Póvoa de Varzim
A Póvoa de Varzim é uma cidade portuguesa localizada na sub-região da Área Metropolitana do Porto, pertencendo à região do Norte e ao distrito do Porto.
Etimologia
O nome, Póvoa de Varzim, deriva de Póvoa, que significa pequeno povoado, dado que, ali, D. Dinis mandou edificar um pequeno povoado em 1308, a palavra Varzim, deriva Euracini, senhor da totalidade, ou pelo menos parte destas terras, a palavra Euracini, através de vários fenómenos linguísticos acabou por se transformar em Varzim.
Cultura castreja e conquista romana
Achados de ferramentas de pedra acheulenses sugerem que a Póvoa de Varzim é habitada desde o Paleolítico Inferior, por volta de 200 000 a.C. Os primeiros grupos de pastores instalaram-se em todo o litoral da Póvoa de Varzim por volta do IV milénio e os inícios do II milénio a.C. Uma necrópole do Neolítico-Calcolítico, com sete mamoas conhecidas, pode ainda ser vista à volta do monte de São Félix e do Monte da Cividade. As pilhagens generalizadas por tribos rivais, levaram a que as populações residentes na planície litoral da Póvoa de Varzim erguessem um povoado fortificado no cume do monte mais próximo do mar. Assim nasceu a Cividade de Terroso que se foi desenvolvendo para se tornar num dos principais povoados da cultura castreja. No seu apogeu, a Cividade teria perto de 12 000 metros quadrados e nela habitavam várias centenas de pessoas. Esta manteve relações comerciais com as civilizações do Mediterrâneo, principalmente durante o domínio cartaginês do sudeste da Península Ibérica.
Feudalismo e municipalismo
Com a queda do Império Romano, povoações de origem sueva fixaram-se na zona envolvente. A primeira referência escrita conhecida aparece em 26 de Março de 953 durante o domínio de Mumadona Dias, Condessa de Portugal. A região foi atacada pelos viquingues (normandos) na década de 960, pelos Mouros em 997 e novamente por piratas normandos em 1015-1016. Várias pistas indicam a colonização viquingue em Vila de Euracino após essas invasões. Durante a Idade Média, o nome Euracino (Euracini) modificou-se para Uracini, Vracini, Veracini, Verazini, Verazim, Varazim e, eventualmente, Varzim. No século XI, Guterre Pelayo, um dos principais capitães da reconquista para o Condado Portucalense, tornou-se o Senhor de Varzim. D. Henrique, conde de Portugal, atribuiu-lhe o Porto de Varzim e outras possessões limítrofes. Os senhores de Varzim obtiveram poder significativo. Quando Portugal era já um reino estável, Sancho I de Portugal acreditava que conspiravam contra o rei e decide atacar o feudo. Conquistou o porto, destruiu a maioria das propriedades e expulsou os agricultores. A parte norte tornou-se conhecida como Varzim dos Cavaleiros e pertencia aos Cavaleiros Hospitalários, que herdaram a riqueza dos senhores locais. A parte sul de Varzim, terra do rei, era a localização do porto e campos agrícolas limítrofes.
Construtores navais, navegadores e pescadores
No século XVI os pescadores começaram a trabalhar em atividades marítimas, como pilotos ou mareantes, na tripulação das naus portuguesas, devido aos seus altos conhecimentos náuticos. Os pescadores da região pescam na Terra Nova desde, pelo menos, 1506. Durante o reinado de D. João III a arte de construção naval poveira era já famosa, e os carpinteiros poveiros eram procurados pelos estaleiros da Ribeira das Naus em Lisboa devido aos seus altos conhecimentos técnicos. A paisagem urbana era dominada por casas térreas, mas existem indicações de habitações com vários pisos e de arquitectura rica. A classe abastada dos mercadores está associada a este rico casario em volta da Praça Velha. As rotas dos mercadores poveiros incluíam as Índias Ocidentais, São Tomé, Angola, Brasil, Índia, Peru, Flandres e Sevilha.
Os banhos da Póvoa e a cidade moderna
As águas ricas em iodo levam que, a partir de 1725, monges beneditinos percorram distâncias para tomar os "banhos da Póboa", em busca do iodo, considerado vigorante, e curas para problemas de pele e ossos através de banhos de mar e sol. A partir do século XIX, a afluência intensificou-se sobretudo entre as classes abastadas do Entre-Douro-e-Minho, levando a tomar feição cosmopolita e ao desenvolvimento do lazer. Surgem vários hotéis, teatros e salas de jogo. Tornava-se então no mais popular destino de férias do Norte de Portugal, o que leva a que investidores privados criem ligações ferroviárias com o Porto em 1875 e com o Baixo Minho em 1878.
Freguesias
Ocupando uma área de 82,21 Km², o Município da Póvoa de Varzim localiza-se entre os rios Cávado e Ave, ou, de uma forma mais abrangente, a meio caminho entre os rios Minho e Douro, na costa norte de Portugal — a Costa Verde. O município acha-se limitado a Norte pelo município de Esposende, a Nordeste por Barcelos, a Leste pelo de Vila Nova de Famalicão e a Sul por Vila do Conde. A poente, tem costa no oceano Atlântico. Vagueando pela costa destaca-se o cabo de Santo André que é, possivelmente, o Promontório Avarus referido por Ptolomeu, geógrafo da Grécia Antiga, no território dos Callaici. As arribas rochosas, comuns desde a foz do Rio Minho, desaparecem na Póvoa de Varzim dando lugar a uma planície litoral e enseadas. A planície é originada a partir de uma antiga plataforma marítima que confere um solo arenoso à terra litoral varzinense, formando-se dunas, principalmente no Norte de Aguçadoura.
Clima
O clima poveiro é classificado como mediterrânico (Csb pela classificação climática de Köppen) suavizado pelas brisas oceânicas, com verões amenos e invernos suaves. As temperaturas médias oscilam entre os 12,5 e os 15 graus. A cidade possuiu um microclima e é considerada a região menos sujeita a geadas em todo o Norte de Portugal, com quedas de neve extremamente raras, devido aos ventos de Inverno que, normalmente, sopram de Sul e Sudoeste. As chuvas concentram-se principalmente no Inverno e o município apresenta três regiões distintas no que toca à precipitação. Na planície litoral, o núcleo urbano é a zona mais seca onde precipitação varia entre os 1000 e 1200 mm anuais; o norte do município, em volta do cabo de Santo André, e a área ao redor da cidade varia entre os 1200 e os 1400. A região interior da Serra de Rates e Monte de São Félix, a mais chuvosa, recebe entre 1400 a 1600 mm anuais.
Localizada na planície litoral e aprisionada entre o mar e os montes de São Félix e da Cividade, a cidade da Póvoa de Varzim é constituída por onze Partes, que são áreas significativas da cidade com diferenciação popular e topológica. Estes bairros são, por sua vez, parte de duas estruturas administrativas formais conhecidas como freguesias: U.F. Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai e U.F. Aver-o-Mar, Amorim e Terroso. Pelo sul, existe uma continuidade urbana com Vila do Conde, para onde a cidade cresceu no passado. A cidade desenvolveu-se do interior para o litoral a partir do núcleo do Bairro da Matriz, onde ainda restam as ruelas estreitas e tortuosas da Póvoa primitiva do século XIV. Ainda hoje de carácter unifamiliar, encontram-se no bairro construções antigas tais como a casa seiscentista em frente à Igreja Matriz, os quatrocentistas Paços do Concelho, o Solar dos Carneiros (século XVII) e as casas oitocentistas do Capitão Leite Ferreira, dos Limas e de Coentrão. A população de pescadores foi concentrada junto à costa sul, em volta da Enseada da Póvoa, e já no século XVIII o Bairro Sul, sector piscatório com ruas estreitas paralelas à costa, encontrava-se razoavelmente desenvolvido.
Praias e parques
A Póvoa de Varzim possui 12 km ininterruptos de praias de areia dourada, formando enseadas divididas por rochedos, afamadas por serem águas ricas em iodo. A maioria das praias da cidade são orientadas para a família tais como a Redonda, Salgueira e Lagoa e durante o período estival podem receber multidões, enquanto que aquelas mais afastadas do coração da cidade, como Santo André. A Salgueira e a Aguçadoura são praias de surf, enquanto que a Verde e a do Quião são praias de encontros. Localizada perto do parque de campismo do Rio Alto, a praia do Rio Alto é frequentemente escolhida por naturistas dado o acesso difícil e a privacidade oferecida pelas dunas de areia.
Área rural e suburbana
O anel verde da Póvoa de Varzim é composto pelas freguesias de Balazar, Estela, Laundos, Rates e pelas antigas freguesias Aguçadoura, Amorim, Beiriz, Navais e Terroso . Nestas freguesias, para além das povoações principais, existem pequenas aldeias, nomeadamente: Além, Fontainhas, Gandra, Gestrins, Gresufes, Passô, Sejães e Teso. A área rural da Póvoa de Varzim, terra envolta em lendas e história ancestral, é onde se localizam os montes da Póvoa, o Cividade e o São Félix, em Terroso e Laundos, respectivamente. No primeiro monte, localiza-se a tri-milenar Cividade de Terroso, uma das principais urbes da cultura castreja, e no segundo viveria São Félix na Idade Média. Outrora, a população atribuíção lendas, virtudes mágicas e efeitos terrapêuticos a variadas fontes. Fontes terapêuticas relacionadas com São Pedro de Rates localizam-se nas freguesias de Rates e Balazar. Em Navais, a Fonte da Moura Encantada estava associada a Moura - uma divindade pagã feminina da água, guardiã de tesouros encantados.
(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente) Antes de 1849, os dadosdizem respeito apenas à sede. Um habitante da Póvoa de Varzim é conhecido por Poveiro. De acordo com o Censo de 2001, existiam 63 470 habitantes nesse ano, sendo que 38 848 (61,2%) dos quais viviam na cidade. O número sobe para 100 000 quando se considera áreas-satélite envolventes, tornando-a na sétima maior área urbana independente em Portugal, dentro de uma aglomeração policêntrica de cerca de três milhões de pessoas. A área urbana tem uma densidade populacional de 3035 hab./km², enquanto a rural e suburbana têm uma densidade de 355,5 hab./km². As áreas mais afastadas da cidade tendem a ser muito pouco povoadas, tornando-se mais densas quanto mais próximas desta. Durante o Verão a população residente atinge os 200 mil; este movimento sazonal proveniente de cidades vizinhas é motivado pela praia e 29,9% das casas tinham uso sazonal em 2001, o mais alto do Grande Porto. A Póvoa de Varzim é a cidade mais jovem do Grande Porto, com uma taxa de natalidade de 13,665 e de mortalidade de 8,330. Ao contrário de outras zonas peri-urbanas do Grande Porto, não se constituiu como uma cidade satélite, sendo os movimentos pendulares apenas significativos com Vila do Conde, zona de expansão urbana da Póvoa desde o século XVIII.
A Junqueira é a mais movimentada e antiga área comercial do centro da cidade, a rua principal abriu no século XVIII e tornou-se pedonal em 1955. Com cerca de 1 km de ruas pedonalizadas, a Junqueira encontra-se pontilhada por botiques e edifícios que datam da Belle Époque, sendo reconhecida pela joalharia; das quais a Ourivesaria Gomes é uma das mais requintadas e históricas do país. A orla costeira é uma área de praia e de vida nocturna popular entre visitantes e locais. A Avenida dos Banhos, que corre pela Praia Redonda até à Praia da Salgueira, é uma avenida icónica, com discotecas, bares e esplanadas pelo caminho. o Passeio Alegre é uma praça de praia plena de esplanadas, e a Caetano de Oliveira, para norte, é um pequeno, mas vibrante, largo com vários bares onde os poveiros mais jovens se encontram, antes de irem para as discotecas junto à praia, já de madrugada. Existe um grande número de celebrações religiosas ou populares. O feriado municipal é no dia 29 de Junho, dia de São Pedro, o santo pescador. Por esta altura, os bairros são ornamentados; e, na noite de 28 para 29 de Junho, a população reúne-se em festa, dançando e comendo à luz das fogueiras. Os bairros tradicionais competem entre si nas "rusgas" e na criação dos tronos de São Pedro. Durante as festividades, a população comporta-se tal como os apoiantes dos clubes de futebol, e por vezes os mais fanáticos se exaltam na defesa do seu bairro de afeição, mas por norma a competição é salutar, formando uma rusga final conjunta representando a cidade. Famílias, que emigraram para os Estados Unidos e outros países, regressam à Póvoa apenas pela exaltação e o sentimento de comunidade presentes nesta festa.
Entretenimento e artes cénicas
O Casino da Póvoa é uma referência no jogo e entretenimento no Norte desde a década de 1930, onde os jogos e espectáculos têm lugar durante todo o ano. Em 2006, era o segundo casino em lucros, com 54 milhões de euros e o terceiro mais popular com 1,2 milhões de clientes. O Restaurante Egoísta do Casino da Póvoa, haute cuisine de inspiração portuguesa, é envolvido por uma galeria de arte, com obras de autores nacionais tais como Graça Morais, Júlio Resende, Nikias Skapinakis ou Rogério Ribeiro. A Filantrópica, criada em 1935, é uma cooperativa de cultura cujas acções culturais vão desde exposições de pintura a cursos de dança. Em pleno século XIX, a Póvoa de Varzim possuía mais de uma dezena de casinos. O Salão Chinês, o mais carismático, era famoso em todo o país pelas dançarinas e decoração extravagante. Outras salas de jogo reconhecidas eram o Café Suisso, o Café David, o Café Universal e o Luso-Brasileiro. Dos vários hotéis da Póvoa de Varzim, o mais histórico ainda em actividade é o Grande Hotel da Póvoa, um edifício modernista de grande impacto.
Museus
O Museu Municipal de Etnografia e História (1937) é um museu de vocação etnográfica marítima. Dos mais antigos museus etnográficos em Portugal e instalado num solar do século XVII, destaca-se no acervo do museu a mostra "Siglas Poveiras" que mereceu o prémio "European Museum of The Year Award" de 1980. Contudo, possuiu também arte sacra da primitiva igreja matriz e peças arqueológicas como as inscrições romanas de Beiriz. Existem pequenos museus temáticos: o Museu da Santa Casa, o Núcleo Museológico da Igreja Românica de São Pedro de Rates que se dedica à divulgação da história, lenda e arte em redor da Igreja Românica de São Pedro de Rates e o Núcleo Arqueológico da Cividade de Terroso, que serve para apresentação da Cividade de Terroso. A Câmara Municipal prevê abrir mais dois pequenos museus temáticos, o Farol de Regufe e a Casa do Pescador, esta última um retrato verdadeiro de como viviam outrora os pescadores locais.
Etnografia
A Póvoa de Varzim possuiu uma identidade definida dentro da população portuguesa e a sua cultura tem particularidades muito próprias. A expressão local Ala-Arriba! significa "força, para cima!", e era gritada quando se puxava um barco para terra por toda a comunidade, passando a ser vista como o lema da Póvoa de Varzim. Foi Leitão de Barros, com o filme "Ala-Arriba!", cinema do género drama-documental, que popularizou esta comunidade piscatória durante a década de 1940. O herdeiro da família é o filho mais novo, tal como na antiga Bretanha e Dinamarca, isto porque era esperado que ele tomasse conta de seus pais quando estes se tornassem idosos. Também, e ao contrário do resto do país, é a mulher que governa a família, este matriarcado radica na ausência do homem que estava normalmente a pescar no mar.
Cozinha
Os ingredientes tradicionais da cozinha poveira são os produtos hortícolas regionais e o peixe. O peixe é dividido em duas categorias, o peixe "pobre" (sardinha, raia, cavala, cascarra e outros) e o peixe "fino" (tais como pescada, robalo, badejo e melo). O prato local mais famoso é a Pescada à poveira, cujos ingredientes principais são, para além do peixe que dá o nome ao prato, batatas, ovos e um "molho fervido" de cebola e tomate. Outros pratos piscatórios incluem o arroz de sardinha, a caldeirada de peixe, lulas recheadas à poveiro, arroz de marisco e lagosta suada. Marisco com concha e iscas, pataniscas e bolinhos de bacalhau fritos são entradas populares de pratos. A feijoada poveira, servida com arroz seco, é feita com feijão branco, chouriço e pedaços de carne bovina e suína.
Desporto
Segundo a câmara municipal, 38% da população da Póvoa de Varzim pratica desporto, um valor superior à média nacional. O desporto (esporte) mais popular é o futebol. Bruno Alves, jogador de futebol, é o poveiro que mais se destaca no mundo do desporto. O Estádio Municipal e seus campos sintéticos do Parque da Cidade são o palco do campeonato inter-freguesias onde 19 clubes de futebol popular competem: Aguçadoura, Amorim, Argivai, Averomar, Balazar, Barreiros, Beiriz, Belém, Estela, Juve Norte, Laundos, Leões da Lapa, Mariadeira, Matriz, Navais, Rates, Regufe, Terroso e Unidos ao Varzim. O Varzim Sport Club é o clube de futebol profissional do município e joga no Estádio do Varzim adjacente à praia; na presente temporada disputa a Segunda Divisão , mas por várias vezes atingiu a liga principal.
Imprensa
O primeiro jornal foi a Gazeta da Póvoa de Varzim, publicado entre 1870 e 1874. Hoje, a cidade é servida pelos semanários O Comércio da Póvoa de Varzim (1903), A Voz da Póvoa (1938) e o Póvoa Semanário que começou a ser imprimido no final da década de 1990. As estações da Rádio Mar (89.0) e a Rádio Onda Viva (96.1) emitem em FM e pela Internet. A programação diária das estações de rádio inclui notícias e desporto de âmbito local e da região da Póvoa de Varzim. A Rádio Onda Viva emite diariamente programação em Mandarim direccionada para a comunidade chinesa. Existem televisões locais na Internet, nomeadamente a Norte Litoral TV e a Onda Viva TV.
A Póvoa de Varzim possuiu uma economia diversificada, cuja espinha dorsal assenta no turismo (nomeadamente o jogo, hotéis e restaurantes) e no sector alimentar (destacando-se a produção de leite, horticultura e pescas). De acordo com o censo de 2001, é no sector terciário que a maioria das 1770 empresas sedeadas na Póvoa de Varzim laboram. Contavam-se 33,73% das empresas no sector secundário e 2,82% eram do sector primário. A taxa de actividade cresceu de 48% para 51,1% entre 1991 e 2001, mas 3353 cidadãos encontravam-se desempregados em Junho de 2006. Muita da sua economia é virada para o mar. A indústria piscatória, quer através do pescado que chega diariamente ao porto de Pesca da Póvoa de Varzim para o fabrico de conservas e para venda no mercado da cidade, a agricultura nas dunas, a apanha de sargaço para fertilizar os campos e o turismo são o resultado da sua geografia. A milenar indústria pesqueira perdeu muita importância. No entanto, o valor médio do peixe descarregado no seu porto de pesca, em 2004, era quase três vezes superior ao do porto de Matosinhos e a sua produtividade pesqueira era também comparativamente superior à de outros portos nacionais.
O município da Póvoa de Varzim é administrado por uma Câmara Municipal composta por nove vereadores. Existe uma Assembleia Municipal que é o órgão legislativo do município, constituída por 39 deputados, doze dos quais são presidentes das juntas de freguesia. Depois das eleições autárquicas de 2009, cinco vereadores são do Partido Social Democrata, três do Partido Socialista e um do CDS - Partido Popular. O presidente da Câmara Municipal é Macedo Vieira, pelo PSD, que foi reconduzido para o cargo com 46,2% dos votos. A maioria das cadeiras da assembleia municipal e das juntas de freguesias são também dominadas pelo PSD. Desde as primeiras eleições livres com o fim do período do Estado Novo, que apenas partidos de direita dominam o município, a câmara foi governada pelo CDS entre 1976 e 1989 e desde então pelo PSD. O CDS viu a sua popularidade ter um declínio abrupto em 1997, passando desde esta altura a ser a terceira força política. Pelo contrário, o PSD conheceu nesse mesmo ano a sua primeira maioria absoluta com 62,4% dos votos.
Relações internacionais
A Póvoa de Varzim faz parte de uma rede de cidades europeias geminadas entre si, onde se valoriza o desenvolvimento do projecto europeu, a promoção da mobilidade dos cidadãos europeus e o estabelecimento de laços de amizade e cooperação. Pela sua acção neste campo recebeu as Estrelas D'Ouro das Geminações de Cidades de 1995 e 2005 pela Comissão Europeia.
A Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão (ESEIG), parte do Politécnico do Porto, foi fundada em 1990. A escola estava baseada em dois campus, um na Avenida Mouzinho de Albuquerque e outro em Vila do Conde, mas foi unificada num único campus em 2001.O novo campus tem 31544 m² e inclui equipamentos tais como um auditório e espaços de pesquisa. A ESEIG oferece educação pré-graduada e pós-graduada. As escolhas académicas centram-se em engenharia industrial, desenho industrial, engenharia biomédica, gestão, recursos humanos, contabilidade e finanças empresariais. A Póvoa de Varzim tem escolas públicas, paroquiais e independentes espalhadas pela cidade e áreas rurais. A educação pública no município é providenciada por cinco agrupamentos verticais: Flávio Gonçalves, Cego do Maio, Aver-o-Mar, Campo Aberto e Rates. Estes agrupamentos reúnem jardins-de-infância e escolas até ao nono ano de diferentes espaços do concelho e são encabeçados pelas escolas Escolas de Educação Básica do 2.º e 3.°Ciclo que deram o nome aos respectivos agrupamentos. As escolas privadas na Póvoa de Varzim são primariamente geridas por paróquias ou católicos, mas o Grande Colégio da Póvoa de Varzim na área urbana e a Escola Agrícola Campo Verde são escolas independentes eminentes, para além do MAPADI que é um grande complexo para crianças com o síndroma de Down. O Colégio do Sagrado Coração de Jesus, onde estudou Agustina Bessa-Luís e as meninas da classe alta piscatória tem como objectivo ser uma escola católica de topo.


