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Carlos do Carmo

Carlos do Carmo, nome artístico de Carlos do Carmo da Ascensão de Almeida ComIH • GOM foi um cantor e intérprete de fado português.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/08/2026
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Biografia

Infância e juventude

Filho de Alfredo de Almeida, livreiro e, posteriormente, proprietário da casa de fados O Faia, e da fadista Lucília do Carmo, Carlos do Carmo nasceu na Maternidade Magalhães Coutinho, à Rua de São Lazaro, n.º 100, freguesia da Pena, Lisboa. Estudou no Liceu Passos Manuel, indo depois prosseguir os estudos na Suíça, para onde partiu com 17 anos de idade. Nesse país frequentou o Institut auf dem Rosenberg, um colégio alemão de elite, situado em São Galo, onde teve oportunidade, durante três anos, de estudar intensamente línguas estrangeiras, tornando-se fluente em francês, inglês, alemão, italiano e espanhol. Depois, já em Genebra, obteve um diploma técnico de Gestão Hoteleira.

O surgimento da carreira artística

Apesar de se encontrar empregado na Companhia Nacional de Navegação, a morte do pai, em 1962, levou Carlos do Carmo a assumir a gerência d'O Faia, que, com o passar dos anos, se tornara numa importante casa de Fados da capital. N' O Faia começou a atuar para os amigos e clientes mais frequentes da casa, até que, em 1964, abraçou definitivamente a carreira artística. O surgimento de Carlos do Carmo como fadista dá-se após gravar com Mário Simões uma versão de Loucura, fado de Júlio de Sousa, que a mãe Lucília interpretava. O fadista afirmaria que escolheu o fado Loucura porque ser o unico de que sabia a letra. É certo que estava habituado a ouvir o Fado desde criança, quer na voz de sua mãe, quer na voz de outros intérpretes. Fora levado a ouvir fadistas populares nas verbenas de Lisboa e cedo contactara também com os artistas que atuavam na casa de fados dos pais — Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha ou Carlos Ramos são exemplos de fadistas que Carlos do Carmo ouviu em criança n'O Faia.

O protagonismo na renovação do Fado

À entrada da década de 1970, Carlos do Carmo grava outros títulos (EP e LP), nomeadamente junto da sua mãe (Lucília do Carmo), mas os trabalhos que marcariam esses seus primeiros anos seriam os albuns Por Morrer uma Andorinha e Carlos do Carmo. No primeiro conter-se-ia o tema homônimo de Frederico de Brito, na composição do Fado Vianinha, originalmente gravado pelo amador Francisco Stoffel; na interpretação vigorosa de Carlos do Carmo, o tema tornar-se-ia um êxito comercial e um tema de sempre da sua carreira. Em Carlos do Carmo, incluir-se-á o tema Canoas do Tejo, outra criação de Frederico de Brito, e que confirmaria o sucesso do fadista com voz de crooner junto do grande publico.

As atuações ao vivo e os palcos internacionais

Desde as suas atuações n'O Faia, que se sucedem as apresentações ao vivo de Carlos do Carmo. Numa entrevista ao jornal A Capital, afirmaria que: (...) cantar é um ato de prazer, mas sobretudo no palco, que é um constante jogo de sedução, uma troca indescritível de sentimentos e emoções (...). As suas primeiras digressões foram realizadas ainda no início da década de 1970, com espetáculos em Angola, EUA e Canadá, dirigidos sobretudo para a diáspora portuguesa. Já em 1973 debutava no Brasil ao lado de Elis Regina, num concerto realizado no Copacabana Palace, Rio de Janeiro. No fim da década de 1970, mais precisamente quando abandona a gerência d'O Faia, em 1979, Carlos do Carmo intensifica as suas apresentações ao vivo, e em particular, fora de Portugal.

Os derradeiros originais e a ligação às novas gerações do Fado

No inicio da década de 1990, em 1990, Carlos do Carmo publica o álbum Carlos do Carmo... Que se fez homem de cantar, o que constitui parte do verso da canção Velho Cantor, que o fadista pediu a Sérgio Godinho. O tema partiu de uma sugestão do escritor Manuel da Fonseca ao fadista, para que cantasse um tema sobre os operários da Lisboa antiga que tinham o gosto de cantar o Fado e, por isso, se faziam homens de cantar. José Mário Branco seria um dos responsáveis pelos arranjos e direção musical deste álbum. No mesmo ano, durante um espetáculo no Bordéus, o fadista sofria uma queda do palco para a primeira fila da plateia, numa altura equivalente a um andar, que o obrigou a realizar três cirurgias e a uma cuidada recuperação.

Manifestacoes politicas

Embora declarando-se independente, Carlos do Carmo manifestou, por largos anos, apoio ao Partido Comunista Português. Aquando do seu falecimento, o PCP publicou uma Nota de Pesar, onde, entre vários elogios (“cidadão com um percurso cívico e democrático, com uma carreira artística de mais de 50 anos reconhecida no país e no mundo, intérprete de autores como Ary dos Santos”), referia que Carlos do Carmo fora “participante, entre muitos outros, na afirmação da dimensão cultural da Festa do ‘Avante!’”. Ressalve-se, porém, que a reticência do Partido face ao Fado após o 25 de Abril de 1974 (tendo como principal voz Fernando Lopes-Graça), fez com que o fadista estivesse para ser afastado da primeira edicao da Festa do Avante!, em 1976, realizada na antiga Feira Internacional de Lisboa. A sua inclusão, segundo o testemunho do fadista incluído no livro de Miguel Carvalho, “Amália – Ditadura e Revolução”, ter-se-á devido a um finca-pé de Adriano Correia de Oliveira, quando a contenda surgiu: “Não quiseram que eu cantasse nessa primeira Festa do Avante!. Entendeu-se que não fazia sentido aparecer ali um fadista… Foi o meu querido e saudoso amigo Adriano Correia de Oliveira, que sempre gostou de fado, que disse à direcção: Ou o Carlos do Carmo canta ou eu não canto!”, contou o fadista ao autor.

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Condecorações, prêmios e distinções

Condecoracoes honorificas

Carlos do Carmo foi, por duas vezes, agraciado pela Presidência da República Portuguesa com graus honoríficos:

Prêmios e distinções

O fadista recebeu diversos prémios, atribuídos pelos seus álbuns ou pela sua carreira, de que se destacam: Em 2008, recebeu em Espanha, em conjunto com o poeta Fernando Pinto do Amaral, o prestigiado Prémio Goya, na categoria de Melhor Canção Original, com o Fado da Saudade. A canção faz parte da banda sonora do filme Fados, que concorria à edição de 2008 daqueles que são considerados os óscares espanhóis. No entanto, foram levantadas dúvidas sobre a verdadeira autoria deste fado. Em 2014, tornou-se, a par da soprano Elisabete Matos, no segundo artista português a ganhar um Grammy, obtido na categoria Excelência Musical, entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou álbum. No mesmo ano, a 19 de novembro, o fadista recebe o Grammy Latino de Carreira, no Hollywood MGM de Las Vegas.

Toponímia

A cidade de Lisboa atribuiiu o nome de Carlos do Carmo ao passeio na zona ribeirinha localizado entre o Terreiro das Missas e o Jardim das Docas da Ponte. Em 2008 Carlos do Carmo recebeu uma estrela em sua homenagem no Muro da Fama - Nirvana Studios.

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Fontes consultadas

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