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Bette Davis

Ruth Elizabeth Davis, mais conhecida como Bette Davis, foi uma atriz estadunidense de cinema, televisão e teatro. Conhecida por sua vontade de interpretar personagens antipáticas, ela era venerada por suas atuações numa variada gama de gêneros cinematográficos; de melodramas policiais, filmes de época e comédias, embora seus maiores sucessos tenham sido romances dramáticos. Ganhadora de dois Oscars, ela foi a primeira atriz a acumular dez indicações.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Biografia

Ruth Elizabeth Davis, conhecida desde a infância como "Betty", nasceu em 5 de abril de 1908, em Lowell, Massachusetts, filha de Harlow Morrell Davis (1885–1938), um estudante de direito de Augusta, Maine, e posteriormente um advogado de patentes, e Ruth "Ruthie" Augusta (nascida Favór; 1885–1961), de Tyngsborough, Massachusetts. Sua irmã mais nova, Barbara "Bobby" Harriet, nasceu em 25 de outubro de 1909. Em 1915, os pais de Davis se separaram e Davis frequentou, por três anos, o internato espartano Crestalban, em Lanesborough, Massachusetts, nos Berkshires. No outono de 1921, sua mãe, Ruth Davis, mudou-se para Nova Iorque, usando o dinheiro das mensalidades de seus filhos para se matricular na Clarence White School of Photography, com um apartamento na 144th Street, na Broadway. Ela então trabalhou como fotógrafa de retratos. A jovem Bette Davis mais tarde mudou a grafia de seu primeiro nome para "Bette", depois de conhecer "Bette Fischer", uma personagem em "La Cousine Bette" (1846), de Honoré de Balzac. Durante seu tempo em Nova Iorque, Davis se tornou uma escoteira, onde se tornou líder de patrulha. Sua patrulha ganhou um desfile competitivo para a Sra. Herbert Hoover, no Madison Square Garden.

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Carreira

No início dos anos 1970, Davis foi convidada a aparecer em Nova Iorque em uma apresentação de palco intitulada "Great Ladies of the American Cinema". Ao longo de cinco noites consecutivas, uma estrela feminina diferente discutiu sua carreira e respondeu a perguntas do público; Myrna Loy, Rosalind Russell, Lana Turner, Sylvia Sidney, e Joan Crawford foram as outras participantes. Davis foi bem recebida e foi convidada a fazer uma turnê pela Austrália com o tema semelhante "Bette Davis in Person and on Film"; seu sucesso permitiu que ela levasse a produção para o Reino Unido. Em 1972, Davis desempenhou o papel principal em dois filmes de televisão que foram concebidos como pilotos para as próximas séries da ABC e da NBC, "Madame Sin", com Robert Wagner, e "The Judge and Jake Wyler", com Doug McClure e Joan Van Ark, mas em cada caso, a rede decidiu não produzir uma série. Ela apareceu na produção teatral "Miss Moffat", uma adaptação musical de seu filme "The Corn Is Green", mas depois que o show foi mal-avaliado pelos críticos da Filadélfia durante sua pré-Broadway, ela citou uma lesão nas costas, e abandonou o show, que fechou imediatamente.

1930–1936: Anos iniciais em Hollywood

Em 1930, Davis, de 22 anos, mudou-se para Hollywood para fazer testes de tela para a Universal Studios. Foi inspirada a seguir carreira como atriz de cinema depois de ver Mary Pickford em "Little Lord Fauntleroy" (1921). Davis e sua mãe viajaram de trem para Hollywood. Mais tarde, ela contou sua surpresa por ninguém do estúdio estar lá para conhecê-la. Na verdade, um funcionário do estúdio esperou por ela, mas saiu porque não viu ninguém que se "parecia com uma atriz". Falhou em seu primeiro teste de tela, mas foi usada em vários testes em cenas com outros atores. Em uma entrevista de 1971, com Dick Cavett, ela relatou a experiência com a observação: "Eu era a virgem mais ianque e mais modesta que já andou na Terra. Eles me deitaram em um sofá, e eu testei quinze homens ... Todos eles tiveram que deitar em cima de mim e me dar um beijo apaixonado. Ah, pensei que ia morrer. Apenas pensei que iria morrer". Um segundo teste foi organizado para Davis, para o filme "A House Divided", em 1931. Vestida às pressas com um traje mal ajustado e decote baixo, ela foi rejeitada pelo diretor do filme William Wyler, que comentou em voz alta para a equipe reunida: "O que você acha dessas damas que mostram seus peitos e pensam que podem conseguir empregos?".

1937–1941: Sucesso com a Warner Bros.

Davis começou a trabalhar em "A Mulher Marcada" (1937), retratando uma prostituta em um drama contemporâneo de gângsters inspirado no caso de Lucky Luciano. Por sua atuação no filme, ela foi premiada com a Coppa Volpi no Festival de Veneza, em 1937. Seu próximo filme foi "Jezebel" (1938). O filme foi um sucesso, e o desempenho de Davis como uma mimada sulista lhe rendeu um segundo Oscar. Isso levou a especulações na imprensa de que ela seria escolhida para interpretar Scarlett O'Hara, uma personagem semelhante, em "Gone with the Wind". Davis expressou seu desejo de interpretar Scarlett, e enquanto David O. Selznick estava realizando uma busca pela atriz que interpretaria o papel, uma pesquisa de rádio a nomeou como a favorita do público. Warner ofereceu seus serviços a Selznick como parte de um acordo que também incluía Errol Flynn e Olivia de Havilland, mas Selznick não considerou Davis como adequada e rejeitou a oferta, enquanto Davis não queria Flynn escalado como Rhett Butler. A recém-chegada Vivien Leigh foi escalada como Scarlett O'Hara, e de Havilland conseguiu um papel como Melanie, com ambas sendo indicadas ao Oscar, e Leigh vencendo.

1942–1944: Anos de guerra e tragédias pessoais

Após o ataque a Pearl Harbor, Davis passou os primeiros meses de 1942 vendendo títulos de guerra. Depois que Jack Warner criticou sua tendência de persuadir as multidões a comprar, ela o lembrou de que seu público respondia mais fortemente às suas performances de "vadia". Ela vendeu US$ 2 milhões em títulos em dois dias, bem como uma foto sua em "Jezebel" por US$ 250 000. Também se apresentou para regimentos de pessoas negras, como a única integrante branca de uma trupe de atuação formada por Hattie McDaniel, e que incluía Lena Horne e Ethel Waters. Por sugestão de John Garfield de abrir um clube de militares em Hollywood, Davis – com a ajuda de Warner, Cary Grant, e Jule Styne – transformou uma velha boate no Hollywood Canteen, que abriu em 3 de outubro de 1942. As estrelas mais importantes de Hollywood se ofereceram para entreter os militares. Davis garantiu que todas as noites, alguns "nomes" importantes estariam lá para os soldados visitantes se encontrarem.

1945–1949: Contratempos profissionais

Davis recusou o papel de Mildred Pierce em "Alma em Suplício" (1945), um papel que fez Joan Crawford ganhar o Oscar de melhor atriz, e em vez disso fez "The Corn Is Green" (1945), baseado em uma peça teatral de Emlyn Williams. Em "The Corn Is Green" Davis interpretou Lilly Moffat, uma professora de inglês que salva um jovem mineiro galês (John Dall) de uma vida nas minas de carvão, oferecendo-lhe educação. O papel foi interpretado no teatro por Ethel Barrymore (que tinha 61 anos na estreia da peça), mas a Warner Bros. achou que a versão cinematográfica deveria retratar a personagem como uma mulher mais jovem. Davis discordou e insistiu em fazer o papel como estava escrito, então usou uma peruca grisalha e enchimentos sob as roupas que adicionavam 14 kg ao seu corpo, tudo para recriar a aparência original da personagem. O filme foi bem recebido pela crítica e teve um lucro de US$ 3,6 milhões. O crítico E. Arnot Robertson observou:

1949–1960: Início de uma carreira freelancer

Davis filmou "The Story of a Divorce" (lançado pela RKO Radio Pictures em 1951 como "Payment on Demand"). Pouco antes da conclusão das filmagens, o produtor Darryl F. Zanuck ofereceu-lhe o papel da atriz teatral envelhecida Margo Channing em "All About Eve" (1950). Davis leu o roteiro, descreveu-o como o melhor que já havia lido e aceitou o papel. Em poucos dias, ela se juntou ao elenco em São Francisco para começar a filmar. Durante a produção, ela estabeleceu o que se tornou uma amizade ao longo da vida com sua co-estrela Anne Baxter e um relacionamento romântico com o protagonista Gary Merrill, que levou ao casamento. Joseph L. Mankiewicz, o diretor do filme, mais tarde comentou: "Bette era a letra perfeita. Era a sílaba perfeita. O sonho de diretor: a atriz preparada".

1961–1970: Sucesso renovado

Em 1961, Davis estreou na produção da Broadway "The Night of the Iguana" com críticas principalmente medíocres, e deixou a produção após quatro meses devido a "doença crônica". Então se juntou a Glenn Ford e Hope Lange no filme "Pocketful of Miracles" (1961), de Frank Capra, uma refilmagem de "Lady for a Day" (1933), dirigido também por Capra, e baseado em uma história de Damon Runyon. Os expositores protestaram contra sua escalação, pois consideraram que isso afetaria negativamente o desempenho financeiro do filme e, apesar da aparição de Ford, o filme realmente falhou nas bilheterias. Ela aceitou seu próximo papel no filme de terror gótico "What Ever Happened to Baby Jane?" (1962) depois que Joan Crawford mostrou interesse no roteiro e considerou Davis para o papel de Baby Jane. Davis acreditava que poderia atrair o mesmo público que recentemente fez do filme "Psycho" (1960), de Alfred Hitchcock, um sucesso. Ela negociou um acordo que lhe pagaria 10% dos lucros brutos mundiais, além de seu salário. O filme se tornou um dos grandes sucessos do ano.

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Vida pessoal

Relacionamentos e casamentos

Ao frequentar a Cushing Academy, um internato em Ashburnham, Massachusetts, conheceu seu futuro marido, Harmon O. Nelson, conhecido como Ham. Casaram-se em 18 de agosto de 1932, em Yuma, Arizona. O casamento foi escrutinado pela imprensa; já que os ganhos de Ham, de US$ 100 por semana, estava em uma comparação desfavorável com a renda de Davis, de US$ 1 000 por semana. Davis abordou a questão em uma entrevista, apontando que muitas esposas de Hollywood ganhavam mais do que seus maridos, mas a situação se mostrou difícil para Nelson, que se recusou a permitir que Davis comprasse uma casa até que ele pudesse pagar por ela. Davis teve vários abortos durante o casamento. Em 1938, Harmon terminou seu casamento com Davis, alegando que ela lia demais. Em 7 de dezembro de 1938, o The New York Times noticiou em que Ham "geralmente apenas ficava lá sentado enquanto sua esposa lia em 'um grau desnecessário'". "Ela achava que seu trabalho era mais importante que seu casamento. Até insistia em ler livros ou manuscritos quando [Harmon] tinha convidados. Foi tudo muito perturbador".

Doença e morte

Em 1983, depois de filmar o episódio piloto da série de televisão "Hotel", Davis foi diagnosticada com câncer de mama e passou por uma mastectomia. Duas semanas após a cirurgia, sofreu quatro derrames que causaram paralisia no lado esquerdo do rosto e no braço esquerdo, e a deixaram com a fala arrastada. Ela iniciou um longo período de fisioterapia e, auxiliada por sua assistente pessoal, Kathryn Sermak, recuperou-se parcialmente da paralisia. Mesmo tarde na vida, Davis fumava 100 cigarros por dia. Davis desmaiou durante o American Cinema Awards em 1989, e mais tarde descobriu que seu câncer havia retornado. Ela se recuperou o suficiente para viajar para a Espanha, onde foi homenageada no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, mas durante sua visita, sua saúde se deteriorou rapidamente. Muito fraca para fazer a longa viagem de volta aos EUA, ela viajou para a França, onde morreu em 6 de outubro de 1989, às 23h35, no Hospital Americano em Neuilly-sur-Seine. Davis tinha 81 anos. Uma homenagem memorial foi realizada no palco 18 do Burbank Studio apenas para convidados, onde uma luz foi acesa sinalizando o fim da produção.

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Recepção e legado

"Mesmo o filme mais insignificante ... parecia temporariamente melhor do que eram por causa daquela voz precisa e nervosa, o cabelo louro acinzentado, os olhos arregalados e neuróticos, uma espécie de beleza corrupta e fosforescente ... Prefiro ver a srta. Davis do que qualquer número de filmes competentes". Em 1964, Jack Warner falou da "qualidade mágica que transformou essa garotinha às vezes sem graça e nada bonita em uma grande artista", e em uma entrevista de 1988, Davis observou que, ao contrário de muitos de seus contemporâneos, ela forjou uma carreira sem o benefício da beleza. Ela admitiu que ficou apavorada durante a realização de seus primeiros filmes e que se tornou difícil por necessidade. "Até que você seja conhecido na minha profissão como um monstro, você não é uma estrela", disse ela, "[mas] eu nunca lutei por nada de maneira traiçoeira. Eu nunca lutei por nada além do bem do filme". Durante as filmagens de "All About Eve" (1950), Joseph L. Mankiewicz contou a ela sobre a percepção em Hollywood de que ela era difícil, e ela explicou que quando o público a viu na tela, eles não consideraram que sua aparência foi o resultado de inúmeras pessoas trabalhando nos bastidores. Se ela fosse apresentada como 'uma bunda de cavalo ... quarenta pés de largura e trinta pés de altura', isso é tudo o que o público 'veria ou se importaria'".

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Principais prêmios e indicações

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

Davis recebeu dez nomeações oficiais na categoria de melhor atriz e uma sem estar nos boletins de voto (as regras da Academia permitiram que tal exceção acontecesse no Oscar 1935). Até 2010, só duas atrizes tiveram tantas nomeações nessa categoria: Katharine Hepburn (12) e Meryl Streep (16, e mais três como atriz coadjuvante).

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Fontes consultadas

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