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Atlas Catalão

O Atlas Catalão é um atlas medieval atribuído ao judeu maiorquino Abraão Cresques. Embora nenhum dos portulanos que o compõem esteja assinado ou datado, estima-se a data aproximada de produção em torno de 1375 pelo registo que figura no calendário que o acompanha.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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História

Não se pode afirmar que Cresques seja o autor do Atlas Catalão, apesar de estar documentado que, nesta mesma época elaborou diversos portulanos e que os reis de Aragão os ofereciam como presentes. Concretamente, e com referência ao próprio Atlas, está documentado que em novembro de 1381, o infante João, duque de Gerona e primogénito de Pedro IV de Aragão, quis oferecer um presente ao novo rei da França, o jovem Carlos VI e decidiu enviar-lhe um mapa-múndi da sua propriedade que estava depositado nos arquivos de Barcelona. Para este fim, mandou chamar o autor do documento, o judeu Cresques ("Cresques lo juhueu qui lo dit mapamundi a fet"), e ao filho dele, Jehuda Cresques, para que lhe facilitassem todas as informações úteis que seriam transmitidas ao rei da França, tendo lhes pago 150 florins de ouro de Aragão e 60 livras maiorquinas.

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Características

Trata-se de um conjunto de mapas do mundo então conhecido, numa óptica centrada no mar Mediterrâneo, que permite uma visão sinóptica de todo o mundo conhecido em finais do século XIV. As características aproximadas do atlas são: seis lâminas dobradas pela metade, cada uma colada sobre tábuas de madeira. Cada lâmina tem umas dimensões de 65 x 50 cm, o que lhe dá uma envergadura total de 65 x 300 cm.

Primeira folha: Cosmografia

A obra começa com um resumo dos trinta dias de um mês lunar e dois diagramas circulares. O primeiro incorpora uma rosa dos ventos para calcular a maré alta durante a lua cheia. O outro, acredita-se que dispunha de um indicador móvel, que permitia o cálculo das festas movíveis do ano: Carnaval, Páscoa e Pentecostes. Encontra-se a seguir, uma anatomia médico-astrológica, com uma tabela para encontrar a lua no zodíaco. Nesta segunda tabela há um texto extenso sobre a Terra, a sua origem, dimensões e a interpretação de alguns fenómenos naturais. À Terra, esférica, é atribuída uma circunferência máxima de 180.000 estádios, uns 4.000 quilómetros por baixo da cifra real (por volta de 40.000 km).

Segunda folha: Calendário

Nesta folha encontram-se dois grandes calendários, um solar e outro lunar, rodeados pelas quatro estações do ano. Ao lado dos calendários encontram-se dados astronómicos baseados no modelo geocêntrico de Ptolemeu, que não deixam de ser um estudo da cosmografia científica da época. A humanidade sobre a Terra, encontra-se rodeada pelos três elementos básicos, o ar, a água e o fogo. Nos sucessivos anéis azuis podem-se encontrar a Lua, Mercúrio, Vénus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno, e o firmamento com dezoito estrelas. O seguinte círculo contém alegorias clássicas destes astros: o Sol é o rei, Vénus é uma dama, etc, terminando com um Marte guerreiro.

Terceira e quarta folhas: Fisterra e o Mediterrâneo

Estas folha compreendem todo o mundo conhecido no século XIV de 10º a 60 de latitude norte. Na "Mar Océana" encontram-se todas as ilhas conhecidas e pontos de referência, por um desejo explícito do príncipe João. Assim, na ilha de Tenerife pode-se apreciar um ponto branco, que representa o Teide. A representação da linha de costa do Mediterrâneo está muito cuidada, fato que reflete a hegemonia da Coroa de Aragão naquele período, com colônias marítimas e relações de vassalagem nas três penínsulas, bem como o domínio das ilhas, das Baleares ao Chipre. Uma das características da escola cartográfica maiorquina é a presença de muitas bandeiras e lendas com dados físicos, econômicos e demográficos de grande interesse. Às vezes ficavam também anotadas tradições literárias, como no caso das ilhas Afortunadas (Canárias) e as fábulas sobre o seu ouro.

Quinta folha: Mapa de Deli

Seguindo para oeste o terceiro mapa começa com o curso baixo do rio Volga e as suas características bocas ao mar Cáspio. O Cáucaso, o rio Eufrates e a península Arábica completam, de norte a sul, a geografia de identificação imediata deste mapa. O rio Amu Dária flui para o mar de Aral desde o seu nascimento na cordilheira de Pamir. Para o sul, Deli chama a atenção, com o sultão que governou a Índia de 1206 a 1320. A maioria dos nomes desta região provêm da viagem de Marco Polo. A cordilheira do norte, na qual se aprecia a caravana da Rota da Seda de caminho para Catai, corresponde às montanhas asiáticas do Tian Shan. Todas as linhas da costa estão feitas com um traço contínuo e com menos pormenor, fato que denota um conhecimento mais continental que marítimo do setor.

Sexta folha: Mapa de Catai

A falta de informação geográfica fica compensada por uma rica ornamentação, enchendo assim a sensação de vazio e alimentando ao mesmo tempo a curiosidade dos humanos da Idade Média a respeito das fabulosas e enormes terras do Catai. A orografia e a hidrografia não são as típicas representações de outros mapas, mas contribuem para estruturar os espaços. As cidades são a informação cartográfica mais relevante, sendo a mais importante Cambalique (a atual Pequim). Também se encontram os portos mais importantes da costa. O rio Indo marca o limite de Catai, tal qual recolhia a tradição, nasce num grande vale de montanhas numa possível alusão ao Himalaia.

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Fontes consultadas

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