Bandeira da Bahia
A Bandeira Estadual da Bahia é o pavilhão do estado brasileiro da Bahia e um dos símbolos oficiais a representar esta unidade da federação. Foi criada em 1889 por Diocleciano Ramos, médico e republicano baiano, e teve seu uso proibido durante o Estado Novo, assim como os demais símbolos subnacionais no país. Embora os detalhes do desenho não tenham sido descritos em legislação, constituições baianas recentes atribuíram ao estado a bandeira em uso como parte dos símbolos oficiais estaduais e decretos de 1960 e 2011 buscaram regular seu uso. Mais que isso, a bandeira da Bahia teve uso disseminado e enraizado na consciência da população baiana.
Durante reunião do Congresso Republicano em Salvador em 25 de maio de 1889, Diocleciano Ramos, professor da Faculdade de Medicina da Bahia, propôs a bandeira para representar o Partido Republicano da Bahia. A proposta submetida na reunião foi aprovada e passou a representar a agremiação no dia seguinte. Quando o Estado da Bahia reconheceu em 17 de novembro de 1889 a proclamação da República no Brasil, a bandeira foi hasteada por Durval Vieira de Aguiar, que era então coronel e o comandante da Polícia da Bahia. Além do regime republicano, o Brasil passou a ser uma federação e a Constituição brasileira de 1891 transformou as províncias do Império em estados e possibilitou aos mesmos a adoção de símbolos próprios. Apesar disso, a primeira constituição baiana, de 1891, não mencionou uma bandeira ou qualquer outro símbolo representativo para o estado. Ainda assim, o desenho de Ramos deixou de representar apenas a agremiação à qual pertencia e, já em 1933, aquele desenho foi reconhecido como a bandeira do estado na obra Brazões e bandeiras do Brasil, de Clóvis Ribeiro.
Trata-se de uma bandeira tricolor retangular barrada (isto é, com raias horizontais) alternadamente em vermelho (primeira e terceira raias) e branco (segunda e quarta) e com um triângulo branco no cantão dextro do chefe (isto é, no ângulo interno superior esquerdo) na cor azul. Na ausência de descrição legal, algumas publicações descreveram que as dimensões da bandeira seguem a proporção 7:10. Embora criada no fim do século XIX, suas características remontam a um ideário presente na política baiana desde fins do século XVIII, época dos Movimentos Emancipacionistas no Brasil Colônia e das Revoluções do Atlântico. Naquela época ocorreram a Revolução Americana de 1776 e a Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa e o fim da monarquia absolutista naquele país, a Inconfidência Mineira (ou Conjuração Mineira), e a Revolta dos Búzios (ou Revolta dos Alfaiates, Conjuração Baiana). Esses movimentos tinham em comum lutas por liberdade e igualdade e estão ligados a ideologias do republicanismo e liberalismo político. No caso da última, ocorrida em Salvador, ela pautou ainda a abolição da escravidão.
Ao longo da história, outras bandeiras foram utilizadas na Bahia, inclusive para fins independentistas. Embora tenha prevalecida a repressão aos rebeldes, esse histórico repercutiu no desenho da bandeira atual do estado e endereça alguma tradição culminada nesse desenho consagrado popularmente.
Há uma variação histórica do desenho de Ramos que circulou na Bahia. Nessa versão, o triângulo maçônico branco é vazado, ou melhor, é sobreposto por outro triângulo menor na mesma cor do cantão. Esse desenho estampou embalagens de barras de sabão da empresa brasileira Eucalol na década de 1930. Com relação a derivações, na esfera governamental, marcas das gestões dos governadores em exercício de seus mandatos tomam a bandeira estadual como fonte de inspiração, com atenção especial às três cores e ao triângulo. E justamente em referência às três cores, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) ostenta em seu brasão o azul, branco e vermelho. Da bandeira também derivou o escudo do Esporte Clube Bahia, popular clube futebolístico da capital estadual, sendo que figura no escudo de forma auto-reproduzida, remetendo à ideia de fractal.


