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Batalha de Khe Sanh

A Batalha de Khe Sanh foi um conflito armado que ocorreu durante a Guerra do Vietnã, envolvendo o Exército do Vietnã do Sul e Exército dos Estados Unidos contra o Exército do Povo do Vietnã (EPV). A batalha durou do dia 21 de janeiro a 9 de julho de 1968 e foi considerada por especialistas como um divisor de águas na guerra.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Antecedentes

Base militar de Khe Sanh

As primeiras tropas das Forças Especiais dos EUA estabeleceram sua base em julho de 1962, perto da vila de Khe Sanh, próxima a um forte francês abandonado. Ela foi planejada e concebida inicialmente como um centro de treinamento para as tropas do CIDG (Civilian Irregular Defense Group). As tropas ali estacionadas foram reforçadas ao longo do ano. Em setembro de 1962, engenheiros do Exército do Vietnã do Sul construíram a primeira pista de pouso da base, com pouco menos de 400 metros de comprimento. Posteriormente, a base foi significativamente expandida e reforçada. Ela serviu como base para missões de reconhecimento contra a Trilha Ho Chi Minh na região e além da fronteira com o Laos. A base também controlava um dos principais vales que se estendiam para o sudeste, da Zona Desmilitarizada e do Laos até as planícies ao redor de Quang Trị e Da Nang.

Preparativos para o Cerco

Como demonstraram as patrulhas em torno da base durante a Operação Escócia e como parte do reconhecimento eletrônico durante a Operação Niagara I no final de 1967, unidades maciças do Exército do Vietnã do Norte, lideradas pela 304ª Divisão, que já havia lutado contra os franceses em Dien Bien Phu, avançaram para o sul através da zona desmilitarizada em direção à região ao redor de Khe Sanh. O General Westmoreland reforçou as tropas em Khe Sanh para resistir a um possível ataque, totalizando aproximadamente 6.000 soldados. Assim como os franceses em Dion Bien Phe, o Alto Comando Americano buscava uma batalha decisiva no conflito com o Vietnã do Norte.

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O Cerco

O comando americano em Saigon acreditou inicialmente que as operações de combate em torno de Khe Sanh durante o verão de 1967 eram apenas parte de uma série de pequenas ofensivas norte-vietnamitas, nas regiões fronteiriças. Essa avaliação logo mudou, quando se descobriu que o Exército do Povo do Vietnã movia forças para a região enquanto caía o inverno. A concentração de forças dos fuzileiros navais americanos (os marines) e as ações em torno de Khe Sanh começaram quando a base foi isolada pelas forças comunistas.

Ataque ao Morro 861 - O início do cerco

Na madrugada de 21 de janeiro de 1968, o Morro 861 foi atacado simultaneamente por morteiros, metralhadoras, foguetes e um grupo de aproximadamente 300 soldados de infantaria do Exército Popular do Vietnã. Por volta das 5h30 da manhã, o fogo de artilharia e morteiros das montanhas circundantes começou a cair sobre a base. Um dos primeiros projéteis atingiu o principal depósito de munição, que continha mais de 1.500 toneladas de munição, a maior parte do suprimento da base. As enormes explosões que se seguiram, que duraram mais de 48 horas, mataram 18 soldados americanos e feriram 43, alguns gravemente. Ao mesmo tempo, as tropas do EPV atacaram a aldeia de Khe Sanh, que era defendida por fuzileiros navais e rangers sul-vietnamitas. O primeiro ataque rompeu as defesas, mas foi repelido com sucesso. Após um segundo ataque, ainda naquele dia, os defensores recuaram para a Base de Combate de Khe Sanh, rendendo a aldeia aos norte-vietnamitas sem lutar. Nos dias seguintes, os vietnamitas realizaram repetidamente reconhecimento armado contra as linhas defensivas dos fuzileiros navais, mas a grande ofensiva esperada nunca se concretizou. Em vez disso, a artilharia comunista bombardeou a base, que recebia até 1.500 projéteis por dia.

Khe Sanh sob fogo constante

O bombardeio constante das armas norte-vietnamitas tornou-se rotineiro na base sitiada durante os dois meses e meio seguintes. Para se proteger do perigo representado pelos projéteis de artilharia e morteiro, os fuzileiros navais expandiram e reforçaram os quartéis e búnquers a tal ponto que pudessem resistir pelo menos a fogo de morteiro e impactos de artilharia leve, construindo também uma rede de trincheiras e abrigos de proteção contra estilhaços dentro da base. O fornecimento aéreo para a base, que era a única forma de reabastecimento de tropas na maioria do tempo, provou ser extremamente difícil em alguns momentos durante os dois meses e meio seguintes. Os artilheiros norte-vietnamitas tinham a pista de pouso sempre na mira, fazendo com que poucas aeronaves pudessem pousar sem ser atingidas. Em alguns dias, as rações alimentares dos soldados tiveram que ser reduzidas. Apesar das fortificações, o fogo de artilharia causou repetidamente ferimentos e mortes. Além disso, uma infestação de ratos se desenvolveu nos búnquers e quartéis, já que esses eram os únicos locais relativamente secos dentro da base devido ao clima chuvoso da primavera.

Bloqueio Fluvial

Além dos ataques terrestres, nos dias 20, 21 e 22 de janeiro de 1968, a 126ª Unidade de Forças Especiais, em coordenação com o 47º Batalhão das tropas de Vinh Linh e os guerrilheiros do distrito de Gio Linh, ambos norte-vietnamitas, afundaram seis navios de carga (LCUs) no porto de Dong Ha. Na sequência, nos dias 26, 27 e 28 de janeiro, a 126ª Unidade de Forças Especiais Navais do Vietnã utilizou minas para destruir mais três navios de carga que transportavam suprimentos militares americanos de Da Nang, passando por Cua Viet, até Dong Ha. Às 9h da manhã do dia 8 de fevereiro, a 126ª emboscou um comboio de transporte americano, afundando quatro LCUs e milhares de toneladas de munição. Na manhã de 1º de março, no rio Hieu, guerrilheiros e membros das forças especiais do Vietnã emboscaram e afundaram mais 7 navios americanos, danificando outros 5, no que ficou conhecido com a Batalha de Bach Dang no rio Hieu.

Abastecimento aéreo

Como a base estava completamente cercada, e aproximadamente 120 toneladas de suprimentos eram necessárias diariamente para abastecer os cerca de 6.000 soldados ali estacionados e para defender o acampamento, os suprimentos tiveram que ser entregues por via aérea. Isso não era isento de riscos, pois os norte-vietnamitas haviam estabelecido diversas posições antiaéreas nas colinas ao redor de Khe Sanh, equipadas com metralhadoras e canhões antiaéreos leves, e dessas posições, eles atiravam nos aviões de suprimentos que se aproximavam lentamente. Além disso, os aviões eram imediatamente recebidos com fogo de morteiro e artilharia assim que pousavam e se dirigiam ao ponto de descarga.

Bombardeios Estadunidenses e uso de Napalm

As operações aéreas táticas, incluindo o polêmico uso de bombas napalm e explosivos convencionais, foram intensas e por vezes realizadas próximas das posições defensivas. A persistência das tropas norte-vietnamitas ficou evidenciada com a construção de trincheiras e túneis de aproximação sob cobertura do mau tempo, os quais foram subsequentemente destruídos por ataques aéreos. Quando as condições climáticas restringiam a aviação tática, o apoio era fornecido por bombardeiros estratégicos B-52 e o caça F-4 Phantom, que transformou o entorno de Khe Sanh em uma das áreas mais intensamente bombardeadas da história militar. A chave dos EUA para a defesa de Khe Sanh era a extensa superioridade aérea. Para isso, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) foi chamada para auxiliar a base dos fuzileiros navais norte-americanos. Essa campanha, chamada de Operação Niagara contou com os últimos avanços tecnológicos para localizar as forças do EPV. Oficiais superiores da Marinha destacaram a capacidade de sustentar indefinidamente um bombardeio maciço, que chegou a atingir 80.000 toneladas de bombas sobre as forças vietnamitas na região, superando em tonelagem os ataques não nucleares contra o Japão na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a eficácia operacional desse poderio foi limitada, não impedindo a movimentação e os constantes ataques de artilharia das forças do Exército Popular do Vietnã (EPV) contra a base.

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Fim do Cerco

Durante esses 77 dias, as forças combinadas dos EUA realizaram 26.658 missões aéreas sobre Khe Sanh, lançando cerca de 98.721 toneladas de munições. Isso, somado às centenas de milhares de projéteis de artilharia e morteiro disparados pelos fuzileiros navais e ao número consideravelmente maior gasto pelo Exército Popular do Vietnã, conferiu a Khe Sanh a indesejável distinção de ser o lugar mais bombardeado da Terra.

Operação Pegasus

Em Março de 1968, uma grande expedição terrestre (Operação Pegasus) foi executada por uma força-tarefa combinada de Fuzileiros Navais, Exército dos Estados Unidos e Exército do Vietnã do Sul. Essa expedição conseguiu romper o cerco aos Marines, constituindo-se em vitória tática dos americanos e seus aliados, mas sem implicações estratégicas significativas no quadro geral. Em 19 de junho, com o cerco rompido, os militares americanos começaram a evacuar a base de Khe Sanh (Operação Charlie), com os últimos soldados saindo em 11 de julho. Os norte-vietnamitas ocuparam a base e, a despeito dos fuzileiros americanos ainda conduzirem patrulhas pela região, os comunistas declararam vitória, tomando a base desocupada e estendendo suas linhas de suprimento e comunicação para o sul.

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Resultado

O governo dos EUA declarou à imprensa e aos meios de comunicação que a FNL havia sofrido entre 10.000 e 15.000 baixas. No entanto, em um relatório secreto que o Comando de Assistência Militar dos EUA no Vietnã apresentou ao General Westmoreland (posteriormente desclassificado), os militares dos EUA estimaram esse número em apenas cerca de 5.550, o que significa que o número divulgado pelo governo dos EUA ao público foi deliberadamente exagerado. As estatísticas da FNL indicaram que suas perdas reais foram de apenas 2.469 mortos durante a campanha (de 20 de janeiro a 20 de julho de 1968), seis vezes menor que a estimativa dos EUA. A luta por Khe Sanh foi sangrenta e extremamente brutal para os homens envolvidas nela. Os combates nas regiões ao redor da base também foram particularmente violentos e, apesar do alto custo em vidas, não significou em grandes conquistas para qualquer um dos lados.

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