Atos de fala
A teoria dos atos de fala, em linguística e filosofia da linguagem, é a denominação dada ao projeto filosófico de John Langshaw Austin, que concebe a linguagem como ação. Austin faz parte da escola de filosofia analítica de Oxford, cuja fundação é atribuída a Gilbert Ryle, mais especificamente a seu texto Sistematic Misleading Expressions, e o fator que caracteriza os filósofos desta escola é a análise minuciosa da linguagem, na verdade da linguagem ordinária, ou seja, sob uma interpretação literal. Isto os diferencia, por exemplo, dos estudiosos do Círculo de Viena, cujos estudos sobre a linguagem limitavam-se àquela usada pela ciência. Relação entre fala e escrita na escrita infantil, é uma pesquisa que busca analisar o letramento das crianças, de acordo com atos de fala. Por Lourenço Chacon (2021) Assim, a chamada “interferência da fala” não deve ser vista como erro, mas como parte natural dos processos enunciativos da escrita em formação. Como elementos de subjetividade e historicidade aparecem nos registros não-convencionais
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1. ato locutório: corresponde ao ato de pronunciar um enunciado. 2. ato ilocutório: corresponde ao ato que o locutor realiza quando pronuncia um enunciado em certas condições comunicativas e com certas intenções, tais como ordenar, avisar, criticar, perguntar, convidar, ameaçar, etc. Assim, num ato ilocutório, a intenção comunicativa de execução vem associada ao significado de determinado enunciado. 3. ato perlocutório: corresponde aos efeitos que um dado ato ilocutório produz no alocutário. Verbos como convencer, persuadir ou assustar ocorrem neste tipo de atos de fala, pois informam-nos do efeito causado no alocutário.
Classificação dos atos ilocutórios
Com base na teoria de J. L. Austin, John Searle procedeu à divisão e classificação dos atos ilocutórios. A teoria dos atos ilocutórios de John Searle (Searle 1969 e 1979) assenta no princípio de que quando o locutor pronuncia uma determinada frase, num contexto específico, executa, implícita ou explicitamente, atos como afirmar, avisar, ordenar, perguntar, pedir, prometer, criticar, entre outros. Assim, o alocutário deve interpretar um enunciado tendo em conta o conteúdo proposicional do ato proferido e, também, todos os marcadores da força ilocutória presentes na situação comunicativa em que é proferido. 1. Ato ilocutório assertivo: ato de fala que o locutor realiza pela pronunciação de um enunciado que implica um certo comprometimento com o valor relativo de verdade/ falsidade, ocorrendo em frases com verbos assertivos e expressões verbais.
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A Teoria dos Atos de Fala é uma ferramenta de análise fundamental para a Pragmática e para a Análise do Discurso, permitindo investigar como os enunciados funcionam na prática em diferentes contextos sociais. Em um estudo sobre o discurso jornalístico, por exemplo, a teoria foi utilizada para analisar manchetes de jornais que reportam a fala de outras pessoas (discurso reportado). A análise focou em como o ato de fala assertivo (o ato de afirmar) do jornalista se combina com o ato de fala da fonte (a pessoa reportada), revelando diferentes graus de comprometimento do jornalista com a veracidade daquela declaração. Isso demonstra como a teoria pode ser aplicada para entender mecanismos de construção de sentido e responsabilidade no discurso da mídia.


