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Beijo

Beijo é o toque dos lábios em outra pessoa ou objeto. Na cultura ocidental é considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida. O beijo nos lábios de outra pessoa é um símbolo de afeição romântica ou de desejo sexual - neste último caso, o beijo pode ser também noutras partes do corpo. Ainda há o chamado beijo de língua, em que as pessoas que se beijam mantêm a boca aberta enquanto trocam carícias com as línguas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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História

Os antropólogos discordam sobre se beijar é um comportamento instintivo ou aprendido. Aqueles que acreditam que beijar é um comportamento instintivo, citam comportamentos semelhantes em outros animais, como bonobos, que são conhecidos por beijar depois de brigar - possivelmente para restaurar a paz. Outros acreditam que é um comportamento aprendido, tendo evoluído de atividades como a amamentação ou pré-mastigação nas primeiras culturas humanas transmitidas aos humanos modernos. Outra teoria postula que a prática se originou nos machos durante a era paleolítica, provando a saliva das fêmeas para testar sua saúde, a fim de determinar se seriam uma boa parceira para a procriação. O fato de que nem todas as culturas humanas beijam é usado como argumento contra o beijo ser um comportamento instintivo em humanos; acredita-se que cerca de 90% da população humana pratique o beijo. As primeiras evidências escritas do beijo datam de 4500 anos, conforme documentos da Antiga Mesopotâmia e Egito Antigo, segundo Sophie Lund Rasmussen e Troels Pank Arbøll. Em seguida vem a referência nos Vedas, escrituras sânscritas que informaram o hinduísmo, budismo e jainismo, há cerca de 3500 anos, de acordo com Vaughn Bryant, antropólogo da Texas A&M University especializado na história do beijo.

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Tipos

Kristoffer Nyrop identificou uma série de tipos de beijos, como beijos de amor, carinho, paz, respeito e amizade. Ele observa, porém, que as categorias são um tanto artificiais e sobrepostas e que algumas culturas têm outros tipos de gestos desse tipo.

Expressão de carinho e amor

Beijar os lábios de outra pessoa tornou-se uma expressão comum de afeto em muitas culturas ao redor do mundo. No entanto, em certas sociedades, o beijo só foi introduzido através da colonização europeia, sendo que antes não era uma ocorrência rotineira. Tais culturas incluem certos povos nativos da Austrália, os taitianos e muitas tribos na África. Beijar na boca é uma expressão física de afeição, amor ou desejo sexual entre duas pessoas em que as sensações de tato, paladar e olfato estão envolvidas. De acordo com o psicólogo Menachem Brayer, embora muitos "mamíferos, pássaros e insetos troquem carícias", parece que os beijos de afeto não são beijos no sentido humano. O psicólogo William Cane observa que beijar na sociedade ocidental é mais frequentemente visto como um ato romântico e descreve alguns de seus atributos:

Beijo de afeto

Um beijo também pode ser usado para expressar sentimentos, sem um elemento erótico, mas pode ser, no entanto, "muito mais profundo e duradouro", escreve Nyrop. Ele acrescenta que esses beijos podem ser expressões de amor "no sentido mais amplo e abrangente da palavra, trazendo uma mensagem de afeto, fidelidade, gratidão, compaixão, simpatia, alegria intensa ou profunda tristeza." :79 O exemplo mais comum é o "sentimento intenso que une pais e sua prole", escreve Nyrop, mas acrescenta que os beijos de afeto não são apenas comum entre pais e filhos, mas também entre os outros membros da mesma família, o que pode incluir os que estão fora o círculo familiar imediato, "em todos os lugares onde um profundo afeto une as pessoas." :82 Essa tradição está escrita na Bíblia, como quando Orfa beijou a sua sogra e quando Moisés foi ao encontro de seu sogro, ele "fez reverência e beijou-o; e perguntaram um ao outro de seu bem-estar; e entraram na tenda" (Êxodo 18:07); e quando Jacó lutou com o Senhor e se encontrou com Esaú, correu em direção a ele, caiu em seu pescoço e o beijou. O beijo de família era tradicional entre os romanos e beijos de afeto são frequentemente mencionados pelos antigos gregos, como quando Ulisses, ao chegar a sua casa, encontra seus pastores fiéis. :82–83

Religião

O beijo é comum no contexto religioso. Em períodos anteriores ao cristianismo ou ao islamismo o beijo tornou-se um gesto ritual e ainda é tratado como tal em certos costumes, como quando se "beija o pé do Papa, relíquias, ou o anel de um bispo." Entre culturas antigas era comum lançar beijos ao sol e à lua, bem como às imagens dos deuses. Ouve-se falar do beijar a mão pela primeira vez entre os persas. De acordo com Tabor, o beijo de homenagem—cujo caráter não é indicado na Bíblia—foi provavelmente na testa e expressava alto respeito. No judaísmo, o beijo de livros de oração, como a Torá, juntamente com o beijo em xales de oração, também é comum: geralmente tocam sua mão, Talis ou Sidur na Torá e depois a beija. Os judeus também beijam o Muro Ocidental do Templo Sagrado em Jerusalém. A lei judaica proíbe beijar membros do sexo oposto, exceto cônjuges e certos parentes próximos (negiah).

Sinal de respeito

O beijo de respeito é de origem antiga, observa Nyrop. Escreve que "desde os tempos mais remotos que encontramos ele foi aplicado a tudo o que é santo, nobre e de adoração a deuses, suas estátuas, templos e altares, bem como a reis e imperadores; fora da reverência, as pessoas ainda beijavam o chão e tanto sol quanto a lua eram recebidos com beijos.":114 Ele observa alguns exemplos, como "quando o profeta Oseias lamenta sobre a idolatria dos filhos de Israel, ele diz que eles fazem imagens de fundição de bezerros e as beija." Em tempos clássicos homenagem semelhante foi muitas vezes paga aos deuses e as pessoas eram conhecidas por beijar as mãos, joelhos, pés e bocas de seus ídolos. Cícero escreve que os lábios e a barba da famosa estátua de Hércules em Agrigento foram desgastados pelos beijos dos devotos.:115

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Biologia

Em animais

Dentro do mundo natural dos animais, existem inúmeras analogias ao beijo, observa Crawley, como "o raspar de bicos dos pássaros [...] e o jogo de antenas de alguns insetos." Mesmo entre os animais superiores, como o cão, o gato e o urso, comportamento semelhante é observado. :114 Os antropólogos não chegaram a uma conclusão sobre se o beijo é aprendido ou se é comportamento do instinto. Ele pode estar relacionado a um comportamento de preparação também visto entre os outros animais, ou que surja como resultado da pré-mastigação da comida feita pelas mães para seus filhotes. Os primatas não-humanos também apresentam um comportamento que pode ser considerado um beijo. Cães, gatos, pássaros e outros animais exibem gestos com lambidas e carícias entre si, mas também fazem isso com seres humanos ou outras espécies. Isso às vezes é interpretado por observadores como um tipo de beijo.

Fisiologia

Beijar é um comportamento complexo que requer uma coordenação muscular significativa envolvendo um total de 34 músculos faciais e 112 músculos posturais. O músculo mais importante envolvido é o músculo orbicular da boca, que é usado para franzir os lábios e informalmente conhecido como músculo do beijo. No caso do beijo francês, a língua também é um componente importante. Os lábios têm muitas terminações nervosas que os tornam sensíveis ao toque e à mordida.

Benefícios à saúde

Beijar estimula a produção de hormônios responsáveis pelo bom humor: ocitocina, que libera o sentimento de amor e fortalece o vínculo com o parceiro, endorfinas – hormônios responsáveis pela sensação de felicidade – e dopamina, que estimula o centro do prazer no cérebro. O beijo regular protege contra a depressão. A afeição em geral tem efeitos redutores de estresse. O beijo em particular foi estudado em um experimento controlado e descobriu-se que aumentar a frequência de beijos em relacionamentos conjugais e de coabitação resulta em uma redução do estresse percebido, um aumento na satisfação do relacionamento e uma redução dos níveis de colesterol.

Transmissão de doença

Beijar nos lábios pode resultar na transmissão de algumas doenças, incluindo a mononucleose infecciosa (conhecida como "doença do beijo") e herpes simplex quando os vírus infecciosos estão presentes na saliva. Pesquisas indicam que a contração do HIV através do beijo é extremamente improvável, embora tenha havido um caso documentado em 1997 de infecção pelo HIV através do beijo. Tanto a mulher quanto o homem infectado tinham gengivite, então a transmissão era pelo sangue do homem, não pela saliva.

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Fontes consultadas

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