Caimacão
Caimacão era um título usado por vários oficiais do Império Otomano, incluindo grão-vizires interinos, governadores de sanjacos provinciais e administradores de cazas distritais. O título foi preservado e às vezes é usado sem tradução para governadores provinciais ou de subdistrito em vários estados sucessores otomanos, incluindo a Turquia, Cuaite, Iraque e Líbano.
No Império Otomano, o título de caimacão (conhecido tanto como sadaret caimacame (sadâret kaymakamı) quanto como caimacão paxá (kaymakam paşa)) era originalmente usado para o oficial que substituía o grão-vizir durante a doença deste, sua ausência da capital em campanha, ou no intervalo entre a demissão de um grão-vizir e a chegada à capital de um novo nomeado. A prática começou no século XVI, ou talvez até antes, e continuou até o fim do império. O caimacão gozava da plenitude dos poderes do grão-vizir, mas não podia intervir na condução das campanhas militares. Escolhido entre as fileiras dos vizires, desempenhava um papel importante na política da capital e frequentemente se envolvia em intrigas contra o grão-vizir ausente, tentando substituí-lo. Nas últimas décadas do império, o posto era preenchido por membros do gabinete imperial ou pelo xeque do Islão. As reformas de modernização e ocidentalização instituídas no século XIX acrescentaram novos significados ao termo. Com o estabelecimento das tropas regulares Asakir-i Mansure-i Muhammediye em 1826, caimacão passou a ser uma patente no exército otomano, equivalente a tenente-coronel. Ela permaneceu em uso ao longo do último século do império e continuou vigente na Turquia até a década de 1930, quando foi substituída pelo título de iarbai (yarbay). A revisão do sistema administrativo nas reformas do Tanzimat pouco depois levou ao uso de caimacão para o governador de um sanjaco (província de segundo nível), enquanto, após o estabelecimento do sistema de vilaiete em 1864, tornar-se-ia o governador de um caza (província de terceiro nível). O sistema foi mantido na Turquia moderna, onde um distrito (ilche, após a década de 1920) ainda é chefiada por um caimacão.


