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Carlos XIV João da Suécia

Carlos XIV & III João foi um militar francês que acabou se tornando o Rei da Suécia como Carlos XIV João e Rei da Noruega como Carlos III João de 1818 até sua morte, também servindo como regente do rei Carlos XIII & II de 1810 até sua ascensão. Nascido como João Batista Bernadotte, alistou-se em 1780 no Exército Terrestre Francês como soldado raso. Ele avançou rapidamente durante a Revolução Francesa depois de um longo período como oficial não comissionado, alcançando em 1794 a patente de general. Bernadotte distinguiu-se em várias batalhas e campanhas, servindo como Ministro da Defesa por um breve período. Passou vários anos tendo uma relação ruim com Napoleão Bonaparte, porém se reconciliaram em 1804 e ele acabou nomeado um Marechal da França, a mais alta patente militar do país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Início de vida

João Batista Bernadotte (em francês: Jean-Baptiste Bernadotte) nasceu no dia 26 de janeiro de 1763 na cidade de Pau, antiga província de Bearne, na região sudoeste do Reino da França. Era o filho mais novo de um total de cinco de Jean Henri Bernadotte e sua esposa Jeanne de St. Vincent. Ele nasceu prematuramente e foi levado logo no dia seguinte por seus pais para poder ser batizado. Originalmente foi chamado apenas de João Bernadotte, porém também recebeu o nome do meio Batista em homenagem ao santo São João Batista. Seu pai era um procurador de acusações em um dos pequenos tribunais da província de Bearne. Era tão mal pago que foi capaz de se casar apenas quando já tinha 43 anos de idade, morrendo pouco depois de seu último filho completar dezessete anos. Bernadotte foi enviado para os cuidados de uma enfermeira a alguns quilômetros de distância de Pau pouco depois de seu nascimento, voltando para casa apenas um ano depois. Ele provavelmente não tinha uma boa relação com sua mãe, já que visitou sua casa durante apenas uma única ocasião depois de ter se juntado ao exército. Bernadotte possivelmente começou seus estudos em um mosteiro beneditino local, mas parte de sua educação pode também ter ocorrido particularmente em casa, o que não era tão incomum na época. Ele começou a trabalhar aos quinze anos de idade como um aprendiz de Jean Pierre de Batsalle, um respeitado advogado de Pau.

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Começo da carreira militar

Soldado e sargento

Seu pai morreu em 31 de março de 1780, deixando a família em uma difícil situação financeira. Bernadotte se alistou em 3 de setembro como soldado raso no regimento Royal–La Marine do Exército Terrestre, força particularmente usada na defesa das colônias e portos. Ele estudou em Collioure e foi enviado para o serviço ativo aos dezoito anos na Córsega. Bernadotte voltou para casa no outono de 1782 e na primavera de 1784 por motivos de saúde, recuperando-se e acompanhando o regimento na guarnição de várias cidades, incluindo Besançon, Grenoble, Viena, Marselha e Carântono-Marítimo. Bernadotte foi promovido em 16 de junho de 1785 de granadeiro para cabo, chegando no mesmo ano à patente de sargento. O regimento havia recebido no ano anterior um novo coronel e comandante, que observaram Bernadotte e passaram a lhe designar várias tarefas. Ele ficou responsável pela procura de novos recrutas, fornecimento de uniformes e aulas de esgrima.

Revolução Francesa

"Eu gritei para eles, os amaldiçoei, implorei, ordenei ... Milhares de tiros foram ouvidos, dos quais uma parte eram meus porque me afastei e emiti um sinal sonoro com meu sabre. Meu cavalo tropeçou, mas manteve-se firme na sela ... 'Soldados, reúnam-se aqui. Puxem e não voltem mais ... As suas baionetas e sua coragem, o que mais vocês defendem. Se a morte vier para nós, vamos morrer com o grito de "Viva a República! Viva a Nação!" nos lábios. Se avançarmos juntos contra esses mercenários, não será fácil para eles nos derrotarem' ... Eu os coloquei na batalha. Parei o pânico que poderia ter se espalhado para seis batalhões ... Todos os oficiais elogiaram meu senso de dever e me parabenizaram pelo triunfo. Os soldados falam de mim com orgulho."

Península Itálica

A retirada da Baviera encerrou as operações francesas ao oeste do Reno. Bernadotte foi nomeado no outono de 1796 como governador de Coblença, sendo logo em seguida acusado por um jornal francês de ter permitido saques durante a campanha em Nuremberg. Ele ficou furioso, já que tinha orgulho de sua disciplina rígida, pedindo permissão para ser liberado e viajar até Paris para desmentir as acusações. Carnot não queria um general em Paris enquanto mais forças francesas eram necessárias nas campanhas da península Itálica. Assim, o ministro acabou enviando Bernadotte no início de 1797 para liderar um exército na Lombardia e apoiar Napoleão Bonaparte contra os austríacos.

Embaixador

Bernadotte foi oficialmente nomeado embaixador na Áustria em 11 de janeiro de 1798, em um momento importantíssimo da diplomacia francesa. Ele considerou a nomeação peculiar, quase um insulto, porém aceitou o posto por causa do alto salário, que era de aproximadamente 144 mil francos. A consternação na Áustria sobre a nomeação de Bernadotte foi grande, com Talleyrand recebendo várias cartas de reclamação, porém inúteis, uma vez que o general já estava a caminho de Viena. A maior dificuldade foi encontrar uma casa adequada para servir de embaixada, com o Palácio Caprara-Geymueller finalmente sendo o local escolhido. Bernadotte chegou na cidade e em 2 de março teve uma audiência com o imperador Francisco II, causando boa impressão na corte austríaca.

Política

Ao voltar para a França ele recebeu uma nova oferta diplomática para ser embaixador na República Batava; era um posto importante, porém Bernadotte recusou por achar que já tinha tido o suficiente de diplomacia. Sem qualquer comando militar disponível, ele passou um tempo em repouso, alugando uma casa em Sceaux e dedicando-se diligentemente à leitura. Bernadotte às vezes realizava passeios a Paris e visitou José Bonaparte, irmão de Napoleão, a quem havia conhecido enquanto estava em campanha na Itália. Ele também manteve contato com o Diretório no Palácio do Luxemburgo. Através de José e sua esposa Júlia Clary ele conheceu a irmã desta, Desidéria Clary, filha de um comerciante de Marselha e que durante dois anos também havia sido noiva de Napoleão. Os dois se apaixonaram e acabaram se casando em 17 de agosto de 1798. Além de ser uma união politicamente benéfica para Bernadotte, Desidéria também trazia consigo um dote substancial. Ela inicialmente se mudou para a casa do marido em Sceaux, porém rapidamente ficou insatisfeita por estar muito longe da alta sociedade de Paris. Poucos meses depois o casal acabou se mudando para uma casa perto de José e Júlia na capital.

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Consulado e império francês

18 de brumário

Napoleão voltou da campanha no Egito em outubro de 1799 e foi entusiasticamente recebido pela maior parte da França. Bernadotte por sua vez estava furioso por ter deixado suas forças em uma transferência de comando desordenada ao general Jean Baptiste Kléber. Bonaparte considerou as ações repreensíveis e pressionou Barras para uma corte marcial, porém foi rejeitado. Dez dias depois da chegada, cedendo a pressões de José e Desidéria, Bernadotte foi ao acampamento de Napoleão para a primeira reunião dos dois desde a assinatura do Tratado de Campoformio. O encontro correu mal e nos dias seguintes ele negou apoio a Napoleão em seu planejado golpe de estado.

Exército do Oeste

Bernadotte foi comandante do Exército do Oeste até 1802, porém passava grandes períodos de tempo em Paris, onde ainda fazia parte do Conselho de Estado. Neste tempo descobriram-se várias conspirações contra Napoleão, porém nenhuma parecia envolver Bernadotte direta ou indiretamente. Ele foi absolvido de todas as suspeitas, porém as desconfianças entre os dois contribuíram para manter a relação tensa. Bernadotte vendeu sua casa em Paris em 30 de outubro de 1800 e comprou outra em Savigny-le-Temple, ao sudoeste da capital. Desidéria preferia muitas vezes ficar com sua mãe ou irmã em Paris, enquanto o marido dava preferência à casa de campo quando estava na França.

Governador de Hanôver

Bernadotte chegou em Hanôver no dia 17 de junho, sendo bem recebido; as histórias do bom comportamento seu e de suas tropas no Reno lhe haviam precedido. Em apenas algumas semanas ele deu ao governo local e à Universidade de Gotinga sinais claros de que sua gestão seria mais justa que a de seus antecessores. A boa reputação de Bernadotte se dava também quando comparada à conduta de seus colegas oficiais, que costumavam se enriquecer de diversas maneiras nos territórios ocupados. O rei Jorge III do Reino Unido era também o Eleitor de Hanôver. Os britânicos enviaram da neutra Hamburgo o diplomata sir George Rumbold. Bernadotte recebeu ordens de Joseph Fouché, ministro da polícia, para prender Rumbold sob suspeitas de ser um espião a serviço do inimigo. Houve uma operação simples das tropas francesas, porém isso causou grande comoção popular e o diplomata foi mais tarde libertado depois de influências prussianas. A propaganda britânica ficou contra Bernadotte, porém também reconheceu que Rumbold havia sido bem tratado em seu período no cativeiro.

Novas batalhas

Napoleão renovou seus planos de invasão ao Reino Unido em agosto de 1805 e enviou seu Grande Exército para o leste em direção da Terceira Coligação. Bernadotte recebeu ordens em 29 de agosto para levar quinze mil de seus soldados de Hanôver para Wurtzburgo. Seu objetivo era apoiar a principal força bávara aliada da França, que tinha por volta de vinte mil homens, com suas forças formando o I Corpo. Na chamada Campanha de Ulm, os soldados de Bernadotte formaram o flanco esquerdo, com a finalidade de impedir qualquer possível retirada das forças austríacas sob o comando do general Karl Mack von Leiberich. As forças de Bernadotte mantiveram a boa disciplina apesar da marcha de 350 km por dez dias. Depois de chegarem a Wurtzburgo eles seguiram através de Ansbach, Eichstätt e Ingolstádio. Ansbach fazia parte da Prússia, que na época estava neutra; Bernadotte se esforçou ao máximo para não sobrecarregar os moradores locais com a quebra dessa neutralidade. O marechal chegou em Munique na Baviera no dia 12 de outubro, fazendo 1 500 prisioneiros e aguardando um possível ataque do general russo Mikhail Kutuzov.

Governador de Hamburgo

Bernadotte se estabeleceu no Castelo de Schlobitten em março de 1807, recebendo uma visita inesperada de Desidéria, que havia viajado mais de 1 300 km durante o inverno em estradas ruins. Von Bennigsen atacou o I Corpo novamente em Elbląg no início de junho, com o marechal francês correndo para Spanden, onde em 4 de junho ele repeliu uma série de ataques por parte das tropas russas. No dia seguinte Bernadotte foi para a dianteira motivar seus homens enquanto defendiam uma ponte, sendo baleado de raspão no pescoço e ficando gravemente ferido. Ele foi levado para o Castelo de Malbork, onde se recuperou aos cuidados de Desidéria. Por causa do ferimento ele não pôde participar da decisiva Batalha de Friedland, porém já estava suficientemente bem para participar das cerimônias envolvendo a assinatura dos Tratados de Tilsit.

Wagram e Antuérpia

As objeções de Bernadotte não surtiram efeito, com ele iniciando sua viagem para Hanôver e Saxônia em meados de março de 1809 depois de já ter se recuperado o suficiente. Ele chegou em Dresden no final do mês, ficando furioso ao descobrir que não era esperado e que nenhuma ordem havia sido enviada da capital. O marechal ameaçou deixar a cidade imediatamente, porém foi convencido a ficar. Para piorar, ele era suspeito de fazer parte da incompetência da administração militar francesa. Um dos muitos exemplos da situação foi como Dresden ficou indefesa depois de Bernadotte partir com as forças saxônicas, já que um exército austríaco invadiu a cidade apenas duas semanas depois. A moral caiu muito quando os saxões sob seu comando descobriram que sua cidade natal havia sido saqueada enquanto marchavam para a França.

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Príncipe Herdeiro da Suécia

Carlos João estava convencido de que a tentativa de vingança de Napoleão não teria sucesso, o que se confirmou na Batalha de Waterloo. O príncipe ficou preocupado por ver a Suécia e a si mesmo fora das negociações do Congresso de Viena. Devido à liquidação dos espólios de guerra, a entrega da Pomerânia sueca e de Guadalupe a outros países fez com que recebesse algumas somas em compensação. O país também estava politicamente isolado, com apenas Alexandre das superpotências ainda sendo um aliado de Carlos João. Sob o clima político depois do fim das Guerras Napoleônicas, muitos acreditavam que seu reinado seria curto. Esse ceticismo estrangeiro muito contrastava com o pensamento dos suecos, que, após as campanhas bem-sucedidas no continente e a união com a Noruega, tinham Carlos João em grande popularidade. "Sua filosofia política não parece basear-se em algo semelhante a um sistema. Em um momento ele fala como um governante absoluto e déspota, no seguinte como um demagogo republicano."

Escolha

Ao mesmo tempo, na Suécia, vários oficiais do alto escalão militar e político haviam se rebelado em março de 1809 contra o rei Gustavo IV Adolfo, por causa da catastrófica derrota sueca na Guerra Finlandesa e a subsequente perda do território da Finlândia para os russos. Ele acabou sendo forçado a abdicar do trono e em seu lugar seu único tio vivo, o príncipe Carlos, Duque de Sudermânia, foi escolhido rei como Carlos XIII. Com isso a política externa sueca mudou; de adversário da França o país agora procurava desenvolver relações mais amistosas com Napoleão. Carlos era velho, prematuramente senil e principalmente não tinha filhos, assim o parlamento sueco acabou escolhendo o príncipe Cristiano Augusto de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo para ser o novo Príncipe Herdeiro. Ele mudou seu nome para Carlos Augusto e foi oficialmente adotado pelo rei em janeiro de 1810, porém acabou morrendo repentinamente em maio e o problema da sucessão voltou.

1812: Ano de Política

"Eu vi a guerra de perto, sei de todos os seus horrores, e não há conquista que pode confortar uma pátria em que suas crianças brincam com sangue em solo estrangeiro. A paz é o único objetivo honorável, sábio e esclarecido do governo. Não há uma medida estatal que constituiu sua força e independência do que suas leis, seu comércio, sua ética de trabalho e, sobretudo, seu sentimento de identidade nacional. A Suécia sofreu pesadas perdas, mas a glória do nome sueco não sofreu maus efeitos." — Carlos João em seu primeiro discurso para o parlamento sueco, 1810 Central para aquilo que mais tarde ficou conhecido como "1812: Ano de Política" era a opinião de Carlos João de que a Suécia deveria proteger seus "limites naturais" e procurar uma união com a Noruega. O rei teve um derrame apenas um mês depois da chegada do novo Príncipe Herdeiro, assim Carlos João também assumiu o posto de regente. Apesar de familiarizado com a situação interna e externa sueca, ele não conhecia o idioma e teve de contar com o auxílio de vários membros proeminentes da sociedade que também eram fluentes em francês, a fim de traduzirem documentos e atuarem como intérpretes quando necessário. Dentre esses estavam Mörner, os irmãos Gustaf e Carl Axel Löwenhielm, o político Gustaf af Wetterstedt, os generais Carl Johan Adlercreutz e Magnus Björnstjerna e o diplomata Kurt von Stedingk.

Sexta Coligação

Carlos João continuou a conversar com os britânicos durante o outono de 1812, enquanto ao mesmo tempo agentes suecos foram enviados para a Noruega a fim de influenciar a opinião pública por uma união com a Suécia. Staël e August Wilhelm Schlegel visitaram Estocolmo em setembro e se disponibilizaram para o príncipe herdeiro e para a diplomacia sueca. Apesar de ter previsto a derrota francesa, Carlos João ficou surpreso pela retirada francesa desastrosa da Rússia no inverno. Com a França enfraquecida, era possível que os russos e britânicos ganhassem a guerra sem a participação sueca, colocando em risco seus apoios na conquista da Noruega. A Suécia e a Prússia se aproximaram no início de 1813, com a segunda quebrando sua aliança com a França. Em março a Suécia e o Reino Unido entraram em uma aliança formal. Os britânicos prometeram aos suecos um subsídio de um milhão de libras esterlinas e a ajuda da frota naval britânica no transporte de tropas para a Pomerânia e na posterior tomada da Noruega. A Dinamarca ainda assim tinha certo apoio da Áustria, com Klemens Wenzel von Metternich, o Ministro do Exterior austríaco, não gostando de Carlos João e temendo que com os dinamarqueses enfraquecidos o equilíbrio de poder na Europa seria abalado.

Tratado de Kiel

Após a vitória na Batalha das Nações, Carlos João teve grandes discussões com os outros líderes da coligação sobre qual curso de ação deveriam seguir. Napoleão havia conseguido escapar e estava tentando retornar para a França, com os russos, prussianos e austríacos querendo persegui-lo, porém o príncipe desejava seguir para o norte. A força principal sueca não realizou grandes operações militares contra o imperador desde o final de outubro até meados de fevereiro de 1814. Oficialmente o motivo era que estavam avançando para o norte com o objetivo de apoiar os britânicos contra os franceses em Hamburgo e Hanôver, porém na verdade Carlos João queria pressionar o rei Frederico VI da Dinamarca a capitular e ceder a Noruega através de um ataque contra o Ducado de Holstein.

Guerra contra a Noruega

Carlos João voltou para a Suécia no final de maio, chegando em Estocolmo no dia 10 de junho em meio a grandes celebrações. Para ele a alegria durou pouco; a união com a Noruega ainda não tinha sido implementada e Cristiano Frederico se recusara a acatar o Tratado de Kiel e fora proclamado rei. Diferentemente da maioria dos suecos, o príncipe levou a resistência norueguesa a sério. Para ele era fundamental que a Suécia conseguisse obter a união total antes da realização do Congresso de Viena em setembro. A resistência tornou impossível uma união pacífica, com ambos os lados logo percebendo que uma guerra era inevitável. Entretanto, Carlos João estava ciente de que uma invasão fomentaria uma inimizade duradoura e queria evitar que a Suécia fosse vista como uma força ocupante, oferecendo à Noruega uma união em que o país teria autonomia substancial. Também existia na opinião pública estrangeira um grande sentimento de que a união deveria ocorrer entre dois estados iguais.

União

Carlos João permaneceu na Noruega em Fredrikstad após o armistício esperando que Cristiano Frederico convocasse um parlamento extraordinário para revisar a constituição norueguesa a fim de adequá-la à Convenção de Moss. O parlamento deveria realizar todas as alterações constitucionais necessárias para entrar em união pessoal com a Suécia em até catorze dias depois da primeira reunião. Cristiano Frederico entregou o governo e foi para Bygdøy, abdicando oficialmente em 10 de outubro depois de o parlamento ter sido aberto. Os políticos noruegueses discutiram as revisões entre si e negociaram com os comissários suecos para chegarem em formulações que ambas as partes considerariam aceitáveis. A constituição revisada foi adotada oficialmente em 4 de novembro, com Carlos XIII sendo eleito o novo rei da Noruega como Carlos II. Carlos João chegou em Cristiania (atual Oslo) junto com seu filho Óscar em 9 de novembro, escoltados por soldados noruegueses, algo em que ele tinha insistido. Os príncipes foram acomodados no Paléet, um edifício da cidade, e no dia seguinte Carlos João realizou um discurso aos parlamentares e fez um juramento à constituição em nome do rei.

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Reinado

Ascensão

Carlos XIII & II morreu em 5 de fevereiro de 1818 e foi sucedido pelo príncipe herdeiro como Carlos XIV & III João, sendo proclamado como o novo rei logo no dia seguinte em seus dois reinos. Ele foi coroado Rei da Suécia em 11 de maio na Catedral de São Nicolau em Estocolmo, e Rei da Noruega em 7 de setembro na Catedral de Nidaros em Trondheim. O entusiasmo por sua ascensão foi grande nos dois países, com o novo monarca sendo felicitado por vários países e potências europeias, o que o ajudou a relaxar sobre sua preocupação acerca da legitimidade de sua sucessão. Outra questão importante para a legitimidade e continuidade da recém estabelecida Casa de Bernadotte era o casamento do príncipe Óscar, agora o novo príncipe herdeiro da Suécia e Noruega. Depois de várias discussões, Óscar viajou pela Europa no verão de 1822 a fim de conhecer candidatas em potencial. A escolhida finalmente foi a princesa Josefina de Leuchtenberg, algo que o próprio rei defendeu por ver o casamento como a união dos "interesses novos e antigos": o pai de Josefina era Eugênio de Beauharnais, que tinha sido um dos generais de Napoleão, enquanto sua mãe era princesa Augusta da Baviera, filha do rei Maximiliano I José da Baviera e oriunda de uma antiga e respeitada casa real germânica, a Casa de Wittelsbach.

Primeiros anos

Em 1819 começou a construção daquilo que se tornaria o Forte de Karlsborg, um vasto complexo que tinha a intenção de servir como refúgio para a família real e governo caso a Suécia fosse atacada e invadida, já que a perda da Finlândia havia criado a necessidade de um edifício que servisse como defesa central. O forte foi localizado às margens do lago Veter e perto do canal de Gota, uma grande obra de infraestrutura que havia começado em 1810 e só seria completada em 1832. A infraestrutura interna da Suécia há muito era precária, com o canal tendo o objetivo de auxiliar no desenvolvimento econômico e facilitar o transporte. Além dele, diversas estradas pavimentadas foram construídas, tornando possível um tráfego maior e que não fosse afetado pelo clima.

Conflitos na Noruega

A oposição na Suécia foi reforçada na sessão parlamentar de 1823, exigindo maior liberdade de imprensa. Além das políticas fiscais, Carlos João também perdeu a batalha pelo aumento da emissão de mais moeda. A oposição ainda era predominantemente factual e a pessoa do rei geralmente era mantida fora das disputas políticas, porém o político Carl Henrik Anckarswärd trabalhou entre os líderes da oposição e ajudou a criar um caráter mais pessoal. Essas disputas surgiram em conexão com o desejo dos noruegueses de marcar sua constituição com celebrações anuais no 17 de maio. A primeira grande festa ocorreu em 1824, porém foi comemorada mais em particular. O 17 de maio foi novamente celebrado em particular nos dois anos seguintes, porém para 1827 uma comemoração oficial foi marcada. O conde Johan August Sandels, governador-geral da Noruega, visitou Carlos João e interpretou que o monarca iria "tolerar" a festa, porém isso mais tarde se mostrou um grande mal-entendido. O rei ainda desejava uma união mais forte entre seus reinos e, contra o conselho de seu governo norueguês, tomou medidas drásticas a fim de convocar um parlamento extraordinário em 1828. Ele enviou um emissário até São Petersburgo para conseguir o apoio do imperador Nicolau I da Rússia sobre uma possível revogação da constituição norueguesa. Tais medidas surpreenderam os suecos e foram fortemente dissuadidas por Nicolau. Carlos João mesmo assim permaneceu em Cristiania, dando uma mensagem clara que as celebrações do 17 de maio eram indesejáveis, com sua vontade sendo respeitada.

Acontecimentos no exterior

Um dos maiores fatores da política internacional da época era a rivalidade entre o Reino Unido e a Rússia. Uma guerra entre os dois países poderia colocar os Reinos Unidos da Suécia e Noruega em uma situação particularmente vulnerável, porém apesar das várias tensões um conflito armado nunca chegou a acontecer. Consequentemente, isso evitou que a política de neutralidade externa do rei fosse colocada em risco. Alexandre morreu em 1825 e a amizade que Carlos João tinha com o antigo imperador continuou com seu sucessor, Nicolau I, que lhe demonstrava grande respeito (tendo inclusive realizado uma visita surpresa em 1838). Um conflito entre esses países surgiu na controvérsia da "Skeppshandelsfrågan" (Questão dos Navios), quando, para angariar fundos a fim de uma renovação de sua frota naval, a Suécia vendeu três de seus navios de guerra antigos. Formalmente, os compradores eram empresas comerciais britânicas, que na verdade eram apenas intermediárias para as ex-colônias espanholas na América, cujas independências haviam sido reconhecidas apenas pelo Reino Unido. Para a Suécia, além dos motivos financeiros, a transação era importante porque o país buscava aumentar seu comércio com os novos países americanos.

Oposição na Suécia

1830 marcou um grande avanço para a oposição sueca, com a Revolução de Julho reforçando os ideais liberais pela Europa. O novo jornal Aftonbladet surgiu como um porta-voz da oposição e sua influência logo ultrapassou a da imprensa conservadora, com o fato de os conselheiros do rei serem mais velhos criando repercussões mais negativas em relação às mudanças. A falta de conhecimento de Carlos João na língua sueca dificultou que ele iniciasse reformas constitucionais no surgimento das controvérsias sobre as questões de representação, a organização do Conselho de Estado e de seus próprios conselheiros. Uma das principais reivindicações era a clara falta de um parlamentarismo semelhante ao britânico, em que os ministros podiam ser responsabilizados pelo próprio parlamento.

Últimos anos

Os conflitos entre Carlos João e a oposição sueca diminuíram ao fim do parlamento de 1841. Dois anos depois em 1843, o rei, então com oitenta anos de idade, celebrou seu Jubileu de Prata marcando 25 anos no trono, recebendo calorosas demonstrações de afeição por todos os cantos de seus dois reinos. Ao final de seu reinado a Suécia tinha conseguido alcançar um desenvolvimento em diversas áreas: sua população era quase equivalente ao número antes da perda da Finlândia, a dívida externa e do governo tinham diminuído, novas rotas de transporte na forma de canais e estradas haviam sido construídas, a agricultura estava em um rápido crescimento, a indústria dobrou de tamanho, os bancos estavam crescendo, os impostos tinham sido reduzidos e as receitas cresceram.

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Legado

Durante todo seu período como príncipe herdeiro e depois rei, Carlos João seguiu sua política estabelecida em 1812 de neutralidade externa. Na época de sua morte em 1844, a Suécia vivia em um longo período de paz sem precedentes em sua história. Ao contrário de outras monarquias europeias contemporâneas, que após a queda de Napoleão voltaram a assumir um sistema mais autocrático de poder, a Suécia e Noruega de Carlos João era vista como uma exceção, com as limitações constitucionais do poder real fazendo com que o rei fosse mais um político do que um soberano total. Carlos João sempre teve o cuidado de enfatizar que tinha sido escolhido pelo parlamento sueco para ser rei, com sua posição, portanto, tendo sido construída sobre a liberdade de escolha de seus cidadãos; ele tinha lido Montesquieu e era a favor da separação dos poderes. Na França sua memória está sempre ligada à de Napoleão, com o ex-marechal sendo visto como possuindo uma parcela de culpa pela derrota francesa na Batalha das Nações em 1813. O próprio Napoleão comentou sobre Carlos João em seu exílio: "Bernadotte foi ingrato comigo, pois eu fui a origem de seu progresso, mas não posso dizer que ele me traiu […] Posso acusá-lo de ingratidão, mas não de traição".

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