Margarida Gonzaga, Duquesa de Ferrara
Margarida Barbara Gonzaga foi uma nobre italiana pertencente à Casa de Gonzaga, princesa de Mântua por nascimento e Marquesa Consorte de Ferrara, Módena e Reggio por casamento.
Juventude
Margarida Bárbara era a segunda criança e primeira filha nascida do casamento de Guilherme Gonzaga, Duque de Mântua e de Monferrato e da Arquiduquesa Leonor da Áustria. Os seus avós paternos eram Frederico II Gonzaga, Duque de Mântua, e Margarida Paleóloga, Marquesa do Monferrato. Os avós maternos eram Fernando I, Sacro Imperador Romano-Germânico e Ana Jagelão, princesa da Boêmia e da Hungria. Foi batizada em honra da avó paterna e da tia materna, a Arquiduquesa Bárbara de Habsburgo, Duquesa consorte de Ferrara, Módena e Reggio. Na corte de Mântua, Margarida com o irmão mais velho, Vicente (mais tarde duque de Mântua e Monferrato) e com a sua irmã mais nova, Ana Catarina (que por casamento viria a ser Arquiduques da Áustria e condessa do Tirol). Margarida tinha grande afeto pelo irmão, sendo ambos de forte carácter e ambição. Teve uma educação marcadamente religiosa tendo estudado literatura e Latim. Mais tarde, Margarida chegou a escrever ela própria livros nesta língua. Sob a influência de do pai, um amante de música, a princesa aprendeu a tocar instrumentos musicais, a cantar e a dançar.
Casamento
Em 1578 o Duque Guilherme Gonzaga iniciou as negociações para o casamento entre a sua filha Margaridam n altura com 14 nos de idade, com Afonso II d'Este, Duque de Ferrara, Módena e Reggio, de 31 anos. Cm esta união, o Duque de Mãntu esperava restaurar a aliança política entre os Gonzagas e os Este criando uma coligação que incluísse também os Saboia e os Farnésio contra a Casa de Médici, cujo líder recebera do Imperador o título de Grão-Duque. Afonso II d'Este já ficara viúvo por duas vezes; as suas anteriores consortes, Lucrécia de Médici e Bárbara de Habsburgo (tia materna de Margarida), morreram sem darem um herdeiro. Em 1567 a Bula papal Prohibitio alienandi et infeudandi civitates et loca Sanctae Romanae Ecclesiae de Pio V proibia os filhos ilegítimos (ou seus descendentes) de serem investidos como soberanos de feudos da Igreja; sem outro agnático próximo a não ser o seu primo César d'Este (cujo pai era um filho ilegítimo de Afonso I d'Este) e temendo que a família viesse a perder o Ducado de Ferrara, Afonso II decidiu contrair um terceiro casamento.
Duquesa de Ferrara
Na corte de Ferrara, Margarida protegeu poetas, pintores e músicos. A duquesa teve lições de música do Maestro di cappella Ippolito Fiorini. Para agradar à sua jovem esposa, Afonso II reorganizou o concerto delle donne, que atuavam perante a duquesa e que era composto maioritariamente pelas suas damas de companhia, que frequentemente, cantavam no seu apartamento; Já em 1582, foi constituído um grupo profissional de cantores e instrumentistas, que incluía conhecidas sopranos (Laura Peverara, Livia d'Arco, Anna Guarini e Vittoria Bentivoglio) e instrumentistas de harpa, viola e alaúde, com participação de cantores masculinos baixo. Em janeiro de 1582, Margarida organizou um baile em que dançou com onze outras damas, metade das quais vestidas com trajes masculinos. O baile ocorreu por duas vezes (com e sem máscara) com as danças acompanhadas por canticos e interpretações musicais, que passaram a ser conhecidos por balletto delle donne, atuando também em muitos outros eventos, como por exemplo no casamento do compositor Carlo Gesualdo, Príncipe de Venosa, com Leonor d'Este (prima do marido de Margarida) em 1594.
Viuvês
Tal como os seus dois casamentos anteriores, a união de Afonso II com Margarida não teve geração. Aparentemente terá sido uma queda de um cavalo na sua infância que terá provocado a esterilidade do duque. Afonso II tentou com toda a sua força impedir a integração do Ducado de Ferrara, nos Estados Pontifícios, tendo participado propositadamente numa cruzada contra os Otomanos. Mas logo após a sua morte, em 27 de outubro de 1597, o Papa Clemente VIII não reconheceu César d'Este como herdeiro de Afonso. A 28 de janeiro de 1598 o Ducado de Ferrara foi oficialmente incorporado nos estados da Igreja e a corte ducal deslocou-se para Módena. Contudo, a maior parte dos bens móveis do Palácio de Ferrara e dos jardins adjacentes eram mantinham-se propriedade da Casa de Este, passando para Margarida na qualidade de Duquesa viúva.


