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Batalha de Borodino

A Batalha de Borodino, foi uma batalha que teve lugar a 7 de setembro de 1812, foi a maior e mais sangrenta batalha, em apenas um dia, no decurso da Campanha da Rússia e em todo o período das Guerras Napoleónicas, envolvendo mais de 250 000 homens e com mais de 70 000 baixas. O exército imperial francês, a Grande Armée, sob o comando geral de Napoleão Bonaparte, atacou o Exército Imperial Russo, liderado pelo general Mikhail Kutuzov, perto da vila de Borodino, a oeste da cidade de Mojaisk, capturando as principais posições do campo-de-batalha, mas sendo malsucedido ao não conseguir destruir o exército russo, apesar no número elevado de baixas. Cerca de um terço das forças de Napoleão foram mortas ou feridas; do lado russo, as perdas também foram elevadas, mas estas puderam ser substituídas no decorrer da campanha pelas milícias que se encontravam junto do exército russo e por forças de reserva.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Contexto

Em 1812, a aliança franco-russa foi quebrada pelo czar Alexandre I, que rompeu o bloqueio continental contra os ingleses. Como represália, Napoleão Bonaparte resolveu invadir a Rússia, mas com expressivas baixas durante o percurso, traçou um plano para conduzir seu exército até Moscou, onde poderia obter um acordo de paz favorável à França, ou pelo menos reabastecer seus soldados com suprimentos e exaltar novamente os ânimos para prosseguir o combate contra as numerosas tropas formadas pelo czar que estavam espalhadas em centros de treinamento no interior da Rússia. O alto comando russo, optou ao início da campanha pela tática de “terra arrasada”, visando atrair o exército napoleônico para o interior do território, fazendo com que a extensão das linhas de suprimento viesse a fragilizar a logística das forças francesas, de modo a possibilitar o êxito defensivo. A tática de terra arrasada porém não era uma unanimidade entre os generais russos. Após uma batalha de menor escala seguida da retirada russa da cidade de Smolensk, a pressão da nobreza levou o czar Alexandre I a destituir o general Barclay de Tolly, substituindo-o pelo veterano general Mikhail Kutuzov no comando do exército imperial.

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Posições defensivas

Disposto a evitar a captura de Moscou, general Mikhail Kutuzov posicionou suas forças, compostas por cerca de 155 mil homens e 640 peças de artilharia, junto à estrada de Smolensk, próximo à vila de Borodino, a cerca de 150 km da antiga capital do império. O grande exército napoleônico alcançou a região dividido em três colunas, tendo o centro comandado pelo general Joaquim Murat, com a guarda imperial, três corpos de cavalaria do general Grouchy e três corpos de infantaria dos generais Michel Ney, Davoult e Jean-Andoche Junot; na ala esquerda, o exército do vice-rei Eugênio de Beauharnais e na ala direita, pela antiga estrada de Smolensk as forças polonesas sob comando do tenente-general Jozef Poniatowski. Embora o campo de Borodino fosse demasiado aberto e tivesse poucos obstáculos naturais para proteger o centro russo e o flanco direito, foi escolhido pelo alto comando russo devido à proteção proporcionada pelo Rio Kolocha, e por tratar-se de um entroncamento das duas estradas que ligavam Smolensk a Moscou (a nova e a antiga).

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Reduto de Schevardino

Os primeiros combates tiveram início a 5 de setembro, próximo a vila de Schevardino, onde a cavalaria do general Joaquim Murat entrou em combate contra um destacamento russo sob comando do conde Konovnitsyne. Em 6 de setembro, a aproximação do 4º Exército do príncipe Eugênio de Beauharnais que havia cruzado o rio Kolocha, obrigou os russos a recuarem para Semenovskaya. A inesperada manobra do 4º exército francês e a queda do reduto de Shevardino derrubaram a formação russa, fragilizando sua posição defensiva no flanco esquerdo e neutralizando a artilharia posicionada pelo flanco direito. O general Mikhail Kutuzov ordenou que as forças russas se reagrupassem, construindo uma posição improvisada em torno da vila de Utitsa, para a qual destacou seu chefe de estado maior, general von Bennigsen com o 3º corpo de infantaria do tenente-general Tutchkov e parte da reserva de artilharia. O rápido remanejamento das forças russas do flanco direito para o esquerdo frustrou o plano de batalha francês e circunscreveu a luta a um mero embate frontal, sangrento e mortífero.

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As Flechas de Bagration

A Batalha de Borodino teve início às seis horas do dia 7 de setembro de 1812, com intenso fogo de artilharia francês sobre o centro russo. O general Davoult enviou a divisão do general Compans ao sul das flechas de Bagration, apoiado por outra divisão do general Dessaix, porém a primeira onda de ataque foi frustrada pelo fogo de barragem da artilharia russa. Compans e Dessaix foram feridos, mas os franceses continuaram seu ataque. O general Davoult, que passara a liderar pessoalmente o ataque, chegou a ser dado como morto, quando seu cavalo foi atingido por fogo inimigo, provocando-lhe uma violenta queda. O general Rapp, enviado em seu socorro também acabou ferido. As tropas de Davoult chegaram a ocupar as “flechas”, mas foram desalojadas por um contra-ataque liderado pelo príncipe Bagration. A cavalaria do general Joaquim Murat avançou sobre a posição. Apoiados por divisões dos generais Michel Ney e Jean-Andoche Junot, os franceses realizaram sete assaltos infrutíferos contra as “flechas”.

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Reduto Raevsky

Enquanto isso as tropas do príncipe Eugênio de Beauharnais tomavam a vila de Borodino, após intensos combates e dirigiam-se ao grande reduto, quando sofreram um contra-ataque pelas forças russas, sendo enviada a divisão do general Delzons para cobrir o recuo e impedir a retomada da vila de Borodino pelos russos. As demais divisões do exército de Bauharnais haviam cruzado o rio Kolocha e empurrado os russos de volta ao Reduto Raevsky. As divisões de Broussier e Morand atacaram com pesado apoio da artilharia e chegaram a tomar o reduto, porém foram desalojadas por um contra-ataque russo liderado por Barclay de Tolly, com apoio da reserva de artilharia móvel enviada pelo general Mikhail Kutuzov, sob comando do general Yermolov. Durante estes combates foi morto o major-general Aleksandr Kutaysov, comandante de artilharia do 1º exército russo. A artilharia do 4º exército de Bauharnais continuou a bombardear colunas de apoio russas, enquanto Ney e Davout montaram um fogo cruzado com artilharia posicionada nas alturas de Semenovskaya.

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Incursão da Cavalaria Cossaca

Ainda pela manhã, por volta das sete e trinta, uma patrulha do regimento da cavalaria cossaca havia descoberto um vau do rio Kolocha ao norte na extremidade da ala direita das posições russas. O general Platov, comandante da brigada vislumbrou a oportunidade de contornar o flanco esquerdo do 4º exército francês e alcançar a retaguarda inimiga. Enviou um ajudante de ordens para solicitar permissão ao general Mikhail Kutuzov para tal operação, o qual encontrou-se no caminho com o general Von Toll, assistente de Kutuzov, o qual sugeriu que o 1º Corpo de Cavalaria do general Uvarov fosse adicionado à operação. Kutuzov deu sua permissão indiferentemente, visto que não havia um plano ou objetivos estabelecidos, sendo a manobra interpretada como uma “finta”. Partiram assim Platov e Uvarov, com cerca de oito mil cavaleiros, porém sem nenhum apoio de infantaria, alcançando a retaguarda do 4º exército francês por volta do meio-dia, quando seu comandante, príncipe Eugênio de Beauharnais havia acabado de receber ordens para juntar-se ao ataque sobre o Reduto Raevsky.

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Monte Utitsa

A terceira área de operações situava-se em torno da aldeia de Utitsa, no extremo sul das posições russas ao longo da antiga estrada de Smolensk. Considerada como um ponto potencialmente fraco na defesa, estava guarnecida por apenas 23 mil soldados, sob comando do general Nikolai Tutchkov, sendo que parte do efetivo era formado por voluntários sem treinamento militar. A defesa, porém era favorecida pela densa vegetação da floresta e pelo terreno pantanoso, capaz de oferecer dificuldade às manobras do exército atacante. As forças de ataque do 5º Exército eram comandadas pelo general Jozef Poniatowski, compostas por 10 mil soldados poloneses bem treinados. Após uma manobra a leste, para escapar dos terrenos pantanosos, os poloneses fizeram passar o comboio de artilharia, o que lhes permitiu tomar a vila de Utitsa logo nas primeiras horas da manhã. Os russos, porém recuperaram a vila, após um contra-ataque do general Tutchkov.

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Ataque Final ao Reduto Raevsky

Napoleão renovou o ataque ao reduto Raevsky a partir das catorze e trinta, lançando três divisões do 4º exército do príncipe Eugênio de Beauharnais, respectivamente comandadas pelos generais Broussier, Morand e Gerard, num ataque frontal e maciço, com apoio de dois corpos de reserva da cavalaria sob comando do general Watier e intenso apoio de artilharia. Enquanto isso, o general Thielmann conduzia oito esquadrões da cavalaria polaco-saxã contra as costas do reduto. O tenente-general Ostermann-Tolstói, foi ferido por uma bala no ombro, mas permaneceu nas fileiras. O general Barclay de Tolly, que observava a movimentação das tropas do príncipe Eugênio, contra-atacou com a 24ª divisão de infantaria do general Likhachev. Neste momento crucial da batalha, Napoleão foi consultado pelos principais oficiais de seu estado maior (Joaquim Murat, Louis-Alexandre Berthier e Michel Ney) quanto a enviar ao campo a guarda imperial, porém recusou tal pedido por considerar temerário arriscar esta valiosa reserva frente a obstinada defesa dos russos, estando tão distante das fronteiras aliadas.

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Fim da Batalha

Após inspecionar a linha de frente, Napoleão decidiu que suas tropas extenuadas deveriam retroceder a posição inicial e permanecer no campo, acreditando que os combates seriam retomados no dia seguinte. Ordenou ainda à guarda imperial que protegesse as linhas, enquanto eram removidos os mortos e feridos. O exército russo igualmente debilitado manteve também suas posições defensivas, e o general Mikhail Kutuzov projetava, à princípio, a continuidade da batalha no dia seguinte; porém, após uma reunião com seu estado maior na aldeia de Fili, confrontado com o grande número de baixas e as dificuldades logísticas que afligiam seus exércitos, ordenou a retirada, abrindo o caminho de Moscou à Grande Armée. O exército russo retirou-se em duas colunas, à 8 de setembro. Após dois dias de marcha tomou rumo do sul pela estrada de Kaluga, enquanto os regimentos da milícia cossaca seguiram diretamente a Moscou via Ryazan, o que confundiu os observadores franceses; e assegurou uma posição favorável às forças russas durante a retirada francesa, um mês e meio depois, pois obrigou estes a proceder o retorno pela mesma estrada, atravessando cidades e campos já devastados durante a invasão.

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Desdobramentos

O governador militar de Moscou, conde Fiodor Rostopchin, premido pela retirada russa, ordenou a evacuação da cidade e a abertura das prisões. As forças napoleônicas adentraram em 14 de setembro, encontrando Moscou abandonada, entregue a saqueadores e incendiários. Permaneceram por cerca de um mês, numa cidade em ruínas, com poucos suprimentos para seus soldados, que dispersos entregavam-se ao ócio e à indisciplina. A possibilidade de um contra-ataque russo tornava-se maior com a passagem do tempo, sem que houvesse perspectivas de um acordo de paz com o czar Alexandre I. Diante desta situação, Napoleão não teve outra alternativa senão ordenar a retirada em meados de outubro, na qual seu debilitado exército foi quase inteiramente consumido pela fadiga das longas marchas sob o frio do outono russo, ou pelos constantes embates contra a cavalaria cossaca. Ocorreram ainda confrontos de menor envergadura, como as batalhas de Tarutino, Maloyaroslavets, e Krasnoi, todas com desfecho favorável ao exército russo. Registrando-se finalmente a Batalha de Berezina, onde o exército francês logrou a travessia deste rio e o retorno a fronteira da Polônia, porém, mais uma vez, ao custo de elevadas perdas.

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