Atlantis: The Lost Empire
Atlantis: The Lost Empire é um filme norte-americano de ação-aventura lançado em 2001 dirigido por Gary Trousdale e Kirk Wise, escrito por Tab Murphy e produzido por Don Hahn. É o 41º longa-metragem de animação produzido pelos estúdios da Walt Disney Pictures e é estrelado por Michael J. Fox, James Garner, Cree Summer, Don Novello, Phil Morris, Claudia Christian, Jacqueline Obradors, Florence Stanley, Jim Varney e Corey Burton. Na história, o linguista norte-americano Milo Thatch adquire um antigo livro dentro do qual há um guia cifrado que leva até Atlântida, com ele e um grupo de mercenários formando uma expedição para poderem encontrar a cidade perdida.
Séculos atrás, uma onda gigante gerada por uma explosão segue em direção da cidade de Atlântida. A rainha atlante é escolhida e paralisada por uma estranha luz hipnótica em meio da evacuação e erguida até o "Coração de Atlantis", um poderoso cristal que paira sobre a cidade e lhe serve como guardião. O cristal a consome e cria uma barreira de energia que protege o distrito central da cidade. A rainha deixa para trás seu marido o rei Kashekim e sua filha a princesa Kida enquanto a parte protegida da ilha afunda no oceano. Em 1914, o cartógrafo e linguista Milo Thatch do Instituto Smithsoniano, marginalizado por seus colegas devido suas pesquisas sobre Atlântida, acredita ter encontrado a localização do Diário do Pastor, um antigo manuscrito que contém guias para encontrar a cidade perdida. A diretoria do museu recusa sua proposta para financiar uma procura pelo diário, porém uma misteriosa mulher chamada Helga Sinclair o apresenta para o excêntrico milionário Preston B. Whitmore. Este já financiou uma expedição bem-sucedida que encontrou o diário como uma forma de pagamento ao avô de Milo, recrutando o neto a fim de liderar uma expedição para Atlântida.
Desenvolvimento
A ideia de Atlantis: The Lost Empire foi concebida em outubro de 1996 por Don Hahn, Gary Trousdale, Kirk Wise e Tab Murphy enquanto almoçavam em um restaurante mexicano de Burbank, Califórnia. Eles tinham recentemente finalizado The Hunchback of Notre Dame e desejavam manter a equipe junta para outro filme com uma temática aventureira. Os cineastas inspiraram-se em Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne e partiram para produzir um longa que exploraria por completo Atlântida, diferentemente da breve passagem descrita no romance de Verne. A equipe utilizou principalmente a internet para pesquisarem a mitologia acerca de Atlântida, com eles ficando interessados nas leituras clarividentes de Edgar Cayce e decidindo incorporar algumas de suas ideias na história – principalmente a ideia de um cristal que fornece poder, cura e longevidade para os atlantes. Os cineastas também visitaram museus e antigas instalações militares a fim de estudar a tecnologia do início do século XX, período histórico em que o filme se passa, também viajando mais de 240 metros para baixo da terra dentro das Cavernas de Carlsbad no Novo México com o objetivo de verem trilhas subterrâneas que acabaram tornando-se modelos para sua abordagem de Atlântida no filme.
Roteiro
Joss Whedon foi o primeiro roteirista envolvido, porém saiu logo para trabalhar em outros projetos da Walt Disney Pictures. Segundo o próprio, ele "não tinha um pingo" dentro do filme. Tab Murphy completou o roteiro, dizendo que demorou "por volta de três a quatro meses" entre as discussões iniciais sobre a história até a produção de um roteiro que satisfez a equipe. O rascunho inicial tinha 155 páginas, muito mais longo que o típico roteiro Disney de aproximadamente noventa páginas. Os diretores calcularam que os dois primeiros atos juntos davam 120 minutos, assim cortaram personagens e sequências, focando-se mais em Milo. Murphy afirmou que criou O Diário do Pastor porque necessitava de um mapa para os personagens seguirem na sua jornada. Uma versão revisada do roteiro eliminou as provas encontradas pela expedição enquanto navegavam pelas cavernas até Atlântida. Isto deu ao filme um ritmo mais rápido, já que a cidade é descoberta mais cedo na história.
Animação
Por volta de 350 animadores, artistas e técnicos trabalharam em Atlantis durante o auge de sua produção em todos os três estúdios: Walt Disney Feature Animation em Burbank, Walt Disney Feature Animation Florida em Orlando e Disney Animation France em Paris. O longa foi um dos poucos filmes de animação da Disney a ser produzido no formato anamórfico 70 mm. Os diretores acharam que a imagem panorâmica era crucial por ser uma referência nostálgica a antigos filmes de ação-aventura apresentados em CinemaScope 2.35:1, salientando Raiders of the Lost Ark como inspiração. Os executivos da Disney estavam relutantes sobre troca de formato, pois necessitaria da compra de mesas de animação e equipamentos projetados para o formato panorâmico. A produção encontrou a solução mais simples de desenhar dentro de um quadro menor nos mesmos papéis e equipamentos usados no formato padrão Disney 1.66:1. O supervisor Ed Ghertner escreveu um guia sobre o formato panorâmico para que os artistas utilizassem e mencionou que uma das vantagens da tela maior era que poderiam manter os personagens mais tempo em cena devido o espaço adicional. Wise inspirou-se ainda mais no formato ao assistir filmes dos diretores David Lean e Akira Kurosawa.
Música e som
Já que o filme não teria nenhum número musical, os diretores contrataram James Newton Howard para compor a trilha sonora. Howard tinha um contrato para trabalhar em vários filmes de animação da Disney e Atlantis acabou sendo um deles. O compositor abordou o longa como um qualquer outro filme, decidindo ter diferentes temas musicais para as culturas da superfície e para Atlântida. No caso desta última, Howard escolheu um som orquestral indonésio, incorporando sinos, carrilhões e gongos. Os diretores disseram ao compositor que muitas cenas importantes não teriam diálogos, assim a trilha precisariam transmitir emocionalmente aquilo que os espectadores estariam vendo em tela. O filme teve uma canção tema chamada "Where the Dream Takes You", interpretada por Mýa, escrita por Howard e Diane Warren e tocada nos créditos finais.
Divulgação
Atlantis foi uma das primeiras grandes tentativas da Disney no marketing digital. Ele foi divulgado através da Kellogg's, que criou um website com minijogos e um sorteio de jogo eletrônico para códigos de barras em embalagens especiais marcadas com cereais de Atlantis. O longa foi uma das primeiras tentativas do estúdio em divulgação por meio operadoras de celulares, permitindo que usuários baixassem jogos baseados no filme. O McDonald's tinha um acordo de licenciamento exclusivo para todos os lançamentos Disney, divulgando Atlantis com brinquedos do McLanche Feliz, embalagens temáticas e decoração nas lojas. A campanha de promoção do McDonald's também envolvia anúncios de televisão, rádio e impressos a partir da data de estreia. A Frito-Lay ofereceu ingressos grátis para o filme em embalagens especialmente marcadas. Além disso, a exposição especial Destination: Atlantis ocorreu no El Capitan Theatre em Hollywood desde a estreia até 8 de julho, contendo objetos de bastidores, informações sobre a lenda de Atlântida, os jogos eletrônicos baseados no filme e outras atrações. O Aquário do Pacífico emprestou vários peixes para serem exibidos dentro da atração.
Bilheteria
Jornalistas especializados especularam antes do lançamento de Atlantis que ele teria uma competição difícil vinda de Shrek da DreamWorks SKG, um filme de animação totalmente em computação gráfica, e Lara Croft: Tomb Raider da Paramount Pictures, outro longa de ação-aventura. Wise comentou sobre a mudança de mercado para longe da animação tradicional e a competição com filmes digitais: "Qualquer animador tradicional, incluindo eu, não consegue deixar de sentir uma pontada de dor. Eu acho que sempre se resume à história e personagens, e uma forma não vai substituir a outra. Assim como a fotografia não substituiu a pintura. Mas talvez eu esteja cego para isso". Steve Daly e Jeff Jensen da Entertainment Weekly salientaram que filmes em computação gráfica como Shrek provavelmente atrairiam o demográfico adolescente que tipicamente não se interessava por animações, afirmando que Atlantis era uma "aposta criativa e comercial".
Home video
Atlantis foi lançado em VHS e DVD no dia 29 de janeiro de 2002. Ele liderou as vendas de VHS durante seu primeiro mês e ficou na terceira posição nas vendas combinadas de VHS e DVD. Vendas e aluguéis dos dois formatos juntos eventualmente acumularam uma renda de 153 milhões de dólares pela metade de 2003. O DVD foi lançado tanto em uma edição simples quanto em uma edição de colecionador dupla com conteúdos extras. O DVD simples dava ao espectador a opção de assistir o longa em seu formato de tela original 2.35:1 ou no formato modificado 1.33:1 por meio de pan e scan. Esta versão vinha com comentários em áudio e visuais feitos pelos cineastas, um passeio virtual pelos modelos de computação gráfica, um tutorial do idioma atlante, uma enciclopédia sobre o mito de Atlântida e a cena deletada do prólogo viquingue. A edição dupla continha todos os extras da edição simples mais vários documentários de bastidores detalhando vários aspectos da produção. Esta edição só podia ser vista no formato de tela original, possuindo também a opção de áudio DTS 5.1. Ambas as versões em DVD possuíam uma faixa de áudio Dolby Digital 5.1 e foram aprovadas pela THX. A Disney remasterizou Atlantis e o relançou em Blu-ray em 11 de junho de 2013 em uma embalagem que vinha junto com sua sequência Atlantis: Milo's Return.
Crítica
Atlantis foi recebido de forma mista pela crítica. O agregador de resenhas Rotten Tomatoes indica um índice de aprovação de 49% e uma nota média de 5,5/10 baseado em 141 resenhas, com o consenso sendo: "Atlantis proporciona um espetáculo de ritmo acelerado, porém tropeça em coisas como desenvolvimento de personagens e enredo coerente". Já no Metacritic, que cria uma nota a partir de uma média aritmética ponderada, o filme tem uma aprovação de 52/100 a partir de 29 críticas. Pesquisas feitas pela CinemaScore durante o fim de semana de estreia revelaram que a nota média dada pelos espectadores a Atlantis foi um "A" em uma escala de "A+" até "F".
Temas e análises
Vários críticos e acadêmicos salientaram que Atlantis aborda fortemente os temas de anticapitalismo e anti-imperialismo. O acadêmico M. Keith Booker, autor de estudos sobre mensagens implícitas transmitidas pela mídia, enxerga o personagem de Rourke como sendo motivado pela "ganância capitalista" quando vai atrás de "seu próprio ganho financeiro", mesmo tendo consciência que "seu roubo [do cristal] vai levar a destruição de [Atlântida]". O jornalista religioso Mark I. Pinsky explorou os temas morais e espirituais em filmes populares da Disney, dizendo que "é impossível interpretar o filme ... de qualquer outra maneira" além de "um ataque devastador e impiedoso sobre o capitalismo e o imperialismo americano". O crítico Max Messier observa que a "Disney ainda consegue desencanar o estilo de vida capitalista dos aventureiros com a intenção de desenterrar a cidade perdida. Malditos os imperialistas!". Segundo Booker, Atlantis "entrega uma moral meio segregacionista" ao concluir com a descoberta que os atlantes mantiveram segredo de outros exploradores da superfície com o objetivo de manter uma separação entre as duas culturas muito divergentes. Outros enxergaram o filme como uma abordagem interessante de uma filosofia utópica semelhante àquela encontrada em obras clássicas de ficção científica de H. G. Wells e Júlio Verne.
Prêmios
Atlantis foi indicado a vários prêmios. Ele teve nomeações em seis categorias do Prêmio Annie, porém não venceu nenhuma: Realização Individual em Storyboard para Chris Ure, Realização Individual em Direção de Arte para David Goetz, Realização Individual em Efeitos de Animação para Marlon West, Realização Individual em Dublagem Feminina para Florence Stanley, Realização Individual em Dublagem Masculina para Leonard Nimoy e Realização Individual em Música para James Newton Howard. O longa recebeu indicações como Melhor Filme de Animação nos Prêmios da Sociedade de Críticos Online de Cinema e Melhor Filme de Família – Animação nos Prêmios do Jovem Artista. Howard e Diane Warren foram indicados na categoria Melhor Canção Original para Filme por "Where the Dream Takes You" nos Prêmios Trilha Sonora do Mundo. O longa recebeu três indicações na Sociedade Política de Cinema: Democracia, Direitos Humanos e Paz. Seu lançamento em DVD foi indicado a Documentário Original Retrospectivo para Michael Pellerin nos Prêmios Exclusivos de DVD. O único prêmio vencido por Atlantis foi o de Melhor Edição de Som – Longa-Metragem Animado no Prêmio Rolo de Ouro, entregue para Gary Rydstrom, Michael Silvers, Mary Helen Leasman, John K. Carr, Shannon Mills, Ken Fischer, David C. Hughes e Susan Sanford.
Atlantis tinha a intenção de ser o trampolim para uma série de televisão animada intitulada Team Atlantis, que apresentaria mais aventuras com os mesmos personagens. Entretanto, o programa não foi produzido devido o desempenho abaixo do esperado do filme na bilheteria. A Disney lançou em 20 de maio de 2003 uma sequência diretamente em vídeo chamada Atlantis: Milo's Return, que consiste nos três episódios que já estavam planejados para a série cancelada. Além disso, a Disneyland planejava reavivar sua atração Submarine Voyage com uma temática Atlantis e possuindo elementos do filme, tendo sido divulgado como um encontro com os personagens. Estes planos também foram cancelados e a atração reabriu em 2007 como a Finding Nemo Submarine Voyage, baseado no filme Finding Nemo da Pixar.
Trilha sonora
O álbum comercial contendo a trilha sonora de Atlantis foi lançado em 22 de maio de 2001 pela Walt Disney Records, consistindo de cinquenta minutos de uma seleção de faixas da música original de Howard e também a canção tema "Where the Dream Takes You", interpretada por Mýa. Ele também foi lançado em uma edição especial limitada em vinte mil cópias com uma capa tridimensional mostrando o Leviatã. Houve um raríssimo álbum promocional com os 73 minutos da trilha completa de Howard para os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, porém foi bootlegged e distribuído sem autorização com capas desenhadas pelos fãs. O crítico musical Christian Clemmensen comentou o álbum promocional e a trilha como um todo: "Fora aproximadamente cinco minutos de material adicional superior (incluindo a enorme abertura, 'Atlantis Destroyed'), a apresentação completa é na maior parte redundante. Ainda assim, Atlantis é uma obra bem realizada de seu gênero".
Jogos eletrônicos
Vários jogos eletrônicos baseados no filme foram lançados. Atlantis: The Lost Empire – Search for the Journal foi desenvolvido pela Zombie Studios e publicado pela Buena Vista Games. Ele foi lançado em 1 de maio de 2001 exclusivamente para Microsoft Windows, sendo um título do gênero tiro em primeira pessoa e o primeiro de dois jogos produzido pela Zombie e lançado como parte do processo de divulgação feito através da Kellogg's. Atlantis: The Lost Empire – Trial by Fire foi o segundo jogo desenvolvido pela Zombie, sendo outro tiro em primeiro pessoa para Microsoft Windows e lançado em 18 de maio de 2001. O estúdio Eurocom desenvolveu Disney's Atlantis: The Lost Empire para PlayStation, sendo um jogo de ação lançado em 14 de junho de 2001. O jogador controla Milo, Kida, Audrey, Molière e Vinny enquanto atravessam Atlântida, desvendando seus segredos ao desbloquearem itens escondidos por todo o jogo. A THQ fez a conversão do título para os consoles portáteis Game Boy Color e Game Boy Advance. Nestas, ele transformou-se em jogo do gênero plataforma em que o jogador controla Milo e outros três personagens através de catorze níveis até descobrirem a cidade de Atlântida.


