Papa Bonifácio VIII
Bonifácio VIII (em latim: Bonifacius VIII), nascido Benedetto Gaetani; foi Papa da Igreja Católica e Soberano dos Estados Papais de 24 de dezembro de 1294 até a data de sua morte.
Vida inicial e eleição para o papado
Benedetto nasceu em 1235 em Anagni, a cerca de 50 km a sudeste de Roma, filho mais novo de uma pequena mas importante família nobre de Lombardia, os Caetani (ou Gaetani) que já antes tinha dado um papa (Gelásio II). Depois, na sua adolescência, tornou-se cónego da catedral de Anagni. Em 1252, quando seu tio Pedro Gaetani se tornou bispo de Todi, na Umbria, começou em Todi os seus estudos jurídicos. Benedetto nunca esqueceu suas experiências lá, tanto que, mais tarde, descreveu a cidade como "a morada de sua juventude," a cidade que o "alimentou ainda em tenra idade", e como um lugar onde ele "realizou duradouras memórias". Ainda aí, em 1260, Benedetto adquiriu o sacerdócio, bem como o pequeno castelo nas proximidades em Sismano. Mais tarde na vida ele repetidamente expressou sua gratidão a Anagni, Todi, e sua família.
Conflitos com Filipe IV de França
Bonifácio VIII defendeu algumas das mais fortes afirmações da supremacia espiritual dos papas sobre o temporal dos reis e dos senhores feudais, vinculando-se em grande parte aos ideais da Reforma gregoriana que tinha sido delineada 250 anos antes, demonstrando-a na sua política externa. O conflito entre Bonifácio VIII e os reis europeus ocorreu em um momento de expansão dos Estados-nação e o desejo de consolidação do poder pelos monarcas. A intervenção de Bonifácio nos assuntos temporais levou a muitas disputas com o imperador Alberto I da Germânia (1291–1298), com a poderosa família dos Colonna, com Filipe IV de França (1285–1314) e estranhamente com Dante Alighieri (que escreveu De Monarchia para argumentar contra ele).
Morte e legado
Bonifácio faleceu em 11 de outubro de 1303. Seu legado é significativo no campo do Direito Canônico, onde Bonifácio VIII continua a ter grande influência. Publicou 88 cânones jurídicos conhecido como o "Regulae iuris", em 1298. Esta obra é bem conhecida e compreendida pelos canonistas até à atualidade, a fim de interpretar e analisar os cânones e outras formas de leis eclesiásticas corretamente. O "Regulae Iuris" aparece no final da chamada Liber Sextus, promulgada por Bonifácio VIII e publicado como um dos cinco Decretais no Corpus Iuris Canonici. Outros sistemas de direito também têm os seus próprios "Regulae Iuris", com o mesmo nome ou algo que possui uma função semelhante.
Julgamento póstumo e falsas acusações
Após a sua morte e a sede do papado ser removida para Avinhão, em França, o Papa Clemente V consentiu um julgamento post mortem movida, em 1309, contra o seu antecessor. Este foi organizado por um consistório eclesiástico em Groseau, perto de Avinhão, que realizou investigações preliminares em agosto e setembro de 1310. Esse foi acompanhado por processo de investigação judicial, contra a memória de Bonifácio, em que o rei Filipe forjou as acusações retratadas por falsas testemunhas que alegaram opiniões heréticas do ex-papa. Nelas incluía o crime de simonia que, aliás, como aconteceu no processo contra os templários, era o padrão de difamação de Filipe contra seus inimigos.


