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Cam

Cam, Cã ou Cão, é um personagem bíblico, um dos filhos de Noé, segundo os Relatos bíblicos. De acordo com a Tabela das Nações no livro de Gênesis, tratava-se do filho mais novo de Noé e foi o pai de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Personagem

Cam é um personagem bíblico mencionado no livro de Gênesis, filho de Noé, que foi salvo do Dilúvio junto com seus irmãos Sem e Jafé, na arca que Deus mandara construir. Gênesis 5:32 indica que Noé gerou a Sem, Cam e Jafé enquanto ele ainda estava com 500 anos. (Noé tinha 600 anos de idade na época do dilúvio Gênesis 7:). Cam assume importância como patriarca de importantes nações da Antiguidade, como Cuxe (Núbia), Sabá, Nimrod (importante cidade-estado suméria, mas aparentemente se referindo a toda civilização mesopotâmica), Filístia, Fenícia e todos os povos cananeus - todas descendentes de seus filhos e netos. Flavius Josephus trata de maneira detalhada a descendência de Cam e as nações que teria gerado. A Bíblia refere-se ao Egito como "as tendas de Cam", "descendentes de Cam" e "a terra de Cam" em Salmos 78:51; 105:23,27; 106:22 e 1º livro de Crônicas 4:40.

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Maldição

Tendo cessado o Dilúvio, Noé, que, entre outras coisas, era vinicultor, plantou uvas, fazendo vinho de sua colheita. Noé então embriagou-se e foi-se acabar adormecido em sua cabana. Cam ter-se-ia deparado com seu pai embriagado e desacordado, tendo ele visto a nudez paterna, foi contar o sucedido a seus irmãos, em vez de guardar o pudor e cobrir seu pai. Quando recobrou a consciência, Noé amaldiçoou o filho de Cam, Canaã, referindo-se a ele como o "servo dos servos". Gênesis 9:25 "e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos". A história de Cam é relatada em Gênesis 9:20–27: Gênesis 9:20 Começou Noé a ser lavrador, e plantou uma vinha: 21Bebendo do vinho, embriagou-se e achou-se nu dentro da sua tenda. 22Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e contou a seus dois irmãos que estavam fora. 23Então tomaram Sem e Jafé uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e, andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai; tiveram virados os seus rostos, e não viram a nudez de seu pai. 24Despertando Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera. 25E disse: Maldito seja Canaã; Servo dos servos será de seus irmãos. 26E acrescentou: Bendito seja Jeová, o Deus de Sem; E seja-lhes Canaã por servo.

Interpretações e implicações sócio-políticas

A maldição de Cam foi usada por alguns membros de religiões abraâmicas para justificar o racismo e a escravidão eterna de negros africanos, quem acreditavam ser descendentes de Cam. Defensores da escravidão nos Estados Unidos invocaram consistentemente este relato da Bíblia ao longo do século XIX em resposta ao crescimento do movimento abolicionista. No Brasil, a maldição de Cam serviu de justificativa para escravizar os índios, tendo missionário da Ordem de São Pedro João de Sousa Ferreira afirmado "Não há lei divina nem humana que proíba a possessão de escravos" e continuou: "(e os índios brasileiros) são da descendência da maldição de Cam".

Pseudoetimologia

Como parte da construção racial da escravidão, a partir do século XVIII foi argumentado entre europeus (até mesmo entre eruditos bíblicos), a pseudoetimologia de que Cam significaria "queimado" ou "escurecido". Todavia, o deciframento dos hieróglifos egípcios e as descobertas de línguas semíticas como o acadiano e o ugarítico demonstraram que não há relação semântica. O erudito bíblico David M. Goldenberg documenta a história dessa pseudoetimologia e através de uma análise linguística minuciosa demonstra a falsidade da hipótese de que Cam possui alguma relação com campo semântico de calor, escuridão ou negritude. Goldenberg demonstra que tudo isso resulta em um mal-entendido da antiga linguística hebraica. A etimologia permanece desconhecida, apesar de Goldenberg já ter provado que não há nenhuma relação entre o nome bíblico "Cam" com a noção de negritude.

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Fontes consultadas

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