Encyclopædia Britannica
A Encyclopædia Britannica é uma enciclopédia generalista de língua inglesa publicada pela Encyclopædia Britannica, Inc., uma editora privada. É amplamente considerada como a mais acadêmica das enciclopédias.
Descrição geral
A propriedade da Britannica mudou muitas vezes ao longo do tempo, tendo passado por vários donos como: a editora escocesa A & C Black, Horace Everett Hooper, Sears Roebuck e William Benton. O presente dono da Encyclopædia Britannica, Inc. é Jacqui Safra, de nacionalidade suíça, milionário e ator. Os recentes avanços das tecnologias da informação e o aumento das enciclopédias eletrônicas tais como a Encarta e a Wikipédia reduziram a procura de enciclopédias impressas. A fim de permanecer competitiva, a Encyclopædia Britannica, Inc. tem enfatizado a boa reputação da Britannica, reduzindo seu preço e os custos de produção e desenvolvido versões eletrônicas em CD-ROM, DVD e World Wide Web. Desde os primeiros anos da década de 1930, a editora promoveu também trabalhos de referência spin-off.
Edições
A Britannica foi impressa em 15 edições oficiais, com suplementos multi-volumes da 3.ª a 5.ª edições (ver a Tabela abaixo). Estritamente falando, a décima edição foi apenas um suplemento da 9.ª, assim como as edições 12.ª e 13.ª foram suplementos da 13.ª edição. A 15.ª edição sofreu uma mudança drástica, em termos de organização, em 1985, mas a atualização, versão corrente, continuou conhecida como 15.ª edição. Ao longo de sua história, a Britannica foi desenvolvida com dois objetivos: ser um excelente livro de referências e providenciar material educacional para quem tenha desejo de estudar. Em 1974, a 15.ª edição adotou um terceiro alvo: sistematizar todo o conhecimento humano.
Dedicatórias
A Britannica foi dedicada aos monarcas britânicos de 1788 a 1901 e, após sua venda a uma sociedade estadunidense, ao monarca britânico e ao presidente dos EUA. Assim, a 11.ª edição foi "dedicada, com permissão, a Sua Majestade Jorge V, Rei da Grã-Bretanha e Irlanda e dos Domínios Britânicos de além-mar, Imperador da Índia, e a William Howard Taft, Presidente dos Estados Unidos". A ordem destas duas dedicatórias mudou com os poderes relativos dos EUA e da Grã-Bretanha, e com as vendas relativas da Britannica nesses países; a versão de 1954 da 14.ª edição é "dedicada, com permissão aos Chefes de Estado das Duas Nações Anglófonas, Dwight D. Eisenhower, Presidente dos Estados Unidos, e a Sua Majestade, Isabel II". De acordo com esta tradição, a versão de 2007 da corrente 15.ª edição é "dedicada, com permissão, ao então Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a Sua Majestade, Elizabeth II".
Reputação
Desde a 3.ª edição, a Britannica usufruiu de uma reputação excelente, tanto popular como crítica. Várias edições, desde a 3.ª a 9.ª foram pirateadas para venda nos EUA, começando com a Dobson's Encyclopædia. No lançamento da 14.ª edição a revista Time batizou a Britannica como "O Patriarca das Bibliotecas". Em um anúncio relacionado, o naturalista William Beebe foi citado como dizendo que a Britannica estava "além de comparação porque não há nenhum concorrente". Referências à Britannica podem ser encontradas em meio da literatura inglesa, notadamente na obra de Arthur Conan Doyle, em seu personagem mais conhecido, Sherlock Holmes, na história "The Red-Headed League". Este conto foi realçado pelo Lord Mayor of Londres, Gilbert Inglefield, durante o bicentenário da Britannica.
Prêmios
A Britannica tem recebido diversas premiações ao longo de sua existência. A versão on-line ganhou, em 2005, o Prêmio Codie para "Melhor Serviço Online de Informação ao Cliente"; os prêmios Codie são concedidos anualmente pela Software and Information Industry Association a fim de reconhecer os melhores produtos entre as categorias de software. Em 2006, a Britannica foi de novo finalista. Similarmente, a versão CD/DVD-ROM da Britannica recebeu, em 2004, o Prêmio de Distinção, pela Association of Educational Publishers, e prêmio Codie, em 2001 e 2002.
Temas
Como enciclopédia generalista, a Britannica procura descrever a mais ampla gama de assuntos possível. Os temas são escolhidos, em parte, por referência no "Esboço do Conhecimento" da Propædia. Grande parte da Britannica é dedicada à geografia (26% da Macropædia), biografia (14%), biologia e medicina (11%), literatura (7%), física e astronomia (6%), religião (5%), arte (4%), filosofia ocidental (4%), e direito (3%). Um estudo complementar da Micropædia descobriu que 25% dos verbetes eram do ramo da geografia, 18% de ciências exatas, 17% das ciências humanas, 17% eram biografias, e 25% sobre todos os outros ramos das humanidades. Em 1992, um revisor escreveu que "o alcance, a profundidade, a exatidão da análise [da Britannica] são insuperáveis por qualquer outra enciclopédia generalista".
Crítica
A Britannica também tem recebido fortes críticas, especialmente quando as suas edições se tornam desatualizadas. É dispendioso produzir uma nova edição, completa, da Britannica, e os seus editores, em geral, atrasam as novas edições, tanto quanto sensatamente possível (por norma, cerca de 25 anos). Por exemplo, apesar da política de revisão contínua, a 14.ª edição ficou significativamente desatualizada após 35 anos (1929–1964). Quando o físico norte-americano Harvey Einbinder detalhou os seus erros no seu livro de 1964, The Myth of the Britannica, o feito resultou em que a enciclopédia produziu a 15.ª edição, que requereu dez anos de trabalho. Continua sendo difícil manter a Britannica atualizada; um crítico escreveu, recentemente, que "não é difícil encontrar verbetes desatualizados ou a precisar de revisão", constatando que os artigos maiores, da Macropædia, correm mais riscos de estarem desatualizados do que os mais curtos, da Micropædia. A informação na Micropædia por vezes é inconsistente com a matéria correspondente no verbete da Macropædia, principalmente porque uma delas está desatualizada. As bibliografias dos artigos da Macropædia obtiveram mais críticas por estarem mais desatualizadas do que pelos artigos em si.
Versão impressa de 2007
Desde 1985, a enciclopédia está dividida em quatro partes: a Micropædia, a Macropædia, a Propædia, e os dois volumes do índice. Seus verbetes estão contidos na Micro- e Macropædia com doze e 17 volumes, respectivamente, cada um deles contendo aproximadamente mil páginas. A versão de 2007 traz 699 artigos na Macropædia, que variam em tamanho de duas até 310 páginas, contendo referências e nome dos autores; em contrapartida, a Micropædia possui cerca de 65 mil verbetes, a grande maioria dos quais (em volta de 97%) contendo menos que 750 palavras, nenhuma referência e nenhum colaborador assinando. Estes artigos foram planejados para oferecer uma informação rápida, e para auxiliar a localização rápida do conteúdo disponível na Macropædia que, por sua vez, possui artigos elaborados por autoridades e bem-escritos dentro de cada especialização, contendo dados reunidos sobre o tema que não se encontram noutra parte. O mais longo artigo, com 310 páginas é sobre os Estados Unidos, e é resultado da fusão dos artigos de todos os 50 estados. As informações podem ser encontradas seguindo-se as referências cruzadas entre Micro e Macropædia — embora elas sejam escassas, sendo calculada uma média de uma referência cruzada por página. Consequentemente, recomenda-se aos leitores que façam a busca no índice alfabético inicialmente, ou à Propædia, que organizam o conteúdo geral através de tópicos.
Material impresso relacionado
Existem diversas edições abreviadas da enciclopédia Britannica. A Concise, por exemplo, reúne num só volume 28 mil verbetes curtos que condensam os 32 volumes da edição integral. A Compton's by Britannica, que incorpora o formato da Enciclopédia Compton, e dirigida a crianças e adolescentes entre 10-17 anos, consiste em 26 volumes e 11 mil páginas. Outros produtos incluem o My First Britannica, voltado para crianças entre 6 a 12 anos, e a Britannica Discovery Library, escrita para crianças com idades de 3 a 6 anos. Desde 1938 a Encyclopædia Britannica, Inc. edita anualmente o Book of the Year (Livro do Ano), reunindo os eventos ocorridos no último ano, que estão disponíveis on-line a partir da edição de 1994 (com os eventos de 1993, portanto).[carece de fontes?]
Midia eletrônica
O Britannica Ultimate Reference Suite 2006 DVD contém mais de cem mil artigos. Inclui 73 645 artigos da Britannica impressa, com restante de material da Britannica Student Encyclopædia, da Britannica Elementary Encyclopædia e do Britannica Book of the Year (1993–2004), e ainda alguns artigos "clássicos" das primeiras versões da enciclopédia. O pacote inclui uma gama de conteúdos adicionais, como mapas, vídeos, clipes sonoros, animações e ligações à web. Também oferece ferramentas de estudo e entradas de dicionário e léxico da Merriam-Webster.[carece de fontes?] A Encyclopædia Britannica On-line é um site com mais de 120 mil artigos atualizados regularmente. Possui referências diárias, atualizações e ligação para notícias do The New York Times e da BBC. A assinatura do conteúdo pode ser anual, mensal ou semanal. Planos especiais de assinatura são oferecidos a escolas, faculdades e bibliotecas; estes subscritores institucionais são uma parte importante dos negócios da Britannica. Alguns artigos têm acesso livre, mas são exibidas apenas algumas linhas de texto. Iniciado no começo de 2007, a Britannica vem disponibilizando ligações para artigos com acesso livre, em sítios externos. Tais ligações externas melhoram com frequência o ranking dos artigos nos resultados dos buscadores.
Colaboradores
A versão impressa de 2007 da Britannica ostenta 4 411 colaboradores, com figuras proeminentes, entre eles o Nobel de Economia Milton Friedman, o astrônomo Carl Sagan e o cirurgião Michael DeBakey. Um quarto dos colaboradores já morreu, alguns há tempo tão distante como em 1947 (caso de Alfred North Whitehead), enquanto outro quarto é aposentado ou emérito. A maioria (98%, aproximadamente), contribui para um único artigo; entretanto, 64 contribuíram em três artigos, 23 ajudaram em quatro, dez contribuíram em cinco e oito contribuíram em mais de cinco verbetes. Uma exceção prolífica foi o Drª. Christine Sutton, da Universidade de Oxford, que contribuiu em 24 artigos sobre física de partículas.[carece de fontes?]
Administração
Dale Hoiberg, um sinólogo, é presentemente o vice-presidente sênior e editor-chefe da Britannica. Seus predecessores como editores-chefes foram Hugh Chisholm (1902–1924), James Louis Garvin (1926–1932), Franklin Henry Hooper (1902–1938), Walter Yust (1938–1960), Harry Ashmore (1960–1963), Warren E. Preece (1964–1968, 1969–1975), Sir William Haley (1968–1969), Philip W. Goetz (1979–1991), e Robert McHenry (1992–1997). Anita Wolff e Theodore Pappas são[quando?] a editora assistente e editor executivo, respectivamente. Editores executivos anteriores incluem John V. Dodge (1950–1964) e Philip W. Goetz.[carece de fontes?] A Britannica mantém um departamento editorial com cinco editores seniores, e nove editores associados, supervisado por Dale Hoiberg e outros quatro. O departamento editorial auxilia na autoria dos artigos da Micropædia e nalgumas seções da Macropædia.
Conselheiros editoriais
A Britannica possui um quadro de conselheiro editoriais, que correntemente inclui 14 acadêmicos distintos: A Propædia e seu Outline of Knowledge são feitos por dúzias de conselheiros editoriais sob a direção de Mortimer J. Adler. Metade destes conselheiros já é falecida, incluindo antigos chefes dos editores dessa seção: René Dubos (m. 1982), Loren Eiseley (m. 1977), Harold D. Lasswell (m. 1978), Mark Van Doren (m. 1972), Peter Ritchie Calder (m. 1982) e Mortimer J. Adler (m. 2001). A Propædia lista ainda quatro mil colaboradores consultados, mas que não assinaram os artigos da Micropædia.
Estrutura corporativa
Em janeiro de 1996, a Britannica pertencente à Fundação Benton, foi comprada pelo milionário suíço das finanças Jacqui Safra, e que atualmente é o presidente do quadro administrativo. Em 1997, Don Yannias, sócio de longa data e conselheiro de negócios de Safra, tornou-se o executivo-chefe da Encyclopædia Britannica, Inc.. Uma nova companhia, a Britannica.com Inc., foi iniciada em spin-off em 1999, para desenvolver uma versão digital da Britannica, tendo Yannias a chefia desse empreendimento, enquanto o cargo equivalente da Encyclopædia Britannica, Inc. permaneceu acéfalo por dois anos. A gestão de Yannias deu prejuízos, grandes demissões e perdas financeiras. Em 2001, ele foi finalmente substituído por Ilan Yeshua, que reuniu a direção das duas companhias. Yannias retornou mais tarde como administrador financeiro, mas não mais integrou o Conselho de Administração da Britannica.[carece de fontes?]
Por ser uma obra genérica, a Britannica não compete com enciclopédias especializadas, como por exemplo uma Encyclopedia of Mathematics ou um Dictionary of the Middle Ages (Dicionário da Idade Média), obras que podem dedicar muito mais espaço aos temas específicos de que tratam. Em seus primeiros anos, o principal concorrente, em língua inglesa, era a enciclopédia geral de Ephraim Chambers e, logo após, Rees's Cyclopaedia e a Encyclopaedia Metropolitana, de Coleridge. No século XX, os mais diretos competidores foram Collier's Encyclopedia, a Encyclopedia Americana, e o World Book Encyclopedia. Cada uma dessas publicações tinha qualidades para tornar-se excelente, com escrita excepcionalmente clara ou ilustrações soberbas. Não obstante, era consideração geral que a Britannica possuía maior autoridade do que qualquer outra enciclopédia em língua inglesa, especialmente em razão de sua extensa abrangência e por possuir em seus quadros autores eminentes. Entretanto, a versão impressa da Britannica é mais cara do que a de seus competidores.
Enciclopédias impressas
A Encyclopædia Britannica foi comparada com outras enciclopédias impressas, tanto qualitativa como quantitativamente. O comparativo mais famoso foi feito em nos anos 1990 por Kenneth Kister, que traçou um paralelo desta com a Collier's Encyclopedia e a Encyclopedia Americana. Para a análise quantitativa, dez artigos foram escolhidos ao acaso: circuncisão, Charles Drew, Galileu, Philip Glass, cardiopatia (doenças cardíacas), QI, urso panda, assédio sexual, Santo Sudário e Uzbequistão — e notas (A-D, F) foram atribuídas em quatro categorias: amplitude, precisão, clareza e atualização. Em todas as quatro categorias avaliadas, e para as três enciclopédias, as médias atribuídas ficaram entre B- e B+, principalmente porque nenhuma delas apresentava, em 1994, nenhum verbete sobre assédio sexual. Na categoria precisão, a Britannica recebeu um D e oito As. A Encyclopedia Americana teve oito As, e a Collier's recebeu um D e sete As; Assim a Americana ficou com 95%, enquanto as duas outras tiveram 92% no quesito precisão. A edição de 1994 da Britannica falhou por publicar uma história polêmica sobre Charles Drew, que havia sido desmentida há muito tempo. No quesito cronologia, a Britannica recebeu aprovação de 86%, a Americana 90% e a Collier's 85%. Depois de uma análise comparativa mais completa entre as três enciclopédias, Kister recomendou a Collier's Encyclopedia como a superior entre as três, considerando principalmente a escrita excelente, apresentação equilibrada e facilidade na consulta.[carece de fontes?]
Enciclopédias digitais e mídias ópticas
O mais notável competidor da Britannica em matéria de enciclopédias digitais em CD/DVD-ROM é a Encarta, uma moderna enciclopédia de multimédia que incorpora três enciclopédias impressas: Funk and Wagnalls, Collier's e New Merit Scholar. A Encarta é a mais vendida enciclopédia multimédia, tomando por base a venda a varejo no mercado norte-americano entre janeiro de 2000 a fevereiro de 2006. Ambas ocupam a mesma faixa de preços, sendo que em 2007 o último CD ou DVD da Encyclopædia Britannica valia 50 dólares estadunidenses e o DVD da Microsoft Encarta Premium 2007 valia 45 dólares estadunidenses. A Britannica possui cem mil artigos, além do Dicionário Merriam-Webster (somente na edição norte-americana), e oferece edições mais simplificadas para as escolas primárias e secundárias. A Encarta possui 66 mil verbetes, uma interface amigável personalizada, mapas interativos, matemática, gramática e ferramentas para trabalhos escolares, dicionários de língua inglesa em versões dos EUA e do Reino Unido, e uma edição para jovens. Assim como a Encarta, a Britannica foi criticada por ter edição parcial, dirigida ao público estadunidense; verbetes referentes ao Reino Unido são bem menos atualizados, os mapas dos EUA são mais detalhados que dos demais países e falta um dicionário do Reino Unido.
Enciclopédias da internet
Alternativas on-line para a Britannica incluem a Wikipédia, uma iniciativa livre e pioneira na Web, com conteúdo livre. A Wiki recebe um tráfego 450 vezes maior que a versão on-line da Britannica, segundo estatísticas independentes de visita em páginas feitas pela Alexa, nos primeiros três meses de 2007. Julgando pelos mais recentes dados de número de artigos ou palavras, a versão anglófona da Wikipédia é 20 vezes maior que a Britannica. Uma diferença fundamental entre as duas enciclopédias reside na autoria dos verbetes. Os 699 artigos da Macropædia em geral são produzidos por colaboradores identificados, e os 65 mil da Micropædia são fruto do corpo editorial e identifica apenas os consultores. Assim, um verbete da Britannica ou identifica seu autor, ou um grupo de possíveis autores (o corpo editorial). Com exceção destes últimos, a maioria dos colaboradores da Britannica é de peritos em suas áreas, inclusive com laureados pelo prêmio Nobel. Em contrapartida, os artigos da Wikipédia são escritos por uma comunidade de editores de níveis variados de conhecimento: a maioria dos editores não atribui nenhuma especialização em particular; dentre aqueles que o fazem, muitos são anônimos e não possuem alguma credencial verificável.
A primeira edição em CD-ROM foi feita em 1994. Nesta época foi oferecida uma versão on-line por assinatura. Em 1999 uma versão livre foi oferecida, enquanto nenhuma nova impressão foi feita. A experiência terminou em 2001, e uma nova versão impressa foi feita em 2002.


