Carlos I de Inglaterra
Carlos I foi o Rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1625 até sua execução. Ele nasceu na Escócia como o segundo filho do rei Jaime VI da Escócia e sua esposa Ana da Dinamarca, porém seu pai herdou a coroa inglesa em 1603 e Carlos se mudou para a Inglaterra, onde passou a maior parte de sua vida. Ele se tornou o herdeiro aparente dos tronos inglês, escocês e irlandês em 1612 depois da morte de seu irmão mais velho Henrique Frederico, Príncipe de Gales. Várias opções para seu casamento foram exploradas, com uma tentativa impopular de casá-lo com uma princesa espanhola da Casa de Habsburgo culminando com Carlos realizando uma estadia fracassada de oito meses na Espanha em 1623. Ele acabou se casando dois anos depois com Henriqueta Maria da França, oriunda da Casa de Bourbon.
Carlos nasceu em 19 de novembro de 1600 no Palácio de Dunfermline, na cidade de Dunfermline na Escócia, o segundo filho do rei Jaime VI da Escócia e sua esposa Ana da Dinamarca. Ele foi batizado em 23 de dezembro por David Lindsay, o Bispo de Ross, durante uma cerimônia protestante realizada na capela real do Palácio de Holyrood em Edimburgo. Carlos foi criado Duque de Albany, o título tradicional do segundo filho do monarca escocês, com os títulos subsidiários de Marquês de Ormond, Conde de Ross e Senhor Ardmannoch. Jaime VI era o primo de primeiro grau duas vezes removido da rainha Isabel I da Inglaterra, tornando-se o Rei da Inglaterra e Irlanda como Jaime I em 24 de março de 1603 depois da morte de Isabel sem deixar descendentes. Carlos na época era uma criança fraca e enferma, assim, por questão da sua saúde frágil, foi decidido que ele permaneceria na Escócia aos cuidados de Alexander Seton, 1º Senhor Fyvie e amigo antigo de seu pai, enquanto seus pais e seus irmãos mais velhos partiram para a Inglaterra em abril e início de junho do mesmo ano.
Isabel, irmã mais velha de Carlos, se casou em 1613 com Frederico V, Eleitor Palatino, e foi morar em Heidelberg. O arquiduque Fernando da Áustria, um católico da Casa de Habsburgo, foi eleito Rei da Boêmia em 1617. Os boêmios se revoltaram no ano seguinte, defenestrando os governadores católicos. A dieta boêmia escolheu Frederico, líder da União Protestante, como seu novo monarca e Fernando foi eleito Sacro Imperador Romano. Frederico aceitar o trono boêmio em desafio ao imperador marcou o início de um tumulto que se desenvolveria na Guerra dos Trinta Anos. O conflito originalmente ficou confinado à Boêmia, mas logo tornou-se uma guerra europeia, com o Parlamento Inglês e o público rapidamente passando a enxergar como uma disputa continental polarizada entre catolicismo e protestantismo. Frederico foi derrotado em 1620 na Batalha da Montanha Branca próximo de Praga e suas terras hereditárias no Eleitorado do Palatinado foram invadidas por uma força Habsburgo dos Países Baixos Espanhóis. Apesar disso, Jaime estava procurando um casamento entre Carlos e a infanta Maria Ana da Espanha, uma católica sobrinha de Fernando, passando a enxergar esse casamento espanhol como um possível meio diplomático para alcançar a paz na Europa.
Carlos e Buckingham, com o fracasso do casamento espanhol, voltaram suas atenções para a França. O novo rei se casou por procuração em 1º de maio nas portas da Catedral de Notre-Dame de Paris com Henriqueta Maria, filha de quinze anos do rei Henrique IV da França. Os dois tinham se conhecido em Paris enquanto Carlos seguia para a Espanha. O casal se encontrou pessoalmente em 13 de junho na Cantuária. Carlos adiou abrir seu primeiro parlamento até que o casamento estivesse consumado para prevenir qualquer oposição. Muitos membros da Câmara dos Comuns eram contra o casamento com uma católica, temendo que o rei fosse acabar com as restrições a católicos não-conformistas e minar a instituição oficial da reformada Igreja Anglicana. Carlos garantiu ao parlamento que não relaxaria as restrições religiosas, mas tinha prometido fazer exatamente isso no tratado secreto de casamento que tinha firmado com seu cunhado, o rei Luís XIII da França. Além disso, o tratado emprestou aos franceses sete navios de guerra ingleses que foram usados em setembro na subjugação dos huguenotes protestantes em La Rochelle. Carlos foi coroado na Abadia de Westminster em 2 de fevereiro de 1626, porém sem Henriqueta Maria, que tinha se recusado a participar de uma cerimônia religiosa protestante.
Prorrogação do parlamento
Carlos abriu em junho de 1628 a segunda sessão do Parlamento Inglês em janeiro de 1629, que havia sido prorrogado em junho de 1628, com uma discurso moderado sobre a questão da tonelagem e peso. Membros da Câmara dos Comuns começaram a expressar sua oposição às políticas do rei devido ao caso de John Rolle, um membro do parlamento cujos bens haviam sido confiscados por não pagar a tonelagem e peso. Muitos parlamentares enxergaram a imposição do imposto como uma violação do Direito de Petição. Carlos ordenou um adiamento do parlamento em 2 de março, porém seus membros forçaram sir John Finch, o Presidente da Câmara dos Comuns, a continuar sentado em seu assento para que assim a sessão se prolongasse o suficiente para que as resoluções contra o catolicismo, arminianismo e tonelagem e peso fossem lidas e aclamadas pela câmara. A provocação foi demais para o rei, que dissolveu o parlamento e fez com que nove líderes parlamentares fossem presos pela questão, consequentemente transformando-os em mártires e dando causa popular aos seus protestos.
Finanças
Um grande déficit fiscal surgiu durante os reinados de Isabel e Jaime. A despeito das curtas campanhas militares de Buckingham contra a Espanha e França, Carlos tinha pouca capacidade para guerrear no além-mar. Durante seu reinado foi obrigado a depender principalmente de forças voluntárias para defesa e em esforços diplomáticos para apoiar sua irmã Isabel e seu objetivo de política externa que era a restauração do Eleitorado do Palatinado. A Inglaterra era o país com os menores impostos da Europa, sem imposto oficial de consumo e sem tributação direta regular. O rei, a fim de aumentar a receita sem convocar o parlamento, reviveu uma lei praticamente esquecida chamada "Distração de Fidalguia", em suspenso por mais de um século, que exigia que todo homem que ganhasse mais de quarenta libras anualmente de sua terra se apresentasse na coroação para ser feito cavaleiro. Carlos baseou-se nesse antigo estatuto para multar todos que não tinham comparecido a sua coroação em 1626.[nota 3]
A Reforma Inglesa esteve no centro do debate político no reinado de Carlos. A teologia arminiana enfatizava autoridade clerical e a capacidade de um indivíduo de rejeitar ou aceitar a salvação, o que seus oponentes consideravam herético e um veículo em potencial para o retorno do catolicismo. Reformistas puritanos consideravam que Carlos era muito simpático ao arminianismo, opondo-se ao seu desejo de mover a Igreja Anglicana para uma direção mais tradicional e sacramental. Além disso, seus súditos protestantes acompanhavam a guerra europeia, ficando consternados pela diplomacia do rei com a Espanha e seu fracasso em apoiar a causa protestante mais eficientemente. Carlos nomeou William Laud como o Arcebispo da Cantuária em 1633. Eles iniciaram reformas a fim de promover uniformidade religiosa ao restringir pregadores não-conformistas, insistir que a liturgia fosse celebrada como descrita no Livro de Oração Comum, organizar a arquitetura das igrejas inglesas para enfatizar o sacramento do altar e republicar a Declaração dos Esportes de Jaime, que permitia atividades seculares no sabá. Os Feudatários para Impropriações, uma organização que comprava benefícios e apadrinhamentos para os puritanos serem nomeados, foi dissolvida. Laud processou os que se opunham às suas reformas no Tribunal de Alta Comissão e na Câmara Estrelada, os dois tribunais mais poderosos do reino. Estes ficaram temidos por sua censura de opiniões religiosas contrárias e impopulares entre as classes proprietárias por infligir punições degradantes a cavalheiros. Por exemplo, William Prynne, Henry Burton e John Bastwick foram colocados no pelourinho, açoitados, mutilados e aprisionados indefinidamente em 1637 por publicarem panfletos antiepiscopais.
Guerras dos Bispos
Carlos via a agitação na Escócia como uma rebelião contra sua autoridade, precipitando a Primeira Guerra dos Bispos em 1639. O rei não procurou subsídios do parlamento para travar a guerra, porém mobilizou o exército sem o consentimento parlamentar e marchou até a fronteira escocesa em Berwick-upon-Tweed. Seu exército não enfrentou os covenanters porque Carlos temia que suas forças fossem derrotadas, já que acreditava que estava em menor número que os escoceses. O rei reconquistou a custódia de seus castelos escoceses no Tratado de Berwick e garantiu a dissolução do governo interino dos covenanters, apesar da concessão que o Parlamento da Escócia e a Assembleia Geral da Igreja da Escócia fossem convocados.
Tensões aumentam
O Parlamento Longo mostrou-se tão difícil para Carlos quanto o Parlamento Curto. Ele foi reunido em 3 de novembro de 1640 e rapidamente começou procedimentos para o impeachment dos principais conselheiros do rei por alta traição. Wentworth foi preso em 10 de novembro; Laud recebeu seu impeachment em 18 de dezembro e João Finch no dia seguinte, consequentemente fugindo para Haia em 21 de dezembro com a permissão de Carlos. Para impedir que o rei dissolvesse o parlamento por sua própria vontade, foi aprovado o Decreto Trienal, que forçava o parlamento ser chamado pelo menos uma vez a cada três anos e permitia que o Lorde Guardião do Grande Selo e outros doze pariatos convocassem o parlamento se o rei não o fizesse. O decreto foi acoplado por um projeto de lei de subsídio, e para garantir o segundo, Carlos concedeu a contragosto seu Consentimento Real em fevereiro de 1641.
Rebelião irlandesa
Na Irlanda, a população era dividida em três principais grupos sócio-políticos: os irlandeses gaélicos, que eram católicos; os Velhos Ingleses, que descendiam dos normandos medievais e também eram predominantemente católicos; e os Novos Ingleses, que eram colonos protestantes da Inglaterra e Escócia aliados ao parlamento inglês e os Covenanters. A administração de Wentworth tinha melhorado a economia irlandesa e aumentou as receitas fiscais, porém isso ocorreu pela severa imposição de ordem. Ele havia treinado um grande exército católico para apoiar o rei e também abrandado a autoridade do parlamento irlandês, continuando a confiscar a terra de católicos para colonos protestantes ao mesmo tempo que promovia um tipo de anglicanismo que era anátema ao presbiterianismo. Como resultado, todos os três grupos estavam insatisfeitos. O impeachment de Wentworth forneceu um novo ponto de partida para a política irlandesa em que todos os lados se uniram para apresentar evidências contra ele. Em uma maneira parecida ao parlamento inglês, os Velhos Ingleses membros do parlamento irlandês discutiram que apesar de contra Wentworth, eram a favor de Carlos. Eles afirmaram que o rei havia sido desviado por conselheiros malignos, e que, além disso, um vice-rei como Wentworth poderia emergir como uma figura despótica ao invés de garantir que o rei estava diretamente envolvido no governo. A queda de Wentworth enfraqueceu a influência de Carlos na Irlanda. A dissolução do exército irlandês foi pedida três vezes sem sucesso pelos comuns ingleses durante o aprisionamento de Wentworth, até Carlos ser eventualmente forçado a desmantelar o exército por falta de fundos ao final do julgamento. As sementes da rebelião foram plantadas por disputas relacionadas a transferência de terras de católicos nativos para colonos protestantes, particularmente o Plantation de Ulster, junto com ressentimento dos movimentos para garantir que o parlamento irlandês fosse subordinado ao inglês. Os Irlandeses Gaélicos entraram em conflito com os Novos Ingleses em outubro de 1641, e os Velhos Ingleses ficaram do lado dos gaélicos afirmando lealdade ao rei.
Cinco membros
Carlos suspeitava, provavelmente corretamente, que alguns membros do parlamento inglês conspiraram com os escoceses invasores. Ele ordenou ao parlamento em 3 de janeiro de 1642 que entregassem cinco membros dos comuns – Pym, João Hampden, Denzil Holles, Guilherme Strode e sir Artur Haselrig – e um dos lordes – Eduardo Montagu, Visconde Mandeville – sob acusação de alta traição. Quando o parlamento se recusou, é possível que Henriqueta Maria tenha convencido Carlos a prender os cinco membros à força, que o rei pretendia fazer pessoalmente. Porém, as notícias chegaram ao parlamento antes dele e os homens procurados fugiram de barco pouco antes de Carlos entrar na Câmara dos Comuns em 4 de janeiro com um guarda armado. Depois de ter tirado Guilherme Lenthall, o presidente da câmara, de sua cadeira, o rei perguntou para onde os parlamentares haviam fugido. Lenthall respondeu de joelhos: "Permita-me Vossa Majestade, eu não tenho nem olhos para ver, nem língua para falar neste lugar como a Câmara tem o prazer de me dirigir, de quem sou servo aqui". Carlos então declarou que "todos os meus pássaros voaram", sendo forçado a ir embora de mãos vazias.
Os dois lados começaram a se armar na metade de 1642. Carlos levantou um exército usando o modo medieval da comissão de disposição, e o parlamento chamou por voluntários para sua milícia. Depois de negociações infrutíferas, o rei levantou o estandarte real em Nottingham no dia 22 de agosto de 1642. No começo da Primeira Guerra Civil Inglesa, as forças de Carlos controlavam as Midlands, Gales, o Condado do Oeste e o norte da Inglaterra. Ele estabeleceu sua corte em Oxford. O parlamento controlava Londres, o sudeste e Anglia do Leste, além da Marinha Real. Depois de algumas escaramuças, os dois lados se encontraram seriamente em Edge Hill, no dia 23 de outubro. Ruperto do Reno, sobrinho de Carlos, divergiu sobre a estratégia de batalha com o comandante Roberto Bertie, 1.º Conde de Lindsey, e o rei ficou do lado do sobrinho. Bertie renunciou ao posto, deixando Carlos para assumir o controle total auxiliado por Patrício Ruthven, 1.º Conde de Forth. A cavalaria de Ruperto conseguiu atravessar as fileiras parlamentares, mas acabou seguindo em frente para saquear o comboio de suprimentos ao invés de voltar para o campo. Bertie, atuando como coronel, foi ferido e sangrou até a morte sem cuidados médicos. A batalha terminou de forma inconclusiva ao cair da noite.
Cativeiro
O parlamento manteve Carlos em prisão domiciliar na Casa Holdenby, Northamptonshire, até Jorge Joyce tirá-lo à força em nome do Novo Exército em 3 de junho. Desconfiança mútua desenvolveu-se entre o parlamento, que favorecia a desmobilização do exército e o presbiterianismo, e o Novo Exército, que era comandando principalmente por não-conformistas independentes que queriam maior participação política. Carlos queria explorar as diferenças de opinião e aparentemente viu as ações de Joyce mais como uma oportunidade do que como ameaça. Ele primeiramente foi levado a Newmarket, sua própria sugestão, depois sendo transferido para Oatlands e então para Hampton Court, onde outras negociações infrutíferas ocorreram. No início de novembro, o rei ficou determinado que era de seu melhor interesse escapar – para a França, Sul da Inglaterra ou Berwick-upon-Tweed, perto da fronteira escocesa. Ele fugiu em 11 de novembro, contatando das margens do Southampton Water o coronel Roberto Hammond, governador parlamentar da Ilha de Wight, que aparentemente acreditou-se ser simpatizante. Entretanto, Hammond prendeu Carlos no Castelo de Carisbrooke e informou o parlamento.
Carlos foi levado ao Castelo de Hurst no final de 1648 e depois para o Castelo de Windsor. A Câmara dos Comuns o processou em janeiro de 1649 sob acusação de traição, porém isso foi rejeitado pela Câmara dos Lordes. A ideia de julgar um rei era complicada. Os três Juízes Chefes dos tribunais comuns da Inglaterra — Henrique Rolle, Oliver St John e João Wilde — eram contra o indiciamento como ilegal. Os comuns declararam-se capazes de legislar sozinhos, passando um projeto de lei criando um tribunal separado para o julgamento de Carlos, declarando que não era necessário o consentimento real. O Alto Tribunal de Justiça estabelecido por decreto era composto por 135 comissários, porém muitos recusaram-se a participar ou escolheram permanecerem longe. Apenas 68 compareceram ao julgamento de Carlos pelas acusações de alta traição e "outros altos crimes", que começou em 20 de janeiro de 1649 no Palácio de Westminster. João Bradshaw foi Presidente do Tribunal e a acusação foi feita por João Cook, Procurador-Geral.
A decapitação foi marcada para 30 de janeiro de 1649. Dois de seus filhos permaneceram na Inglaterra sob o controle do parlamento: Isabel e Henrique. Eles receberam permissão para visitar o pai em 29 de janeiro, despedindo-se às lágrimas. Na manhã seguinte, ele pediu duas camisas para impedir que o clima frio causasse quaisquer tremores notáveis que pudessem se confundir com medo: Acompanhado por guardas, ele caminhou do Palácio de St. James, onde estava preso, até o Palácio de Whitehall, onde um cadafalso de execução foi erguido em frente da Banqueting House. Carlos foi separado dos espectadores por grandes fileiras de soldados, com seu último discurso sendo audível apenas para aqueles próximos do cadafalso. Ele culpou seu destino em seu fracasso de impedir a execução de seu fiel servidor Tomás Wentworth: "Uma sentença injusta que sofri para ter efeito, é punida agora por uma sentença injusta em mim". Ele declarou que havia desejado a liberdade e independência do povo mais que ninguém, "porém devo dizer-lhes que a liberdade e independência deles consiste em ter um governo … Não é terem uma participação no governo; que nada pertence a eles. Um súdito e um soberano são coisas muito diferentes". Continuou, "Partirei de uma Coroa corruptível para uma incorruptível, onde nenhuma perturbação existirá".
Dez dias após sua execução, no dia de seu enterro, um livro de memórias supostamente escrito por Carlos apareceu no mercado. Esse livro, Eikon Basilike ("Retrato Real"), continha uma apologia às políticas reais e mostrou-se uma eficiente peça de propaganda realista. John Milton escreveu uma réplica parlamentar, o Eikonoklastes ("Iconoclasta"), porém fez pouco progresso contra o páthos do livro realista. Anglicanos e realistas criaram a imagem de martírio, com Carlos sendo reconhecido como rei mártir por seus seguidores. A partir da segunda metade do século XVII, altos anglicanos passaram a comemorar seu martírio no aniversário de sua morte em igrejas como as de Falmouth e Royal Tunbridge Wells, fundadas em sua homenagem. Parcialmente inspirado por sua visita à corte espanhola em 1623, Carlos se tornou um grande colecionador de arte, reunindo uma das melhores coleções já montadas. Seus principais cortesãos como Jorge Villiers e Tomás Howard partilhavam do interesse e foram chamados de o Grupo de Whitehall. Na Espanha, ele sentou para um desenho de Diego Velázquez e adquiriu trabalhos de Ticiano e Antonio da Correggio, entre outros. Na Inglaterra, suas comissões incluíam o teto da Banqueting House por Peter Paul Rubens e pinturas por outros artistas dos Países Baixos como Gerrit van Honthorst, Daniël Mijtens e Antoon van Dyck. Ele comprou toda a coleção de Vincenzo II Gonzaga, Duque de Mantua, em 1627 e 1628, incluindo trabalhos de Ticiano, Correggio, Rafael, Caravaggio, Andrea del Sarto e Andrea Mantegna. A coleção cresceu para incluir Gian Lorenzo Bernini, Pieter Bruegel, o Velho, Leonardo da Vinci, Hans Holbein, o Jovem, Václav Hollar, Tintoretto e Paolo Veronese, além de autorretratos de Albrecht Dürer e Rembrandt. Existiam por volta de 1760 pinturas na época de sua morte.
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Nas palavras de John Philipps Kenyon, "Carlos Stuart é um homem de contradições e controvérsias". Reverenciado por Altos Tories que o consideravam como um mártir santo, foi condenado por historiadores Whigs, como Samuel Rawson Gardiner, que o consideravam dúbio e delirante. Nas décadas recentes, a maioria dos historiadores o criticaram, com a principal exceção sendo Kevin Sharpe que ofereceu uma visão mais simpática de Carlos que não foi amplamente adotada. Apesar de Sharpe afirmar que o rei era um dinâmico homem de consciência, o professor Barry Coward achou que Carlos "foi o monarca mais incompetente da Inglaterra desde Henrique VI", visão partilhada por Ronald Hutton, que o chamou de "o pior rei que tivemos desde a Idade Média".


