Auberto de Avranches
Auberto de Avranches foi um bispo de Avranches entre os anos 704 e 723. É conhecido ter recebido uma visão do Arcanjo Miguel no século VIII, que o motivou a fundar o atual Monte Saint-Michel. É considerado santo pela Igreja Católica, sendo comemorado no dia 10 de setembro.
Auberto nasceu nos arredores de Avranches (entre Genêts ou Huisnes-sur-Mer) por volta de 670, na família dos senhores de Genêts, na época do rei Quildeberto III. Quando sua família morreu, ele distribuiu sua herança aos pobres e tornou-se sacerdote. Prelado caridoso e sábio, foi eleito bispo da extinta Diocese de Avranches em 704, com a morte do seu antecessor. A história milagrosa que conta a lenda de Santo Auberto e do dragão vem de um texto latino da Revelatio ecclesiae sancti Michaelis in monte Tumba, escrito por um cônego de Monte Saint-Michel ou da antiga catedral de Avranches, no início do século IX. Este texto ocasional enquadra-se no contexto da luta pelo poder entre a Bretanha e o condado da Normandia com o Reino Franco, bem como nas reformas canónicas empreendidas pelos imperadores carolíngios. Segundo esta história, o bispo libertou os seus fiéis de um dragão que assediava os seus rebanhos: com o sinal da cruz e lançando a sua estola sobre o animal, ordenou-lhe que regressasse ao mar e não reaparecesse.
O crânio do bispo, denominado "cabeça de Santo Auberto", é de cor âmbar, bem conservado e robusto. Ele carregaria o estigma do dedo do arcanjo. Este buraco mítico aparece no osso parietal direito do crânio. A perfuração tem contorno quase perfeitamente circular (o diâmetro varia de 17 a 21mm) com bolha regular. Faltam alguns ossos no teto posterior das órbitas, na cavidade nasal e na maior parte do teto do palato. As amostras parecem ter sido retiradas do processo mastóide esquerdo. Várias explicações racionais foram dadas para explicar este buraco milagroso: trepanação traumática ou cirúrgica de um homem neolítico; pregar (rito mágico de pregar cadáveres merovíngios para evitar que retornem). Análises paleopatológicas realizadas na década de 2000 apontaram para cisto epidermóide, de homem com 60 anos ou mais, tendo vivido em tempos históricos.[nota 2] Essas análises confirmam o relato do antropólogo R. Hartweg, realizado em 1985, segundo o qual o furo não pode ter sido feito após a morte da pessoa, nem ser consequência de trauma ou lesão patológica. O estado de preservação do crânio sugere que o corpo não foi enterrado no solo, mas sim em sarcófago ou caixão.


