semifasciata e Scyliorhinidae, sobreviveram em aquários por um ano ou mais. Isso deu origem à crença de que os tubarões, além de serem difíceis de serem capturados e transportados, eram difíceis de serem cuidados. Mais conhecimento tem levado a que mais espécies (incluindo os grandes tubarões pelágicos) possam viver muito mais tempo em cativeiro. Ao mesmo tempo, técnicas mais seguras permitiram o transporte de longa distância. A maioria das espécies não é apropriada para aquários domésticos e nem todas as espécies vendidas em pet shops são adequadas para tal. Algumas espécies podem viver em aquários de água salgada em casa. Comerciantes sem escrúpulos ou desinformados vendem tubarões jovens como o tubarão-lixa, que ao atingirem a idade adulta se tornam muito grandes para aquários domésticos comuns. Em geral, aquários públicos não aceitam os espécimes doados que cresceram em aquários domésticos. Então, alguns donos de tubarões têm sido tentados a abandoná-los. Espécies adequadas para aquários domésticos representam consideráveis investimentos territoriais e financeiros, geralmente para adultos com comprimentos de 3 metros e que podem viver até 25 anos.

Na cultura popular e nas artes

Os tubarões são popularmente vistos como ameaças ou monstros, mas também são usados como mascotes, tratados como seres pacíficos e até como deuses. A passagem bíblica Jonas e a Baleia, que conta a história de Jonas que fica dentro do ventre de uma baleia durante três dias e três noites no mar mediterrâneo pode, ao invés de uma baleia, ter se referido a um tubarão; a revista National Geographic sugere que tenha sido o tubarão-baleia, uma vez que a versão hebraica usa a palavra tannium, a qual pode se referir a qualquer animal marinho de grande porte. Isto leva outros a acreditar que pode ter sido um cachalote a ter transportado Jonas em sua boca. É conhecido o caso de um homem salvo por um cachalote, que se assemelha à história contada na Bíblia.

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Conservação

Pesca

Estima-se que 100 milhões de tubarões são mortos por pessoas a cada ano, devido à pesca comercial e recreativa. A carne de tubarão é considerada um alimento comum em muitos lugares, incluindo Japão e Austrália. No estado australiano de Vitória, tubarão é o peixe mais comumente usado no preparo de fish and chips, no qual a carne de tubarão é chamada de flake. Na Índia, pequenos tubarões ou tubarões bebês (sora na língua tâmil) são vendidos em mercados locais. Dado que a carne ainda não está totalmente desenvolvida, uma vez fervida ela quebra em pedaços pequenos que depois são fritos em azeite e especiarias para criar o prato conhecido como sora puttu. Mesmo os ossos são moles e podem ser facilmente mastigados. O sora puttu é considerados uma iguaria no litoral de Tamil Nadu. Na Islândia, o tubarão-da-groenlândia é usado para a produção do hákarl, considerado um prato nacional.

Outra ameaças

Outras ameaças incluem as alterações e danos ao habitat, a perda de desenvolvimento costeiro, a poluição e o impacto da pesca sobre as espécies de leito marinho e as presas. O documentário de 2007, Sharkwater, expôs como os tubarões estão sendo caçados até à extinção. De acordo com o grupo de especialistas em tubarões da IUCN, 24% das espécies se encontram sob ameaça de extinção.

Proteção

Em 1991 a África do Sul foi o primeiro país no mundo a declarar o tubarão-branco uma espécie legalmente protegida. Em 2009, a Lei de Conservação do tubarão foi aprovada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e sancionada pelo Senado em 2010. Em 2010, a CITES rejeitou as propostas do Estados Unidos e do Palau, que obrigavam os países a regular o comércio de várias espécies como o tubarão-martelo-recortado, o Galha-branca-oceânico e o Squalus acanthias. A maioria, mas não o necessário (dois terços dos delegados que votaram), aprovou a proposta. A China, de longe o maior mercado mundial de tubarões, e o Japão, que batalha para estender a convenção para as espécies marinhas, lideraram a oposição.

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Evolução

Evidências para a existência de tubarões durante o período Ordoviciano, há cerca de 450 a 420 milhões de anos, antes mesmo dos vertebrados terrestres e de muitas plantas ocuparem os continentes. Apenas as escamas das primeiras espécimes de tubarões foram encontradas e nem todos os paleontólogos concordam que estas eram de tubarões de verdade. As mais velhas escamas geralmente aceitas datam de há cerca de 420 milhões de anos, no período Siluriano. Os primeiros tubarões pareciam ser muito diferentes dos tubarões modernos. A maioria dos tubarões modernos podem ser encontrados a partir de há cerca de 100 milhões de anos. Praticamente só foram encontrados fósseis dos dentes e dos dentículos de tubarões, embora estes sejam frequentemente encontrados em grandes quantidades. Apenas em alguns casos, foram encontrados partes do esqueleto e em casos mais raros ainda, o tubarão fóssil quase completo. Estimativas sugerem que cresçam dezenas de milhares de dentes de tubarões durante toda a vida, o que explica os fósseis em abundância. Os dentes consistem em fosfato de cálcio e apatita que facilmente são fossilizados. Quando um tubarão morre, o esqueleto em decomposição se rompe, espalhando os prismas de apatita, o esqueleto completo só poderá ser preservado se o cadáver do animal for rapidamente enterrado em sedimentos do fundo do mar.

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Taxonomia

Os tubarões pertencem a superordem Selachimorpha na subclasse Elasmobranchii que pertence à classe dos Chondrichthyes. Os Elasmobranchii também incluem as raias; os Chondrichthyes também incluem as quimeras. Hoje se pensa que os tubarões formam um grupo polifilético: alguns tubarões são mais estreitamente relacionados às raias do que com alguns outros tubarões. A superordem Selachimorpha é dividida em Galea (ou Galeomorphii) e Squalea. Os Galeans são os Heterodontiformes, os Orectolobiformes, os Lamniformes e os Carcharhiniformes. Lamnoids e Carcharhinoids são geralmente colocados em um clado, mas estudos recentes mostram que Lamnoids e Orectoloboids são uma clado. Alguns cientistas pensam que os eterodontoids pode ser Squalean. O Squalea é dividido em Hexanchoidei e Squalomorpha. O Hexanchoidei inclui os Hexanchiformes e o Chlamydoselachidae. Os Squalomorpha contêm os Squaliformes e o Hypnosqualea. O Hypnosqualea pode ser inválido. Ele inclui os Squatiniformes, e o Pristorajea, que também podem ser inválidos, mas inclui o Pristiophoriformes e o Bathoidea.

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Fontes consultadas

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