Classe Majestic
A Classe Majestic foi uma classe de couraçados pré-dreadnought operada pela Marinha Real Britânica, composta pelo HMS Magnificent, HMS Majestic, HMS Prince George, HMS Victorious, HMS Jupiter, HMS Mars, HMS Hannibal, HMS Caesar e HMS Illustrious. A classe foi encomendada como parte de um programa que tinha a intenção de fortalecer a Marinha Real diante de seus principais rivais, a Marinha Nacional Francesa e a Marinha Imperial Russa. Seu projeto apresentou vários melhoramentos sobre classes anteriores, incluindo um armamento mais poderoso e melhor blindagem. A classe se tornou um marco no projeto de couraçados e foi copiada por várias marinhas estrangeiras.
O contra-almirante John Fisher, o Controlador da Marinha Real Britânica, emitiu em 1891 um pedido para um novo projeto de couraçado baseado na predecessora Classe Royal Sovereign, mas que incorporasse o recém projetado canhão de 305 milímetros e blindagem Harvey, que era significativamente mais resistente do que blindagem composta. William Henry White, o Diretor de Construção Naval, preparou um projeto preliminar de 12,7 mil toneladas armado com quatro canhões de 305 milímetros e protegido por um cinturão de blindagem de 229 milímetros de espessura. O projeto foi apresentado ao Conselho do Almirantado Britânico em 27 de janeiro de 1892. A maior resistência da blindagem Harvey permitiu que o mesmo nível de proteção dos navios anteriores fosse mantido ao mesmo tempo que a quantidade geral de blindagem fosse diminuída, reduzindo significativamente o peso. Consequentemente, o esquema de proteção desse projeto era mais compreensivo do que o da Classe Royal Sovereign, ao mesmo tempo que minimizava o aumento de deslocamento. Isto permitiu que uma proteção blindada completa fosse adicionada para os canhões principais.
Características
A Classe Majestic tinha 118,8 metros de comprimento entre perpendiculares e 128,3 metros de comprimento de fora a fora, boca de 22,8 metros e calado de 8,2 metros. O deslocamento carregado era de 16 320 toneladas. Tinha uma borda livre de 7,6 metros à vante, 5,2 metros à meia-nau e 5,6 metros à ré. O casco era subdividido em 72 compartimentos estanques dentro da cidadela blindada e 78 fora. Um fundo duplo cobria boa parte do comprimento do casco. Os couraçados tinham dois mastros de poste, cada um com duas gáveas. Os navios, exceto o Hannibal, Caesar e Illustrious, foram construídos com um novo projeto em que a ponte de comando ficava ao redor da base do mastro de vante e à ré da torre de comando para impedir que uma ponte danificada ruísse ao redor da torre.
Armamento
Os couraçados da Classe Majestic tinham uma bateria principal de quatro canhões Marco VIII calibre 35 de 305 milímetros em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré. Foram os primeiros navios capitais britânicos armados com uma bateria de 305 milímetros desde a década de 1880. Este canhão era uma melhora significativa em relação às armas de 343 milímetros que tinham sido instaladas na Classe Royal Sovereign, tanto em termos balísticos quanto do próprio canhão, pois era bem mais leve. Disparavam projéteis de 390 quilogramas a uma velocidade de saída de 760 metros por segundo para um alcance máximo de 12,7 quilômetros. As torres ficavam em cima de barbetas em formato de pêssego, exceto aquelas do Caesar e Illustrious, que eram circulares. As montagens BII dos primeiros sete couraçados permitiam que os canhões fossem recarregados em qualquer posição de rotação usando a munição mantida dentro da torre, mas esta precisava voltar para a linha central caso fosse necessário trazer mais munição dos depósitos, pois os guindastes de munição não giravam junto com a torre. As montagens BIII dos dois últimos membros da classe tinham guindastes giratórios e isto permitia recarregamento em qualquer ângulo de rotação. As duas montagens podiam abaixar as armas até cinco graus negativos e elevar até 13,5 graus. Quatro couraçados da classe foram desarmados durante a Primeira Guerra Mundial e esses canhões foram usados para armar os oito monitores da Classe Lord Clive. As duas torres do Illustrious foram posteriormente colocadas como baterias costeiras no rio Tyne.
Blindagem
O cinturão de blindagem da Classe Majestic tinha 229 milímetros de espessura de aço Harvey, com este novo material permitindo que fosse mais profundo e leve do que embarcações predecessoras. O cinturão tinha 67 metros de comprimento, com 1,68 metro ficando acima da linha de flutuação e 2,9 metros abaixo. O cinturão conectava-se por meio das barbetas à anteparas transversais nas suas extremidades, uma de 356 milímetros à vante e uma de 305 milímetros à ré. O convés blindado tinha 76 milímetros na parte central e laterais inclinadas de 102 milímetros que conectavam-se à extremidade inferior do cinturão. Este arranjo era para que qualquer projétil que penetrasse o cinturão também tivesse que passar pelo convés antes de chegar nas partes vitais dos navios. A espessura do convés reduzia para 64 milímetros em direção da proa e da popa.
O Majestic, Magnificent, Jupiter, Mars, Prince George e Hannibal serviram na Frota do Canal ao entrarem em serviço, com o Magnificent como capitânia. Estiveram presentes em junho de 1897 para a celebração do jubileu de diamante da rainha Vitória e em agosto de 1902 para a revista naval de coroação do rei Eduardo VII, este último junto com o Hannibal. O Caesar e o Illustrious atuaram na Frota do Mediterrâneo, retornando para casa em 1903 e 1904, respectivamente, para se juntarem a seus outros irmãos na Frota do Canal. O Victorious brevemente serviu na Frota do Mediterrâneo em 1897 e então foi transferido no ano seguinte para o Sudeste Asiático, onde permaneceu até 1900. Depois disso atuou novamente no Mar Mediterrâneo de 1900 a 1903 e enquanto 1904 também foi colocado na Frota do Canal. O Majestic e o Magnificent foram colocados em 1907 na Divisão de Nore, enquanto na mesma época o Caesar, Victorious e Mars foram para a Divisão de Devonport e o Hannibal, Prince George, Jupiter e Illustrious para a Divisão de Portsmouth.


